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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Miojização

"'Miojização' da vida - uma vida miojo - onde tudo é instantâneo".

Leitura matinal, alerta provocador, li a frase acima em entrevista da revista Showroom, da Assobrav, com o professor Mário Sérgio Cortella.

Alguns chamam de sincronicidade, outros de mera coincidência, mas tenho me deparado inúmeras vezes com as ideias do professor desde que ganhei seu livro "Qual é a tua obra?".

Ou ele está mais presente nas diversas mídias, ou eu passei a prestar mais atenção em seu nome. Seja como for, suas pontuações sempre acabam em reflexão ou inquietação.

Na questão miojo, é duro constatar o quanto "instantaneamos" nossa vida. Elaboramos as mais diversas formas de obter itens básicos do quotidiano com imediatismo assustador.

Comidas de preparo instantâneo são conhecidas de muito tempo. Uma água quente, uma misturada rápida e está pronta para comer. O forno micro-ondas possibilitou que mesmo os alimentos convencionais fossem preparados quase instantaneamente, ou no mínimo a refeição requentada rapidamente, o que dá quase no mesmo.

Máquinas polaroid também já fazem parte da história, mas começaram a linhagem da instantaneidade. Com a fotografia digital, para ser mais instantâneo, só se a imagem fosse apresentada no ar logo após o registro, sem a necessidade de apertar algum botão do equipamento para revê-la.

Para localizar uma pessoa instantaneamente basta ligar para seu celular. Nem adiante dizer que não possui. Tudo mundo tem um. Está lá, a qualquer hora, em qualquer lugar, à disposição de quem quiser encontrar. Normalmente os interlocutores esquecem até de perguntar se a pessoa pode atender. Questão de educação.

Mensagem eletrônicas, o fatídico e-mail, transformaram a comunicação escrita em outro instantâneo. Ninguém mais lembra de alguns dias para uma carta chegar, ou semanas para atravessar continentes. O limite da velocidade é a reação do apertar da tecla enter.

Nem os posts de blogs escaparam da miojização. O Twitter é o macarrãozinho dos registros digitais diários. Poucos caracteres (só 140), poucas ideias e um montão de exibição, para não dar nem tempo de reflexão ou aprofundamento.

Curiosamente todo mundo come miojo, principalmente no aperto, mas sempre reclama. O sabor é aquela tranqueira mesmo, a quantidade é pouca, nem sustenta. Só que as pessoas ainda assim continuam se sujeitando. Alguém vai acabar suspeitando de um componente viciante na sua composição.

Somos estranhos assim. Reclamamos, mas continuamos. Agimos da mesma forma com os outros instantâneos da vida. Deve ser algo na nossa genética, evolutivo. Estaremos fadados a contínua degradação de nosso cotidiano? Espero ter uma vida menos instantânea para ter tempo de descobrir.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carpir

"Carpe Diem!"

Quando tomei contato com a expressão pela primeira vez, esta me chamou muita a atenção. Percebia certa dualidade de sentidos, entre apreciar os momentos da vida ou usufruir o presente um tanto quanto inconsequentemente.

Lembro de tê-la ouvida no filme "Sociedade dos Poetas Mortos", mesmo sem me recordar do contexto. Nos arroubos da ânsia juvenil, o lema evocava muitos sentimentos, mesmo sem conhecer a origem.

Foi como um acordar para a sutileza da vida, sua finitude e a importância de saber valorizá-la. Encontrar os bons sabores que podemos obter no cotidiano.

Recentemente, ao ler um livro, conheci uma outra tradução para a expressão. Oriunda do filme, pelo menos eu acho, ouvia a frase como "curta o dia".

Pois bem, no tal texto, encontrei como "colha o dia". Pode parecer besteira, mas um sentido mais forte se fez presente. A colheita remete à reflexão maior, ao senso de maior consciência no ato, com o objetivo de receber os frutos da vida.

Colher requer preparo e disponibilidade. Conhecimento da técnica e do tempo corretos. Experiência para olhar o campo e decidir que aquele é o momento ideal, sem deixar passar o tempo e perder a boa oportunidade.

"Carpe" também me lembrou o ver carpir. Uma relação mais profunda. Carpir o campo, limpar o terreno, pede cuidado. Carpir se relaciona diretamente com cuidar, tomar conta, preparar. Se desejamos boa colheita, devemos nos preocupar e pensar antecipadamente na lida com o solo.

