sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

29

Dia 29 de fevereiro é um tanto quanto atemporal.

Ele é como uma fenda no espaço-tempo. A cada 4 anos nos deparamos com algo estranho em nosso calendário. Não combina com as folhinhas.

Artificial é mesmo. Inventamos para acertar nossas diferenças com a natureza. Mais uma de nossas divergências filiais. Teimamos em nos desajustarmos aos ciclos, ou talvez não sejamos capazes.

Por sinal, poucas pessoas lembram porque o ano é bissexto. Se temos mais um dia no calendário, qual a relação com o número 2 (bi)? Calma, pois tudo é muito simples...

Como um ano padrão conta com 365 dias, o ano bissexto possui 366 dias. Sua representação numérica da quantidade de dias possui dois números 6: bissexto! Simples, não é?

O pior mesmo são os aniversários. Como fazer com as crianças nascidas neste fatídico dia? Certamente não dá para registrar. Fora o problema de como explicar esse lapso na vida do pequenino.

Mesmo sobre nossos aniversários, fiquei com uma pulga atrás da orelha... Se formos ao limite da precisão, não comemoramos a data no período exato, quanto mais próximos da chegada do ano bissexto.

Está certo que algumas horas não fazem diferença na celebração. Porém, se um dia a mais é inserido para sincronizar nosso calendário com o ciclo do planeta, aniversariantes em dezembro passado celebram a data praticamente com um dia de antecedência.

Resumo da ópera: que diferença faz? Somos extremamente envolvidos em nossos padrões pré-concebidos. Remexer com as idéias inerentes a esses padrões é um divertido exercício de relaxamento. Só não vale entrar em crise existencial. :)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Procrastinação

Procrastinação é um nome meio arranjado para definir o mal do "amanhãsismo".

Adiar continuamente uma série de tarefas, ou projetos, acumular mais uns tantos pelo caminho, concluir quase nenhum, essas são situações comuns aos procrastinadores de carteirinha.

Mal associado muitas vezes aos escritores, com dificuldades em dar continuidade a uma obra, ou mesmo concluí-la, tem como grande representante Douglas Adams.

Contam que durantes anos, mais de uma década, ele tentou entregar um livro, adiando diversas vezes com seu editor. Acabou falecendo aos 41 anos, deixando apenas como legado sua obra-prima "O Guia do Mochileiro das Galáxias".

Todos estamos sujeitos a esse mal. Com a tempestade de atrativos da vida moderna, é fácil encurtar nosso tempo e ficar sem alternativas para tocar nossos compromissos. Solução comum: deixar para amanhã.

Nosso cultura mãe contribui muito para o problema. O vírus do adiamento está inoculado em todas as esferas da sociedade. Em todos os âmbitos sociais, políticos ou econômicos, a herança desse péssimo hábito persiste. Vivemos parcialmente (se tão pouco) apenas amanhã.

Estudos apontam como a falta de atenção uma grande causa. A dificuldade em obter foco nas tarefas, em um mar de obrigações, termina em perda de foco. Depois da primeira vez, para os sem controle, o efeito cascata e conseqüente acúmulo são inevitáveis.

Perfeccionismo também é outra característica colocada como vilã. O perfeccionista desejar fazer tão bem feito, que nunca acaba, deixa um pouco para amanhã, afinal o dia possui limitadas 24 horas. E assim segue, nunca conseguindo chegar à perfeição. Só não contaram a ele que no mundo nada é perfeito.

Falta-nos valorizar mais o presente. Saber apreciar cada gota de tempo presenteada pela vida e não desperdiçá-la. Muitas vezes a preocupação com o amanhã vem das inseguranças do passado. Infelizmente, ou não, nos resta o curto espaço do presente para agir.

E assim se começa a mudança de hábito alimentar (para não dizer dieta) na segunda seguinte, a expressar o amor por alguém quando criarmos coragem, a ajudar o próximo se um dia tivermos condições financeiras, a eliminar nossas dívidas no dia de sorte na loteria.

Apesar do trabalho árduo, da everéstica mudança de postura, não deixemos para amanhã!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Salvem

Salvem o XP!

Gritam em uníssono milhares de usuários do Windows XP, descontentes com a possibilidade de descontinuação futura do sistema operacional por ele amados.

Instabilidades são normais em novas aplicações, ainda mais em sistemas operacionais. O Windows XP inaugurou a era dos códigos com dezenas de milhões de linhas de código (os componentes de um programa de computador), dificultando ainda mais a tarefa de sanar, ou prevenir, problemas.

Assim como ocorreu com XP, o Windows Vista passa por esse momento inicial. Muitas incompatibilidades, diversos problemas de instabilidade, mas tudo deverá passar. Porém os seis anos de história precedente do XP marcam as pessoas, após algumas experiências mal-sucedidas na área.

Apoiados pela publicação InfoWorld, o movimento ganhou volume. Há em seu site uma petição para ser assinada tentando convencer a Microsoft de prolongar a existência da amada versão do Windows.

O movimento se difundiu em blogs, podcasts, criação de vídeos. Um verdadeiro movimento popular em busca de uma causa. Pena as causas atuais serem tão pequenas. Não devemos esquecer o fato de organização alvo ser uma empresa, pautada por interesses econômicos, como não poderia deixar de ser.

Provavelmente pouco mudará. A lógica de lançamento de novas versões é o principal motor de muitas indústrias da atualidade. Alguns sucessos antigos são prolongados por mais tempo, mas inevitavelmente serão descontinuados posteriormente.

Faz-se necessário exercitar o desapego. O mundo tecnológico, que não deixa de ser nossa realidade cotidiana, é de constante mudança. Precisamos exercitar a adaptação. Aprender a aprender novas formas, novas idéias. A novidade tem um custo, mesmo que ele vem em certa dor de cabeça inicial.

Se temos dificuldade de desapego e aprendizagem em itens tão corriqueiros, como não será para assuntos mais complexos e humanos? Há um longo caminho para um novo mundo...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

DIY

Faça você mesmo!

De consertos hidráulicos a projetos de dispositivos, da troca de lâmpadas a gastronomia requintada, quem não tem um parente próximo que encarna o handyman.

A onda do realizar pelas próprias mãos possui adeptos espalhados pelo mundo. Até alguns de nós somos esses tais parentes...

Para encontrar algo sobre o assunto basta procurar o acróstico DIY, do inglês 'Do It Yourself'. Grande parte é relacionada a tarefas domésticas, mas não se limita a este âmbito, extrapola para outros conceitos, como de uma ética de realização auto-suficiente, por exemplo.

Depois das revistas vendidas em bancas, diversas obras digitais podem ser encontrados por quem deseja por a mão na massa. As opções são variadíssimas, sendo algumas extremamente específicas.

Realizar por si traz uma auto-satisfação, de capacidade criativa, de verificação de nossas potencialidades. É algo comum no desenvolvimento de software. Podemos criar programas, páginas de Internet, etc. Escrever tem essa característica também, da construção de idéias. O movimento DIY materializa esse potencial em elementos concretos.

