sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Tráfego

Experimentar um único dia de congestionamento, em horário de pico, na cidade de São Paulo, é um árduo teste à sanidade de qualquer pessoa.

Meu dia de teste ocorreu ontem...

Estou acostumado ao transporte público paulistano, com todo seu aperto, mas andando. Sempre morei próximo a uma estação do Metrô e o utilizo desde muito cedo.

Em alguns raros dias preciso utilizar o carro, principalmente quando há necessidade de transportar algo pesado, ou ter de visitar diversos lugares distantes, após o horário de trabalho.

Pode ter sido apenas efeito da chuva, mas fico com a impressão de ser sempre um verdadeiro caos nas ruas congestionadas da cidade. Uma multidão de veículos, num espaço infinitamente menor que o necessário, com uma legião de pilotos estressados e sem educação.

Impressiona mais ainda a passividade das pessoas. O grande tráfego em metrópoles é lugar comum. Como suportar horas a fio para percorrer poucos quilômetros? Em alguns trechos levei 20 minutos para não andar 20 metros!

É bom nem pensar na ocorrência de alguma emergência. Certamente nem uma enorme bateria de sirenes conseguiria abrir espaço em meio a esse mar colossal de metal. Mar sem ondas, sem correntezas, sem vida.

Onde esta situação irá parar? Parará com certeza e como as pessoas continuarão?

Assim trafegam e se acostumam, a cada dia, com uma velocidade menor, apesar de estarem a mil por hora na cabeça. O tempo aumentará tanto que ficarão imóveis, eternamente esperando o próximo semáforo abrir, num triste e imóvel fim...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Peso

Desconfio da visão termodinâmica de nosso organismo desde muito tempo atrás.

Tal equação, onde calorias que entram, menos calorias que saem, produzem um saldo resultante em peso, destoa do observado em nosso cotidiano.

Antes dessa relação, vale a Lei de Lavoisier, na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Como poderia um tigela de açaí, de 200gr, produzir mais aumento do que sua massa? Por um período, comi uma tigela diariamente, à noite, e meu peso não aumentou um grama.

Outra constatação notória é a existência de pessoas carentes, sem uma alimentação razoável, nutricionalmente empobrecida, porém obesas.

Parte dessa lógica de calorias a associação de perda de peso com a atividade física. Só que atividade aumentada gera necessidade de um consumo maior, e ficamos novamente no impasse da contabilidade de calorias. Acabamos supondo influências genéticas, comportamentais, etc.

Um boa explicação foi publicada nesta semana, em diversas revistas (Época, Galileu). O fato é que o assunto é controverso, não existe constatação científica da relação entre exercício físico e perda de peso. É difícil até determinar a origem dessa idéia...

Sua origem é aproximadamente das décadas 60 e 70, a partir de alguns estudos, causadores de impacto na época, mas contestados e inconclusivos até hoje. Um das poucas certezas é a influência da produção de insulina com o acúmulo de gordura. Dessa forma, insulina controlada implica em maior controle de gordura ou sobrepeso.

É mais importante a educação alimentar, a homeostase proporcionada pelo bom comportamento nas refeições e sua periodicidade.

Controvérsias à parte, o exercício físico tem uma série de outros benefícios, cardiovasculares e aeróbicos, por exemplo. Não devemos esquecê-los, ou negligenciá-los, mas adotá-los com serenidade.

Pelo bem-estar e disposição, vamos malhar!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Beowulf

Humanos do mundo, de carne e osso, uni-vos! Ao menos os avessos à tecnologia.

Um dos maiores temores dos 'anti-tecnologia' toma forma e mercado, e é aprimorado constantemente: a utilização de atores digitais em filmes.

Há muito se discute a questão, mas a questão final é a inevitável ocorrência de experiências mais reais e constantes. Final Fantasy foi um dos primeiros a mostrar as garras do monstro do cinema digital, lá em 2001!

A semana passada foi lançado Beowulf, uma nova empreitada na área, com o envolvimento de grandes nomes de Holywood e grande sucesso em seu lançamento no cinema americano.

Apesar de todos os recursos tecnológicos disponíveis, diversos componentes do sucesso são tradicionais e receberam apenas a máscara do mundo dos bits.

A começar pelo enredo, baseado em obra homônima. Mesmo um filme tecnológico tem como pano de fundo um poema épico, escrito em inglês antigo com o emprego de aliteração. Estamos bem longe de possuir computadores capazes de criarem sozinhos tais elementos.

Em segundo lugar, todas as expressões das personagens são obtidas através da técnica de captura de movimentos (motion capture), tornando indispensável a função de atores reais nesse trabalho. Também ainda não desenvolvemos computadores com sentimentos e expressões...

Eis um alento aos nossos caros irmãos anti-tecnológicos: o principal fator ainda é o humano, mesmo na produção de maravilhas digitais. Podemos prescindir das máquinas, mas não podemos prescindir do bom e velho homo sapiens.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Cuidado

Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, já preconizavam nossas avós.

A democracia é sustentada em pilares muito bem definidos, oriundos dos direitos das partes, mas possuir direitos implica em deveres e respeito a certos preceitos.