Bons frutos não caem do céu simplesmente. Pressupõem empenho e avidez, para plantá-los e saber colhê-los. Longe do pragmatismo e da inconsequência, as palavras de Horácio são um alerta para podermos aproveitar os bons momentos da vida.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Destino

"Ducunt fata volentem, nolentem trahunt".

Peça jurídica? Não, apenas a afirmação em latim de Sêneca, pensador romano, traduzido como "o destino guia aquele que o deseja; ao que não, ele arrasta".

Em sua concepção, nosso destino está traçado e imutável. Resta-nos aceitá-lo ou rejeitá-lo, apesar de ser indiferente. Continuará a ocorrer como programado...

Estaríamos tão sujeitos assim aos desígnios do acaso? Tão determinado nem caberia mencionar acaso... Ficariam tais determinações gravados no tecido do espaço-tempo?

Resisto a concordar! Fazemos a nossa história, pelo menos é nossa visão soberba ocidental. Poderosos e orgulhosos da condição humana, conduzimos o mundo para guiar a caminhada.

Por outro lado, temos de admitir que o controle é bem menor do que gostaríamos. Lembramos a metáfora do barco no rio, conduzido pela correnteza. Possuímos tão somente condições de influir um pouco nos rumos tomados, dar algumas remadas para compensar as marolas.

Estamos sujeitos aos desejos da existência, aos resultados da intrincada rede de eventos à nossa volta. Teia a nos envolver, emaranhar incondicionalmente. Então, combateria o sentenciar do filósofo dizendo que a sorte não está pré-determinada... Infelizmente não nos cabe determiná-la completamente.

É questão de sorte. Aliás, confusão comum, daqueles que associam a palavra a algo bom. Sorte é destino, conjunto de ocorrências particulares a cada pessoa. Boa ou má continua sendo sorte. No caos cotidiano somos sorteados com oportunidades e desafios.

Escolhas feitas, oportunidades aproveitadas ou perdidas, vamos trilhando um caminho interligado de pequenos pontos em infinitas variáveis. Nem mesmo com a plena compreensão da Teoria do Caos julgaria que somos capazes de definir ou prever algum futuro.

Sina da obsessão por controle. Deveríamos amenizar os anseios de dominar, condições e situações, eliminar incertezas. A única certeza é que estamos destinados a viver. Façamos da melhor maneira possível!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Pureza

Visando a perfeição, buscamos a pureza.

Para um preceito ancestral, embutido na natureza humana... Associamos uma ideia de purificação, de limpeza, a algo melhor, aprimorado, sem máculas ou imperfeições.

Culturas e civilizações inteiras almejaram a tal pureza e, para isso, elaboraram códigos de leis e condutas. Elaboradíssimos, complicados ao ponto de qualquer pessoa comum ter dificuldades para conseguir cumpri-los.

Vinculados a questões de aspecto físico, se preocupam com condições de nosso corpo. Sugerem uma fuga dos "medos" da vida, associando-os a sangue, morte... As mencionadas "imperfeições".

No dever de seu cumprimento, segregam incondicionalmente os impuros. Marginalizam quem não dispõe de condições no cumprimento das regras, ou nem ao menos consegue compreendê-las. Mecanismo desonesto para o privilégio de poucos.

Como se os elementos da vida pudessem ser separados. Como se houvesse mérito ou demérito nas casualidades do destino. Como se os ciclos naturais, os fatos da existência, fossem questão de escolha. Isso tudo sem se ater a qual pureza de fato importa.

Inevitável escolher a pureza da alma e do coração. A pureza de intenções e princípios, de escolhas a nortear o dia-a-dia. O prumo para discernir entre dois caminhos, duas alternativas, todas as vezes que nos forem apresentados.

Dom a ser preservado! Nascemos assim. Recuso-me a acreditar o contrário. Perdemos essa essência aos nos deixar levar pelas vicissitudes do cotidiano. Permitimos a corrupção do espírito humano, em troca da comodidade e conforto da condução pela corrente do rio.

Descobrir a beleza de tal pureza passa pelo encantamento com a sinceridade, a fraternidade e a simplicidade. Em meio às escolhas possíveis, vale a aposta escrita por Gonzaguinha: "Eu fico com a pureza da resposta das crianças. É a vida, é bonita e é bonita..."!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Depois

A cada ano, outro marco.

Todo ano tem seu momento, sua distinção especial, a fonte de sua unicidade. Marcados por bons ou maus acontecimentos, farão parte de nossa memória para sempre.

