quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Seleção

150 anos!

Raras são as ideias ou teorias a durar, incólumes, por tanto tempo. Principalmente aquelas alvo de acaloradas discussões, contundentes afirmações, desafiadoras do status quo.

Ontem foi comemorado o aniversário da publicação de "A Origem das Espécies", de Darwin. Um século e meio... Longo tempo de irretocável acerto na descrição da natureza.

Se aplicarmos seus conceitos à sua própria obra, poderíamos afirmar que ele vem se consolidando como "a selecionada". Seus memes se multiplicam, demonstram quão bem adaptados são.

Primorosa observação da ocorrência da vida, de tão forte dificulta a imaginação de alguma alternativa, de outra via para o desenvolvimento do universo conhecido.

Para poder apreciar, ou mesmo admirar, mais de perto obra-prima de tamanha magnitude vale a visita ao site The Complete Work of Charles Darwin Online.

Mantido pela Biblioteca da Universidade de Cambridge, conta com livros digitais ou digitalizados, imagens completas de manuscritos, arquivos de áudio. Aliás, um belo exemplo de adoção da mídia digital por uma instituição de 800 anos! Possivelmente outra evidência da evolução...

Gratificantes oportunidades da globalização e acessibilidade do século XXI, quem diria um dia pudéssemos ver o gênio em toda sua caligrafia... Os manuscritos digitalizados são de leitura difícil, afinal "letra" bonita é para poucos, mas por menos que captemos é uma divertida viagem pelas notas e observações do cientista.

E pensar, por exemplo, que parte destes blocos de notas esteve na célebre viagem do Beagle. Reflexões, desenhos, registros, um legítimo blog do século XIX. Fico a imaginar como teria sido Sir Charles em nosso tempo, munido de iPods, GPS, iPhones, Wifi e outras parafernálias...

Retorno

Voltei!

Depois deu um longo e tenebroso inverno, de caminhar pelos desertos vales do silêncio, de aproveitar os bons ventos de um sabático período de reflexão, eis-me aqui novamente.

Sei lá se voltei para ficar, ainda ignoro se esse é mesmo meu lugar, mas foi inevitável. A coceira do teclado é mais forte, as ideias a pulular mais inquietantes, impelem inexoravelmente qualquer um.

Certamente deixarei para trás a antiga periodicidade, religiosamente diária. Talvez seja minha única certeza. Preciso aprender a me controlar e desapegar de ciclos precisos, controlados, previstos. Espero conseguir...

É interessante perceber como em pouco mais de seis meses (um período de hibernação completo nos polos!) tanta história acontece, tantos momentos e tesouros surgem e nos enriquecem, mudam nossas perspectivas, aumentam os elementos em nossa mochila de viagem.

Tanto ânimo pelo retorno me fez expandir alguns horizontes, buscar certa expansão. Não fosse suficiente este espaço, para preencher os espaços possíveis do escasso tempo disponível, resolvi inaugurar outro blog, que manterei paralelamente: o Querido Futuro.

Os assuntos por lá já ocorriam por aqui, em meio a tantos outros posts. Resolvi separá-los, dar-lhes uma atenção especial, afinal descobri (I'd realize..., como bem expressam nossos vizinhos de continente) um assunto que é extremamente presente em meu olhar cotidiano, em minhas vagas preocupações.

Vejamos no que vai dar... Um pouco cá, um pouco lá, anseio por retomar a deliciosa experiência destas empreitadas. Por sinal, seus frutos, seus reflexos, continuaram e continuam mesmo após tão longa ausência. Uma chama duradoura depois de acesa.

É isso aí! Por mais batida, manjada e pretensiosa que seja a expressão, continuarei o exercício de "ser eterno enquanto dure". Nossa expressão, em suas inúmeras manifestações, sempre acaba por nos sentenciar como humanos, demasiadamente humanos.

domingo, 3 de maio de 2009

Sabático

Dois anos ou 731 dias (porque um deles foi bissexto) de gratificante experiência.

Hoje faz todo este tempo que comecei a postar neste endereço, ou seja, é aniversário do SPSoul! Depois de um início cheio de incertezas e desconhecimento, estamos aqui em ambiente bem familiar.

Durante esse período, os textos renderam 179.078 palavras, sendo 21.359 únicas. Nada menos do que 988.921 (quase 1 milhão!) de caracteres para compor este extrato de breve existência.

Essa semana tive ideia da proporção destas quantidades. Descobri que o Antigo Testamento tem pouco mais de 300.000 palavras, em reportagem sobre um chip presenteado ao Vaticano.

Nada, nada, neste curto espaço de tempo foram escritos textos em proporção de mais da metade do clássico religioso. Jamais imaginei que chegaria a tanto... Fico curioso da possibilidade de impressão deste material. Quantas páginas seriam?