Iniciar trabalhos manuais é terapêutico. É muito bom realizá-los para desestressar, sem compromisso, apenas para esvaziar a mente. Uma meditação com ação. Basta concentração no início, para os 'sem prática', pois as habilidades adormecidas podem demorar a ressurgir, de acordo com sua inatividade.

No final, se algo der errado, como um cano hidráulico acidentalmente furado, não se desespere! Há muitos profissionais disponíveis no mercado para um reparo com excelência. Só não se frustre e saiba que para eles isso é trabalho, tem um custo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Astronauta

Desejar ser astronauta pode deixar de ser sonho de criança.

Os sonhos de criança são feitos de coisas inalcançáveis, bem difíceis de atingir, mas a evolução tecnológica de veículos espaciais encurtará a distância para nossos desejos.

Tudo bem que os turistas até o momento eram milionários, afinal desembolsaram cerca de US$ 20 milhões, para seu passeio especial. As novas propostas, das empresas pretendentes a exploração desse mercado, são bem menos salgadas.

Por exemplo, a Virgin Galactic, do empresário britânico Richard Branson, promete um passeio cem vezes mais em conta, literalmente US$ 200 mil. Não se pode dizer que é uma pechincha, mas já é uma redução considerável, em um curto espaço de tempo.

No site da empresa é possível encontrar um boa quantidade de informações. Dá até para reservar um lugar, em algum vôo futuro, não tão distante. Os textos são multilíngües, incluindo o português, prova do interesse pelo público mundial.

A expectativa, segundo a Virgin, é promover os primeiros vôos em 2009. Eles já teriam US$ 30 milhões em reservas realizadas. Há um espaçoporto projetado, que deverá ser construído no Novo México, com um orçamento de US$ 250 milhões. É tanta quantidade de dinheiro envolvida que parece certo a continuidade da empreitada.

Só não podemos nos animar muito. Consideremos a distância alcançada no vôo, cerca de 100 km, estaremos bem aquém de chegar a Lua, distante 384 mil km do planeta. Além disso, o tempo estimado da viagem espacial é de 5 minutos, inicialmente. Tudo isso é bem diferente da experiência de Yuri Gagarin, em 1961, e de seus sucessores, ao verem o distante planeta azul.

Outras empresas e iniciativas já surgiram. Há um ambiente de concorrência entre todas elas, na disputa desse caríssimo mercado. Possivelmente essa disputa nos levará, pobres mortais, num breve futuro, a fazer jus etimologicamente ao nome astronauta: o marinheiro das estrelas.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

São Martinho

São Martinho de Lima, religioso dominicano, foi filho ilegítimo de um nobre espanhol, mas mesmo reconhecido pelo pai, sofreu preconceito na ordem onde decidiu seguir sua vocação.

O principal ‘problema’ de Martinho era ser pobre e mestiço. Essa sua condição lhe permitia apenas servir como doado, algo quase como um escravo e não como frade, lugar mais baixo na hierarquia da Ordem Dominicana.

Aceitou com simplicidade a posição lhe imposta, e além de cuidar de suas obrigações diárias, inerentes a sua posição na ordem, ainda saía às ruas a esmolar, a fim de ajudar os mais necessitados.

Em São Paulo, temos um São Martinho também: a comunidade São Martinho de Lima. Organização filha da cidade, reconhecida por ela, pois é conveniada com a administração pública municipal, socorre seus filhos mais pobres, mas é discriminada pelas instituições oficiais.

Há dois meses fiz menção a tal situação, de certa perseguição. As coisas não melhoraram e parecem até piorar. Na semana passada o tema foi segurança alimentar das refeições no local.

Fiscais vistosos da vigilância sanitária foram averiguar as condições existentes na comunidade. A instituição existe há 18 anos, tem o convênio com a prefeitura há muito tempo. São servidas mais de 650 refeições (mesmo com o convênio municipal apenas para 150) para a população de rua, diariamente, sem nenhuma ocorrência de problemas, além de fornecer orientação e acompanhamento para documentos, trabalho, etc.

O que pode motivar uma investida desta qualidade?

Detalhes ocasionais foram encontrados, comuns a qualquer estabelecimento a lidar com alimentos. Nada grave. As recomendações serão seguidas e os detalhes ajustados. Fora isso, a avaliação foi satisfatória. Qual será o próximo evento nessa ofensiva?

As alvas fiscais recearam um contato mais próximo com as pessoas atendidas no local. Sua ilibada limpeza contrasta com a situação do povo de rua. De qualquer forma, será preferível se alimentar de restos encontrados no lixo da rua, ou da comida preparada com carinho e dedicação das senhoras do bairro?

Ausente o poder público se mostra impossibilitado de atender a todos. Quando a população busca uma iniciativa adequada e satisfatória, o mesmo poder surge para se manifestar contrariamente, com todas as possibilidades. Começamos a ficar sem possibilidades, a não ser confiar na providência divina.

São Martinho, rogai por nós!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Wikis

Wikis vieram para ficar!

Pode até parecer nome de personagem de ficção científica, mas os sistemas colaborativos, baseados na Internet, com edição coletiva, têm se difundido constantemente e atingem as mais diversas áreas.

Seu maior símbolo, a Wikipedia, deixou de ser representante exclusivo, tanto em alcance como em porte. Em grande parte gratuitos, eles surgem aos montes, em todos os cantos da rede.

A começar pela plataforma, as opções para sua criação passam de uma dezena. Há desde os mais simples e fáceis de configurar, até os mais complexos, mas com resultados e personalização mais avançados. De qualquer forma, o resultado sempre é acessível, ágil e colaborativo.

Os fãs de heróis da Marvel pode consultar a excelente Marvel Database. Baseado no Wikia, é possível encontrar informações de todo o universo dos quadrinhos Marvel. Com diversos caminhos, tipicamente wiki, os recursos vão de links a notícias.

Com um engraçado trocadilho em seu nome, a Wookieepedia, traz o mundo de Star Wars para o reino do wiki. Provavelmente devido a questões de direito autoral, eles não trazem imagens originais da saga, mas interessantes releituras com fotos, ilustrações e desenhos de sua própria autoria.

Há até wiki sobre wiki, o Evertything Wiki. Ele traz uma lista de diversos wikis existentes, além de artigos sobre o melhor e o pior da utilização do sistema. Os autores fazem questão de destacar não se tratar de um site, mas de um wiki. A diferença dá material para refletir...

No Brasil, uma idéia bacana de aplicação é na área de educação. Um exemplo é o wiki do EscolaBR. O portal, dedicação a tal inclusão digital, disponibiliza seu wiki para divulgação de informações sobre tecnologia e apoio na educação.

Procurando algum assunto? Basta pesquisar um pouco e certamente achará um wiki a respeito. Se numa possibilidade remota, ainda não encontrá-lo, já pensou em começar um novo?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Grátis

No free lunch!

