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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Cubo

Simples, genial e intrigante...

Lembra do Cubo Mágico? Nome popular do Cubo de Rubik, contou com seus dias de glória, febre mesmo, mas ainda anda por aí, desafiando viciados em seus movimentos.

Em certa época, todo mundo tinha um. Novidade das melhores! Com maior ou menor velocidade, às vezes mais de mês, acabávamos conseguindo vencê-lo.

Hoje encontramos umas versões bem porcas, fuleiras, à venda nos camelôs. É duro até de realizar qualquer movimento. Para os aficionados certamente é ignorado, indigno de sua atenção.

Bem antes da Internet, arranjávamos maneiras de divulgar técnicas e soluções para resolvê-lo. Havia quem também fazia um trambique, desmontava o coitado e remontava bonitinho.

Num primeiro olhar, ninguém dá nada por ele. Afinal, quer estrutura das mais simples, como o cubo. Fácil de desenhar, imaginar. Corriqueiro em muitos desenhos e estruturas.

Só que suas pequenas restrições de construções (as arestas com cores fixas) produzem um quebra-cabeça, digno de rachar as melhores cucas. Essa simplicidade toda é capaz de produzir mais de 43 quintilhões (18 zeros) de combinações!

O grande desafio é descobrir qual a sequência para resolvê-lo em número mínimo de movimentos. Levas de pesquisadores se debruçam, pelo mundo, para estudar tais movimentos e suas implicações. Coisa de matemático, tentando formular a natureza ou nossas criações.

Nossos colegas, amigos dos números, têm avançado bastante. Também pudera, alguns já trabalham há décadas na questão, com poder de processamento inimaginável. Expoente na área, Tomas Rokicki é um destes. Estamos falando de terabytes de dados e milhares de horas de execução em computadores sofisticados. E pensar que algumas pessoas, velocistas do jogo, levam poucos segundos em sua solução...

Tudo isso para quê? Apenas diversão e desafio? Ledo engano. Os conceitos explorados e adquiridos podem colaborar imensamente no desenvolvimento de algoritmos criptográficos, baseados em suas simetrias, por exemplo. Itens cruciais em nosso mundo tecnológico. O cubo, singela brincadeira, acaba por virar conhecimento importante e estratégico. Mágico, não?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mesmo

Eu tenho medo do mesmo!

Com a sarcástica frase, há muito tempo começaram as comunidades orkuteiras que satiziram as fatídicas plaquinhas instaladas em halls de prédios.

"Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se para neste andar". Poderia ser diferente? Dificilmente. Com o humor na ponta da língua, os brazucas logo sacaram a piada.

No prédio em que moro, dá para ficar com a "pulga atrás da orelha". As portas da saída de emergência, oscilando com o vento, dão até a impressão de que o tal "mesmo" espreita pela fresta.

A qualquer momento, sem maior aviso, ele saltará com um sonoro "A-HA"! Sem nenhuma rota de escape, descontando a porta por onde ele surgiu, ficaríamos com poucas alternativas.

Deixando as brincadeiras de lado, a frase mirou no que não viu e acertou. Devíamos temer muito o mesmo, mesmo. Mais confortável na maioria dos situações, a mesmice pode se transformar num pântano, um charco, a minar as nossas forças de movimento, nos levando a afundar continuamente.

Carregados, ou estancados, pela inércia, muitas vezes nem percebemos nossa fuga para a zona de conforto e procuramos o mesmo. Desatentos, esquecemos a importância da inquietação e do desafio, promotores do desenvolvimento, do crescimento.

Os mesmos ritmos, as mesmas tarefas, os mesmos sabores, os mesmos caminhos, as mesmas visões... São tantos mesmos, impostos por um (às vezes) massacrante cotidiano, que deveríamos temê-los ainda mais. Vêm em bando!

No fundo nem são tão fortes, tanto que atacam em conjunto. Pequenas mesmices abrem caminho para o advento de outras novas. Paulatinamente, conquistam espaço, se alojam e pesam... Imobilizados pela carga, descobrimos ser melhor prevenir, para evitar um embate maior.