Aproveito a data para também encerrar esse período, esse ciclo de registro diário de opiniões e reflexões. Isso mesmo, a alma paulistana que vos escreve precisa de um tempo, ou de mais tempo. É momento de um hiato sabático, de renovação e redirecionamento.

A vida muda, as perspectivas e necessidades vão junto. No pesar de disponibilidade e prioridade, alguns outros projetos tomam a dianteira e ganham vez. Boa quantidade de ideias que também precisam ser desenvolvidas.

Ainda é cedo para dizer quando volto, ou se volto, a postar. Talvez mude o foco, quem sabe a periodicidade. Certo apenas o fato de que será diferente. Textos começados, e ainda guardados, são a coceira de reserva, que poderá se mostrar irresistível.

De qualquer forma, o percurso destes meses foi inesquecível, transformador. Vivência recomendável a qualquer pessoa, sem sombra de dúvida. Quem experimentar saberá do sabor viciante da expressão digital, em tão poucas linhas.

Olhar para a fileira de posts deixados é como fazer uma fotografia do espaço-tempo, congelar o continuum através de bits e bytes. Sinais digitais testemunhas de um simples existir. Auto-retrato virtual grafado nas veias da Internet.

Como em outros momentos, agradeço a participação e colaboração de tantos amigos e desconhecidos. Comentários, correções, opiniões que enriqueceram o transcorrer deste blog até o momento. A todos deixo um abraço de fraterna gratidão.

Inté!

sábado, 2 de maio de 2009

XMind

Nada mais difícil do que nos descrevermos.

Descrever as ideias a transitar por nossas cabeças então... É querer complicar mais ainda. No mínimo nos defronta com a necessidade de melhor entendimento.

Talvez, mais do que descrição, a grande complicação é dispô-las de maneira organizada e compreensível, principalmente para outras pessoas.

Reside na tradução a mais ingrata das tarefas na comunicação. Até a tradução para o mesmo idioma... O simples falar a mesma língua é insuficiente.

Ambientes, experiências, impressões são muito particulares e fatores preponderantes para a conceituação. Vai saber as sinapses geradas...

Nem sei se, acaso reproduzíssemos plenamente a configuração sináptica de um cérebro, obteríamos os mesmos resultados, o mesmo entendimento.

Boa solução gráfica poderá ser encontrada com os mapas mentais. Diagramas sistematizados para a representação do conhecimento, podem ser utilizados em inúmeras áreas e problemas de variadas dimensões. Generalização da abordagem para entender o que se sabe.

Aplicado em brainstormings, é ferramenta de grande valia e poder de síntese. Em estudos extensos, serve muito bem como guia de referência e orientação à construção de textos. Para representar ementas e roteiros de aula é mecanismo prático e eficiente.

Em qualquer caso, nada como um bom software para agilizar a tarefa. Conheci recentemente o XMind, opção opensource, com versões para diversos ambientes, inclusive como plug-in para Eclipse. De fácil uso e conjunto variado de estilos, oferece recurso suficiente para a maioria das aplicações.

Há até uma versão paga, com garantias de evolução e suporte, mas que em tempos atuais é dispensável. Se bem que o valor anual, abaixo dos US$ 50, justifica a colaboração, para a manutenção e incentivo dos responsáveis por seu desenvolvimento.

Digital ou em papel, quanto antes começarmos a usar, mais rápido seremos beneficiados. Surpreende as estruturas escondidas em nossos pensamentos, as obviedades omitidas, as semelhanças desapercebidas. Talvez demore a chegada à compreensão plena, talvez jamais cheguemos, mas sem dúvida passearemos bastante e encontraremos muitos novos caminhos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Trabalho

"O trabalho enobrece o homem".

Eufemismo dos mais antigos, denota o quanto fugimos da sina inevitável à existência. Tentamos extirpar a necessidade da labuta como quem combate mal imenso.

Ancestral associação, Adão e Eva foram condenados a deixar o Paraíso e passar a ter que... trabalhar! Castigo divino pelo constante inadequação humana aos preceitos universais.

Apesar dos pesares, após a industrialização a imagem piorou, mesmo com a condição melhorada. Pensando bem, os maus tratos, as condições inadequadas, apenas mudaram, trocaram de figura.

Resistimos a aceitar que nenhuma opção sobra. Esquecendo os simulacros da vida moderna, todo e qualquer ser humano tem que conceder sua parcela, contribuir com tempo de alguma atividade produtiva para a sociedade.

Se dermos sorte, podemos ter uma profissão ou função de nosso agrado pessoal. A velha de história de trabalhar com o que gosta. A parte esquecida é que, por mais prazeroso que seja, ainda sim dará trabalho!

O resultante pode ser gratificante, talvez resida aí a satisfação, mas certamente despenderá esforço. Qualquer outra amenização é pura ilusão. De tempo, de esforço ou de sentido. Outra realidade poucas vezes encarada: o vínculo do sucesso à dedicação.

