quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Herói

O arquétipo do herói é presente em todas as sociedades humanas, independentemente de região ou época.

Criamos e cultuamos nossos heróis como fonte inspiradora de nosso modelo ideal de comportamento. Alguns até apresentam seus traços humanos, suas fraquezas, mas suas virtudes são sempre mais importantes e destacadas.

Sua importância é tanta que sua ausência pode denotar algo de errado em nosso meio.

Quem nunca sonhou em ser um super-herói?

De alguma forma, desejaríamos ter poderes sobre-humanos para superar as dificuldades e auxiliar ao próximo. Um dia, um certo professor me ensinou ser melhor ainda conseguir ajudar mesmo com nossas limitações e dificuldades.

Na semana passada, um garotinho de 5 anos salvou um bebê de um incêndio. Sua coragem, misto de inocência e fantasia, permitiu que uma vida fosse resgatada contra todas as expectativas. A sua recompensa é apenas poder ser um dia bombeiro. Aliás, hoje ele já diz ser "o filho do homem-aranha". :)

Em Sorocaba, uma senhora de 70 anos salvou toda a família, em outro incêndio, arrancando uma grade da parede da casa, com as próprias forças. Tudo que ela pode ver naquele momento foi o bem de seus filhos e netos, sua força maior.

São assim os nossos heróis do cotidiano. Sem o glamour sonhado na infância, sem os superpoderes adquiridos, seguem em nosso meio fazendo muito com pouco. Será apenas um meio de disfarçar sua divindade?

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Fiscalização

Certos acontecimentos em nosso cotidiano são no mínimo difíceis de entender.

Por exemplo, o que dizer das tais "operações-padrão" executadas por fiscais como forma de protesto? Eles realizam o seu trabalho corretamente, sem omissões, para protestar!

Minha mãe viajou em uma excursão, nesse feriado, até o Rio Grande do Sul, junto com um grupo de senhoras católicas, algumas freiras e um padre.

No caminho de volta, forma paradas em um posto de fiscalização, depois de 23 horas de viagem, para averiguações. Por ser um feriadão, as fiscalizações são necessárias, devido ao grande movimento e os mais diversos tipos de ocorrências possíveis.

Foram 1 hora e meia de averiguações! Inclusive pedir o RG de todas as senhoras e do padre para constarem do relatório. Enquanto esperavam, elas apenas puderam rezar e cantar com alegria, apesar do esgotamento pela longa viagem. As mais moças estão acima dos 60...

Com um ônibus fretado, em empresa reconhecida e conhecida, com toda a documentação, por que a fiscalização foi tão demorada?

Certamente é muito suspeita uma excursão tão em ordem, nos tempos de hoje, ainda mais num feriado prolongado. No mínimo elas vinham contrabandeando alguns terços, imagens de Nossa Senhora, livrinhos de oração e um pouco de vinho de missa.

Ainda bem que o principal elas trouxeram bem guardado e apesar de não terem escondido, ninguém tirou delas: a fé!

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Vila Chã

Portugal sempre está presente em minhas referências.

Meus avós, como bons representantes do povo lusitano, nunca perderam seu característico sotaque. Além deles, tios-avós, primos e outros agregados formavam, e ainda formam, uma imagem forte da origens além-mar.

Em minha viagem a Campos do Jordão, encontrei uma preciosidade para se viver um pouquinho da "santa terrinha", principalmente no terreno gastronômico.

O nome do restaurante, um simpático pedacinho de Portugal, é Vila Chã. Seu caráter começa pelo nome, que denomina diversas regiões daquele país.

A entrada da refeição foram inevitáveis bolinhos de bacalhau. Ouso dizer que são muito próximos dos caseiros preparados por minha avó. Há até a famosa sopa de pedra, que apesar de existente em outras culturas, é muito conhecida pelos lusos.

Para o prato principal, a escolha pode ser feita entre peixes, cordeiros, perdizes e toda uma sorte de pratos tipicamente portugueses. E como cozinham esses portugueses! Experimentei uma truta com alcaparras, um acompanhamento bem com mesmo aqui, mas com batatas assadas que só lá se comem.

O acompanhante não podia deixar de ser um vinho, em taça, generosamente servido. Era um Alandra, o tinto para todos. Simplesmente delicioso!

Não podemos esquecer que da chegada à saída somos acompanhados por uma suave música de fundo, com ritmos regionais. Verdadeira imersão na melodia lusitana. Além disso, vale ressaltar a simpatia de todos no atendimento.

Encerrar o almoço não podia prescindir deles, os melhores doces portugueses: pastel de Belém, de Santa Clara, etc. Para deixar com qualquer um com água na boca.

Há muito a experimentar ainda. Devo voltar, quando possível, e levar mais alguém para conhecer. Quem puder, vale a pena!

domingo, 18 de novembro de 2007

Interior

Experimente ir a qualquer cidade do interior do Brasil e participar de um missa na igreja local.

Há algum tempo, nas viagens que realizamos, fazemos essa visita, participativa e contemplativa. Ela nos permite experimentar a vivência da fé na sua forma mais sincera e pura.

Neste final de semana, mesmo Campos do Jordão estando longe de ser uma pequena cidade do interior, fomos visitar a igreja matriz. Participamos da missa matinal do domingo.

