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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Instant

Instantâneo é tão bom assim?

Poucos meses se passaram desde o lançamento do Google Instant, com mais ou menos evidência, mas poucos se recordam ou notaram.

A proposta do mecanismo de buscas é ousada, afinal chega a espantar só de pensar na estrutura e tecnologia envolvidas para prover o serviço.

Costumamos imaginar as ferramentas como se nós estivéssemos usando-as sozinhos, porém o recurso em questão é usado ao redor do mundo, simultaneamente, por incontável número de pessoas.

Apresentar resultados parciais com velocidade incrível, quase instantânea, meio que adivinhando nossas intenções é um esforço hercúleo.

E para quê? Agilizar nossa existência digital, já tão pragmática e veloz? Otimizar a utilização dos infraestrutura do mecanismo? Expor um diferencial frente os concorrentes, afinal de contas quem imaginaria que ainda havia o que inovar na área de buscas?

Já devem estar se perguntando qual será o destino final do botão "Pesquisar"... Aliás, até o fatídico "Estou com sorte" fica insignificante frente a tanta instantaneidade. Não duvidem de que, em breve, o Chrome apresentará páginas antes de terminarmos a digitação da url.

Fico a pensar se conjugássemos essa tecnologia advinha a algum mecanismo de interface cerebral, dos muitos anunciados em notícias científicas. Interface direta e instantânea com sinapses! Talvez fosse o próximo patamar de desafio à velocidade do gigante de pesquisas.

A Skynet vai ganhando forma, se tornando um imenso e vivo organismo digital. Suspeito que começa a nos conhecer mais que nós mesmos. Apesar de embrionária, a incipiente inteligência digital ganha forma, mas quase ninguém atenta para o fato. É só ficção...

Mas ainda resta a pergunta do "para quê"? Não nos basta a superficialidade e falta de foco em muitas das nossas interações com a grande teia universal? Encontramos frequentemente artigos sobre as mudanças em nossa formação decorrentes do convívio com a Web.

Por sinal, esse cenário vem de encontro com a "miojização" cultural proposta por Mário Sérgio Cortella. No fim, nos resta apenas conformação com esse macarrãozinho instantâneo digital. Quanto sabor!

domingo, 26 de abril de 2009

Etnocentrismo

Humanos que somos, centramo-nos no próprio umbigo.

Desde a infância criamos a impressão do mundo girar ao nosso redor. Crescemos, mas não perdemos esse hábito. Projetamos as visões à partir de própria experiência.

Os motivos variam: gênero, raça, religião, nacionalidade. Mesmo que sejamos minoria, lá no fundo, nos meandros do inconsciente, sentimos como se todo o resto do mundo fosse semelhante a nós.

Exercitamos nossa perspectiva até com a natureza. Em meio à vida existente nos consideramos escolhidos, eleitos filhos divinos do criador.

Discriminação do diferente. Estranheza para confirmar o estranho. Melhor exemplo são as manifestações do dia de hoje, com a ocorrência da partida de decisão da final do campeonato paulista.

Discussões e preferências à parte, que não devem jamais ser discutidas, os gritos ouvidos pelo quarteirão, em meio à torcida por esta ou aquela equipe, denotam claramente o sentimento de intolerância. Neste quesito prefiro continuar ateu, não professar desta fé.

Há quem atribua o etnocentrismo à questões culturais. De repente, pode ter relação com a educação, com a criação, origens familiares... Históricos de um povo, segregações sofridas, disputas territoriais poderiam ter influído na formação de nosso comportamento?

Sentir-se o centro do mundo tem cara de ser mais genético... Através da história, independentemente de qualquer dos fatores mencionados, observamos relatos da recorrência deste comportamento tão humano. Justamente nossa espécie, tão maravilhosamente diversa.

Apesar de tantas diferenças, de tanto conflito gerado por esse instinto, ainda continuamos dando certo. Até quando? A humanidade faz um esforço enorme, há milênios, para tentar diminuir esse sentimento. Missão árdua, pois mude o que mudar, continuaremos humanos, demasiadamente humanos.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Pureza

Visando a perfeição, buscamos a pureza.

Para um preceito ancestral, embutido na natureza humana... Associamos uma ideia de purificação, de limpeza, a algo melhor, aprimorado, sem máculas ou imperfeições.

Culturas e civilizações inteiras almejaram a tal pureza e, para isso, elaboraram códigos de leis e condutas. Elaboradíssimos, complicados ao ponto de qualquer pessoa comum ter dificuldades para conseguir cumpri-los.

Vinculados a questões de aspecto físico, se preocupam com condições de nosso corpo. Sugerem uma fuga dos "medos" da vida, associando-os a sangue, morte... As mencionadas "imperfeições".

No dever de seu cumprimento, segregam incondicionalmente os impuros. Marginalizam quem não dispõe de condições no cumprimento das regras, ou nem ao menos consegue compreendê-las. Mecanismo desonesto para o privilégio de poucos.

Como se os elementos da vida pudessem ser separados. Como se houvesse mérito ou demérito nas casualidades do destino. Como se os ciclos naturais, os fatos da existência, fossem questão de escolha. Isso tudo sem se ater a qual pureza de fato importa.