Por que dissimular a realidade? Parece pairar um espírito preguiçoso em todo exemplar do homo sapiens. Ninguém negará o deleite em algum tempo de ócio, papo pro ar, mas é uma questão de sobrevivência, de manutenção do existir.

Considerar o labor diário como fato facilitará a perspectiva do enfrentamento cotidiano. Com melhor compreensão, com a exclusão de méritos e deméritos, saberemos valorizar e priorizar as constantes demandas vindouras, além da apreciação de seus frutos.

Melhor resolvidos com nossa condição, poderemos discernir adequadamente nossos rumos e prioridades. Seja como for, apenas teremos certeza da inevitabilidade de levantarmos na segunda-feira, após o feriado, e seguir o caminho da roça. Se quisermos continuar...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Plastiki

O que os olhos não veem o coração não sente...

Muitas vezes, depois que veem, o coração fica apertado, causa dores na consciência, das consequências desapercebidas pelos atos de contínua inconsciência.

É o caso da relação com o meio ambiente. Cada papelzinho, cada dispensa exagerada de lixo, cada consumo descontrolado de bem natural, some no espaço e no tempo, como se nem tivesse acontecido.

Se cada habitante do planeta pudesse dar um "giro" pelo Giro do Pacífico, talvez ficasse sensibilizado com os depósitos que fazemos na contabilidade da estabilidade ambiental.

A maior parte de seus componentes é plástica. Garrafas, garrafões, potinhos, seringas, sacolinhas, inúmeros alienígenas que certamente não nasceram ali, nem mesmo deveriam terminar sua existência por aquelas bandas.

Um imenso cemitério de PET, e outros plásticos, meio como um cemitério de elefantes. Recipientes de líquidos desta família, em sua maioria, ao final da vida, procuram misteriosamente o caminho de seu último destino, meio que por instinto, sabedoria congênita.

Em 1997, na volta de uma regata, o velejador americano Charles Moore passou pela tal região no Oceano Pacífico e constatou a situação da região, relatando suas observações em uma revista científica, cerca de dez anos depois. Há certa até hoje certa indefinição de suas reais dimensões, mas é inquestionável sua proporção alarmante.

Seu relato sensibilizou o aventureiro inglês David Mayer de Rothschild, conhecido por desafios e explorações por toda a Terra. Ambientalmente engajado, este decidiu realizar uma viagem, em um barco feito de material reciclável, movido a energias renováveis, para alertar das necessidades de mudanças significativas em nossa atuação com a natureza: a expedição Plastiki.

Fundador da Adventure Ecology, ONG promotora de projetos que aliem aventura com ecologia, sua iniciativa poderá chamar a atenção para os esquecidos pequenos descasos do cotidiano. Serão muitas garrafas PET, milhares de quilômetros, energia eólica e solar.

Nem todos podemos dar um giro por lá, nem talvez constatemos presencialmente sua existência, mas que está lá, está. Memorial da nossa incompetência em gerenciar os recursos que recebemos de graça. Importante alerta para como decisões do dia-a-dia influenciam, e influenciarão, os rumos da vida de a humanidade.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Moral

Difícil a compreensão da moral...

Cientistas, filósofos, pensadores e afins buscam continuamente teorias unificadoras, que coloquem de maneira simples e direta ordem no entendimento da natureza.

O mundo físico tem muitas teorias, mas podemos destacar três ou quatro pilares que cobrem boa parte do conhecimento, permitindo com muita lógica a descrição e compreensão de quase tudo.

Mesmo a linguagem humana, um tanto abstrata, de origens perdidas na história, pode receber sua formulação, como nas ideias de Chomsky.

Apesar de tantas teorias, em tantas áreas do cotidiano, ainda não concebemos uma teoria da moral, que consiga generalizar e entender seus mecanismos através das sociedades e do tempo. Impossibilidade ou incapacidade?

Falta muitas vezes entender a moral ou, anteriormente, a ética. Isso mesmo, ética. Às vezes tão invocada, na maioria delas nem tão bem colocada. Como ensina com propriedade o professor Cortella, ela é a fronteira da nossa convivência. Conjunto de princípios e valores de conduta que uma pessoa ou grupo de pessoas tem.

O ilustre professor também dá a dica da importância da ética. Responder três constantes perguntas da vida humana: Quero? Posso? Devo? Qualquer conflito entre as respostas destas três perguntas resultarão nos dilemas inerentes ao existir.

E qual a relação da moral com toda esta história? Podemos defini-la como a colocação em prática das respostas que elaboramos. Exatamente, teoria e prática. Ainda que às vezes a teoria seja nebulosa e as versões sejam inúmeras.

Moral da história, mesmo com alguns indícios, somos impossibilitados de abstrair todos os conjuntos éticos desenvolvidos pelos povos, em único e abrangente mecanismos gerador. Tudo que podemos fazer é captar alguns indícios, aqui e ali, procurando nos manter íntegros no cumprimento das relações estabelecidas, da melhor forma possível.