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domingo, 28 de dezembro de 2008

Família

"Honra teu pai e tua mãe..."

Sagrada toda família, formada no amor e na união, núcleo da sociedade e célula de sua sustentação. Pai e mãe são os símbolos sagrados desta unidade.

Tantos contornos ganhou a família moderna, mas sua essência, sejam quais forem suas composições, é sempre a do acolhimento e sustentação da vida humana.

Estamos acostumados ao modelo da nossa. Com suas convenções e regras, hábitos e costumes. Mais próximos ou mais reservados, mantemos ícones, símbolos de seus personagens.

Contatamos outros exemplos, outras concretizações da realidade familiar e nos questionamos. Serão possíveis e efetivas? Cumprirão seu papel de acolhida e proteção?

Acredito piamente que deveriam... Temo pela continuidade de nossa existência sem as mínimas condições de saúde social, no mínimo no seio familiar, no germe das formações do lar humano.

Quanto da situação de violência e desagravo da vida moderna não tem sua origem na situação familiar? Quanto não negligenciamos os cuidados com as famílias, para vermos as conseqüências brotarem por todos os cantos?

Por mais quanto tempo o sensível tecido da sociedade agüentará sem se esgarçar? Por mais perguntas que eu faça, as respostas soam sempre ligadas à maturidade na criação de laços, no comprometimento e aceitação da vida e do amor.

Quem experimentou as delícias da vida em família jamais as esqueceu. Propaga essa boa-nova de esperança e solidariedade, de cuidado e carinho. Ficará eternamente inquieto por não ver novas produções de tão profundo e singelo sentimento.

Simplesmente ser e amar. Mãe, pai, filho, tio, avó, avô, padrasto, madrasta. De sangue ou coração, dos dois! A exemplo da sagrada família, devemos construir saudável berço de aceitação e acolhimento, dizendo um grande 'sim' para existência!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Numerati

Cuidado! Os numerati podem estar te vigiando...

Lembram até a história dos iluminati, presentes em nossa história, sejam fictícios ou não. Algo como os personagens do "O Nome da Rosa", com seu controle da informação e influência no mundo.

No passado, o acesso ao conhecimento escrito era uma das chaves para a condução da humanidade. Natural a expectativa e o medo em torno daqueles com tal controle.

Ao interferir na transmissão desse conhecimento, podiam interferir nos rumos da história. Poder de evolução, revolução ou retrocesso nas mãos de tão poucos.

Num mundo tecnológico, tal qual nossa atual realidade, a matemática ganhou importância significativa. Entender a linguagem por trás dos novos meios permite a tradução de seus mecanismos e seus controles.

Mencionados no livro de Stephen L. Baker, "The Numerati", seriam pessoas aptas a esmiuçar estatisticamente nossos dados e desvendar, até influenciar, os rumos da sociedade da informação. Tradutores de pessoas em números, levados em massa aos caminhos dos desejos de qualquer poderoso.

A estatística tem desses perigos. Será possível traduzir fielmente o comportamento humano? Em períodos eleitorais ouvimos muito sobre o assunto. Porém, neste momento específico, fica uma questão pendente do tipo "o ovo e a galinha"...

Por outro lado, os mecanismos existentes no Google, ou em lojas virtuais como a Amazon, parecem reconhecer bem nossos hábitos e desejos. Quem nunca se surpreendeu ao receber a informação ou promoção de vendas exatamente com as condições de seu desejo?

Só que a inteligência artificial não prescinde do ser humano. Apesar de se desenvolver autonomamente, sua estrutura, condições iniciais, seleção de parâmetros e apresentação de bases históricas são atribuições de uma pessoa.

Entram aí os novos iluminados, compreendedores dos meandros de tais tecnologias. Profissionais com a percepção de reconhecer os itens importantes em uma abordagem do gênero. Com a inevitável ubiqüidade da grande rede é melhor conhecê-los bem. Quem sabe até ser seu amigo...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Metrópole

Triste constatação, a metrópole embrutece as pessoas.

Utilizar cotidianamente o Metrô nos expõe e nos permite, penosamente, constatar terrível sina. Momentos e minutos impossíveis de negar à reflexão.

O empurrar sem cerimônia, sem a mínima preocupação, com violência, demonstra a dimensão que o comportamento toma. Embrutecidas e insensíveis, elas não vêem o outro.