Nossos colegas norte-americanos têm em suas sintéticas máximas expressões de volumoso significado. O mercado do grátis pode contradizer esta afirmação.

Chamamos de 'mercado do grátis' a onda de serviços oferecidos gratuitamente, principalmente pela Internet. Adam Smith deve estar revirando no túmulo... Ou não?

O principal expoente e impulsionador desse mercado do século XXI é o Google. Com todo a sua vasta gama de serviços, alguns pleiteando sair do mundo virtual, ele oferece ferramentas para muitos tipos de atividade digital.

Outros participantes do mercado da informação correm atrás e estão constantemente disponibilizando soluções a altura, como o Yahoo e a Microsoft. Inúmeras iniciativas pontuais se agregam, para incrementar a sopa de recursos. Será que todos estão ficando loucos? Ninguém mais quer saber de receber dinheiro pelo trabalho?

É bem sabido que a principal fórmula de receita é a apresentação de propaganda, obviamente paga pelos anunciantes. Porém, às vezes me pergunto, quantas vezes me interessei efetivamente por clicar em algum anúncio. Foram raras ocasiões e vejo o mesmo ocorrer com tantas outras pessoas.

A receita da empresas continua a crescer. Seu investimento em armazenamento, comunicação e outras tecnologias é tão grande que possibilitam o barateamento desses insumos. Não é à toa sua disputa pelo mercado. Obviamente isto é possível pelo imenso número de usuários navegantes existentes. Se uma pequena parcela acessar o anúncio, já será suficiente para gerar muita receita.

Dessa forma, podemos concluir que a viabilização de um mercado do grátis só ocorre pois temos poucos concorrentes, para disputar uma imensa massa consumidora. Essa condição será indefinidamente sustentável?

Em um futuro, talvez distante, existirão concorrentes suficientes para o bolo ser pequeno? Como ficará então a disponibilização gratuita de serviços? Acaso isso não seria o mesmo ocorrido com a nossa TV aberta, em uma escala pouco menor?

Futuramente algumas pessoas terão de trabalhar mais para almoçar...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Concórdia

Caminhos diversos nos levam por caminhos esquecidos.

Em um dia de problemas no Metrô, numa não tão sábia decisão de voltar a pé para casa, atravessei um lugar de São Paulo há muito por mim não visitado: o Largo da Concórdia.

Revitalizado com sua retomada visual de praça, ele foi um novidade desconhecida para mim. Minhas lembranças do local ainda remetiam aos tempos de muitas barraquinhas de camelôs, com bastante confusão e correria.

O pessoal apinhado nos pontos de ônibus, e nos próprios coletivos, não mudou nada. No final da tarde, a região é uma 'ferveção', um burburinho gigantesco de pessoas na volta para casa, após um dia cotidiano de trabalho.

Desaceleração é a sensação pairando no ar. Até alguns minutos todo mundo estava afiado nas vendas, disputando seus clientes. Com o pôr-do-sol, ocorre uma sinfonia de portas de metal baixando, despedida de colegas de trabalho e a bebericação em diversos botecos, para uma happy hour.

Chamou-me a atenção mais ainda o nome do local: Concórdia. Tantas vezes o escutei, mas sem nunca ouvir. Concórdia, segundo o 'pai dos inteligentes', é um estado de harmonia, entendimento, concordância. Tudo bem que historicamente o local foi batizado para homenagear a guerra do Paraguai, mas isso é só um detalhe de pesquisa.

O local é símbolo dessa concordância. Representa essa mistura acolhida por São Paulo, de povos e culturas: nordestinos, libaneses, coreanos, judeus e outros tantos povos. Mistura de braços a mover uma cidade feita de gente.

São Paulo é esse sincretismo concordante. Essa mistura é o segredo de tanta energia. A energia é a razão do amor paulistano por essa megalópole retumbante!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Sanidade

"De médico e louco todo mundo tem um pouco".

Sabiamente o senso comum denuncia um pouco de nossa idiossincrasia. Quanto a ser médico, nem todas as pessoas possuem esse viés acentuado. Quanto a ser louco, desconfio que ninguém escapa.

Assumidas ou não, confessáveis ou não, toda pessoa possui suas insanidades. A questão é saber domar os leões, controlá-los em sua jaula de alma.

Arrisco ser categórico em afirmar que a plenitude dos seres humanos conta com algum parafusinho meio desajustado. Será que alguém já estudou esse assunto? Acaso é possível alguém passar a vida sem ver alguma idéia maluca percorrer sua imaginação?

Porém, se todos temos algum desajuste, por que motivo tanto preconceito com os ditos "loucos"? Afinal, não existe meio roubo ou meia gravidez. Guardados os "meio termos", insanidade é insanidade.

Se analisarmos por uma ótica naturalista, seria esse desajuste inato apenas uma comprovação da imperfeição de nossa estrutura cerebral? As pequenas e grandes loucuras representariam circuitos acidentais em nossa formação.

Do ponto de vista espiritual, sobrenatural, poderiam ser vozes do além, tentações ou entidades a nos desviar? Resumiríamos nossas tortuosidades cotidianas a uma luta entre o bem e o mal, como títeres em uma grande brincadeira ou guerra cósmica.

Muito da deliciosa loucura produziu e produz os mais diferentes expoentes artísticos. Vem dela a delícia, a visão diferenciada, encantadora, estimulante. Há graça nessa insanidadesinha. Possivelmente a mesma graça dos amalucados desenhos animados, com toda sua perversão da realidade, com ícones como Pernalonga, Pica-pau ou Roger Rabbit.

Ao mesmo tempo, não faz sentido dizermos "mas este mundo está louco!". Se todos somos loucos, o mundo só pode contar com certa dose de loucura. É certo que parecemos estar com a balança desequilibrada, sem conseguir dominar tantos leões descontrolados. O gênero humano carece de mais atenção.

É coisa de louco!

Belo no humano é a loucura de continuar mesmo quando tudo depõe contra. Contamos com a loucura de amar! Por essas e outras, continuo a apreciar a saborosa loucura de viver.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Festa

Nem só de bits vive a grande rede, mas de todo conectado filho de Deus!

Diversos estereótipos são construídos, opondo tecnologia à humanidade, estudo à sociabilidade. É o bom e velho preconceito com os intitulados nerds.

Pois é fácil observar quer afora toda a tecnologia envolvida, os aficionados por computadores também gostam de se reunir, em termos físicos literais, e trocar informações, idéias, experiências e se divertir.

A Campus Party é uma boa evidência deste fato. Milhares de pessoas, das mais distintas faixas etárias, reunidas em torno da tecnologia e pagando. Os atrativos existentes eram muitos, com conexões a Internet em velocidades quase irreais, máquinas turbinadas e 'geekmente' enfeitadas, sem falar no grande número de celebridades tecnológicas presentes.