Inevitável escolher a pureza da alma e do coração. A pureza de intenções e princípios, de escolhas a nortear o dia-a-dia. O prumo para discernir entre dois caminhos, duas alternativas, todas as vezes que nos forem apresentados.

Dom a ser preservado! Nascemos assim. Recuso-me a acreditar o contrário. Perdemos essa essência aos nos deixar levar pelas vicissitudes do cotidiano. Permitimos a corrupção do espírito humano, em troca da comodidade e conforto da condução pela corrente do rio.

Descobrir a beleza de tal pureza passa pelo encantamento com a sinceridade, a fraternidade e a simplicidade. Em meio às escolhas possíveis, vale a aposta escrita por Gonzaguinha: "Eu fico com a pureza da resposta das crianças. É a vida, é bonita e é bonita..."!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

QI

Qual a verdadeira medida da inteligência?

Aliás, será que há alguma? É possível medi-la? Conseguiríamos restringir as inúmeras habilidades humanas, com toda a diversidade em uma simples unidade?

Por algum motivo, social, inato ou divino, insistimos em nos comparar. Comparamos e classificamos, colocamos certo tipo de ordem, com os mais diferentes e misteriosos objetivos.

Já há mais de 100 anos, conceberam o tal teste de Q.I.. Através de testes específicos, calculamos um índice da capacidade intelectual do indivíduo.

Validade questionada, precisão investigada, tão antigas quanto sua existência, as dúvidas pairam, mesmo que apenas em nosso senso comum.

Privilegiaria a capacidade lógico-matemática, em detrimento de outras faculdades humanas. Músicos, grandes oradores, habilidosos políticos, dentre tantos outros destacados artesãos das características do homo sapiens, fundamentam os argumentos da teoria das Inteligências Múltiplas. Somos mais complicados...

Interessante observar também, que foi notado ao longo do tempo, um aumento do quociente médio das populações. Distribuição de graças da natureza? Ou contestação da própria grande mãe às nossas petulantes formulações?

Efeitos alimentares poderiam influenciar. A mudança dos padrões da alimentação, o aprimoramento da produção, melhoria da qualidade, surtiriam efeitos benéficos no índice. Tudo bem que Mc Donald's e afins estão longe de serem produzidos para melhora intelectual...

Pensar no aumento do estímulo recebido pela vida contemporânea é mais plausível. Observamos o quanto o estímulo é importante no desenvolvimento infantil. A geração N (ou Z) , os tais nativos digitais, praticamente o recebem desde o ventre materno.

Quantos outros motivos não podemos eleger? Quem sabe até uma aproximação cultural maior com as tais habilidades lógico-matemáticas. Seja como for, ao olhar para nosso mundo atual, os padrões de comportamento humano, pensamos se realmente houve aumento de inteligência, ou se é esse tipo que desejamos... As evidências falam por si mesmas.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Erro

"Quem nunca errou, que atire a primeira pedra!"

Constatação ancestral da imperfeição humana, a ideia expressa na frase acima corrobora com a história de que "errar é humano".

Errar, preocupação ou tema antigo. Vivemos a volta com o temor de cometer um erro. Apesar da ciência da possibilidade... É frustrante!

Tal possibilidade parece desafiar nossas pretensões a divindade. Para quem se vê construído à imagem e semelhança do divino, é difícil assumir o defeito de fabricação.

Possivelmente, por este motivo, vieram com o eufemismo de que "aprendemos com nossos erros". Problema resolvido. Além de ser normal, errando estamos nos melhorando de alguma forma.

Lição do mestre Mário Sérgio Cortella, em seu livro "Qual é a tua obra?": Não aprendemos com nossos erros, mas com o seu reparo. Quando entendemos e assumimos nossas falhas e, em seguida, buscamos consertá-las, compreendemos melhor as situações e condições para não repeti-las.

Relembra bem a história de Thomas Edison, ícone dos inventores e empreendedores, que precisou de mais de mil tentativas para produzir a lâmpada elétrica. Dentre tantos erros, ele fazia questão de pontuar que havia apreendido 1.430 formas de como não fazer uma lâmpada.

Dependendo da postura adotada frente ao erro, aprendemos mais até de nós mesmos, muito além dos alvos de nossa tarefa ou estudo. Exercitamos o reconhecimento de nossas incapacidades, desencavando o espírito da humildade.

Sim, assim conseguimos aproveitar as derrapadas, com um misto de reflexão e atitude. Pena grande parte das pessoas optar pela via da omissão. Omitir, tentar esconder, mas de quem? Em certa medida, oportunidades únicas destas devem ser exploradas. De resto, vale a antiga máxima de "sacudir a poeira e dar a volta por cima".

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Compras

Comprar on-line me assusta um pouco...

Indiscutível a praticidade oferecida pela compra através de meios eletrônicos. Já perdi noção de há quanto tempo faço uso destes mecanismos.

Do conforto de sua casa, em poucos minutos, desde que haja disponibilidade financeira e de estoque, você consegue encomendar praticamente qualquer item, de qualquer lugar do mundo, a qualquer hora.

Sem falar da utilidade dos serviços de comparação de preços. Em poucos cliques, pesquisa pronta. Tudo bem que ficamos restritos há fornecedores cadastrados, mas quem não deseja boas referências?

