terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carpir

"Carpe Diem!"

Quando tomei contato com a expressão pela primeira vez, esta me chamou muita a atenção. Percebia certa dualidade de sentidos, entre apreciar os momentos da vida ou usufruir o presente um tanto quanto inconsequentemente.

Lembro de tê-la ouvida no filme "Sociedade dos Poetas Mortos", mesmo sem me recordar do contexto. Nos arroubos da ânsia juvenil, o lema evocava muitos sentimentos, mesmo sem conhecer a origem.

Foi como um acordar para a sutileza da vida, sua finitude e a importância de saber valorizá-la. Encontrar os bons sabores que podemos obter no cotidiano.

Recentemente, ao ler um livro, conheci uma outra tradução para a expressão. Oriunda do filme, pelo menos eu acho, ouvia a frase como "curta o dia".

Pois bem, no tal texto, encontrei como "colha o dia". Pode parecer besteira, mas um sentido mais forte se fez presente. A colheita remete à reflexão maior, ao senso de maior consciência no ato, com o objetivo de receber os frutos da vida.

Colher requer preparo e disponibilidade. Conhecimento da técnica e do tempo corretos. Experiência para olhar o campo e decidir que aquele é o momento ideal, sem deixar passar o tempo e perder a boa oportunidade.

"Carpe" também me lembrou o ver carpir. Uma relação mais profunda. Carpir o campo, limpar o terreno, pede cuidado. Carpir se relaciona diretamente com cuidar, tomar conta, preparar. Se desejamos boa colheita, devemos nos preocupar e pensar antecipadamente na lida com o solo.

Bons frutos não caem do céu simplesmente. Pressupõem empenho e avidez, para plantá-los e saber colhê-los. Longe do pragmatismo e da inconsequência, as palavras de Horácio são um alerta para podermos aproveitar os bons momentos da vida.

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