Felizmente alguém teve a idéia das plaquinhas para o elevador. Sua motivação inicial pode até perder a função. Ficará o alerta mais importante, o chamativo cotidiano, costumeiro, o grito para a atenção. Nem precisamos nos preocupar lapsos de memória. Elas são tantos e estão lá para nos lembrar: cuidado com o mesmo!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Espaguete

Brincamos, aprendemos e, por fim, aprimoramos.

Desde a infância aprendemos a grande fórmula. De maneira lúdica aprendemos, para nunca mais esquecer. Sem consciência do fato, nosso aprendizado se infunde intensamente.

Filhotes de leão brincam de lutar. Exercitam as artes para os futuros combates. Gatinhos brincam de caçar, mesmo que uma pequena bolinha. Estudam as estratégias essenciais a sua sobrevivência.

Nós não fazemos diferente... Freqüentemente, exercitamo-nos dessa forma, mesmo depois, durante a vida adulta. Afinal, é no mínimo divertido aprender brincando.

Ontem, Domingão, dia de macarrão, lembrei de um assunto... Um colega de trabalho, há algum tempo, me apresentou os concursos de pontes de espaguete. Vai entender as conexões que nossas redes neurais fazem...

Tais concursos, direcionados a estudantes de Engenharia Civil, propõem a construção de pontes, em escala, apenas com macarrão, no caso o espaguete (cru, é claro).

A intenção é desafiar seus conhecimentos em cálculo estrutural. Usando um material frágil, em princípio, construir uma estrutura que suporte peso considerável.

Até lembrei dos tempos de faculdade, quando o pessoal da Física bagunçava os pesos-padrão do laboratório. O objetivo era infernizar o pessoal da Engenharia, em suas aulas laboratoriais de cálculo estrutural. Intrigas juvenis que rendiam situações engraçadas...

Parênteses à parte, as tais competições demonstram habilidade e precisão impressionante. O recorde brasileiro é a sustentação de 156 Kgf. O mundial é um pouco maior, 176 Kgf. Quanta resistência para uma pequena maquete de alguns centímetros!

O processo da competição é simples. As pontes são apresentadas pelas equipes. O corpo de julgamento vai colocando pesos, até chegar aos limites suportados pela estrutura. Ganha quem agüentar o peso maior. Parece até um campeonato de supino, comum em academias, das esculturas de macarrão.

Jeito bacana de desenvolver o estudo. Desafio, competição e brincadeira, levados a sério por seus participantes. Ainda bem que não resolvem levar essas idéias para projetos maiores. Já pensou, a novíssima ponte Octávio Frias de Oliveira, aqui em São Paulo, feita de espaguete? Fugiria dela em dias de chuva de quente verão...

domingo, 3 de agosto de 2008

Desequilíbrio

Como entender um mundo em que há carestia e epidemia de obesidade?

Observamos através da mídia, pelo mundo, o grave problema da produção de distribuição de alimentos. Questão crescente, temos dificuldade de enxergar o fim do túnel.

Aumento de demanda? Mudanças climáticas? Concentração de renda? Possivelmente, a conjunção destes fatores leve ao desfecho assistido por todos nós.

Por outro lado, mesmo no Brasil, nem um pouco menos afetado pela fome, há um alto índice de pessoas acima do peso. Bom sinal de fartura, dos bons ventos vividos pelo país? Ou reflexo da má distribuição de elemento tão prolífero em nossa terra: comida.

Maslow, em sua proposta da hierarquia das necessidades, aponta as fisiológicas como primordiais. Quem tem fome ou sede jamais terá condições de suprir outras necessidades humanas.

Podemos dispensar muitas regalias de nosso cotidiano, mas pão e água, ao menos, são indispensáveis. Temos curtos prazos para suprir tais demandas... Como tantos conseguem sobreviver com tão pouco, por tanto tempo? Distantes de subsistência ou de sobrevivência, se assemelham muito mais detentores de sobrevida...

Injusta sensação de desequilíbrio. Causadora de verdadeira fome e sede de justiça. Atropeladas os ritmos da fisiologia do corpo, é a "fisiologia"da alma que acaba por ser atingida. A negação de preceitos essencialmente básicos desfoca a imagem do irmão presente no outro.

