quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Bicicleta

Belas e velhas magrelas, por onde andarão elas?

No caótico trânsito de São Paulo é incomum observarmos algum ciclista ousado em transporte. Salvo algum atleta corajoso, ou sem outra opção para treinar...

De brinquedo a transporte peculiar, sempre esteve presente em nosso meio. Quem nunca deu uma volta, mesmo naquela emprestada de um amigo?

Há lugares no mundo que se transformou em meio de locomoção primordial. Grande parte da população, sem maiores condições financeiras, transporta a vida em cima de suas duas rodas.

É bem comum em cidades do interior de São Paulo, ou no litoral paulista, encontrar uma considerável frota ocupando seu devido espaço. Muitos municípios destinam a devida atenção, se preocupando com a construção de ciclovias, fiscalização e educação dos motoristas.

Mais do que permitir "furar" o trânsito, ela proporciona outra relação com o caminho, com a rua, com o asfalto. Mais contemplativa, mais participativa, diria até com muito mais qualidade, nessa combinação perfeitamente integrada de homem e máquina.

As distâncias paulistanas são um tanto maiores, provavelmente dificultam seu uso para os longos trajetos que muitos de nós precisamos percorrer até o trabalho. Afinal, é meio difícil ter de chegar de paletó e suado, depois de mais de uma hora de pedaladas.

Já faz um bom tempo, utilizo minha companheira para trajetos no meu bairro, na ida a academia, por exemplo. Curto a paisagem, aprecio o vento no rosto e, de quebra, chego aquecido para treinar. De repente, poderia voltar para casa, afinal já me exercitei, não?

Nos últimos tempos, o Metrô tem colaborado para a retomada desse saudável companheirismo. Em determinados horários do final de semana, as magrelas são bem-vindas nos vagões, para ajudar a encurtar alguns espaços e dar um carona às nossas possantes.

Em parceria com a Porto Seguro, mês passado foram inaugurados os Bicicletários, nas dependências de algumas estações pela cidade. Lá podemos alugar uma bicicleta, facilmente, bastando apenas ter um cartão de crédito à mão, para facilitar o depósito em caução.

Dificilmente seremos uma Xangai no futuro, com sua folclórica profusão em duas rodas. Nem talvez haverá uma disputa aguerrida pela locação promovida pelo Metrô. Espero apenas que seja o suficiente para a iniciativa continuar. Uma forma mais humana e saudável de passear pela cidade.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Photosynth

Tecnologias mudam nossa forma de expressão.

Quase 200 anos atrás, as primeiras experiências fotográficas certamente não passavam de borrões monocromáticos em uma folha de papel branco.

Uma boa dose de imaginação era necessária para interpretar aquelas impressões como representações de algum objeto real.

Com o aumento do domínio da química necessária, aliado ao desenvolvimento de materiais, sua qualidade melhorou sensivelmente.

Um dia surgiu a fotografia em cores. É bem verdade que novas cores, novas necessidades. E a qualidade se perdia com o tempo... Quem nunca teve um álbum de fotos roxas (depois de algum tempo de envelhecimento, é claro)?

Os equipamentos também mudarão muito desde a simples câmara escura para sofisticadas câmeras reflex, com objetivas repletas de elementos óticos e filtros variados. Filmes com especificações diversas, para cada aplicação, de luz, tema ou ambiente.

Célebres fabricantes fizeram história e deixaram seus nomes no panteão da fotografia. Leica, Rolleiflex, Kodak, Canon e Nikon. E um dia tudo se digitalizou! Desmaterializaram a fotografia mais um pouco. Afinal, qual o elemento de trabalho do fotógrafo?

Entre puristas, saudosistas, early adopters e amadores de plantão, pouco concordância impera. Num mar de tecnologias e ferramentas disponíveis, cada qual se agarra naquelas que mais lhe satisfazem os desejos de realização de um grande trabalho.

No mundo dos softwares de manipulação de imagens, surgiu uma experiência on-line interessantíssima. Fruto da parceria entre a Microsoft e a Universidade de Washington, o Live Labs apresenta o Photosynth.

Misto de tecnologia e site para rede social, ele permite que enviemos diversas fotos do mesmo ambiente, objeto, monumento, ou qualquer outro tema desejado e possamos visualizar como um conjunto único, quase como uma viagem em 3D na imagem.

Na fase inicial, uma das restrições é que qualquer trabalho enviado é público. Há diversos exemplos para conhecer e a experiência de navegação é muito divertida. Lembra visões futuristas, como no filme Minority Report ou um tanto psicológicas, como em Amnésia.

É a Microsoft correndo atrás do prejuízo no mundo virtual. Pelo jeito, se depender deles, em breve poderemos acessar hologramas, como os enviados pela Princesa Léia e Obi-Wan, em Star Wars. Pena que neste prodigioso futuro ainda dependamos do velho Windows...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Horário

Horário de Verão começa na Primavera?

Segundo consta, e ainda não temos jurisdição sobre sua ocorrência, a estação das flores começou há pouco menos de um mês. Ainda falta muito tempo para o Verão...