Às vezes, vale até a pena pesquisar on-line, conhecer ao vivo e voltar para comprar na Internet. Porém já estão providenciando formas de aprimorar o contato com o produto, através de imagens 3D, opiniões de clientes, comparativos técnicos e simuladores virtuais.

Os prazos de entrega se encurtam constantemente. Se bem que, para que prazos mais curtos? Por exemplo, a Livraria Cultura oferece para parte de seu catálogo a entrega no mesmo dia, até às 21:00h, desde que o pedido seja feito até às 15:00h!

Compra feita, ansiedade formada. Pelo recebimento. Os sistemas de rastreamento de remessa minimizam os efeitos. Nos Correios visualizamos a trajetória de uma encomenda, posto a posto, por cada cidade que ela passar. Dependendo das distâncias, conhecemos os caminhos mais inusitados pelo país.

Quem mora em condomínios tem a facilidade de uma portaria 24 horas. Ao chegarmos em casa, lá está o porteiro com o item esperado. Dependendo do volume remetido e frequência de compras, a pessoa deve ficar imaginando o morador sentado no computador e não fazendo outra coisa, além de digitar constantemente o número de seu cartão.

Até abrir as encomendas gera um certo deleite. Na maioria dos casos, intricadas embalagens, preparadas para o bom acondicionamento e proteção. Tem relação até com o sentimento de posse, de conquista... Consumismo.

Reside aí o temor! Como as melhores teorias da conspiração, todo o engenho parece moldado a nos induzir ao consumo e nos consumir... Se as formas tradicionais já eram o terror dos consumistas compulsivos, imaginem com tantos atrativos tecnológicos e firulas.

Fácil, fácil, se bobearmos, estamos perdidos em meio a virtualidade. Sem o contato concreto, com dinheiro virtual e coisa que tais, há um esforço maior em manter a percepção, o senso, o equilíbrio. Sem demonizar aquilo que pode trazer bons frutos, estamos desafiados a nos manter conscientes. O susto inicial pode evitar consequências aterrorizantes.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Urgência

Sabemos discernir corretamente o urgente do importante?

Imersos no pragmatismo contemporâneo, sobrevalorizamos as urgências em detrimento das importâncias. Sufocamos com as pressões da necessidade imediata.

A inevitabilidade do atendimento jamais deveria pautar nosso foco, nosso dispêndio de energia. Se urge, deve ser resolvido, o mais breve possível e pronto.

Devemos contar com ferramentas suficientes para realizar a tempo a intervenção. Mecanismos previamente preparados para impedir que negligenciemos tais demandas imediatas.

Justamente por isso mantemos o foco no planejamento, nas diretrizes de longo prazo, eficientes na condução equilibrada de nossos atos, naquilo que importa.

Comportamento útil em todas as esferas da vida, profissional ou pessoal, acadêmica ou esportiva. Sem a consciência das concretas importâncias, vagamos de pressa em pressa, sem tempo para nada.

Sintoma resultante: a comum resposta à pergunta "Como vai?". "Tudo bem, na correria!". Brinca certo amigo, ao ouvir tal resposta, "Para onde?". Normalmente, as pessoas estão correndo, sem muita perspectiva de seu destino, do porto de chegada, das metas a atingir.

Ninguém deseja aqui desacreditar a necessidade de socorrer, acudir, sanar em situações emergentes. Por outro lado, o desejo é reforçar, destacar, a necessidade de cuidar, valorizar, atender, acompanhar. Os valores importantes se cultivam paulatinamente, nos atemos continuamente.

Qual maior importância do que atenção e carinho aos filhos, à família? Insuperável. Como imaginar maior cuidado com o próximo caído, enfraquecido, esquecido? Impossível ocultar a suma importância da humanização e do amor.

Mesmo no âmbito profissional, o cuidado com suas responsabilidades e incumbências requer carinho e dedicação. Temos de nos preparar para remover as urgências do caminho, com controle e eficiência. Caso contrário viver em função da urgência pode nos colocar em situação de emergência.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Vigia

Somente agimos bem quando vigiados?

Precisamos mesmo da impressão de que alguém está nos olhando, onipresentemente, para seguirmos ideais de boa conduta e comportamento?

Há quem acredite nisso. Sem vigilância estaríamos tentados a atender apenas nossos instintos mais egoístas. Egocentrar!

Como em "1984", de George Orwell, a necessidade de uma supervisão deste gênero acarretaria nos modelos cruéis daquela distopia.

Só que ainda vale a perguntar do Capital Inicial, em sua música, "Quatro Vezes Você": o que você queria fazer / se ninguém pudesse te ver?

Nossa educação, nossa cultura, parece nos levar a ficar com essa sensação. Desde bem pequenos, há sempre alguém ou algo na espreita, pronto a ajudar ou atacar. Fundo moral de muitos contos e lendas.

Em cada esquina, pelas ruas e avenidas, somos chapeuzinhos vermelhos assombrados por algum lobo mau. O espectro da vigilância nos transforma em criancinhas assustadas, preocupadas com os entes a espreita de nossos passos.

Controlados ou não, acredito na força maior da união. Possivelmente, ela é a voz, o olhar. Um ente interior, muito distinto de uma agente exterior. Necessidade natural transmitida por gerações, interpretada como imagens vigilantes.