Importante evento mundial, a reunião veio aportar em domínios tupiniquins, merecidamente para uma turma reconhecidamente conectada. Seu destaque extrapolou os nichos dos ratos da tecnologia e ganhou destaque até mesmo na grande imprensa.

Todo esse pessoal poderia muito bem se encontrar no MSN, definir um cronograma para apresentações virtuais, trocar arquivo de conteúdo sobre tendências, blogar sobre assuntos em pauta. Eles preferiam um meio mais tradicional. Uma conferência de carne e osso, além de zilhões de bytes.

Desconheço algum avaliação do evento nestes termos, mas já pensou a quantidade de armazenamento disponível somado, aliado ao poder computacional de todas aquelas CPUs. Arranjados em grid certamente dariam um grande baile em muito supercomputador espalhado pelo mundo.

Deve ter sido divertido estar presente. Arriscaria até mesmo acampar no evento, como muito fizeram para não perder um segundo da grande festa. Os horários não eram compatíveis com meus compromissos profissionais. :)

Como o contato humano sempre é prolífero, ainda mais em nossa santa terrinha, certamente outras vezes o evento ocorrerá aqui. De repente, daqui alguns anos participarei, engrossando a turma da faixa etária mais avançada e com maior disponibilidade de horários.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Rede

"A rede é o computador".

Fundada em 1982, a Sun anunciou, com seu lema, o futuro da tecnologia da informação, muito antes de qualquer outra empresa poder sonhar em realizá-lo.

Menos evidente na atualidade, entre disputas de Google e Microsoft, ela está presente em toda a história do desenvolvimento da tecnologia da microinformática.

Um computador é um equipamento capaz de estender nossos potenciais. Uma rede é uma tecnologia capaz de estender o potencial dos computadores.

Hoje é inevitável sua existência. É impossível negar a necessidade da Internet, das redes corporativas, da troca de informação através destas vias de dados.

Computadores conectados lançam braços incomensuráveis para alcançar todo tipo de informação, em qualquer local pelo mundo. Os limites para seu alcance são apenas as extensões de seus cabeamentos, até onde suas conexões enxergarem, até seus roteadores nos levarem.

A chegada a esse patamar de integração, com interligações onipresentes, demandou pelo menos uma década de investimento e muito trabalho. As previsões daquela empresa, em meados dos anos 80, possuem algo de misterioso.

De que matéria serão feitos esses sonhos, capazes de sobreviver e se materializar após tanto tempo? A carga de inspiração e acerto em idéias desse tipo é notável.

Suas idéias vão além de ideais. Também são feitas de muitas horas de desenvolvimento e concretização, muito esforço em divulgação e "evangelização", como no caso da plataforma Java. Inicialmente projetada como linguagem, ganhou horizontes bem mais amplos e se posiciona como uma das principais soluções para arquitetura de software.

Sua voz anda meio suprimida por outros ruídos do mercado tecnológico, mas é bom atentar para os ecos de suas visões.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Escutar

Escutar o universo nos faz vibrar.

Já parou para ouvir o mundo? Já sintonizou essa imensa energia presente a nossa volta, fluindo, passando, nos embalando permanentemente?

Seja como for, se procuramos o divino, ele está lá. Seja qual for sua cor, sua face, sua imagem, ele sopra sua mensagem nos ventos, a escreve no sol, grava na lua iluminada, na música em nossas mentes.

Precisamos escutá-lo mais...

Encontramos sua cantiga nas conchas, a reproduzir o som do mar grandioso. Os pássaros a cantar pelas manhãs, em solene e jovial coro, rezam sua cantiga, louvam sua beleza. A pequena vida no ventre materno revela o mistério da criação.

A escuta precisa do afiar de ouvidos... Um pouco de silêncio também é bom, silêncio da alma. O sabem bem os adeptos da meditação. Entenderam isso há muito tempo os povos orientais.

Lugar excelente para busca do divino é no outro, na pessoa humana. Transfigurada na imagem do divino, a pessoa humana nos eleva. A pessoa humana do íntimo e do estranho, do familiar ou do desconhecido, mas sempre humana, demasiadamente humana.

Por isso todos são importantes. O menor, o mais esquecido, o pequeno: se a eles fazemos, fazemos ao grande poder transformador do mundo. Pena ser tão difícil reconhecermos essa beleza neles.

Em cada indivíduo há uma alvorada a iniciar. Um colorido céu de primavera para despontar. Dias de verão, repletos de energia transcendente, contaminante de júbilo, ode às tristezas e alegrias.

Respirar fundo ajuda muito. Respirar toda a poeira mágica, a existência diluída em nosso meio, em nossa vida, em cada recanto do maravilhoso lugar de nossa terrena morada.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Lucidez

Lucidez é um bem para cultivar eternamente.

Sabe-se lá qual o segredo... Será experiência, será atividade, será amor à vida, ou apenas predisposição genética?

Assisti a uma entrevista com Lygia Fagundes Teles. Do alto de seus 85 anos (desculpe madame Lygia, mas não é mais segredo) vemos a lucidez de alguém compreensiva com o tempo.

Imortal brasileira, com direito a fardão, ela discorreu sobre seu trabalho, sua vida e, referente a seu livro em questão naquele programa, sobre a memória. Lucidez e memória têm muito a conversar.

Ciente de seu presente, ela discorre sobre essa mágica mistura de presente e passado, sobre si e sobre seu autoconhecimento. Em suas frases se observa a firmeza da personalidade, a certeza de opiniões e a sabedoria dos anos.

No dia seguinte, fui presenteado com o livro e pude apreciar um pouquinho mais dessa grande brasileira. Conhecer a grandeza na simplicidade. Perceber como singelamente podemos refletir sobre nossa memória, sobre nossa história, sobre como construímos nosso continuum espaço-tempo.

Desejo essa lucidez, esse autoentendimento. Procurar por toda vida manter a consciência da minha própria consciência. É bela a consistência, a densidade, encontrada nesses sábios anciãos. Ciosos de sua e de nossa história, guardam o segredo da vida e o transmitem.

Há muito valor em apreciar a vida dessa forma. Aprender a ser, a realizar, a viver. Nessa grande jornada se colhe diversas alegrias, nos bons e maus momentos, e se preenche a alma com o imaterial.

Uma pequena entrevista, um pequeno livro, mas uma grande lição, sobre pessoas, sobre o amor, sobre a mente, sobre nós e, apesar de tantos "sobres", sobre como sobreviver dignamente.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Obstáculo

"O maior obstáculo ao descobrimento não é a ignorância, mas a ilusão do saber".

Daniel Boorstin, professor e historiador americano, dentre outras atividades, sabia e procurava entender muito bem um dos grandes entraves humanos.

A soberba intelectual é veneno gotejante. Penetra em nossas veias, vai nos inebriando com nossa auto-ilusão de sabedoria. Inebriados perdemos nossos reflexos, nosso direcionamento.

