domingo, 30 de setembro de 2007

Sustentabilidade

A palavra sustentabilidade é tão utilizada ultimamente que esquecemos ser um assunto apenas recentemente em voga.

Discute-se o assunto há muito tempo, ao menos uns 35 anos, mas pouco feito neste período, pouca importância foi dada.

Apenas com as últimas evidências incontestáveis, grandes poluidores mundiais resolveram começar a pensar no assunto.

Independentemente das poucas boas notícias, o clima de tensão para um leigo, se prestar atenção nas informações apresentadas, é insustentável!

Da maneira como é apontado o horizonte, resta apenas a pergunta: haverá solução?

Em tempos de desenvolvimento, principalmente para países carentes, ainda há o problema de conciliar as necessidades de ambos os aspectos. Felizmente há diversas organizações preocupadas em estudar a questão, como a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável.

O assunto é tão significante que diversas empresas se preocupam em incluí-lo em seu portfólio. Quase todos os bancos têm fundos de investimento pautados na sustentabilidade. Governos têm discutido arduamente suas estratégias e disputado suas responsabilidades.

Com o envolvimento dos comandantes do mundo político-econômico espero haver tempo para recuperarmos nossa casa.

sábado, 29 de setembro de 2007

Relógio

"Eu tenho pressa, eu tenho pressa, ai ai meu Deus! Alô e adeus! É tarde, é tarde, é tarde!"

Sempre me intrigou, durante minha infância, o personagem do coelho em Alice no País das Maravilhas, com seu jeito apressado, sempre correndo, sempre afobado, mas sem muita explicação.

Eu mal poderia imaginar o quão preciso era o prenúncio escrito por Lewis Caroll. Entre tantas outras bem pontuadas observações da sociedade, como governos tiranos, regras sociais estapafúrdias, essa se apresenta a mais moderna imaginável.

Em tempos atuais, bombardeados por e-mails, assolados por informações na Internet, perseguidos por celulares, repletos de compromissos pessoais, para cuidado com a saúde ou sociais, nos vemos atolados numa imensa falta de tempo, sem sabermos exatamente porque.

Lembrei outro dia da longa espera pela resposta de uma carta, os raros telefonemas internacionais com os parentes de além-mar, as edições de revistas semanais com 'informações inéditas'!

E tudo começou quando cismamos de medir o tempo com o relógio! Mudamos o ritmo da vida, passamos a observá-la com uma precisão artificial, cronometrada, nos desconectamos do tempo da natureza...

Resolvemos desafiar Chronos, mas corremos o risco de permanecer eternamente em um louco e apressado País das Maravilhas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Esperança

Se ao chegar no Metrô, pela manhã, encontramos a plataforma repleta de pessoas, preparamos o espírito, e principalmente o corpo, para a eminente sessão de do-in.

Mas a vida sempre nos reserva surpresas... Com a chegada do trem, no momento da entrada no vagão, nenhum empurrão!

Alguns podem imaginar a ausência total de pessoas, mas tal qual a plataforma, o vagão vinha em toda a plenitude sua lotação. Inesperadamente tudo se ajeitou.

Outros até talvez apostem na perda da sensibilidade, após tantos empurrões nossas células sensoriais estejam abaladas. Nada disso, a consciência corporal é total e através dela essa realidade é percebida.

No pequeno espaço de tempo até a estação Sé, é impossível não ansiar pela decida e estar precavido, atento para não atrapalhar a multidão.

Novamente, surpresa! Uma rara descida civilizada.

Começo a acreditar que o respeito diário pelos outros, na utilização cotidiana do transporte público, está finalmente surtindo efeito.

O ser humano é comportamental e assimila as ações do grupo. Por que, então, pequenas mudanças por nós introduzidas não podem transformar o conjunto? Hoje vivenciei um indício desta possibilidade...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Propaganda

A tentativa de empresas de tecnologia, ligadas a Internet, buscarem um novo modelo de negócios, baseado na exibição de anúncios, já não é novidade.

Há cerca de pouco mais de um mês, eu escrevia sobre o assunto, e já me mantinha atento anteriormente sobre a evolução dessa abordagem de geração de receita com tecnologia.

Novidade mesmo é a adoção por um tradicional representante da mídia impressa, o jornal americano The New York Times.

Na semana passada, através de carta aberta ao público, eles liberaram o acesso ao seu conteúdo, bem como a consulta de toda a sua base histórica.

O serviço que custava US$ 50 por ano, será custeado agora pela venda de publicidade no site.

Uma grande mudança, apesar de que o jornal já pudesse ter percebido esse mercado, afinal eles contam com parte significativa de faturamento oriunda de propaganda, mesmo na versão impressa.

Eis uma tendência passível de propagação por todos os seus pares, concorrentes ou não.

Com o andar da carruagem, devemos dar mais atenção a possível contaminação da qualidade destas publicações, ou outras que futuramente adotem o modelo, pela necessidade de gerar acesso, com conseqüente aumento de faturamento.

Nasceu assim um novo tipo de 'IBOPE'?...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Educação

Diversas vezes nos perguntamos 'por que o Brasil é assim?'...