Transformados em instituições íntimas, próprias de cada um, fica desnecessário temê-las. Entendidas como motivações legítimas e inconscientes, passamos a confiar na sua obediência sem temor. Fruto de nosso perfil gregário, o grande irmão pode ser transmutado de tirano em conselheiro.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Plástica

Possuímos um senso aguçado para o natural.

De alguma forma, talvez com nosso mecanismo evoluído de reconhecimento de padrões, somos capazes de perceber instintivamente o toque da natureza na construção das coisas.

No caso da cirurgia plástica, mesmo a mais bem realizada, ficamos com uma percepção de que algo mudou, alguma coisa está fora do lugar ou em excesso.

Li certa vez que nos primórdios a cirurgia plástica foi usada por pessoas com o nariz decepado. Punição para certos crimes, ou crueldade com pessoas perseguidas, a reconstrução era essencial para inserção social.

Uma prótese utilizando pedaços da orelha substituía o nariz original. Certamente não devia ser perfeito, mas a oftalmologia ainda estava por se desenvolver...

A intervenção cirúrgica para reconstrução facial, ou para correção de problemas anatômicos, é um avanço extremamente bem-vindo, garantindo qualidade de vida para pessoas afetadas por tais problemas.

Seguindo essa idéia, o Trem do Sorriso percorre o mundo ajudando crianças carentes com problemas de fissura no lábio e no palato. Prejudicadas pela má formação, encontram problemas para falar e deglutir, contando como alternativa apenas a cirurgia.

Encampado por médicos voluntários, por onde passa atende gratuitamente milhares de crianças. Desde do ano 2000, já atendeu até o momento mais de 350.000 delas! Um esforço portentoso para garantir uma vida melhor a crianças tão pobres.

Nobreza de um lado, dúvidas de outro. Em épocas de culto à imagem, o emprego de técnicas cirúrgicas para fins apenas estéticos continua em voga. Mesmo um pouco esquecida pela grande mídia, a tendência permanece. E haja dinheiro...

Tudo para tentar "disfarçar" ou "melhorar" algo. Vemos atrizes senhoras, ou até mesmo as jovens, se submetendo aos procedimentos. Intervenção marcante, inevitável realce. Por melhores que sejam as técnicas, a tal sensação de desacordo permanece.

Narizes afilados, rostos esticados, sorrisos alterados. Só deixa de perceber o próprio paciente, iludido em seus anseios de mudança. Mal sabe ele que, por mais avanços da medicina que surjam, ainda não há maneira fácil de realizar plástica da alma.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Dinheiro

Oh, incompreendido vil metal...

Para começo de conversa, se há algo de vilania, não está nele em si, mas no seu uso. Ou talvez no desejo insaciável de sua posse. Certamente não pelo seu valor intrínseco, um pedaço de papel.

Na minha adolescência, cursei junto com meu pai, aulas de numismática. Aprendemos um pouco de sua história, para colecioná-lo. Não para fazer fortuna, afinal juntávamos apenas aquele fora de circulação, sem valor corrente.

A grande sacada da moeda, do dinheiro, é conseguir traduzir quanto o trabalho de um lavrador equivale ao trabalho de um professor. Pelo menos procura fazê-lo...

Grande abstração antiga, poupou muito de nosso trabalho no momento de trocarmos trabalho. Perdida sua história no tempo, perdemos a noção de seu significado.

Passamos a encará-lo por si só, como entidade com valor próprio, sem tradução. Deve começar por aí a distorção em valorizar tanto algumas pessoas, em detrimento de outras. Do ponto de vista da natureza, alguém é capaz de realizar o trabalho de outras dezenas de milhares? Mas remuneramos algumas assim...

Transformamos o dinheiro em forma de comunicação. Mais outra convenção social, que para tanto precisa ser aceita de comum acordo. Que valor teria se não fosse reconhecido por todos? Se não estivesse instituído por um governo ou governante, que lhe fiasse o crédito?

Pensando assim, vejamos os últimos fatos ocorridos recentemente pelo mundo. A prosperidade da economia americana fez grande parte do mundo investir suas economias nos empreendimentos por lá. Esse dinheiro foi usado, descontroladamente, e quando se percebeu, não havia garantias para devolvê-lo. Um grande calote aconteceu.

Traduzindo mal e porcamente, podemos interpretar assim. Mais da metade do mundo trabalhou e converteu esse trabalho em um papel. Entregou seu trabalho ao povo americano, que o utilizou indiscriminadamente. Em determinado momento, decidiram responder que não retornariam trabalho algum pelo que lhes foi entregue.

Simples, não? Um economista certamente terá muito mais teoria e conceitos para expor, mas dificilmente contradirá essa idéia. Isso pode ser visto com reacionário, impensado. Foi muito mais refletida a farra de crédito por lá, não é mesmo? E é possível que ainda queiram culpar o velho dinheiro...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Parentesco

Longe dos olhos, mas perto do coração.

Se considerarmos válida a Teoria da Evolução, há cerca de 10 milhões de anos, uma ancestral comum deu origem a 5 grandes primatas: gorila, orangotango, homem, chimpanzé e bonobo.

Gorilas conquistas suas áreas e as defendem com grande agressividade. É comum o infanticídio quando dominam um novo grupo. Ainda bem que não nasci gorilinha, tendo que me defender de tamanha brutalidade ou ser seu agente.