É difícil admitir a ignorância. Humildade em reconhecê-la é insumo para buscar aprimoramento. Se nos consideramos repletos do saber nada mais caberá em nossos depósitos. Será possível estarmos repletos algum dia.

Parece ser humana certa necessidade de soberbar em várias áreas. Talvez seja uma necessidade pueril de colocação social. Talvez um pouco de exacerbação do nosso espírito desafiador inato. Felizmente acabamos falhando se deixamos de nos dar conta.

Dureza é não aprender quando o caminho não dá certo, quando perdemos precioso tempo, apenas por nossa teimosia em uma desastrosa certeza de superioridade. Em grande parte, nem reconhecemos o problema real, acabamos encontrando um algo mais para culpar.

Só exercício diário de consciência, de reconhecimento de nossa pequenez, pode colaborar com nosso acerto na procura de resposta e evolução. A atenção, o estar sempre alerta, com nossa tentação de soberbar é trabalho árduo cotidiano.

Negar as evidências pela cegueira da auto-ilusão, se deixar levar pelo nosso narcisismo intelectual é completamente humano. O esforço em superar esse obstáculo é hercúleo, mas dispensa ser sobre-humano.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Incômodo

Celulares incomodam muitas pessoas já tem algum tempo.

O exército de resistentes a sua utilização é grande, com representantes de quase todas as idades, mas tendenciosamente mais representados pelos mais 'experientes'.

Desde o advento da tecnologia, os soldados desse exército desgostam da idéia de poderem ser encontrados em qualquer lugar, a qualquer hora.

Mesmo com os recursos de reconhecimento de chamadas, alguns preferem desligá-lo, ou até mesmo não possuí-lo. Enquanto algumas pessoas possuem diversos aparelhos, para combinar com diversas ocasiões e roupas, outros fogem deles como o diabo da cruz.

Agora eles terão um novo motivo para reforçar sua fobia: videochamadas. A recente tecnologia de redes 3G, graças a suas significativas melhoras de velocidade de banda, e os celulares com câmeras de vídeo embutidas permitem a utilização de vídeo ao vivo durante ligações.

Com a difusão de uma tecnologia deste padrão, deixaremos de atender com apenas um 'alô'. Aliás, a educação já determina a necessidade de uma verificação da disponibilidade da pessoa para o atendimento. Nada mais chato do que uma pessoa ligar no celular de alguém e sair falando, sem perguntar se a outra pode atendê-la no momento.

O vídeo exigirá mais polidez ainda. Está certo que ocorre um convite para a utilização do vídeo, passível de aceitação, ou não. Porém, desconfio que com o tempo, as pessoas dificilmente recusarão um convite do tipo, para evitarem o rótulo de chatas.

Quem usa uma webcam em conversas na Internet já entende a diferença de um bate-papo cara a cara. Ficamos impossibilitados de fazer outra coisa ao mesmo tempo, de estar mais à vontade (dependendo da intimidade com o interlocutor). É como receber a visita em sua casa.

Só que a chamada de celular pode ser recebida em qualquer lugar. Você pode estar em um banheiro público, no meio do centrão da cidade, ou onde mais sua imaginação conseguir conceber. Pode ser inadequado para você ou para seu interlocutor uma visão do ambiente.

Se associarmos a questão a possibilidade de localização geográfica, outro recurso disponível atualmente, vai ficar mais difícil se esconder...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

iPodão

Receber o título de computador pessoal não é para qualquer um!

Desde a idealização de um equipamento para uso pessoal, a evolução de nossos atualmente inseparáveis acessórios vem trilhando diversos rumos.

Das várias alternativas existentes, poucos atendem as necessidades humanas de particularidade, associadas a algo pessoal. Em grande parte, eles apenas representam miniaturização e barateamento de tecnologias computacionais, mas continuam sisudos, profissionais.

Amplamente conhecidos como PCs (Personal Computer), eles foram difundidos no seu formato mais comum pela IBM. Porém, a Apple, criadora original da idéia, do primeiro computador pessoal, nos apresentou o legítimo representante do conceito: o MacBook.

Não estou me referindo aos destacados MacBook Air (o mais fino existente) e MacBook Pro (excelência em desempenho), mas ao MacBook básico. Apesar de um pouco menos potente, é repleto de tecnologia e boas soluções do fabricante.

Um colega de trabalho acabou de adquirir um exemplar. Eu já havia visto outros equipamentos da linha em lojas pela cidade, mas só neste momento me caiu a ficha da representatividade desse notebook.

Poderia dispensá-lo para o trabalho, mas seria como um reservatório de minha agenda, e-mails, documentos pessoais e ponto de acesso a Internet. Com todas as facilidades e usabilidades presentes, fiz a associação com seu irmão mais novo, o iPod, e o apelidei de iPodão!

Ele tem um disco pequeno de 80 Gb, monitor pequeno de 13", mas é o suficiente para ser confortável e rápido. O design o torna elegante, excelente para um gadget, e pequeno o bastante para ser guardado na gaveta de meias.

Estão instalados uma ampla gama de programas, capazes de atender todas as necessidades cotidianas. Um excelente sistema de pesquisa de arquivos está presente, além de uma ótima interface de acesso a biblioteca de mídias. Tudo isso suportado por um sistema operacional estável e consistente.

É um conjunto digno do nome computador pessoal, principalmente em nosso atual contexto de consumo e tecnologia! Só me resta agora aguardar ter os fundos necessários ($$$) para a aquisição e uma representação nacional da empresa, prometida para breve no Brasil.

Finalmente os computadores começam a ser pessoais.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Mel

Mel é um alimento único, verdadeiro néctar da natureza.

Elaborado pelas abelhas, a partir de néctar recolhido das flores e processado por suas enzimas digestivas. É armazenado como reserva de sua alimentação durante o inverno.

Na minha infância, não fui muito fã dessa iguaria. Coisa de criança. Implicação com a intensidade do sabor, com a consistência do líquido, etc.

Depois de descobrir seus prazeres, virei apreciador. Nas suas diversas nuances, matizes e aromas. Associado a outros alimentos, forma combinações deliciosas. Quem nunca experimentou banana, mel e aveia? Hummmmm!

Lembremos também do pão-de-mel, caseiro de preferência. Uma boa pedida também são bolachas com mel em sua massa. Em pratos, como ingrediente, rende boas combinações: peito de frango grelhado com grãos de mostarda, pontinhos de pimenta e mel!

Independentemente se integrais ou não, calóricas (sim, mel é calórico sim) ou não, esse ingrediente nos rende uma enorme variedade de opções. Não sem motivos que ele está presente em nossa mesa há tanto tempo, acompanhando a história de nossa civilização.

No entanto, fiquei a pensar quanto trabalho não é necessário para uma abelha produzi-lo. O animal é pequenino, carrega um pouquinho de cada flor, em uma homérica viagem entre flores. Depois deposita sua contribuição na colméia e volta a sua rotina, para mais produção.