Se me perguntarem o meu marco deste ano, não demorarei um segundo para tê-lo na ponta da língua. Nem preciso justificar tanto, afinal a paternidade recente dificulta esconder as escolhas.

Na vida amadurecemos e vamos ganhando novos olhares, diferentes ângulos de visão. As prioridades mudam, as perspectivas mudam, as preocupações então...

Maravilhosa descoberta de mundos desconhecidos, repletos do mais autêntico júbilo de emoção. Tudo muda tão repentinamente que nem percebemos! Só depois de algum tempo, olhando para trás, nos damos conta.

Ontem, acompanhado da minha "mudancinha", do meu marco deste ano, ouvi uma música que também ganhou nova perspectiva. Provavelmente foi composta com outro fim, mas se encaixou perfeitamente em meus sentimentos recentes.

Deve ter relação com a arte, desconhecer o alcance e o significado que pode ganhar. Releitura constante a cada intérprete, tal qual a arte de viver. Na falta de melhores palavras, mais uma vez faço minhas as palavras da compositora.

Cantada [1]
(Adriana Calcanhoto)

Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?

Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve
Uma canção como esta?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas?
Pra que servem as ruas?
Depois de ter você...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Realeza

Para que tanta sofisticação neste mundo?

À medida que criamos novos mecanismos para o cotidiano, desenvolvemos mais tecnologia e conhecimento, parecemos "empetecar" mais e mais nossa vida.

Quando nos damos conta, estamos imersos em um sem-número de necessidades não tão necessárias. Cercamo-nos de supérfluos, dos quais nos tornamos dependentes.

É o tal do apego... Sábios nossos irmãos orientais! Já há muito tempo, em muitas de suas correntes ideológicas, aprenderam os grandes benefícios provenientes do exercício do desapego.

Precisamos mesmo das últimas novidades das vitrines? Sejam elas equipamentos, roupas ou qualquer outra traquitana? Qual a essencialidade de serviços adquiridos, para uso esporádico?

Mas tentemos nos desvencilhar de qualquer um deles... Vozes múltiplas circundam nossas cabeças, recitam inúmeros motivos para justificar a manutenção de tantas futilidades.

Indo além do abrigo, alimentação e proteção, enchemos de valor pedaços de diversas coisas... Desvirtuamos e perdemos a referência de seus valores, seus custos. Mas qual é realmente seu verdadeiro e intrínseco valor? Qual a medida de sua importância?

Perdidos na avaliação, abandonamos elementos recheados de enorme valor. Pense na alegria imensa do ato de partir um bolo, comemorativo, e partilhá-lo com familiares e amigos. Simples e riquíssimo, dos mais gratificante sentimento de júbilo.

Esquecemos do simples gesto de ajudar alguém necessitado, com um prato de comida. Perdemos a chance de descobrir o imenso valor do olhar de retribuição, única moeda de troca para um faminto desesperançado, mas de alta cotação dentre todas as moedas.

Sem tantos desejos, tantas vaidades, seriam muito menos angústias, muitas menos frustrações. Objetivamente, seria mais simples. Real simplicidade elevada ao grau de realeza, digna da soberania de todo ser vivo, especialmente o ser humano.

Anunciar essa simplicidade é a grande mensagem do Natal. Sugerir a todos que há um caminho mais fraterno e humano, mais singelo. Mostrar que mesmo um menino indefeso, pobre e sem abrigo, pode ser rei e mudar o mundo!
Feliz Natal!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Unificação

Odisséia humana infindável, carecemos de unificação.

A ciência busca há muito tempo uma "Teoria da Grande Unificação". Representação máxima do universo conhecido, seria de pouca utilidade para nossa necessidade imaterial.

Dicotômicos que somos, começamos por precisar a nos unificar. Conciliar os distintos ímpetos naturais e racionais, dissonantes em sua maioria, mas irritantemente presentes.

Outra carência é de nos unificarmos, como grande corpo da multidão de iguais, em natureza. Aceitação da inutilidade dos esforços contrários entre semelhantes.

Em menor escala, a mitologia grega já discorria da separação das pessoas. Mito voltado à união de duas pessoas, seres poderosos foram separados em dois, por enfrentar os deuses, ou pelo menos lhes oferecer risco. Passam a eternidade buscando sua metade, tentando se recompor.

Por fim, necessitamos da reconexão com o divino, com a espiritualidade e com o universo. Só assim reconheceremos a unidade, a familiaridade a nos levar para o respeito à vida, à existência. Integraremo-nos ao fluxo contínuo da criação.