Hoje, na estação Sé, presenciei uma moça ser derrubada, na descida da pessoas na plataforma. Sem dó, nem piedade, sem ao menos a atenção ou a desculpa.

Impressiona também a quantidade de pessoas falando sozinhas. Muitas vezes, mais do que falando, discutindo, reclamando. Nem há nem condição de supor um amigo imaginário.

Vociferam ao vento, impotentes frente à massa. Quem sabe protestam a Deus, procuram sua "re-humanização", parecem gritar por sua reintegração, física e espiritual.

Rostos vazios, caminhando a esmo. Perfazem o mesmo caminho todos os dias, mas não têm destino. Zumbis mecanizados de uma estrutura gigantesca, massificadora, impassível e cruel. Exercita seu poder para subjugá-las continuamente.

No caos da turbulência urbana, as pessoas esquecem a identidade das outras. Enxergam apenas personagens de um grande teatro fictício. Certa vez, em pleno viaduto Santa Ifigênia, uma pessoa se jogou a poucos metros de onde eu passava.

Uma multidão instantânea se formou e correu, não para socorrê-la ou salvá-la, ato claramente inútil frente à inevitabilidade das conseqüências, mas para assistir e saber mais detalhes da tragédia. Circo de horror em pleno local público.

Responsável pelo serviço e manutenção da ordem, o Metrô pouco colabora com os novos motes de campanha. O usuário esgotado se vê refém incapaz de reação. Tantos sinais em alguns poucos pontos da grande cidade. O que pensar de seu todo...

Pensamento maior, mais importante, é a lembrança de que a pólis, muito além de cimento e areia, é construída de pessoas!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ligação

Misteriosas essas ligações humanas.

Esqueci quando foi a primeira vez que ouvi sobre a Teoria dos Seis Graus de Separação. Provavelmente, nos primórdios da rede social do Orkut.

Nos idos de 2004, a irmã de um amigo, por sinal muito bem relacionada, me enviou um convite para o cadastro no site. Efeito evidente das tais ligações...

Naquela época, foi muito divulgado o assunto, como motivação para o autor, o tal Orkut, ter criado o serviço. Pretendia assim avaliar a validade da teoria.

Inicialmente, o serviço apresentava nossa rede de contatos com seis graus de relações. Com o aumento do número de usuários, a formação dessa rede ganhou complexidade e peso de processamento suficiente para ficar inviável. Passaram a apresentar apenas dois graus, o conhecido título dos "amigos dos amigos" apenas.

Teorias formuladas em sentenças negativas necessitam de apenas uma evidência a corroborá-la para se verificar seu acerto. Já teorias afirmativas, universais, como a dos "seis graus", exigem trabalho muito mais árduo. Ainda assim, basta um único contra-exemplo para contestá-la.

A teoria em questão afirma que bastam seis laços de amizade para quaisquer duas pessoas estejam conectadas pelo mundo. Elaborada em meados dos anos 60, por Stanley Milgram, percorreu décadas sem comprovação definitiva e com diversos questionamentos, referentes ao método científico.

Teorias acadêmicas, anos de persistência, redes sociais digitais e chegou a popularidade suficiente para ser tema de uma série de TV. Como o óbvio nome "Seis Graus de Separação", usará a teoria como insumo para construção de seu enredo.

Ontem, após a chamada comercial para a série, fiquei refletindo da concordância da teoria com minha experiência pessoal. Rapidamente lembrei que minha esposa tem uma paciente, conhecida de uma repórter da Globo, enviada para trabalhar na China. Pronto, estava conectado ao Oriente.

Um amigo (o da irmã bem relacionada) conhece um jornalista polonês. Bastaram três graus e cheguei ao Leste Europeu. Outra amiga foi estudar arte na Itália, se casou com um italiano e lá estava eu em contato com o continente de meus antepassados.

Anteontem, o pessoal da Microsoft divulgou o resultado de uma pesquisa em seus laboratórios. Usando a informação de 180 milhões de usuários do MSN, avaliou o grau de separação das pessoas. Conclui que em 79% dos casos são suficientes 6,2 graus para conectar qualquer um!

O feito revela a relevância da teoria, mas também derruba sua universalidade. Em alguns casos foram necessário 29 graus para a conexão. A comprovação do fato, mesmo em parte, demonstra a característica gregária da sociedade humana. Gostemos ou não, estamos inevitavelmente conectados.