Orangotangos passam a vida nas árvores, solitários, encontrando fêmeas para acasalar e nunca ver seus filhos. Viver nas alturas ajuda a se proteger dos grandes felinos que coabitam suas paragens. Uma vida nessas alturas faria o gênero de poucas pessoas.

Chimpanzés fêmeas, em seus períodos férteis, ficam com suas órgãos sexuais inchados a ponto de precisarem sentar de lado. Certamente nenhuma representante da espécie humana gostaria de passar alguns dias no mesmo com imenso volume entre as pernas. Já lhes basta a TPM!

Bonobos, de tão pacatos, comumente acabam dominados por grupos de fêmeas mandonas. Crescem em grupos harmônicas, com organizações claramente matriarcais. Inúmeros machos humanos morreriam loucos em situação igual.

Nós desenvolvemos uma complexa linguagem. Produzimos cultura e a comunicamos através de gerações. Conseguimos nos adaptar, superar nossas fraquezas biológicas através deste vínculo diferenciado e especial. Por isso nos sentimos privilegiados...

Ilusão do próprio umbigo! Nossos poucos milhões de anos de existência são um átimo na natureza. Os dinossauros dominaram o planeta por dezenas de milhões de anos e se extinguiram. Quem pode garantir nossa soberania e continuidade?

Compartilhamos 96,3% (como se os décimos fizessem diferença...) do DNA com orangotangos. Somos irmanados geneticamente em 98% com chimpanzés e bonobos, ou seja, praticamente irmãos. Se um cientista alienígena nos estudasse, provavelmente nos agruparia e diferenciaria pelas roupas e quantidade de pelos!

Olhando bem, a agressividade presente no transporte público em final de dia, o desrespeito de diversas pessoas pelas crianças e os mais velhos, as fugas que alguns encontram para os desafios da vida e a relação conturbada existente entre casais problemáticos, bem lá no fundo do coração vivemos a fazer macaquices.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Livro

Livros lidos, amigos conquistados.

Principalmente aqueles que mais gostamos! A leitura de um bom livro nos presenteia com um novo amigo, um ente conhecido e muitas vezes admirado.

Dia Nacional do Livro. Basta a comemoração de uma data para melhorar a relação com os livros em nosso país? O hábito e o prazer das leitura podem ser considerados difundidos em terras tupiniquins?

Conheço muitas pessoas que gostam de ler e cultivam avidamente a arte de decifrar o código escrito, mas confesso que estão longe ser a maioria.

Sempre há o discurso do custo financeiro. Nem sempre, devemos admitir, um exemplar é acessível para qualquer faixa econômica da população. Exagero no valor ou desigualdade social?

De qualquer forma, ao menos em São Paulo, é um motivo insuficiente. Temos bibliotecas, em variedade e número, suficientes para atender que desejar encontrar um bom título para apreciar. Mesmo assim os leitores fogem...

Poderia sugerir, para iniciar, uma visita à Biblioteca Sérgio Milliet, do Centro Cultural de São Paulo. Além de poder se divertir em meio a mais de uma centena de milhares de títulos, seu setor circulante permite a retirada de um exemplar. Para tanto, basta documento de identidade e comprovante de residência.

Segundo dados da ANL, contamos com 2.600 no território nacional. Uma relação de cerca de uma para cada 70.000 habitantes. A título de exemplo, a Argentina possui metade do número de livrarias, mas uma relação por habitante que representa o dobro da nossa.

A situação fica pior quando verificamos que 68% das livrarias estão na região Sul e Sudeste. Além disso, há muitas papelarias e afins cadastradas como comerciantes de livros, ou seja, não são espaços exclusivos para o mundo da literatura.

Questão de economia de mercado ou economia de incentivo? Ou as duas, aliada a falta de foco no negócio. Depois do advento das megastores, muitas das alternativas se assemelham a grandes supermercados de livros, com atendente que poderiam estar repondo batatas na prateleira que daria na mesma.

Tudo isso fosse insuficiente, o bom e velho livro de papel enfrenta os desafios das novas tecnologias e abordagens. Livros eletrônicos, para os mais digitais, e os audiolivros, para os com pouco tempo ou muita preguiça. Sem contar a distribuição de conteúdo pela Internet ou as mega digitalizações promovidas pela Google...

Nesta guerra, entre mortos e feridos, o consolo vem do fato de ele resistir bravamente, impávido consolo em berço não tão esplêndido. De alguma maneira, vai sendo transmitido e perpetuado pelos tempos. Das mais deliciosas mídias para guardarmos conhecimento, histórias, diversão.

domingo, 21 de setembro de 2008

Alerta

Sempre alerta!

Com essa invocação, legado de Baden-Powell, garotos por todo mundo invocam o comportamento de prontidão ante as ações para a vida.

Há quem diga que se alguém está sossegado, de alguma forma está alienado. As demandas do viver nos inquietam necessariamente, nos mantêm atentos.

Inquietos com nossas constatações, nos perguntamos se realmente percebemos tais desafios. Platão teceu arguta solução para o dilema dos avisados.

Na alegoria da Caverna, eles nos apresenta sua parábola para exemplificar que os adormecidos jamais pensam se estão acordados. E preciso conhecer a consciência para se perguntar da possibilidade, ou não, do sonho.

