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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Idear

Idéias não são, ocorrem.

Existência como unidade, como entidade, compartimentada no espaço e no tempo, nem resvala nas exigências e naturezas da formulação de pensamentos e sua utilização.

Vai saber de onde surgiu a história da geração espontânea... De repente, como conseqüência do destino, uma grande idéia deixa o seu mundo e pousa na cabeça de alguém.

Pior, alguns culparão o coitado do Arquimedes. A folclórica passagem a ele atribuída, com sua exclamação "Eureka", contribui com a visão um tanto mágica do processo de "idear".

Há também a história do Newton com a maçã. Queremos creditar ao acaso o derramar de gotas de genialidade na cachola de alguns poucos. É muito desprezo pelo esforço deles.

Resultado de considerável esforço, é mais coerente enxergarmos como final de um processo. Tudo começa com a alguma inquietação, uma motivação espúria. Geradora da ânsia por solução, ou da curiosidade por entender.

Despende dedicação e um bocado de trabalho para mastigar os vestígios e rastros de sua perseguição. Coletados pelo caminho, nem sempre de maneira controlada e consciente, se acumulam em algum lugar da alma, se encaixando sorrateiramente.

Não há descanso. Nos casos das muito boas idéias, lembranças e lampejos acometem o criador incessantemente. Difícil decisão tentar afastá-las da frente, colocá-las de lado para realizar algum outro tipo de intento. O cotidiano pede muito de nosso tempo para supostas manutenções obrigatórias.

Alguns anos podem se passar. Ou em poucos minutos, relativisticamente, percorrer toda a via crucis do processo criativo. O ápice da concepção traz a alegria de receber um filho, mesmo que ideário, motivo de júbilo e satisfação. Se percebermos que o alarme foi falso, nos resta apenas continuar e não desistir!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ventos

A inspiração é como o vento soprando sobre o mar.

Em dias de calmaria, brisas acariciam as águas e provocam pequenas ondulações. Decoram a superfície para embelezar a paisagem, para nossa contemplação, serena, pacata.

Muito tempo de calmaria é sinal de monotonia. Sem vento adequado os barcos não velejam, os surfistas não se divertem, as crianças não tem tantos desafios à beira da praia.

Um vento cotidiano, com variações durante o dia, provoca ondas costumeiras. É um tanto quanto habitual, estamos acostumados, o esperamos sem surpresa. Ele nos garante a praia de nosso pueril imaginário, com ondas regulares, rítmicas, incessantes.

Dias de ventos fortes também são interessantes. O mar fica revolto, imprevisível. Ondas volumosas nos assolam. Inexistem instantes de calmaria. Ficar nas águas, em dias assim, é perigoso, mas pode ser um interessante desafio.

O quebrar das ondas é intenso, incansável, nos faz ficar atentos. Procuramos saída da quebração, tentamos voltar à areia, nos esforçamos para nadar. Tanta agitação suscita instintos, nos faz procurar alternativas, nos mantém alertas.

Em nossos dias a inspiração vem e vai como os ventos. Apresentam-se nos mais diversos formatos e intensidades. Às vezes demora a chegar, ou vem apenas como brisa a nos acariciar. Noutros momentos, chega avassaladora, tempestuosa. Inquieta-nos.

Deposito minha confiança em que bons ventos sempre me levem. Que eles sejam suficientes para conduzir, inspirar a todos. Minha esperança é essa.