Daí se explica religião, religar, um grande movimento pela reunificação. Só devemos estender nosso entendimento para além do divino, ou talvez entender o divino como algo extremamente cotidiano, próprio de cada um.

No filme "The Matrix", a remoção de determinados indivíduos da tal Matrix parece cisão, isolamento, desconexão. Desconectados estavam enquanto isolados em seus casulos de produção de energia, enquanto simples unidade de baterias alcalinas descartáveis.

Removidos da condição de isolamento, forma reintegrados a situação de consciência, unificados ao livre-arbítrio, "condenados" a desejar a unificação de todos. Cientes da força de união, não pouparemos esforços em criar um grande ser universal, feito de todos nós, aglutinados em um imenso encontro de amor e fraternidade.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Celebração

Faço questão de celebrar a vida.

Certamente poderia todos os anos mencionar pelo menos uma vez tal celebração. Discorrer sobre a gratificante alegria de comemorar outro ano de caminhada.

Celebrar é um ato diário, sem dúvida. Talvez a expressão mais adequada seja comemorar. Reservar para aquele dia um momento especial de parada e comemoração.

Nunca esquecerei os preparativos, sempre com o apoio e colaboração de familiares. A festa começa aí, na união para preparar e deixar tudo em ordem para os convidados.

Da escolha dos quitutes ao cozimento das iguarias, um dia de baita correria e bastante expectativa. Normalmente já é momento de agitação. Com novas incumbências paternas, aprendi que a correria fica muitas vezes maior.

Ainda bem os mais velhos estão por perto, para apoiar e aconselhar. Observam nossos passos com os olhos de quem já conhece o trajeto... Nós, os mais novos, vamos aprendendo a ganhar mais uns braços, dar conta de mais algumas tarefas. Envelhecer nos presenteia com mais sabedoria.

O impressionante é que, por mais que eu programe, planeje e antecipe, sempre aparece algo de última hora, um enfeite faltante, uns descartáveis a mais, alguma coisa para me atrasar e me impedir de estar pronto na hora.

Felizmente, com família e amigos isso não é problema. O importante é chegar! A partir daí tudo é passado (aliás, quando não é?), o aperto no tempo, o calor da cozinha, o sobe e desce de escadas, a arrumação de mesas, encanações com horários e lugar.

Chega o esperado momento de reunir e confraternizar. Conversar bastante, rir muito, comer e beber bem e se divertir alegremente. A aura da festa transforma a vida, irradia o doce sabor do amor fraterno, da comunhão de vidas.

Jamais cansarei destes momentos. Sempre serão únicos e lembrados eternamente. Só posso torcer para repetir tudo o ano que vem. Agradeço pela oportunidade de encontrar e confraternizar com tantas pessoas queridas, velhos e novos conhecidos. E viva a vida!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Idade

Idade, incansável colecionar de anos...

A atenção às passagens da vida marca a todos nós. Observamos o rio da existência correr, contabilizamos os segundos de nossa existência e criamos expectativas.

Antes dos 18 anos, o ritmo parece lento, demora a chegar, principalmente depois que passamos da adolescência. Queremos crescer, desafiar, independer.

Aos 20 e poucos nem percebemos, queremos mais é viver. Pouco importa quantos são, como são, mas quanto mais, melhor. Sorvemos cada gota de experiência a nosso alcance.

Mais à frente começamos a refletir, a planejar. Como será dali em diante? De que forma poderei conduzir? Poderei? Curioso... Pouca diferença faz sermos conscientes ou não, reflexivos ou não. A vida passa do mesmo jeito, mas a experiência adquirida nos altera, nos transforma, nos provoca.

Para alguns é uma época de fuga. Fogem dos anos adquiridos, como se fosse possível. Tentam até frear o ritmo, mas ele é implacável, igual para qualquer pessoa. A diferença fica por conta de saber aproveitar, não adiar, só que a fuga atrapalha a visão, esfumaça os horizontes.

Ainda não conheço as idades mais avançadas. Aliás, conheço apenas pelo convívio com os entes queridos mais velhos. De grisalhos a cabelos completamente brancos, contatamos as mais diferentes realidades.

Realizações infindáveis, vidas multiplicadas, alicerces da história humana. Cada indivíduo marca com suas marcas os acontecimentos. Marcas de histórias, paixões, felicidades, desafios, tristezas. Todos os ingredientes e riscos inegáveis da aventura de existir.

