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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Plastiki

O que os olhos não veem o coração não sente...

Muitas vezes, depois que veem, o coração fica apertado, causa dores na consciência, das consequências desapercebidas pelos atos de contínua inconsciência.

É o caso da relação com o meio ambiente. Cada papelzinho, cada dispensa exagerada de lixo, cada consumo descontrolado de bem natural, some no espaço e no tempo, como se nem tivesse acontecido.

Se cada habitante do planeta pudesse dar um "giro" pelo Giro do Pacífico, talvez ficasse sensibilizado com os depósitos que fazemos na contabilidade da estabilidade ambiental.

A maior parte de seus componentes é plástica. Garrafas, garrafões, potinhos, seringas, sacolinhas, inúmeros alienígenas que certamente não nasceram ali, nem mesmo deveriam terminar sua existência por aquelas bandas.

Um imenso cemitério de PET, e outros plásticos, meio como um cemitério de elefantes. Recipientes de líquidos desta família, em sua maioria, ao final da vida, procuram misteriosamente o caminho de seu último destino, meio que por instinto, sabedoria congênita.

Em 1997, na volta de uma regata, o velejador americano Charles Moore passou pela tal região no Oceano Pacífico e constatou a situação da região, relatando suas observações em uma revista científica, cerca de dez anos depois. Há certa até hoje certa indefinição de suas reais dimensões, mas é inquestionável sua proporção alarmante.

Seu relato sensibilizou o aventureiro inglês David Mayer de Rothschild, conhecido por desafios e explorações por toda a Terra. Ambientalmente engajado, este decidiu realizar uma viagem, em um barco feito de material reciclável, movido a energias renováveis, para alertar das necessidades de mudanças significativas em nossa atuação com a natureza: a expedição Plastiki.

Fundador da Adventure Ecology, ONG promotora de projetos que aliem aventura com ecologia, sua iniciativa poderá chamar a atenção para os esquecidos pequenos descasos do cotidiano. Serão muitas garrafas PET, milhares de quilômetros, energia eólica e solar.

Nem todos podemos dar um giro por lá, nem talvez constatemos presencialmente sua existência, mas que está lá, está. Memorial da nossa incompetência em gerenciar os recursos que recebemos de graça. Importante alerta para como decisões do dia-a-dia influenciam, e influenciarão, os rumos da vida de a humanidade.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Pet

"Troque seu cachorro, por uma criança pobre..." [1]

Rock da Cachorra, Eduardo Dusek, década de 80 e o alerta estava feito. Há quase 30 anos, o exagerado dispêndio de recursos com animais de estimação já incomodava muita gente.

Em um país de tantos miseráveis, a situação parece não ter melhorado nem um pouquinho. A invasão dos negócios para nossos bichinhos, o mercado "pet", é visível por todos os cantos.

Por exemplo, aqui no Belenzinho, antigo bairro paulistano, chegamos ao ponto de termos quase mais pet shops do que pizzarias! Tão próximo a Mooca, repleta de italo-descendentes nascidos na terra da garoa, isso chega a ser uma ofensa...

Um dia tive meu companheiro fiel. Guardo alegres lembranças da infância com as bagunças do amigo canino. Relação saudável, grande aprendizado, mas exagerar nos mimos e "pessoalização" seria uma agressão a sua natureza animal.

Banhos de ofurô, com pétalas de rosas, sais e aromas, para descanso e relaxamento? Com variação entre R$ 30 e R$ 40, em Joinville, a Cia Bichos oferece tal regalia, além de planos de saúde, planos de estética e outros. Batizam os abastados animais de VIP, Very Important Pets...

Bolos, pães, biscoitos, chocolates e donuts? Nossos melhores amigos contam até com quibes e esfihas, artesanais, com ingredientes 100% naturais e sem conservantes. A alimentação saudável é oferecida pela Dog Bakery, em São Paulo, com preços entre R$ 5 e R$ 50 (no caso de alguns bolos).

Reconstrução de pelagem com queratina animal ou vegetal? Profissionais de estética estão disponíveis para o tratamento na Friend Dog, no Rio de Janeiro, com preços de R$ 10 a R$ 25 por sessão. Mesmo com a justificativa de problemas com pêlo poderem revelar deficiência ou carências nutricionais, a valorização da estética aparenta estar em primeiro plano.

Outros tantos exemplos podem ser vistos. Até estadias em hotéis com diárias de US$ 145! Os tempos de quintais gelados já passaram para uma pequena parcela da população animal... Dureza é comparar com a situação da grande população de rua, em nossas grandes cidades, que nem quintais têm para dormir.