A coincidência da conexão de tantas sinapses, nestes últimos dias, é uma outra ligação misteriosa a investigar...

domingo, 3 de agosto de 2008

Desequilíbrio

Como entender um mundo em que há carestia e epidemia de obesidade?

Observamos através da mídia, pelo mundo, o grave problema da produção de distribuição de alimentos. Questão crescente, temos dificuldade de enxergar o fim do túnel.

Aumento de demanda? Mudanças climáticas? Concentração de renda? Possivelmente, a conjunção destes fatores leve ao desfecho assistido por todos nós.

Por outro lado, mesmo no Brasil, nem um pouco menos afetado pela fome, há um alto índice de pessoas acima do peso. Bom sinal de fartura, dos bons ventos vividos pelo país? Ou reflexo da má distribuição de elemento tão prolífero em nossa terra: comida.

Maslow, em sua proposta da hierarquia das necessidades, aponta as fisiológicas como primordiais. Quem tem fome ou sede jamais terá condições de suprir outras necessidades humanas.

Podemos dispensar muitas regalias de nosso cotidiano, mas pão e água, ao menos, são indispensáveis. Temos curtos prazos para suprir tais demandas... Como tantos conseguem sobreviver com tão pouco, por tanto tempo? Distantes de subsistência ou de sobrevivência, se assemelham muito mais detentores de sobrevida...

Injusta sensação de desequilíbrio. Causadora de verdadeira fome e sede de justiça. Atropeladas os ritmos da fisiologia do corpo, é a "fisiologia"da alma que acaba por ser atingida. A negação de preceitos essencialmente básicos desfoca a imagem do irmão presente no outro.

Com tantas soluções no planeta, muitas oriundas do farto e promissor mundo do agronegócio, há de existir alternativa para equilibrar a situação. Uma solução conciliadora das necessidades comerciais e humanas dos envolvidos, fornecedora de condições para a boa e igualitária distribuição de recursos.

No cerne de nossa natureza há o bem indispensável para enfrentar tamanho desafio. Bem duradouro e indiscriminadamente disponível. Capaz das maiores conciliações e concessões. Dom gratuito da providência: o amor humano.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Modernização

"Escravidão não acabou, só se modernizou".

Definindo assim, com ares de conclusão de trabalho sociológico, José Geraldo Ferreira coloca o dedo em uma das muitas feridas de nossa sociedade contemporânea.

Longe dos bancos de cursos acadêmicos de sociologia, o auxiliar de limpeza (eufemismo para faxineiro), entrevistado pela revista Época São Paulo, na edição deste mês, desfila sua visão de proletário explorado.

Brasileiro safo, ele ainda complementa sua visão do cotidiano do humilde trabalhador conterrâneo: "Metrô é que nem navio negreiro"!

As relações humanas evoluíram muito pela história, mas, se destilarmos os sucos resultantes, ainda encontraremos mares de desigualdade. Muitas pessoas ainda estão sujeitas a condições de vida e trabalho não escolhidas, em grande parte insatisfatórias.

Com opiniões diferenciadas, fenômeno destacado da média da população, nosso filósofo do cotidiano demonstra como um pouco de reflexão pode nos levar a percepções bem diferentes da realidade.

Uma única volta no trem metropolitano nas manhãs paulistanas compeli-nos ao conflito. Curiosamente, nem todos os atingidos manifestam tal comportamento. Rotineiramente estar sujeito às condições improváveis do transporte público, faz-nos compreender a idéia do navio. Sei bem o que é isso, apesar de quase todos aparentarem não saber...

Zé faz mais além de analisar as mazelas do sofrido dia-a-dia. Assiste ao Telecurso na TV, pela manhã, no exíguo horário disponível. Opta pelo marxismo. Admira ícones de revoluções sociais. Estuda todos os dias, procurando assistir palestras, na USP, na Câmara Municipal, onde a informação estiver.

Mistério a desvendar, qual a modernização transforma de escravo a cidadão crítico? Como promover tantos cativos a ativos pensadores "Zé"? Das grandes mudanças sociais precisamos descobrir como colher os melhores frutos. Como bem concluiu nosso caro pensador, "uma sociedade politizada anda, evolui".

domingo, 20 de julho de 2008

Poder

Detenção de poder deveria implicar em posse de sabedoria.

