quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Kindle

Livros têm características insuperáveis.

Refiro-me a livros de papel, ferramentas tecnológicas existentes há milhares de anos, sem grandes alterações em sua concepção básica.

As tintas são melhores, o papel mais refinado, sua durabilidade é maior, são resistentes a pragas, mas continuam sendo palavras impressas em um meio físico, fáceis de transportar (na grande maioria) e relativamente acessíveis a quase todo cidadão.

Conta ainda o lado poético do mundo bibliográfico. O cheiro das páginas é diferente para cada um deles. Folhear tem seu ritmo em cada caso, possuem um tato particular. Sua imagem, sua capa, se associam a memórias e sentimentos.

Porém, para mim é inevitável ressaltar minha veia tecnológica. Prefiro documentos digitalizados a arquivos em papel. Faço anotação em documentos digitais. Desenvolvo profissionalmente objetos digitais.

Do ponto de vista de ocupação espacial, preservação e segurança, o mundo digital tem seus atributos insuperáveis. Há muito tempo aguardo uma boa alternativa ao livro tradicional. Jamais para substituí-lo, mas para ocupar as lacunas ou aprimorar o armazenamento e acesso de informações textuais.

A Amazon lançou recentemente um bom candidato: o Amazon Kindle. Com possibilidades de transporte, adequação visual e conexão a lojas digitais, ele possui uma série de inovações e tecnologias recentíssimas.

Fica a dever na questão do preço e das discussões quanto a direitos autorais. Muito mudará e o futuro é extremamente incerto. Tantos outros já tentaram, mas a maior livraria digital do mundo tem grande chances de acertar a mão...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Herança

Certa vez, eu ouvi uma bela metáfora sobre os ensinamentos paternos.

Ela dizia que nossos pais colocam uma série de valores em nossa mochila, durante a infância. Uma vez adultos, escolhemos os itens para continuarmos a carregar, fazemos nossa seleção.

O tema do filme Um Bom Ano, com Russell Crowe, gira em torno do legado passado por nossos "mais velhos".

Russell Crowe interpreta um inglês, criado por um tio radicado na França. Na infância vive e ganha momentos para sua "mochila". Na vida adulta, apresenta aqueles valores escolhidos por ele.

Sua escolha são os possíveis afastamentos de seu tio, mas tudo muda quando ocorre seu falecimento. Para resolver as burocracias da herança, o sobrinho volta à França e é obrigado a se defrontar com todos os itens de sua antiga "mochila".

Adicione à história um enredo pautado pelo vinho local e do terroir de seu tio. Além disso, a convivência de ingleses e franceses, povos de conhecida divergência cultural, mais alguma personagem americana, para mexer o caldo de vez.

Uma poesia filmográfica sobre a construção de nosso arcabouço moral, transmitido pela família e os mais próximos. A crise do crescimento e o enfrentamento do mundo externo. Diversão e emoção garantida!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Pão Integral

Após uma série de pedidos, para passar a receita de pão integral que faço, resolvi postá-la no blog, para facilitar o acesso e permitir o conhecimento da receita por mais pessoas.

Pois é, para os desavisados, este analista de sistemas que vos escreve, metido a blogueiro, envereda semanalmente na arte da panificação. Talvez seja o sangue luso correndo em minhas veias! :)

Pão Integral Caseiro

Ingredientes

. 450 gr de farinha de trigo integral
. 300 gr de farinha de trigo branca
. 30 gr de fermento biológico
. 450 ml de água
. 1 colher de sopa de sal
. 1/2 xícara de café de linhaça
. 2 colheres de sopa de óleo

Preparo

Misturar em uma vasilha as farinhas e a linhaça. Aqueça a água até ficar morna. Não pode ser muito quente! Separe uma xícara de chá da água e dissolva o fermento nela.

Abra um espaço no meio dos ingredientes secos e despeje o fermento dissolvido. Comece a misturar com um garfo e adicione o resto da água, aos poucos, para integrar todos os ingredientes.
Faça o mesmo com o óleo, em seguida.Quando ganhar consistência, comece a manipular com a mão para retirar da vasilha.