"Precisamos estar atentos, pois não sabemos quando o dono da vinha vai voltar". Proprietária incansável e inconstante, a natureza cobra seu quinhão.

Nas últimas semanas, o mundo observa impotente a tempestade no mercado financeiro global. Se a ganância imperasse menos, talvez a atenção poderia ter sido desviada para evitar a confusão atual. Falta de atenção, soluções emergenciais e pragmáticas. Mais precisamente valores acima de US$ 700 bilhões!

Tempestades humanitárias muito maiores ocorrem nos rincões do continente africano. Apesar do grito de socorro de milhões de irmãos, quase nenhuma atenção é dispensada. Displicência própria daqueles muito sossegados...

Será inevitável nosso descaso com os meandros da semente de desestabilização? Somos incapazes de estar alerta, antecipadamente, já que prevenir é melhor do que remediar? Quanto remédio precisaremos ainda tomar para aprendermos a lição difundida entre jovens escotistas?

Apenas nos resta repetir e aprender: sempre alerta!

sábado, 20 de setembro de 2008

Arbítrio

Ganhamos livre arbítrio, acabamos arbitrários?

Se há algo a nos distinguir dos outros seres vivos é nosso poder de decisão. Nem tanto pelo exercício de tal liberdade, mas muito mais pela consciência de sua existência.

Arroubo de grandeza, suas implicações derivam conseqüências da filosofia até a medicina. O exercício ético se intensifica e complica a luz de sua orientação.

Porém, há bom tempo vemos leis criadas para coibir fumantes de exercer seu vício em locais públicos. Ao invés de buscarmos o respeito, os obrigamos a respeitar as outras pessoas.

Em nome da saúde de todos, sancionamos o decreto de qual é o comportamento adequado. Escolhas feitas, pouco importam escolhas pessoais.

Vejamos também o conhecido problema de álcool aliado ao volante. Solução encontrada? Proibir radicalmente qualquer tipo de dosagem alcoólica aos motoristas.

Recentemente, começa a ganhar força uma corrente para proibir qualquer alimento de utilizar gordura trans. Independentemente das alternativas que a indústria utilizará, às vezes tão prejudiciais quanto, seremos proibidos de comprar alimentos tidos como prejudiciais à saúde, ao menos por uma ótica.

Buscamos um rei-filósofo, como queria Platão? Admitimos incompetência coletiva, para depositarmos nas mãos de alguém com discernimento, e poder para aplicá-lo, a autoridade na condução dos rumos da sociedade.

Só esqueceram de mencionar que as medidas sancionadas, em sua maioria, visam à redução de custos com o atendimento médico público, principalmente. Pouco importa a felicidade do indivíduo. É necessário economizar o dinheiro público. Sabe-se lá para que...

Deveríamos tomar as rédeas de nossa vida. Mostrar maturidade para decidir o melhor para todos. União de decisões particulares em benefício do bem comum. E cada um conquiste condições de escolher bem, ao menos com a pretensão de fazê-lo. Até quando precisaremos de árbitros?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Metrópole

Triste constatação, a metrópole embrutece as pessoas.

Utilizar cotidianamente o Metrô nos expõe e nos permite, penosamente, constatar terrível sina. Momentos e minutos impossíveis de negar à reflexão.

O empurrar sem cerimônia, sem a mínima preocupação, com violência, demonstra a dimensão que o comportamento toma. Embrutecidas e insensíveis, elas não vêem o outro.

Hoje, na estação Sé, presenciei uma moça ser derrubada, na descida da pessoas na plataforma. Sem dó, nem piedade, sem ao menos a atenção ou a desculpa.

Impressiona também a quantidade de pessoas falando sozinhas. Muitas vezes, mais do que falando, discutindo, reclamando. Nem há nem condição de supor um amigo imaginário.

Vociferam ao vento, impotentes frente à massa. Quem sabe protestam a Deus, procuram sua "re-humanização", parecem gritar por sua reintegração, física e espiritual.

Rostos vazios, caminhando a esmo. Perfazem o mesmo caminho todos os dias, mas não têm destino. Zumbis mecanizados de uma estrutura gigantesca, massificadora, impassível e cruel. Exercita seu poder para subjugá-las continuamente.

No caos da turbulência urbana, as pessoas esquecem a identidade das outras. Enxergam apenas personagens de um grande teatro fictício. Certa vez, em pleno viaduto Santa Ifigênia, uma pessoa se jogou a poucos metros de onde eu passava.

Uma multidão instantânea se formou e correu, não para socorrê-la ou salvá-la, ato claramente inútil frente à inevitabilidade das conseqüências, mas para assistir e saber mais detalhes da tragédia. Circo de horror em pleno local público.

Responsável pelo serviço e manutenção da ordem, o Metrô pouco colabora com os novos motes de campanha. O usuário esgotado se vê refém incapaz de reação. Tantos sinais em alguns poucos pontos da grande cidade. O que pensar de seu todo...

Pensamento maior, mais importante, é a lembrança de que a pólis, muito além de cimento e areia, é construída de pessoas!

domingo, 3 de agosto de 2008

Desequilíbrio

Como entender um mundo em que há carestia e epidemia de obesidade?