Está certo que uma colméia possui uma infinidade de indivíduos, com suas diversas funções e especialidades. Num grande esforço conjunto, conseguem produzir grandes quantidades do alimento. Então, chega o homem e retira esse seu trabalho... Isso soa um tanto quanto explorador.

Sei que elas não morrerão de fome, afinal o apicultor precisa continuar com seu negócio. Ao olhar nossa história conjunta, também parece ser prolífera, pois convivemos harmoniosamente por tempo. Fica uma pontinha de pensamento, um pequeno incômodo quanto aos papéis da relação...

Vou continuar a apreciar a iguaria. Apreciarei com a consciência do trabalho árduo para consegui-lo e o respeito por essas nossas irmãs insetos, que tanto trabalham para nos deleitarmos com seu alimento.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Energia

Energia é a capacidade de realizar trabalho.

A definição acima, oriunda da Física, procura definir um vasto espectro de potencialidades das entidades conhecidas por nós na natureza.

Em tempos de otimização do consumo de energia elétrica, ficamos sabendo do aumento de sua utilização por parte dos datacenters espalhados pelo mundo.

Apesar das tecnologias de virtualização, o aumento da utilização da tecnologia da informação, e conseqüente dependência nossa, têm produzido uma demanda crescente por energia elétrica.

Já não é novidade a preocupação com o impacto ambiental proveniente do consumo excessivo de energia...

Kevin Kelly
, editor-executivo da revista Wired, estima que a energia consumida pela estrutura da Internet já representa 5,3% do consumo de energia anual no planeta. São cerca de 868 milhões de KWh, ou seja, toda a energia produzida em 10 anos de Itaipu!

Manter os datacenters ligados tem um alto custo e, pelo que observamos nos últimos tempos, é praticamente impossível pensarmos em dispensá-los. Eles são essenciais para a manutenção do funcionamento de empresas, instituições, governos... do mundo.

Datacenters ficam ligados e disponíveis 24 horas por dia. É a disponibilidade exigida pelo mundo conectado, on-line em todos os sentidos. Eles são a representação da potencialidade existente no acesso a informação.

Sabemos utilizar conscientemente todo esse potencial? Serão esses dados armazenados, em Googles, Wikipedias, websites, tão necessários em 100% dos casos? Alguém está preocupado em definir a essencialidade dos recursos utilizados?

Chegará o momento de uma ação indispensável de avaliação e otimização do consumo de nossa indústria da informação. Apesar do imenso potencial inerente, nossos recursos não são infinitos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ventos

A inspiração é como o vento soprando sobre o mar.

Em dias de calmaria, brisas acariciam as águas e provocam pequenas ondulações. Decoram a superfície para embelezar a paisagem, para nossa contemplação, serena, pacata.

Muito tempo de calmaria é sinal de monotonia. Sem vento adequado os barcos não velejam, os surfistas não se divertem, as crianças não tem tantos desafios à beira da praia.

Um vento cotidiano, com variações durante o dia, provoca ondas costumeiras. É um tanto quanto habitual, estamos acostumados, o esperamos sem surpresa. Ele nos garante a praia de nosso pueril imaginário, com ondas regulares, rítmicas, incessantes.

Dias de ventos fortes também são interessantes. O mar fica revolto, imprevisível. Ondas volumosas nos assolam. Inexistem instantes de calmaria. Ficar nas águas, em dias assim, é perigoso, mas pode ser um interessante desafio.

O quebrar das ondas é intenso, incansável, nos faz ficar atentos. Procuramos saída da quebração, tentamos voltar à areia, nos esforçamos para nadar. Tanta agitação suscita instintos, nos faz procurar alternativas, nos mantém alertas.

Em nossos dias a inspiração vem e vai como os ventos. Apresentam-se nos mais diversos formatos e intensidades. Às vezes demora a chegar, ou vem apenas como brisa a nos acariciar. Noutros momentos, chega avassaladora, tempestuosa. Inquieta-nos.

Deposito minha confiança em que bons ventos sempre me levem. Que eles sejam suficientes para conduzir, inspirar a todos. Minha esperança é essa.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

SSD

Dispositivos SSD têm ficado constantemente mais freqüentes em diversos gadgets.

Com suas características eles possibilitarão concretizar a tecnologia ubíqua, sonho de muitos heavy users, filhos da era da tecnologia da informação.

Basicamente são unidades de memória que não utilizam elementos mecânicos, como os HDs. Em sua construção podem utilizar memórias RAM, memórias flash ou outro tipo recém-criado.

São diversas as vantagens de sua aplicação: redução de ruído e consumo de energia, maior robustez, miniaturização. Inevitavelmente, grandes vantagens não vêem de graça. Seus preços ainda são bem salgados.

É necessário o aumento de demanda, como ocorre em outras áreas da economia de escala, para sua produção começar a promover preços mais convidativos. É possível antever a ocorrência de tal queda em curto prazo...

Imaginem tornar ilimitada a capacidade de armazenamento de um celular, ou handheld, sem aumento de seu tamanho, é claro. Pensem na possibilidade de redução de peso dos notebooks, além do consumo de energia, com a manutenção de seu espaço em disco.

Alguns equipamentos, como o Macbook Air, da Apple, já fazem uso dessa tecnologia. Se levarmos em conta seu potencial, afinal ele cabe num envelope pardo, até que a inserção dos SSDs não sai tão cara. Apesar de no Brasil nem ter preço, mas provavelmente chegar a R$ 7.000,00, nos Estados Unidos ele custa cerca de US$ 1.800,00.

Que os dispositivos SSD se disseminem rapidamente! Espero ainda poder utilizar alguma roupa com armazenamento de dados. Cansei de me preocupar em carregar pendrives e assemelhados...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Agora

Honestamente, os mais próximos sabem da minha sinceridade. Aos menos espero que saibam...

Há alguns poucos anos encarei a brevidade da vida, com o falecimento de pessoas muito próximas: meu pai, meu tio... A proximidade da ocorrência da morte provoca essa confrontação.

Descobri intimamente o sentido do verbo to realize na língua inglesa. Bem direto, um se dar conta, mas sem precisa explicar muito.

Perdemos muitas oportunidades de nos expressar, de dizer o que sentimos, de manifestar o nosso amor. Eu pude perceber a tempo, ou melhor, percebi que não precisava perceber, já manifestava.

Tornar-me consciente deste fato me fez reforçar essa atitude. Passei a não deixar, com mais intensidade, para amanhã.

Planejamos muito, escolhemos muito e acabamos conjugando no futuro. Diversas ações precisam de planejamento, mas a manifestação do amor, principalmente, não.

Em "P.S. Eu te amo" (P.S. I Love You) vemos a representação disso. É um drama romântico, singelo, com alguma pretensão, mas bem 'sessão da tarde'. Hilary Swank, Gerard Butler e Kathy Bates convencem em seus papéis. Apenas convencem, diga-se de passagem. Vale o ingresso, para diversão, como um bom filme vespertino, sem compromissos.