Coloque em uma superfície lisa levemente enfarinhada (mesa, pia, etc.). Adicione o sal na massa. Sove-a por cerca de 10 minutos.Se necessário, pode ser adicionada um pouco mais de farinha branca, até não grudar muito na mão. Cuidado com a farinha a mais, pois a massa deve ser ligeiramente pegajosa. O bom pão não tem sua massa extremamente seca, deve ter bastante umidade.

Faça uma bola com a massa e deixe descansar, por cerca de 15 minutos, ou até dobrar de volume. Abra a massa novamente e dobre-a em seguida, repetidas vezes, para arejar a massa. Por fim, abra-a com um rolo e enrole-a como um rocambole.

Coloque-a numa forma grande de pão e deixe descansar. Ela deve preencher a forma e passar de sua borda. Dependendo do tempo levará de 40 min. a 1,5 hr. Também pode ser feito o ‘teste da bolinha’. Em seguida, pré-aqueça o forno por 10 minutos, na temperatura máxima. Com uma faca de fio, faça um corte superficial e longitudinal em cima da massa.
Leve-a ao forno e altere a temperatura para médio (cerca de 230 oC). Asse por cerca de 45 min. Uma forma de saber se já está assado é puxar a forma e bater embaixo. Se o som for oco está assado. Retire do forno e da forma imediatamente. Deixe esfriar sobre uma grelha, coberto por um pano.

Dicas

Depois de dominado o processo básico, ou seja, acertado algumas vezes, algumas alterações podem ser feitas, de acordo com o gosto do freguês. :) Por exemplo, pode ser substituída 150 gr de farinha de trigo integral por 150 gr de fibra forte (encontrada em lojas de produtos integrais). A fibra forte deixará a massa mais granulada.

Outro alteração é adicionar uma xícara de chá de aveia em flocos grandes à massa. A aveia deixa alguns pedacinhos meio ‘crocantes’ no pão. A massa também pode ser dividida em pãezinhos menores, alterando-se então o tempo de forno (menos tempo) e assando-os sobre um grelha.

domingo, 25 de novembro de 2007

Injúria

Notável é a dificuldade de nossa sociedade em aprender com os próprios erros.

Não faz muito tempo, há alguns poucos anos, todos devem lembrar do caso da escola infantil, injustamente acusada de abuso contra os alunos.

Rapidamente noticiado o problema, em pouco tempo estava a escola falida e seus proprietários ameaçados de diversas formas. Ao final, para quem pode se informar, tudo não passava de pueril fantasia.

O desejo pelo grande furo jornalístico, associado aos direitos de informação e "de expressão", destruiu a vida e a reputação dos donos da escola, sem jamais poderem ser justiçados.

Atualmente, há pouco mais de um mês, observamos o caso do padre Júlio Lancellotti. Envolvido em um caso, vítima de extorsão, viu sua imagem e sua história estampada em diversos meios de comunicação, em meio a uma confusa apresentação de "fatos".

Com a justificativa da imparcialidade, as pessoas contrapuseram, em peso de igualdade, a palavra de um ex-interno, com diversas acusações na justiça, frente a de um padre, defensor de causas humanitárias e dos mais pobres. A imparcialidade eliminou o histórico das pessoas. A palavra deixou te ter valor algum.

É certo que muitas pessoas divergem de posições sócio-políticas do padre Júlio. Vivemos numa democracia, sendo normal a defesa de pontos de vista contrapostos. Inadmissível é utilizar um caso obscuro para denegrir a imagem de um adversário.

Precisamos urgentemente de um rei sábio, tal qual o rei Salomão. Nós necessitamos da racionalidade inspirada e sensata. No episódio em questão, qualquer pessoa tem certeza que o padre Júlio capitularia em favor da criança.

Por enquanto a notícia está esquecida, deixou de ser interessante sua destacada publicação. O tempo, sem dúvida, confirmará a verdade e espero o noticiar pelos mesmos meios de comunicação, em respeito aos verdadeiros direitos de informação e de expressão.

sábado, 24 de novembro de 2007

Pontualidade

Um alerta atrasado não chega a ser um alerta. Não cumpre sua função.