Com tantas soluções no planeta, muitas oriundas do farto e promissor mundo do agronegócio, há de existir alternativa para equilibrar a situação. Uma solução conciliadora das necessidades comerciais e humanas dos envolvidos, fornecedora de condições para a boa e igualitária distribuição de recursos.

No cerne de nossa natureza há o bem indispensável para enfrentar tamanho desafio. Bem duradouro e indiscriminadamente disponível. Capaz das maiores conciliações e concessões. Dom gratuito da providência: o amor humano.

domingo, 13 de julho de 2008

Semear

Semeando desafiamos a própria natureza.

Preparar a terra, lançar a semente, aguardar a colheita exige disposição, persistência e esperança. Está longe de ser um processo simples, por mais tecnologia que exista.

Primeiro há necessidade de terreno fértil. A terra precisa conter os elementos essenciais ao crescimento das plantas, ser capaz de absorver as chuvas e conservar essas condições.

Falando em chuva, é preciso boas condições climáticas, que propiciem irrigação e temperatura adequadas à germinação e crescimento das plantas.

Mesmo se contar com a colaboração dos elementos acima, ainda será indispensável proteger a plantação de seus predadores. Pragas, pequenos animais ou doenças da lavoura, uma preocupação sem fim, por longo tempo.

Nem contabilizamos a sazonalidade, produtora de janelas de tempo, marcadores determinantes na vida do agricultor. A escolha dos momentos certos, e seu aproveitamento, determinam o sucesso de qualquer escultor de alimentos.

Se o concreto trabalho com a terra já é árduo, como não será a semeadura de idéias? Atingir com palavras e comportamentos o terreno fértil das almas humanas se mostra, pela história, tão complexo quanto. Talvez até com mais nuances...

Preocupa o cuidado com as boas sementes, preciosos bens promotores da saúde do espírito. Em ambiente tão inóspito, com sua fragilidade frente aos percalços do destino, bravos plantadores lutam pela manutenção de boas safras. Bons frutos são potencialmente boas novas sementes. O ciclo continuará!

Terrenos variados, condições adversas e sazonalidades muitas vezes desconhecidas, rondam o reino dos memes, na disputa desenfreada pelo espaço para seu florescimento. Apesar das similaridades com a agricultura, só temos certeza da necessidade das três exigências à boa continuidade: disposição, persistência e esperança.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Everest

Chegamos à era espacial, há algumas décadas, mas desafios terrenos ainda nos encantam.

Comemorando os 50 anos de sua conquista no dia de hoje, 29 de maio, o monte Everest mantém sua aura de grandiosidade e ousadia. Meio século depois, o teto do mundo permanece ao alcance de poucos...

Localizado no Himalaia, entre o Nepal e o Tibete, poderia existir local mais adequado, mais misterioso, para existir esse mítico ícone geográfico?

Seu nome, mundialmente conhecido, em homenagem ao topógrafo responsável pelo seu registro, denota o passado influente dos ingleses a conhecer e desbravar o mundo, pelos quatro cantos do planeta.

Batizado de Sagamartha (rosto do céu), pelos nepaleses, e Qomolangma (mãe do universo), pelos tibetanos, denota o impacto de sua presença em suas culturas regionais.

Simplistas podem pensar: mas é apenas um monte! Pois é, mas, dispensadas avançadas tecnologias, subir o pico na raça incorre em morte ao menor deslize. Ambiente inóspito a vida humana, apesar de tão próximo de nossos cotidianos ambientes.

Só que aventureiros gostam assim, com todo o risco possível. Nem cilindros de oxigênio, para as altitudes com atmosfera extremamente rarefeita, são aceitos. Invalidaria a expedição! Como se com essa proteção ainda não fosse arriscado.

O monte já um recanto um tanto quanto conhecido. Já há preocupação com as contínuas expedições, possivelmente degradando a região. Porém, quantos outros recantos continuam inacessíveis em nossa casa celeste? Fossas abissais são só um dos exemplos. Há muitos outros pontos extremos da Terra.

Em nossa própria morada somos defrontados com nossa pequenez. E ainda sonhamos em povoar as estrelas... Como somos pretensiosos! Ainda bem.