Observamos através da mídia, pelo mundo, o grave problema da produção de distribuição de alimentos. Questão crescente, temos dificuldade de enxergar o fim do túnel.

Aumento de demanda? Mudanças climáticas? Concentração de renda? Possivelmente, a conjunção destes fatores leve ao desfecho assistido por todos nós.

Por outro lado, mesmo no Brasil, nem um pouco menos afetado pela fome, há um alto índice de pessoas acima do peso. Bom sinal de fartura, dos bons ventos vividos pelo país? Ou reflexo da má distribuição de elemento tão prolífero em nossa terra: comida.

Maslow, em sua proposta da hierarquia das necessidades, aponta as fisiológicas como primordiais. Quem tem fome ou sede jamais terá condições de suprir outras necessidades humanas.

Podemos dispensar muitas regalias de nosso cotidiano, mas pão e água, ao menos, são indispensáveis. Temos curtos prazos para suprir tais demandas... Como tantos conseguem sobreviver com tão pouco, por tanto tempo? Distantes de subsistência ou de sobrevivência, se assemelham muito mais detentores de sobrevida...

Injusta sensação de desequilíbrio. Causadora de verdadeira fome e sede de justiça. Atropeladas os ritmos da fisiologia do corpo, é a "fisiologia"da alma que acaba por ser atingida. A negação de preceitos essencialmente básicos desfoca a imagem do irmão presente no outro.

Com tantas soluções no planeta, muitas oriundas do farto e promissor mundo do agronegócio, há de existir alternativa para equilibrar a situação. Uma solução conciliadora das necessidades comerciais e humanas dos envolvidos, fornecedora de condições para a boa e igualitária distribuição de recursos.

No cerne de nossa natureza há o bem indispensável para enfrentar tamanho desafio. Bem duradouro e indiscriminadamente disponível. Capaz das maiores conciliações e concessões. Dom gratuito da providência: o amor humano.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Descida

"A descida das ciências ocidentais do céu para a terra (da astronomia no século XVII à biologia do XIX), bem como sua concentração, nos dias de hoje, por fim, no homem (na antropologia e na psicologia do século XX), marcam o caminho de uma prodigiosa transferência do ponto focal do milagre humano. Não o mundo animal, o mundo vegetal, nem o milagre das esferas; o mistério crucial é, em nossos dias, o próprio homem".

Joseph Campbell, em "O Herói de Mil Faces", resume desta maneira magnífica a história da evolução de nossa mitologia. Descemos do céu ao cerne de nossa própria natureza.

Das esferas celestes ao genoma humano, fomos colocando por terra mitos e desvendando o mecanismo do Universo. O mundo perfeito das estrelas dos gregos deixou de nos assustar, assim como parte das manifestações da máquina homo sapiens.

Tristemente, no processo de descida, perdemos o hábito de admirar o céu. Cada vez mais, somos seres cabisbaixos, "ensimesmados", desatentos às maravilhas vindas do alto. Quantas vezes reparamos até mesmo nas visões do alto de nossa cidade?

As pipas do tempo de criança nos faziam vasculhar os céus em busca de alguma para competir. Levávamos nossos sonhos de Ícaro naqueles engenhos de papel e bambu. Fios espalhados por toda metrópole tornaram a brincadeira algo muito arriscado.

Em festas juninas, pequenos e inocentes balões levavam os desejos do povo para o alto. Coloriam as nuvens e instigavam mais um olhar acima das cabeças. A consciência dos riscos envolvidos, as gangues em torno de monstros de fogo, gigantescos balões, fizeram deste elevador de visões assunto banido do cotidiano.

Corremos para não perder o ônibus, ou aproveitar o semáforo a fechar... Deixemos de procurar passarinhos, na tentativa de identificá-los e apreciar seus lindos vôos e cantos. Nuvens de vida a enfeitar os ares! Ficamos com os pombos, uma ameaça constante, às roupas e cabeças, ou os tristes engaiolados ornamentais.

Em noites calmas de luar, parávamos muito mais para observar as diversas constelações e sonhar como seriam tantos outros mundos. As luzes da cidade se intensificaram e ofuscaram qualquer possibilidade de fácil observação.

Descemos a atenção e parece que descemos nossas aspirações. Haja visto como cuidados de nosso céu, com as altas cargas de poluição que lançamos, principalmente emitida pelos veículos. Ao cuidar do próprio umbigo estamos fadados a diminuir nossa existência. Provavelmente descemos as escadarias da evolução. E ainda nos achamos superiores e privilegiados...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Pet

"Troque seu cachorro, por uma criança pobre..." [1]

Rock da Cachorra, Eduardo Dusek, década de 80 e o alerta estava feito. Há quase 30 anos, o exagerado dispêndio de recursos com animais de estimação já incomodava muita gente.

Em um país de tantos miseráveis, a situação parece não ter melhorado nem um pouquinho. A invasão dos negócios para nossos bichinhos, o mercado "pet", é visível por todos os cantos.

Por exemplo, aqui no Belenzinho, antigo bairro paulistano, chegamos ao ponto de termos quase mais pet shops do que pizzarias! Tão próximo a Mooca, repleta de italo-descendentes nascidos na terra da garoa, isso chega a ser uma ofensa...