O poder corrompe as pessoas? Dizem por aí... Discordo! Corrompe as pessoas apenas o poder efêmero, não conquistado pela potencialidade, mas por algum outro mecanismo escuso insustentável.

Afinal, se realmente detemos o poder, estamos isento de qualquer influência insidiosa. Aliviados de pressões temos condições de exercer o mais elevado espírito humano.

Todo discípulo de alguma arte marcial oriental, como o judô, aprendeu bem a lição, quando conduzido por bons mestres, de que seu conhecimento jamais deve ser usado levianamente.

Contrariando a convenção, reis conquistariam pela proposição, não pela imposição. A força se faz desnecessária. Recolhida a sua detenção, não precisa ser utilizada. Platão sintetizou a fusão destes elementos na idéias rei-filósofo.

Infelizmente, nem todos têm bons mestres, ou são bons alunos, para conquistar seu potencial, ou estar preparado para bem usá-lo. Senhores do mundo atual não conseguem, ou nem querem, resolver problemas comuns a imensa massa de pessoas, mazelas antigas a lançar milhões de pessoas em inferno cotidiano.

Termina a cargo de grupos como os Médicos Sem Fronteiras, instituição internacional de socorro humanitário, procurar atender às necessidades destas populações. Dentre suas diversas atuações, a recente missão ao Quênia, na fronteira com a Somália, é um emblemático exemplo da coragem daqueles profissionais da saúde.

Nas palavras do Dr. David Oliveira, em telefonema ao padre Júlio Lancellotti, se evidencia a crítica situação vivida naquela região. Com acampamentos lotados de pessoas refugiadas, foi necessário definir um critério para atendimento das crianças pelo diâmetro de seus braços. Apenas as com menos de 2,5 cm conseguem ser recebidas! As outras são consideradas com condições de sobrevivência...

Miserável condição, de vida e trabalho. Emergência humanitária, conseqüência do descaso dos poderosos do nosso globo. Pelas ruas e campos do mundo, grupos de voluntários demonstram a disposição e força do maior poder: o poder do amor humano.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Igualdade

Todos somos iguais?

Vivemos democraticamente. Somos uma democracia. Desde sempre somos doutrinados a acreditar que a voz do povo é a voz de Deus, para demonstrar o poder dos comuns.

Os gregos começaram com essa história de democracia. Todo cidadão tinha poder. Só esquecemos que para ser cidadão, em sua época, era necessário ser homem, com certa idade e possuir certa condição econômica.

Pontuou acertadamente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo da revista Época, edição especial de 10 anos, ser um dos grandes problemas nacionais a desigualdade.

Começamos desiguais pela existência do foro privilegiado. Incoerência constitucional fundamental, afinal nossa carta magna, em seu quinto artigo, rege: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade".

Persistimos na desigualdade no acesso à justiça. Sem dúvida todos podemos acessá-la, mas alguém duvida da diferença em possuir bons advogados? A condição econômica pessoal influi no equilíbrio da igualdade perante a suposta justiça cega. Dinheiro pode cegar a justiça.

Condições educacionais também nos diferenciam. Direito básico constitucional (sexto artigo), vales gigantescos distanciam instituições de ensino particulares e públicas, no Sudeste ou em outra região. Exemplo de diversidade indesejada e distorcida.

Em poucas linhas, ficamos apenas nas claras vias da diferença. Se nos permitirmos pequeno espaço de observação, podemos, tão rapidamente quanto, destacar inúmeras situações para as quais a proximidade com o poder político ou econômico pode abrir atalhos escusos e facilitados.

Ser parte de um grupo pressupõe identidade. Identificação exige sentimentos de igualdade. Sem igualdade, o comum se esvai, fica sem dono. Mais triste e agravante ainda é perceber que as pessoas, mesmo inconscientemente, aceitam sua condição desfavorecida.

Perpetuar os mecanismos promotores da desigualdade corrói a solidez de pilares da sociedade brasileira. Opções feitas, precisaremos nos esforçar para universalizar nosso conceito de "cidadão".

domingo, 11 de maio de 2008

Escultora

Escultoras de almas, a responsabilidade das mães é imensa!