Recebi uma prestativa correspondência da empresa de TV a cabo me avisando de possíveis interrupções esporádicas de seu serviço, em determinado período de dias.

O único e pequeno detalhe foi o aviso chegar no último dia do período, o qual só recebi à noite, na volta do trabalho.

A nossa história com os prestadores de serviços não anda bem ultimamente. Deixaram de ser raros os casos de mau atendimento, descaso de atendentes, problemas no fornecimento do serviço e "mau" entendimento das condições contratadas.

Eles se limitam a dar uma solução, muitas vezes paliativa, que cumpram os protocolos obrigatórios legalmente. Em grande parte, somos vítimas da falta de opção em serviços de telefonia, Internet banda larga ou TV paga.

Receber uma correspondência atrasada, nessas condições, com a intenção de mostra de competente atenção, seria cômico se não fosse trágico. Nem quando pretendem acertar conseguem!

Isso sem levar em conta que a assinatura também se refere à Internet banda larga.

Desconheceram a função do e-mail? Não sabem onde deixaram meu cadastro, onde constam pelo menos 3 números de telefone? Se um simples contato é tão desastrado, o que esperar das demais prestações de serviço? Definitivamente não busco uma solução, apenas desabafo.

Num último fôlego de resistência, me pergunto: o que é necessário para a situação mudar?

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Registros

Desde os tempos das cavernas o ser humano registra graficamente sua história, suas idéias, seu olhar do mundo.

A própria escrita não deixa de ser uma forma gráfica de solidificar as palavras, torná-las concretas.

O desejo do registro culminou na avalanche de câmeras espelhadas pelo mundo, hoje acessíveis a grande maioria das pessoas, com o advento dos equipamentos digitais.

Em alguns lugares ocorre uma verdadeira profusão, e confusão, de pessoas "armadas" com suas lentes, registrando tudo a sua frente. Parecem a velha piada estereotipada de orientais com jeito de turistas e equipamentos no pescoço.

Um dos registros mais comuns são os álbuns de família, com fotos e mais fotos de fatos de nossa história, principalmente das crianças.

Em um reunião familiar, vimos diversos filmes super-8 que registram a época da infância da minha esposa. As crianças, a família, os eventos, tudo em um carinhoso cinema mudo da família. Verdadeiro avanço com relação aos registros estáticos no papel da fotografia.

Na minha nova família, a onda é levar DVDs graváveis aos exames de ultra-sonografia, para registro das imagens captadas pelo aparelho. O mais difícil é lembrar tudo que o médico explica. Naquele momento, ele descreve um monte de manchas pretas e brancas, dizendo o que são e não são, e você acredita... :)

As imagens comporão uma versão moderna do álbum de família! Já imaginou podermos ver quando ainda éramos um feto? Nossos filhos poderão...

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ficção

"Nós somos feitos do tecido de que são feitos os sonhos."

William Shakespeare cunhou a frase acima, com propriedade de grande poeta, para nos deixar um aviso.

A ficção serve de exercício de nossos sonhos, de campo fértil para cultivarmos os anseios motores de nosso destino. Sem ela somos terreno árido, onde pouco pode crescer.

Por toda nossa história, grandes sonhadores semearam em nossas cabeças viçosas raízes das plantas da criatividade. Para mim, especialmente nos dois últimos séculos, apoiados nos avanços da ciência, os principais ícones dessa seara surgiram: Isaac Asimov, Júlio Verne, H. G. Wells, para ficarmos nos mais conhecidos.

Em tempos atuais, em pleno século XXI, sinto falta dos grandes ficcionistas. Fica a sensação destes não surgirem mais, como se a semente morresse na pedra.

No passado, os sonhadores viam o futuro e, apesar de nem sempre acertarem, acabaram por nortear o desenvolvimento de grande parte de nossa ciência. Hoje parecemos viver apenas para o presente, pragmático, presos em nosso dia-a-dia conturbado, sem ouvir o passado e nem enxergar o futuro.

Precisamos resgatar nossos sonhos, semear mais sonhadores, desmontar nossos grilhões do imediatismo, para que nossa vida não acabe em sono...