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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Instant

Instantâneo é tão bom assim?

Poucos meses se passaram desde o lançamento do Google Instant, com mais ou menos evidência, mas poucos se recordam ou notaram.

A proposta do mecanismo de buscas é ousada, afinal chega a espantar só de pensar na estrutura e tecnologia envolvidas para prover o serviço.

Costumamos imaginar as ferramentas como se nós estivéssemos usando-as sozinhos, porém o recurso em questão é usado ao redor do mundo, simultaneamente, por incontável número de pessoas.

Apresentar resultados parciais com velocidade incrível, quase instantânea, meio que adivinhando nossas intenções é um esforço hercúleo.

E para quê? Agilizar nossa existência digital, já tão pragmática e veloz? Otimizar a utilização dos infraestrutura do mecanismo? Expor um diferencial frente os concorrentes, afinal de contas quem imaginaria que ainda havia o que inovar na área de buscas?

Já devem estar se perguntando qual será o destino final do botão "Pesquisar"... Aliás, até o fatídico "Estou com sorte" fica insignificante frente a tanta instantaneidade. Não duvidem de que, em breve, o Chrome apresentará páginas antes de terminarmos a digitação da url.

Fico a pensar se conjugássemos essa tecnologia advinha a algum mecanismo de interface cerebral, dos muitos anunciados em notícias científicas. Interface direta e instantânea com sinapses! Talvez fosse o próximo patamar de desafio à velocidade do gigante de pesquisas.

A Skynet vai ganhando forma, se tornando um imenso e vivo organismo digital. Suspeito que começa a nos conhecer mais que nós mesmos. Apesar de embrionária, a incipiente inteligência digital ganha forma, mas quase ninguém atenta para o fato. É só ficção...

Mas ainda resta a pergunta do "para quê"? Não nos basta a superficialidade e falta de foco em muitas das nossas interações com a grande teia universal? Encontramos frequentemente artigos sobre as mudanças em nossa formação decorrentes do convívio com a Web.

Por sinal, esse cenário vem de encontro com a "miojização" cultural proposta por Mário Sérgio Cortella. No fim, nos resta apenas conformação com esse macarrãozinho instantâneo digital. Quanto sabor!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Morse

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Dias atrás, eu escrevia sobre o crescente hábito do instantâneo entre nós. Nesta segunda-feira é comemorado o aniversário de nascimento de Samuel Morse, mais um dos responsáveis por essa noção.

Suas criações, o código Morse e o telégrafo, encurtaram distâncias, reduziram o tempo e permitiram a comunicação mais instantânea e direta do que antes imaginado.

Intrigante conjunto de traços e pontos, o alfabeto minimalista otimizou o uso das linhas de transmissão e permitiu o contato rápido entre lugares muito distantes.

Fruto do interesse científico do seu criador, ao participar de uma conversa sobre eletroímã, envolveu longa dedicação até a obtenção de um código funcional.

Linguagem multimídia, afinal pode ser transmitida em diversos meios: pulsos elétricos por cabo, ondas mecânicas, sinais visuais ou ondas eletromagnéticas, se mostra prática e útil nas mais diversas situações.

Apesar de ter passado por inúmeras formulações, utilizada em guerras ou aplicações comerciais, sobrevive há mais de 100 anos. Radioamadores e escoteiros ainda aprendem e fazem uso, mantendo viva esse alfabeto pictórico, meio hieróglifo.

Nem é preciso uma pedra da roseta para conseguir traduzir mensagens codificadas. Muito menos a dedicação em aprender e exercitar a tabela. Há diversas versões de site para tradução, onde basta digitar o texto, em um código ou outro, e receber na outra codificação.

Bom lembrar, é claro, que pouco adiantará se você estiver em algum lugar distante de um computador. Perdido em alguma ilha deserta, seu iPhone ou iPod Touch será de pouca valia, afinal qualquer antena estará longe demais para um contato... Convém aprender pelo menos o código para S.O.S..

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Polaroid

"Deixa eu ver se foto ficou boa?".

Câmera digital, monitor de LCD? Que nada! Apesar de poder se encaixar na situação, a frase acima já era usada muito antes das imagens serem transformadas em bits.

Pois é, ainda em tempos de fotografia no papel, o desejo de consumo de muitas pessoas foi uma câmera Polaroid. Por um tempo, privilégio para poucos.

Para quem nem conheceu, este tipo de câmera era um pouco trambolhona, com ares um tanto fakes por causa de seu corpo em material plástico.

Só que parecia mágica! Bastava apontar, enquadrar e pronto. A traquitana cuspia uma folha de papel fotográfico, ainda com algumas sombras, que demorava um certo tempo para apresentar a imagem final.

Ritual comum de ficar abanando aquela folhinha, à espera do processo se completar. Se levássemos em conta os segundos, ou minutos, para ocorrer a revelação, seria difícil justificar o adjetivo instantânea.

O fato é que funcionava. Duro mesmo era manter os insumos para realizar essa maravilha tecnológica. Conheço uma pessoa que ganhou uma da avó. Os pais logo cobram o complemento do presente de grego: um suplemento periódico de suprimentos.

Marcou época e lembranças. Nem sei se as fotos duraram tanto quanto as recordações. Já ouvi pessoas reclamarem da perda destes registros, apesar de que mesmo em fotos convencionais, dependendo do processo de revelação e ampliação, as perdas também ocorriam.

Águas passaram, eras tecnológicas transcorreram e o ícone chegou ao fim. Desde o ano passado, está anunciado o fim da produção dos filmes para as tais máquinas. Fim certeiro de uma história de pouco mais de 60 anos.

Porém, sempre há os saudosistas. Alguns têm dinheiro. Três fãs endinheirados da máquina, contrataram nove ex-funcionários, compraram e reassumiram a ideia da empresa. Prometem a reativação da fábrica em 2010, de acordo com seu projeto batizado de "Missão Impossível".

Caso específico num universo de constantes inovações e busca insana por cada vez mais megapixels. Tarefa hercúlea, com grandes chances de insucesso. Seja como for, é interessante assistir estes sinais de retomada, de tentativa de preservação, de alguns verdadeiros heróis da resistência.