Esse é o inconveniente causado por não adotarmos sua sigla original DST, passível de ser confundida com as doenças sexualmente transmissíveis. Ninguém quer ficar doente por causa do relógio.

DST ou não, Primavera ou Verão, é tempo de um rosário de reclamações, das mais diversas partes. Maus-humores, rostos de sono, bocejos por todo canto. Culpa do novo horário!

Afetou pouco a mim. Talvez seja conseqüência dos já desregrados horários do período pós-natal. Se bem que nunca foi problema em anos anteriores...

Por sinal, se alguém não vê problema com a mudança de horário é a pequena gentinha lá em casa. Continua mamando como sempre, dormindo com a mesma freqüência, chorando de vez em quando. Só não entende muito bem a insistência dos pais em tentar fazê-la dormir uma hora antes do horário habitual. Quem entende gente grande, não é?

Quanto ao resto da população, parece que 180 milhões de brasileiros foram submetidos a um jet lag quase instantâneo. Porém, nesse caso, não foram eles que voaram por um fuso, mas o fuso que sobrevoou suas vidas. De repente, uma hora completa sumiu dos relógios.

E haja ciclo circadiano! Não deveria ser tão ruim assim. Pelo que soube, para cada 3 horas de fuso alterado, é necessário 1 dia de adaptação. Sendo que foi apenas 1 hora de diferença, o final de semana deveria dar conta do pequeno estrago.

Nítido mesmo é o começo do dia mais escurinho e os finais de dia sempre mais prolongados, com mais claridade. Dá até para entender a história de Daylight Savings Time! Assim como é que se torna possível economizar alguma energia.

Conhecendo o hábito de algumas pessoas, fico desconfiado da efetividade da medida. Só mesmo a medição de algumas "Itaipus" para confirmar seu efeito, na ponta do lápis. Pela sua adoção continuada, somos levados a acreditar que a coisa funciona.

Seguimos assim brincando de controlar o tempo, como se fosse possível. Hábito incurável dessa humanidade. Sacal mesmo é ter de bagunçar todos os relógios da casa para, daqui a alguns meses, voltar tudo ao dantes, como se nada tivesse acontecido.

domingo, 19 de outubro de 2008

Coríntios

Imensos desafios a vida nos apresenta.

Numa semana repleta de eventos desafiadores a nossa compreensão, talvez devamos lembrar a força maior, capaz de transformar plenamente a existência de todo ser humano.

Baseada na primeira carta de São Paulo aos Coríntios, há uma conhecida canção, entoada para nos lembrar da importância de amar. Que ela possa hoje fomentar nosso espírito de esperança...

Se eu não tiver amor,

eu nada sou, Senhor!
Se eu não tiver amor,
eu nada sou, Senhor!

O amor é compassivo,
o amor é serviçal,
o amor não tem inveja,
o amor não busca o mal.

REFRÃO

O amor nunca se irrita,
não é nunca descortês,
o amor não é egoísta,
o amor nunca é dobrez.

REFRÃO

O amor desculpa tudo,
o amor é caridade,
não se alegra na injustiça,
é feliz, só na verdade.

REFRÃO

O amor suporta tudo,
o amor em tudo crê,
o amor guarda a esperança,
o amor sempre é fiel

sábado, 18 de outubro de 2008

Benefício

Googlar faz bem para o cérebro?

Controverso? Talvez... A começar pela divulgação da notícia, na semana passada. Pesquisa referente a realizar buscas na Internet, acabou associada ao ícone da área no momento.

De qualquer forma, a idéia é que vasculhar a grande rede, em busca de informações, proporciona atividade cerebral saudável, importante para pessoas na terceira idade.

Segundo o estudo, a atividade é até maior do que na leitura, fruto de uma utilização de mais áreas cognitivas, com maior estímulo e intensidade.

Um bom assunto para exposição da neurocientista Suzana Herculano-Houzel, do "O Cérebro Nosso de Cada Dia", livro e site homônimos, sobre os mecanismos de nossos computador biológico pessoal e as formas de sua boa manutenção, batizadas por ela de neuróbica.

Em princípio, lembro da "síndrome da calculadora". Na época do colégio, o pequeno e inofensivo equipamento era excomungado das atividades estudantis, com o pretexto de poder causar problemas no desenvolvimento. Não aprenderíamos a fazer contas...

O problema estava na calculadora? Ou na sua insensata e indiscriminada utilização? Adquirida comprovadamente a habilidade e o pleno entendimento, o bichinho bisavô do computador, apenas facilitaria e agilizaria o trabalho.

Buscar informações na Web segue o mesmo princípio. O acesso inadvertido, a qualquer tipo de informação, em qualquer fonte desconhecida, pode ser fruto de inconvenientes e desinformação. Conscientes das condições e apoiados em referências confiáveis, renderá frutos valiosos.

Quanto a exercitar a condição neurológica, tenho certas dúvidas. A agilidade compreensão e consolidação de diversas fontes certamente são exigidas. Já a memória, principalmente de longo prazo parece um tanto comprometida.