Representatividade é um dos pilares. Para nosso desalento, esse é um pilar abalado na sociedade brasileira. Os mandos e desmandos, motivados por interesses pessoais e políticos, sobrepuseram os interesses da população e o resultado é descrédito!

O descuido é tanto, com esse bem de toda população, que passa a vigorar como normal, como por exemplo, na negociação de cargos por motivação escusa, ao invés de objetivar a capacitação do pretendente e o benefício resultante a comunidade.

Preocupa muitas pessoas a atual postura da impressa brasileira. Como guardiã da liberdade de expressão e o direito a informação, muitos de seus representantes têm demonstrado falta de cuidado na hora de exercê-los. Direitos trazem deveres e, nesse caso, um dos princípios é a ética na lida com a notícia.

A ética nem sempre está pautando a discussão... Versões parciais, divulgação de informações sigilosas, opiniões tendenciosas disfarçadas e uma grande lista de que a situação vai mal. Quais os limites para se obter uma notícia? Qual o preço da informação bem colocada?

Precisamos cuidar e cobrar o cuidado com nossos bens preciosos, conquistados com muita luta, por muitos brasileiros, em um passado recente. A imprensa não pode cair no descrédito, controlado pelo interesse de alguns poucos.

Àqueles preocupados com esse pilar, vale a lembrança do que ocorre com a pilar da política...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Terra

Com tantas notícias sobre degradação ambiental, a perspectiva é de falta de qualquer boa perspectiva. Um planeta com natureza sem futuro.

Felizmente, nossas impressões nem sempre estão certas!

Em reportagem de ontem, do programa Globo Rural, tive a oportunidade de conhecer um pouco sobre o Instituto Terra.

Idealizado e fundado por Sebastião Salgado e sua esposa, eles transformaram a área de uma fazenda familiar herdada, em uma reserva particular do patrimônio natural.

Ao longo de menos de 10 anos, conseguiram transformar uma região de cerca de 700 ha, criada para utilização como pasto na criação pecuária, em um belo pedaço de mata atlântica. É impressionante imaginar que, em tão pouco tempo, é possível dar vida novamente a um local degradado.

O empreendimento gerou, dentre outros frutos, conhecimento técnico para o reflorestamento. Hoje esse conhecimento é um dos produtos do instituto, repassado a quem de interesse.

Com a volta da vegetação, os animais também voltaram: pássaros, jaguatiricas, tamanduás, cobras. Ao se dar uma chance a vida, ela surge com raízes fortes e viçosas, como ocorre com a semente resistente para levar em seu interior o gatilho da existência.

Tocar um projeto desse porte, lá e em muitos lugares do Brasil, tem custos consideráveis (em torno de R$ 7.000,00/ha). Talvez seja a nossa parte contribuir para tanto. Toda natureza vale a pena!

Domingo que vem a reportagem continua. Uma conferida no programa pode ajudar a entender os problemas e as soluções. Pode também nos demover, em prol dessa nobre causa.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Luz

Iluminados podemos seguir nosso caminho com segurança.

Antes de o homem controlar o fogo, estava sujeito à natureza. Muito mais do que proteger e aquecer, o fogo trouxe a possibilidade de iluminar quando fosse necessário.

A visão é um sentido intenso de informação. Com a luz os objetos tomam forma, suas cores revelam características e estados. Através das imagens expressamos pensamentos e sentimentos.

Registramos a luz em nossa arte. Fotografia, pintura, cinema, escultura: pedaços de luz imortalizados, concretizados.

Nosso espírito também carece de iluminação, para discernir, caminhar. É iluminado pelo conhecimento, pela reflexão e pela fé.

Um espírito iluminado ganha a paz. O carente de luz pode ganhar também... Basta o desejo e a contribuição de outro. Inexistente a impossibilidade de permanecer na escuridão.

"Ó luz do senhor
que vem sobre a terra,
inunda meu ser
permanece em mim"

sábado, 1 de dezembro de 2007

Bicentenário

Andrew, o robô do conto "O Homem Bicentário", de Isaac Asimov, é naturalmente humano tanto quanto sua artificialidade permite.

Bem diferente do filme baseado no conto, o texto criado por Asimov traz visões mais profundas da possível evolução dos filhos da nova era.

Essencial é independência da personagem do elemento humano. Independência para agir, para seguir seu destino e evoluir.

Sua humanidade se revela primeiramente no desejo de entender o gênero humano. Curiosidade movida pela intrigar das idiossincrasias de nossas almas conflitantes.

Em sua busca, desenvolve habilidades inimagináveis para uma máquina. Acaso será apenas o acaso? Ou haverá raízes mais profundas em sua genética, oriundas de seu progenitor?

Na busca de sua liberdade, e na eminência do fracasso em alcançá-la, cunhou a pérola de seu pensamento humanóide: "A liberdade não tem preço, patrão. Só a mera possibilidade de obtê-la já vale a pena.".

Ao término, termina sua vida para se equiparar a nós. Abdica de sua possível eternidade em troca de nossa mais completa finitude. A realização de um desejo, o respeito ao sentimento mais nobre, vale mais que a própria vida. Nada mais humano!