Lá estavam os violeiros, sanfoneiros e coro para embelezar a celebração. Verdade seja dita, um dos violeiros já trocou a viola por uma guitarra elétrica, simples, mas igualmente simples é sua devoção ao tocar.

As pessoas estão claramente arrumadas para a missa do domingo. Sacaram do armário a roupa reservada para o dia, dia especial, de oração e encontro, com Deus e com os amigos. A celebração faz jus a seu nome, celebração. Celebra-se a vida, as conquistas e os pesares.

Havia ações de graça de bodas de 62 anos, aniversários de 80 e 84 anos e pela pintura de igreja. A obra continua em andamento e demonstra o cuidado pela conservação do lugar de todos. Todos estão ali, de corpo e alma, participando.

Cada canto tradicional, evocado de um repertório presente na memória de todos, cada oração no mesmo tom, leva uma mensagem para bem longe, de esperança, fé e caridade. Antes, durante e depois da celebração a comunidade está em comunhão.

É inspirador encontrar mostras de uma energia tão forte no interior. Nosso "interior" fica revigorado!

sábado, 17 de novembro de 2007

Origem

Toda tartaruga sabe seu dever de voltar à praia de origem.

Hoje volto a uma praia de origem: Campos do Jordão. Aproveitarei um pouco do final de semana, uma vez que não houve feriadão na empresa onde trabalho.

Meus pais passaram a lua-de-mel naquela cidade. Na década de 60 essa era uma opção comum para os recém-casados.

Minha concepção, fisicamente falando, não ocorreu lá, pois não nasci 9 meses depois... ( :) ). Por outro lado, a concepção filosófica de nossa família, a poesia para sua amálgama, se originou lá. Foram muitas promessas trocadas, muitos sonhos iniciados, muita inspiração recebida.

Reside no imaginário da família um pouco da magia de Campos. Alguma outra viagem aconteceu na minha infância, apesar de eu não me lembrar. Lembram-se os adultos à época, do frio dos pequenos, da diversão familiar, dos bons momentos.

Há 10 anos fiz minha primeira e única viagem consciente até lá. Foi a primeira viagem por minha conta, com meu primeiro automóvel e minha namorada. Boas recordações ficaram também. Vamos atrás agora de revivê-las.

Vamos como nova família, embrionária. É embrionária biológica e filosoficamente. Um novo começo, mais um pouco de história, de uma história maior, de uma jornada.

Sinto-me um pouco tartaruga...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Fax

Já fiz algumas críticas às soluções da Microsoft. Juro não ser perseguição!

Em alguns casos recentes, ela se empenhou em proporcionar uma opção adequada, dentro das tendências mais novas do mercado. Só não teve sucesso.

O fato de estar utilizando o Vista, como tantos outros novos usuários, contribui para um contato mais próximo e cheio de atritos, pois se trata de um novo sistema operacional.

A impressão inicial é desfavorável, coisa comum em lançamentos, talvez até pela falta de intimidade, um pouco de medo do novo. Analistas apontam o XP, seu irmão mais velho, como seu principal concorrente. :)

Porém, alguns detalhes se apresentam imperdoáveis.

Esses dias, precisei enviar um fax e fui procurar o serviço no Windows, que existia no XP da minha máquina antiga. Para minha surpresa, descobri que o interessante serviço 'Fax and Scanning' do Vista está disponível apenas na versão Business!

A versão em meu computador é a Home Premium, me tornando um "sem fax". Quem será o gênio que definiu a inutilidade do fax em uma residência? Está certo que muito se resolve com o e-mail, mas ainda temos as instituições, como bancos, postos de serviço público, etc., para nos solicitarem o envio de um documento, por fax...

Pesquisei as páginas de suporte, na procura de alguma alternativa oferecida pela empresa, mas eles se limitaram a instruir um usuário ler mais atentamente a especificação de um produto, antes de comprá-lo. Um bela mostra do retorno que temos ao comprar software...

Fiquei sem alternativas! Aliás, a única restante é procurar um aparelhinho esquecido em algum canto. Alguém tem um por aí?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

e-Morte

Como será a vida após a morte?

Encontraremos vales verdejantes? São Pedro nos recepcionará na entrada? Ficaremos muito tempo no purgatório? Uma luz aparecerá para nos guiar no caminho?

Cheguei à condição de explicar... Vivo uma situação pós-morte! E não é uma experiência de quase-morte. Explico-me...

A morte vivida por mim é uma morte virtual ou, como batizei, uma e-morte. Deixei de acessar o Second Life por cerca de um mês e, quando fui tentar voltar, meu perfil estava bloqueado, morto! Um mês de sumiço foi suficiente para me cancelarem por inatividade.

Até havia uma mensagem de como solicitar a recuperação da conta. Enviei a mensagem para o suporte, mas o máximo que consegui foi uma sugestão de criar novo cadastro. E as minhas propriedades virtuais, meus lindens conquistados com duro trabalho? Tudo foi esquecido...

Como não tinha muito tempo a dedicar a esse mundo, decidi deixar para lá e nem me cadastrar novamente. Não vou reencarnar em outra personagem. Talvez esse seja mais um dos motivos da estagnação do próprio sistema do Second Life.

Pelo jeito, além de nossa vida, nossa morte e pós-morte são mais interessantes em nossa First Life, ou First Death. Ainda bem...