Gosto daqueles olhares que quase dizem: vim, vi e vivi, aliás, continuo vivendo! De alguém que aprendeu o segredo, que no desvelar de anos reconheceu a magia de ser. Um ar quase maroto nos olhos, um sorriso de canto de lábios, a dizer a importância e a alegria de estar pleno.

Pleno da alegria, de comprovar como é bom, de inspirar os posteriores, os seguidores, os mais jovens. Sinais do quanto vale a pena, do quanto é bom. Repletos da certeza de que a melhor maneira de aprender a viver é vivendo.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Alienígena

Há alguém mais ai?

Emocionalmente carentes e curiosos que somos, fazemos ecoar a pergunta pelo universo, na esperança que alguém ouça... e responda.

Será que na imensidão, na infinitude conhecida e desconhecida, somos os únicos privilegiados com a existência consciente?

Reconhecemos o quão são raras e intrincadas as condições para o surgimento da vida como conhecemos. Tão complexo jogo de forças que somos incapazes até de respeitá-lo.

O desenvolvimento do conhecimento científico, mas especificamente a Física, nos traz mais alguns complicadores, como se nossa pequenez já não bastasse.

Caso existam, outras formas de vida podem conhecer uma dimensão de tempo completamente diferente da nossa.

Uma civilização inteira veria sua história passar no breve momento da leitura deste post. Ou a totalidade de nossa passagem pelo universo não seria um ínfimo instante em suas vidas.

Poderiam também viver em dimensões espaciais plenamente invisíveis para nós, assim como nossas para eles. Acaso coabitaríamos esse lugar sem nunca nos perceber mutuamente. De repente, alguns avistamentos são flashs de aberturas das janelas entre nossos mundos.

Assunto para deliciar ufólogos pelo planeta. E chatear astrônomos e astrofísicos, mais preocupados com fatos. Porém, nossos instintos, da curiosidade ou da mania de grandeza, continuam a gritar para nos deixar a pulga atrás da orelha.

Verdade seja dita, por mais que tenhamos estudado, conhecemos pouco as profundezas da natureza. Segundo consta, 96% é matéria e energia escura, assim batizadas pois não fazemos idéia do que se trata, nem conseguimos detectá-las. Só supomos sua existência por mera contabilidade astronômica...

A dúvida permanece. Continuo participando do programa SETI, mas ainda nenhuma informação reveladora foi publicada. Pode demorar bastante... Resta uma certa esperança, que sejamos ouvidos e eles resolvam dar o ar da graça, um pouco mais claramente.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Picasso

"Não procuro, encontro".

Atribuída a Pablo Picasso, a frase revela uma perspectiva interessante frente à vida. Abordagem atenciosa, sem ser manipuladora.

É comum conhecermos pessoas que tentam controlar os rumos da existência. Pretendem ajustar todos os passos e contatos, ao longo da jornada, para obter determinado destino.

Insegurança humana! Desejo ancestral de controle do futuro, cravado no DNA homo sapiens, para possivelmente compensar fraquezas tão óbvias de nossa constituição.

Terminam esgotados por tentar vencer, continuamente, o invencível: o fluxo do rio. Custam a aceitar a condição objeta de nossa pequenez.

De maneira alguma isso deve refletir uma atitude derrotista. Alertas, estamos aptos a abraçar as possíveis conduções na navegação. Conscientes de nossa condição, ficamos preparados para melhor nos adequarmos às necessidades apresentadas.

Consciência é essencial! Optamos por deixa de procurar, mas precisamos saber reconhecer o que encontraremos pelo caminho. Sem saberem o que pode ser achado, as pessoas ignoram um turbilhão de oportunidades a desfilar em sua frente.

A obtenção da consciência exige preparo. Seu grau de habilidade está intrinsecamente ligado a seu esforço em se preparar. Preparação é trabalho duro, suado, mas prazeroso quando direcionado às nossas melhores aptidões.

Equilíbrio é ponto final. Como bem sabem nossos irmãos orientais, natural é estar integrado, fazer parte do grande mecanismo do universo. Plenamente conectados, jamais brigaremos com os fios e tramas do destino. Apenas os desfrutaremos...

Talvez essa seja uma boa definição para a inspiração: um enorme encontrar, sem jamais procurar. Encontrar orientado, esforçado e harmônico. No caso do pintor espanhol, que encontro frutífero! Se sem procurar ele produziu tão importante obra... Imagine se acaso tivesse procurado.

sábado, 22 de novembro de 2008

Integração

Bem-vindas as surpresas!