Certo dia, o pequeno Carl Sagan chegou da escola e contou a sua mãe: "Sabia que se cruzarmos o oceano, do outro lado chegaremos à África?". Em resposta, sua mãe lhe questionou por que ele acreditava ser essa a verdade.

Nascia certamente, naquele momento, o espírito questionador do cientista. Espírito que o acompanhou por toda vida e o fez reconhecido como grande divulgador do pensamento científico e dos segredos do universo.

Quem assistiu ao filme "Ray", com a biografia de Ray Charles, pode ver como mesmo a dureza materna é transformadora. Sua mãe, desde os primeiros problemas do filho, educou para não aceitar tratamento diferenciado por sua deficiência.

Tornado músico de renome mundial, percebemos a força incutida em sua infância por quem foi dura por amor. Outra atitude o teria lançado na escuridão da autocomiseração. Sua mãe lhe trouxe à luz uma segunda vez, foi "raio" divino definitivo.

Tom Jobim, como descrito em sua biografia, de autoria de sua irmã, foi agraciado com mãe provedora, de cultura e comportamento. Em um episódio emblemático, ela estava com os dois filhos pequenos em um bonde, quando a pequena, balançando os pezinhos, lançou o sapatinho na rua.

Ao perceber o ocorrido, a mãe rapidamente pegou o outro sapatinho, tirou-o e jogou-o na rua. Questionada pelo feito, ela respondeu: "assim pelo menos quem encontrar, encontrará o par para poder usá-lo.".

Por toda a infância, Padre Júlio Lancellotti viu sua mãe trabalhar por crianças e pessoas desfavorecidas. Provavelmente a acompanhou em muitas jornadas. Formado pedagogo e sacerdote, que outros caminhos ele escolheria no seu trilhar da vida?

Imensa responsabilidade a materna! Missão divina e sublime na construção da sociedade. Tamanha inspiração só podia ser comemorada mesmo no dia de Pentecostes. Amor de mãe sem dúvida é dom do Espírito Santo.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Idosos

Experiência de vida deveria ser mais valorizada.

É intrigante o crescente descaso com as pessoas na terceira idade. Nem mesmo as graciosas atribuições "Feliz Idade" ou "Melhor Idade" são capazes de contribuir para uma melhora.

Curiosamente, todos temos ternas memórias de pessoas idosas (pelo menos espero e acredito nisso). Quem de nós, da penúltima geração, não guarda a carinhosa imagem da Dona Benta?

Monteiro Lobato provavelmente teve semelhante maravilhosa minha oportunidade de ser acolhido no colo da avó. Emanação contínua de ternura, concebível somente pela dupla jornada de maternidade.

Desafortunadamente, os humanos tendem a desprezar o comum, o acessível, o corriqueiro. Em nosso passado remoto, a expectativa de vida era muito pequena. Existir era necessário apenas até cumprir sua função reprodutiva. Duas décadas eram mais do que suficiente.

Em passado não tão remoto, a expectativa pouco evolui. Considerando o aumento de pouco mais de uma década, a vida até o século XIX ainda era muito dura. O último século representou grande evolução no prolongamento de nossa existência.

Dessa forma, anteriormente pessoas com idade avançada eram casos raros. Motivo de admiração e mistério. Ganhavam ares de efeito divino. Terminavam responsáveis pela transmissão de conhecimento. Guardiães da cultura humana e de nossa sabedoria.

Pessoas centenárias são atualmente casos não tão raros. Até o Brasil já contabiliza um considerável número dessa parcela da população, cerca de 15.000 indivíduos. Os idosos, mais presentes e comuns, passam a perder prestígio. Erro incomensurável e fatídico.

Nem todos somos sábios, mas todos representamos uma célula indispensável do organismo humanidade. No mínimo, aos mais céticos, vale a lembrança da Teoria do Caos. Se chegamos aqui, foi com a pequena contribuição de todos. Imagine a contribuição de alguém com longa experiência de vida.

Numa realidade mais dura, nossos idosos contribuem até mais do que se imagina. Pais trabalham, enquanto avós cuidam. Muitas famílias dependem das parcas aposentadorias dos mais velhos na formação de sua renda mensal. Mesmo assim idosos continuam com aura de estorvo...

Reverter tal situação é inevitável. Ação paulatina e essencial. A grande tribo global precisa acolher seus anciãos, pilares da gigante família humana.