Fico com a sensação de que transferimo-la para as redes digitais. Para que lse embrar de algo, se basta uma pesquisa rápida para encontrarmos? E vai ficando mais difícil lembrar o nome do fulano que fez tal filme, o lugar onde compramos tal tipo de artigo, o melhor caminho para tal endereço...

Quem sabe seja a tendência natural de procurar concentração nas melhores habilidades, as mais importantes, relegando as mais rotineiras, automáticas ou repetitivas aos nossos instrumentos criados. Incomoda saber que não dominamos, nem possuímos, totalmente esse grande instrumento digital.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Resiliência

Gigantes se movem devagar, mas se movem.

Em matéria de resiliência, é inegável a capacidade da Microsoft em enfrentar as mudanças, seja pelo seu poder financeiro, seja pela abnegação de seus líderes.

Como gosta de proferir um ex-colega de trabalho, resiliência, segundo o Aurélio (no meu caso o Houaiss), é capacidade de se recobrar ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.

A empresa de Redmond pode demorar, mas dificilmente deixou da pegar o bonde da história, pelo menos até o momento. Recria algo existente, adquire um participante do mercado, dá um jeito de entrar nas novas ondas.

Por exemplo, na área de servidores, sempre foi muito criticada e surgiu em desvantagem. O tempo passou, ela conquistou espaço e lançará em breve servidores muito bem cotados pelos especialistas.

No enfrentamento do seu maior adversário atual, a Google, procura desenvolver sua nova face no mundo das aplicações como serviço.

Sua iniciativa Live procura fazer frente ao conjunto de soluções da concorrente. Embora ainda não pareça tão azeitada quanto a turma colorida de Mountain View, suas aplicações forma um conjunto com muito potencial e grandes promessas.

Sou assinante do Hotmail muito antes de ele pertencer à Microsoft. É isso mesmo, jovens internautas! Muito antes de ganhar as cores azuis, seus tons azuis vinham de outras fontes. Uma vez incorporado, fez mais efeito do que a iniciativa do MSN (não o Messenger), em terras tupiniquins.

Outras tantas ferramentas surgiram. A agenda e o calendário, por exemplo, insinuam ser mais parrudos que os outros do mercado. O serviço de mapas tem acabamento diferenciado e opções distintas do que acreditamos ser padrão, oferecendo alternativas interessantes. Tantas vantagens e isso sem contar, é claro, com as idéias do Office Live.

"Parafraseando" o Google Labs, há o Live Labs, com a mesma proposta: apresentar os "pães no forno". O primeiro tem muito mais fornadas para sair, mas o segundo mostra delícias muito atraentes, para futuros bem próximos.

Todo esse jogo lembra muito a fábula de Esopo do "Carvalho e o Junco". Ainda não sabemos o quanto o carvalho poderá resistir. Só o futuro dirá... Para ajudá-lo, bem que ele poderia pensar em soltar um pouco suas raízes do velho terreno do Windows...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mochileiro

Grande o mundo, caberá num celular?

Recentes apostas das empresas de tecnologia têm procurado fazê-lo caber. Ao menos o portentoso conteúdo do mundo virtual.

Apresentado a pouquíssimo tempo, o G1, telefone da T-Mobile com a plataforma Google, é o primeiro a fazer frente para o imponente iPhone, da Apple.

Particularmente, avalio o iPhone ainda alguns passos à frente. O G1 com todos os seus "abre e fecha" mecânicos, teclado minúsculo e tamanho portentoso, carece de aprimoramento em design.

Na página de apresentação, é possível conhecer um pouco do novo gadget, num web vídeo produzido pela empresa. Inegável a ótima idéia do Street View do Maps.

Com o recurso, qualquer pessoa um pouco mais "lesada", pode facilmente para em meio à rua, apontar para o local que procura entender e comparar o trajeto através de sua janela virtual. Simplesmente demais! Benesses da associação com o fornecedor do programa.

Certa vez comparei nossos amiguinhos tecnológicos com o Tricoder, sonho exacerbado da ficção científica de Star Trek. Depois dos últimos lançamentos, e suas pretensões, passei a achá-los mais parecidos com o Guia, do Guia do Mochileiro das Galáxias.

Na triologia de "4" livros, de Douglas Adams, os personagens contam com seu gadget, repleto de informações coletadas de todos os cantos do Universo, acessíveis em qualquer lugar, a qualquer hora, com velocidade impressionante. Semelhança impressionante, não? :)

Se os celulares ainda não chegaram a esse nível de excelência foi apenas por falta de tempo. Imagino, se um dia esses equipamentos estiverem difundidos profusamente, como ficarão as redes celulares? Suportarão a demanda por tanta informação? A difusão da tecnologia será em ritmo suficiente para permitir o acompanhamento das estruturas de TI?

Complicado descobrir, antever, se tamanho mundão caberá... Nesse caso, prefiro ficar com Drummond e o mundo que cabe no coração.

O mundo é grande
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O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.