Não quero ser apenas póstumo. Quero ser cotidiano. Na adolescência possuía uma angústia por deixar sempre tudo bem claro. Amadureci. Ao menos parece... Alguns me dizem... :) Aprendi a não forçar a clareza, mas trabalhar para que ela ocorra naturalmente, transcorra.

Surpresas são instrumentos fascinantes. Agrados também. Testamentos para fazê-las são dispensáveis. A herança é transferida diariamente. Já recebi a de muitas pessoas, incrustadas magnificamente em meu ser.

Retribuir é um grande compromisso. Nunca nos achamos à altura. Ainda bem que estamos freqüentemente enganados. Grandes retribuições ocorrem em pequenos gestos. Em grande parte, são gestos mudos, de alma.

A todos, obrigado eternamente pelos tesouros.

P.S.: Amo vocês!

Simplicidade

Simplicidade sempre é bem-vinda!

Meu café da manhã é sempre meio parecido. Porém, em alguns dias de despertar atrasado, recorro ao auxílio uma das diversas padarias existentes na cidade e não dispenso uma simplicidade matinal: café com leite e pão com manteiga na chapa.

O café pode ser expresso ou coado. Tem que ser bom, saboroso, para encorpar o leite. Servido em copo ou xícara, bem quente, é a configuração indispensável.

Em São Paulo, chamamos a mistura de pingado ou média. Alguns dizem que a diferença entre os dois termos está no teor de café. Um mais fraco, outro com mais presença da bebida tradicional no Brasil inteiro.

Sua companhia inseparável deve ter uma generosa porção de manteiga. Aos mais light é permitido usar margarina, mas para variar poderia ser até a Manteiga Aviação. Bem tostado é o ideal, até ficar bem moreninho.

Indispensável mesmo é ser pãozinho francês, bem crocante, fresquinho. Bem quente estala na boca, provocando o paladar e pedindo um gole da bebida companheira. Alguns dizem ser possível utilizar pão-de-forma, mas não tem o mesmo efeito.

Durante meu desjejum, nesta manhã, fiquei pensando: Já pensou quantos pãezinhos não serão servidos hoje, neste horário, pela cidade? Quantos milhares litros de café serão consumidos? Quantos casamentos perfeitos não serão realizados para celebrar essa feliz combinação?

Frustrante foi hoje o café não ser tão saboroso, não colaborando com uma média aceitável. Além disso, a manteiga não estava bem tostado, deixando o pão um pouco molenga. Tudo bem que eu estava atrasado, mas acreditava ser merecedor de alguma compensação.

Assumo que para quem buscava simplicidade, já estou complicando demais. Permito-me, afinal buscar o mais simples às vezes é bem complicado. :)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Auto-estima

Auto-estima é tida como um dos principais problemas de muitas pessoas.

Várias destas pessoas tendem a se subvalorizarem. Seu critério nivela, e compara, por índices extremamente altos. Em grande parte, elas estão equivocadas.

Começam errando ao comparar. A comparação pode servir como guia, mas não como juiz. A individualidade deve ser respeitada. Cada pessoa tem suas habilidades, suas inteligências específicas.

Em segundo lugar, ninguém é perfeito. Todos possuem falhas, ou melhor, características mais fracas, capacidades menos ressaltadas.

Vivemos a busca de padrões, na tentativa de enquadrar o mundo e nós mesmos. Mas o próprio mundo, a natureza, não é regular. A regularidade é uma característica restritiva de nossa linguagem científica.

No mundo científico há uma piada sofre a formulação de problemas em Física. Diz-se que o enunciado de questões segue o modelo de prefácios do tipo: "Tomemos uma vaca de formato esférico...". A vaca jamais será esférica, mas o problema é simplificado pela generalização, para facilitar sua abordagem.

De certa forma, às vezes é preciso esquecer as imperfeições. Estão lá, é bem sabido, mas não farão diferença. Drummond dizia: "Acreditar em nossa própria mentira é o primeiro passo para o estabelecimento de uma nova verdade”.

A idéia serve bem como crítica aos mentirosos. Pode também ilustrar uma pequena ilusão, criação nossa para ressaltarmos nossas melhores qualidades. Precisamos construir nossa auto-imagem com o melhor de nós. Se acreditarmos nessa nossa super-imagem, teremos mais confiança em nós.

Talvez seja um caminho para começar uma boa convivência com nossa auto-estima. Talvez a auto-estima nem seja tão problema assim...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

DNA

Receitas servem apenas para preparos culinários?

A ciência acredita há muito tempo em um potencial muito maior para receitas, pelo menos no âmbito da estrutura molecular da vida.

Após a identificação do DNA, nos anos 50, um vasto número de aplicações foram vislumbradas e a busca por uma melhor compreensão desta estrutura começou.

Além de um prêmio Nobel, as novas idéias referentes ao assunto levantaram novas questões. Resumimo-nos a um bem definido rol de características? Somos resultado apenas de uma complexa combinação de proteínas?

Em 1991, foi dada a largada para um grande passo no caminho do desvendar de mais este grande mistério, com o lançamento do Projeto Genoma Humano. O trabalho de uma década levou ao mapeamento completo de nosso genoma, com importante colaboração brasileira.

Muitos resultados práticos foram obtidos, desde análises comparativas para identificação de paternidade até o levantamento da evolução de nossa espécie. Sabemos atualmente que dois seres humanos diferem em apenas 0,1% genomicamente.

Diferenças tão pequenas, em combinações de apenas 4 proteínas, são capazes de gerar a maravilhosa diversidade da espécie humana.

Uma grande promessa da teoria dos genes é a terapia genômica. Através da análise de nossa DNA seria possível definir terapias preventivas para determinadas doenças, remédios mais específicos e efetivos para cada pessoa.

James Watson e Craig Venter já tiveram seus códigos genéticos seqüenciados e publicados no ano passado. O trabalho sobre os dados dos dois cientistas é o embrião da nova empreitada codificadora.

A iniciativa mais recente é o Projeto 1000 Genomas que pretende seqüenciar o genoma de 1000 indivíduos, ao redor do planeta, até o ano de 2011. Através de suas diferenças, os tais 0,1%, talvez seja possível compreender melhor seus efeitos na manifestação de doenças e fenótipos.

Continuamos na busca de nosso auto-entendimento. Procurar compreender nossa receita talvez seja um pouco mecanicista demais. Somos mais do que uma mistura química. Somos suficientemente complexos para a busca ser longa e a receita mais ainda...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Faroeste

Faroeste era o gênero preferido de meu pai.

Suas memórias vinham de tempos antigos, do cinema na infância, com as histórias de famosos caubóis e suas aventuras. O chamado bang-bang marcou seu imaginário e ele continuou a assistir até séries na TV.

Eu observava com interesse, mas não via tanta graça nos ilustres Bonanza, Laredo, James West, Laramie, dentre outros. O bacana era estar em companhia dele, curtindo aquelas histórias.