Um dia tive meu companheiro fiel. Guardo alegres lembranças da infância com as bagunças do amigo canino. Relação saudável, grande aprendizado, mas exagerar nos mimos e "pessoalização" seria uma agressão a sua natureza animal.

Banhos de ofurô, com pétalas de rosas, sais e aromas, para descanso e relaxamento? Com variação entre R$ 30 e R$ 40, em Joinville, a Cia Bichos oferece tal regalia, além de planos de saúde, planos de estética e outros. Batizam os abastados animais de VIP, Very Important Pets...

Bolos, pães, biscoitos, chocolates e donuts? Nossos melhores amigos contam até com quibes e esfihas, artesanais, com ingredientes 100% naturais e sem conservantes. A alimentação saudável é oferecida pela Dog Bakery, em São Paulo, com preços entre R$ 5 e R$ 50 (no caso de alguns bolos).

Reconstrução de pelagem com queratina animal ou vegetal? Profissionais de estética estão disponíveis para o tratamento na Friend Dog, no Rio de Janeiro, com preços de R$ 10 a R$ 25 por sessão. Mesmo com a justificativa de problemas com pêlo poderem revelar deficiência ou carências nutricionais, a valorização da estética aparenta estar em primeiro plano.

Outros tantos exemplos podem ser vistos. Até estadias em hotéis com diárias de US$ 145! Os tempos de quintais gelados já passaram para uma pequena parcela da população animal... Dureza é comparar com a situação da grande população de rua, em nossas grandes cidades, que nem quintais têm para dormir.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Setenta

Estaremos de volta aos anos 70?

Observadores por todo mundo começam a acreditar no fato. Chegaram a esta conclusão por encontrar certas semelhanças entre aquela época e nossos tempos atuais.

Vivemos um período de novo milagre econômico. A pujante evolução econômica não encontra paralelo, a não ser em três décadas atrás.

Tentar definir o preço do petróleo é um desafio sem igual. Dificilmente conheceremos os limites para sua venda. Hoje resultado da alta demanda, ontem por puro boicote de produtores.

Até novos sinais de uma guerra fria podemos identificar. Já não são apenas dois países, Estados Unidos e União Soviética, como no passado. Alguns membros foram incluídos no clube do conflito, como Irã, Coréia do Norte e outros.

Por outro lado, no Brasil vivemos uma política bem diferente. Bem distante dos "anos de ferro", ou "anos dourados", o clima de liberdade reinante nos faz crescer política e socialmente.

Glamourosas festas, com roupas alternativas, são bem diferentes. Da era da disco para a era da rave... Talvez haja uma pequena semelhança, com relação à busca de uma visão alterada da realidade, com a ajuda de alguma substância química.

O planeta está mais unificado do que nunca. Economias isoladas são utopias! A integração é uma dura realidade que altera o panorama e o futuro de todas as nações. Nem as mais reclusas sociedades sobreviveram aos seus efeitos...

Outros tempos, outras histórias... Algumas semelhanças podem indicar certas conseqüências similares. Em princípio, estamos bem distantes daquele passado. Que ao menos parte do espírito de liberdade, fraternidade e criatividade reinante àquela época nos influenciem atualmente.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Personal

Pragas modernas, os "personais" se espalham por todos os cantos.

Em época de culto às personalidades, sejam elas ídolos artísticos ou os próprios alteregos, as pessoas adoram ter um "personal" alguma coisa.

A lista sempre recebe novas definições. Um personal pode ser Trainer, Stylist, Shopper, Shopping Assistant, Chef, além de tantos outros títulos que poderão inventar. Já há até o indigesto Personal Friend!

Um tipo até é engraçado: o Personal MP3 Organizer. Esqueça qualquer aparelhinho do momento. Trata-se de uma pessoa, de carne e osso, apesar do nome.

Coisa de adolescente, é alguém encarregado de organizar sua coleção de música digital, no iPod e similares. Tem página até para dicas de como melhor sê-lo, com um nome mais pomposo de "Organizador de Mídias".

E pensar que tudo começou com o culto ao corpo... A impressão é que professores de educação física precisavam expandir seu mercado. Daí, trocaram o nome do treinador ou técnico para o tal personal trainer. Buscaram uma abordagem menos técnica, mais psicológica.

Para um esportista profissional, o papel de uma pessoa para orientação e preparação competitiva faz todo sentido. Aos amadores, muitos de final de semana ou quando a consciência "lipídica" literalmente pesa, é um dinheiro jogado fora, muito bem pago. Os tais personais acabam muito mais "Personal Weight Loader"ou "Personal Seat Cleaner"... :)

As academias possuem equipes de professores, para orientar as pessoas que a freqüentam. Deveria ser suficiente para quem precisa manter um atividade física regular e saudável. Parece não ser suficiente apenas para a auto-estima e o ego de muitos...

Acontece que depois do advento da nova denominação, muitos dos professores deixaram de ser atenciosos, como no passado. Culpa das academias, que permitem o exercício do personal inclusive no seu horário de expediente. Com preços elevados, e a ética um tanto esquecida, qual não será sua preferências?

Contrapontos a nossa condição gregária... Dicotomia eterna da alma humana: unir o público ao privado, o pessoal ao comunitário! Entre focos e escolhas, vamos observando a dificuldade em manter o equilíbrio para nossa existência no planeta. Sorte ou azar, inexiste uma Personal Earth.