Na edição da revista Época, desta semana (ed. 488), o repórter Leandro Loyola nos apresenta uma matéria muito consistente a respeito de um livro didático adotado no ensino público.

O texto trata da tendenciosidade desta 'obra' de história, o que já em si é uma temeridade. Lembremos do público-alvo deste material: os jovens estudantes brasileiros em formação.

A questão, por si só, já é suficiente para um protesto, mas mesmo ignorando o problema doutrinário, há o aspecto do formato e das justificativas apresentadas pelos envolvidos.

Deixemos as próprias evidências apresentadas na matéria falarem por si...

Vejamos apenas um único texto emblemático presente no livro, a respeito da Independência do Brasil: “No Museu do Ipiranga, em São Paulo, tem o célebre quadro do pintor paraibano Pedro Américo, retratando o dia 7 de setembro de 1822. Parece um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco”. (Livro didático? Acadêmico?)

Avaliação realizada pelo Ministério da Educação: "O livro apresenta uma tentativa de análise crítica. Se houvesse viés doutrinário, teria sido excluído na primeira banca". (Qual análise foi realizada? E na comissão de avaliação...?)

Nota da editora sobre a 'obra': "não publica livros para fazer crer nisso ou naquilo, mas para despertar nos estudantes a capacidade crítica de ver além das aparências". (Qual tipo de crítica?)

Justificativa da Universidade que havia avaliado negativamente o material, mas aprovou assim mesmo: "Há que ter em vista o que, num dado momento, estava disponível no mercado".

Opinião do ministro da Educação: "Vemos mais desvantagens que vantagens nessa exposição... Considero mais pedagógico levar ao conhecimento do autor as objeções e permitir que ele reapresente o livro com alteração que torne viável sua inclusão.".

Ignorância é o pior de todos os males. Porém, a falsa e manipulada sabedoria é muitas vezes pior. Sem falar no fato de estarmos no tempos de Wikipedia, e de outras tantas fontes de informação, muito mais confiáveis, apesar de toda a discussão. Ao menos provocarão o questionamento mais construtivo...

A velha máxima foi esquecida: "Não devemos julgar o livro pela capa!". Aliás, falta até mesmo conceituar LIVRO!

Depois perguntamos 'por que o Brasil é assim?'...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Hipocrisia

Outro dia eu escrevia sobre questões da sinceridade em nossos relacionamentos.

As dúvidas ganharam agora ao menos uma resposta, baseadas nas teorias de Steven Pinker, psicólogo e lingüista canadense. Estava lá, para ser encontrada, digna de um "Eureka"!

Em seu livro The Stuff of Though, ele afirma que no fundo somos hipócritas mesmo. Não usar de sinceridade faz parte da psicologia humana, é uma necessidade à nossa linguagem.

Precisamos utilizar mensagens indiretas para sentirmos, nos localizarmos em nosso ambiente, e avaliarmos nossa estratégia de abordagem.

Tudo ocorre instintivamente, um mecanismo natural na disputa de poder, de um lugar, uma ferramente de coesão das relações humanas.


Nem sempre a expressão direta, sincera, é a mais adequada, pois perderíamos parte do conteúdo de nossa interação, teríamos menos informação para agir.

Nas palavras do cientista:

"O expressivo poder das palavras é uma bênção ambígua. Elas nos permitem dizer coisas que queremos dizer, mas também coisas que seriam bem melhor não termos dito. Elas nos permitem descobrir as coisas de que precisamos saber e também aquelas que preferíamos ignorar.

A linguagem é uma janela para o interior da natureza humana, mas também é uma fístula, uma ferida aberta, pela qual somos expostos a um mundo infeccioso. Não é surpresa que revestimos nossas palavras com gentilezas e insinuações e outras formas de ambigüidade.
"

Bichinho interessante esse tal de ser humano, né?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Sanduíche

Os homens-sanduíche são velhos conhecidos das pessoas no centro de São Paulo.

Senhores andam pela ruas do centro com duas placas, uma à frente, outra atrás, com diversas propagandas. Compra de ouro, agência de viagens, ofertas de empregos...

Há algum tempo correm risco de extinção, seja pela antigüidade desse mercado, seja pelo fato de muitos corromperem sua função principal: ao invés de andarem, ficam sentados em banquinhos com suas placas.

Parados assim, qual a diferença entre eles e corriqueiras placas?

Eles agora sofrem outro agravante para sua extinção: um novo concorrente no mercado. São as meninas-placa!

Talvez não tenham esse nome exatamante, mas já repararam nas meninas, contratadas por incorporadoras de condomínios, para segurarem as placas de publicidade dos empreendimentos imobiliários, no final de semana?

Esse foi o contorno 'maravilhoso' encontrado pelos empresários para a proibição de colocação desses painéis pelas ruas. Isso após a proibição deste tipo de divulgação durante a semana.

Por qualquer um dos motivos, talvez a extinção não seja uma má opção. Tudo bem que o trabalho dignifica o homem, mas não haverá algum trabalho mais humano? Substituir placas é uma forma de objetar o ser humano...

Dignificar é permitir a realização plena em sua digna condição humana!