Ontem me peguei assistindo Star Trek (a série original). Mesmo com todo o seu desejo futurista, num fundo ela não difere muito de um bom western.

Diversos elementos do gênero comparecem: a disputa entre valentes, a luta contra o inimigo estrangeiro, a perseguição a um vilão extremamente mal-intencionado, a conquista de belas mulheres, a exploração de terras desconhecidas.

O visual é bem diferente. Os phasers têm muito mais funções, além de atirar. Suas "carruagens" são bem mais avançadas. A emoção da aventura continua igual, instigando nosso espírito desbravador, indo onde nenhum homem jamais esteve!

Assisti diversas vezes, diversos episódios, sem nem lembrar muitas vezes a ordem. Rever as aventuras é uma boa opção para momentos de ócio. É certo que existem outras séries, de tantos outros gêneros, também assistidas, mas esta tem um sabor especial.

Passou o tempo e as novas gerações da série mudaram bastante, principalmente na questão do comportamento das personagens, lhes dando um aspecto mais polido, mais politicamente correto.

Hoje são outros tempos, outros gostos, de certa forma transformados. A apresentação de ontem foi em excelente companhia, mas bate a saudade da boa companhia de meu pai. Espero ser um dia companhia tão boa para meus filhos...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Bem-aventuranças

"Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus..."

A mensagem na montanha, proferida a tanto tempo, nos guarda um desafio de compreensão e de vida. Entender quais são os valores importantes é uma tarefa árdua, não aqueles eleitos pela nossa sociedade, mas os eleitos pela Vida.

Nossa realidade contemporânea elege valores bem diferentes, propondo um novo discurso de bem-aventuranças. Algo mais ou menos assim:

Bem-aventurados os participantes do Big Brother, pois poderão ganhar R$ 1 milhão reais.
Bem-aventuradas as celebridades, pois elas têm acesso a qualquer coisa no mundo.
Bem-aventurados os políticos, pois podem através de seu cargo 'arrumar sua vida'.
Bem-aventurados os empresários espertos, pois sempre conseguem se dar bem.
Bem-aventurados os valentões, pois ninguém se mete com eles.
Bem-aventurados os com bons advogados, pois conseguem boas brechas como solução.

Em um mundo individualista e consumista esses são os nossos despojos. Restam cacos da nobreza humana, transformada em recursos por uma satisfação pessoal e sem futuro, um encher-se de vazio, uma construção de castelos de areia, a aguardar as próximas ondas para os levarem.

A escolha pode ser pessoal, mas o prêmio é comum, do grupo todo, não há escapatória. O que fazemos, como agimos, fazemos para todos, sempre. A espécie humana é grandiosa em suas individualidades, que são insignificantes individualmente.

Grandes conquistas são conseguidas com o apoio dos outros, mesmo quando não percebemos conscientemente. É uma grande rede, uma trama de vidas, conectada e intricada. Nossa evolução ocorreu e ocorre assim.

Qual discurso preferimos? Quais bem-aventuranças escolhemos? É difícil distinguir entre as opções?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Carnaval

"Ô abre alas, que eu quero passar...
Ô abre alas, que eu quero passar..."


É Carnaval! Desista de fugir, pois não há como se esconder do período carnavalesco. Somos invadidos pela TV, jornais, ruas, em todos os locais o assunto é ele.

Trazido pelos portugueses, provavelmente no século XVI, com o nome de Entrudo, permaneceu até nossos tempos com seu caráter dicotômico, entre a diversão e a grosseria.

Tenho saudades do meu tempo de infância. E lá vem mais saudosismo... Brincávamos na rua, com esguichos de água. Improvisávamos pequenos bailes em nossas casas, com músicas, marchinhas, dança entre amigos e muita brincadeira.

As famílias se reuniam e não podiam faltar fantasias, principalmente para as crianças. Um primo mais velho podia nos levar em uma matinê, bem movimentada, para sambarmos bastante e suarmos a camisa. De vez em quando, íamos a avenida do bairro, ver os desfiles de blocos da região, escutar e sentir a batida forte das baterias.

Em algumas noites, parávamos em frente a TV, para assistir um pouco dos grandes desfiles de escolas no Rio de Janeiro. Dias de folia, festa do povo, confraternização, êxtase e descanso. Um digno período sabático!

O Carnaval já não é bem assim, as coisas mudam, a vida muda. O povo nem sempre tem acesso, existem os abadás, os camarotes, os lugares de destaque nas escolas. Existem muitos interesses comerciais, muito dinheiro gerado pela festa, fazer o quê?

O espírito da festa é mais forte. Ainda temos comemorações muito populares no interior, em capitais do Nordeste, como Recife, mantendo a chama da brincadeira, da alegria, da cultura popular, tão bem representada por seus embaixadores, como Antônio Nóbrega.

Seguimos assim, na procura do equilíbrio, à procura do essencial, da verdadeira diversão e sempre entoando: "Ô abre alas..."

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Visionários

Nossas tecnologias evoluem tão freneticamente que nem nossos maiores visionários compreendem plenamente suas visões.

Murray Leinster
escreveu um conto chamado "Uma Lógica Chamada Joe", em 1946. Em sua história, ele descrevia aparelhos batizados de "lógicas", num futuro em que qualquer família os possuía e dos quais dependiam enormemente.

Uma analogia possível é com nossos atuais computadores pessoais. Naquela época, de computadores caríssimos e gigantescos, apenas governos ou grandes corporações poderiam pensar em utilizá-los. Leinster anteviu seu uso pessoal.

Isaac Asimov coletou esta história para seu "Histórias de Robôs", em 1984. Para esse volume batizado de "As Máquinas Pensam", o grande autor identificou essa peculiaridade, da primeira história a ilustrar os computadores atuais.

Porém, o enredo do conto alcança uma distância bem maior. Nele a tal "lógica", no comprimento de sua função, transgride uma série de regras para melhor atender aos humanos. Provoca uma revolução na vida das pessoas graças ao acesso a informações que detém.

Essa revolução é permitida pela extrema conexão entre todas as "lógicas" e o imenso acervo de dados coletados na história da humanidade. Podemos pensar diretamente na Internet, com todas as suas conexões e serviços de informação.

Indo além, a coletânea organizada pela "lógica" chamada Joe pode ser comparada ao Google, com todos os seus serviços e estatísticas de acesso e comportamento. Ele se torna "o senhor de todas as respostas", como no caso dos acontecimentos da história de 46.

Nem Leinster, nem Asimov, puderam imaginar o quanto se concretizariam seus sonhos, ou ao menos de que forma. As tecnologias naquela ocasião estavam em estágios bem distintos dos atuais. A matéria de nossos sonhos são nossas experiências diárias, ainda que apresentadas por caminhos entendidos apenas pelo nosso cérebro.

O futuro não está escrito. Será escrito, mas então será passado. Nem mesmo nós, do futuro século XXI, temos condições de prever alguma coisa, apenas nos deliciar com a apreciação das antigas previsões!