Recebi uma mensagem ontem, de um amigo, com um link para determinado post, de certo blog. O post tratava sobre a entrevista de um tal filósofo, chamado Robert Happé.

Desconheço a história desse filósofo, nem encontrei muitas referências a ele, apenas um site sobre seu trabalho e projetos. Um "auto-site".

Como bom filósofo, discorre sobre a vida. Sobre seu segredo, sem fórmulas comerciais ou anúncios mágicos. Somente a simplicidade de quem tem muita experiência.

Estranhamente, parece que precisamos viver para saber como que seria fazê-lo. Ao mesmo tempo, é gratificante conhecer visões sobre a existência. Ainda mais quando se assemelham, ou traduzem muito bem, várias de nossas convicções.

Em tempos de carência de mestres, vale a propagação de tão cativante discurso.









Ao amigo, meu muito obrigado pelo presente!

domingo, 16 de novembro de 2008

Graça

Somos todos cheios de graça.

Graciosos ou engraçados, tanto faz, pois me refiro a possuirmos dons, capacidades, concedidas a cada um de nós pela vida.

Nem sempre as reconhecemos, por vezes nos menosprezamos, nos sentindo incapazes de realizar qualquer coisa que seja. Um problema de auto-estima.

A Teoria das Inteligências Múltiplas procura responder o anseio por encontrar qual a especialidade, a habilidade, de cada pessoa, sem exceção.

Divididas em 7 inteligências, percebemos que o senso-comum da inteligência se concentra em apenas uma, mais adequada aos mecanismos sociais da vida moderna.

Recebemos da natureza aparato similar, com mais ou menos destaque em alguma qualidade. Seja como for, dificilmente alguém é 10 vezes mais capaz do que outra pessoa.

Deuses servem apenas para panteões! Idealizações para inspiração, desafio ou exemplo. Intimidados por modelos superlativos nos obliteramos, injustamente. Temor pela aceitação, mecanismo primal, nos condenando ao ostracismo.

Conscientes, ou ao menos avisados, de nossas potencialidades, nos sentimos responsáveis em lhes fazer jus. Independentemente de com quanto fomos agraciados, podemos produzir bons frutos com seu exercício. Universalmente, estamos aptos a contribuir com nossa participação.

Omissão é caminho destinado ao insucesso... De nada adianta guardar para si seus talentos, enterrá-los em algum lugar improdutivo. Cumprindo sua função, eles se multiplicarão. Escondidos, estagnados, terminarão motivo de cobrança da própria doadora...

domingo, 2 de novembro de 2008

Morte

Irremediável sina, tema indigesto.

Evitamos discussão ou simples menção deste fato da vida. Reclamemos o quanto quiser, mas o fim de qualquer coisa também faz parte desta.

Apesar de conscientes de sua ocorrência, e de nossa sujeição aos mandos da natureza, fazemos questão de esquecer, de deixar sua lembrança reclusa em algum canto menos importante da memória.

Alguns povos e culturas souberam melhor lida com a questão. No México, o culto aos mortos é marcante e culmina no festejo do Dia dos Mortos.

Nós temos o Dia de Finados, mas o cunho da tradição é um tanto diferente. O sentido da visita é invertido e soa com mais simpatia a relação com seus defuntos.

Sem clima de pesar, a celebração do dia revela a ausência de medos ou terrores provenientes da mensageira do destino. Por aquelas paragens, em festas animadas, decoradas e coloridas, um doce preferido das crianças são as caveirinhas de açúcar.

Não deixa de ser outra forma de relevarmos o assunto. Infelizmente a vida insiste em nos lembrar, por mais eufemismos que procuremos para escapar. A constatação é constante: todos estão sujeitos, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Mérito ou justiça inexistem. Ninguém merece ou fez por merecer. Ninguém escolhe ou pode recusar. Iludimo-nos procurando eleger alguma prioridade, principalmente por idade, embora saibamos ser mais natural.

Diante do inevitável, restam apenas os valores eternos da vida. Importa a plenitude de uma vida humana e realizada. Descobrimos alguns significados para a palavra felicidade. Aos atentos, a descoberta é antecipada pela mera observação do escorrer das águas da vida.

No dia de memória aos mortos, a reflexão é um bom exercício. Exercício para nosso engasgo, para nossa aceitação. A experiência, o tempo de vida, nos proporciona maior aceitação. Vivenciar a perda de alguns entes queridos nos caleja a alma e o coração.

O futuro sempre será incerto. Melhor a fazer na vida é viver. Viver plenos de nossos ideais e de nossa condição humana. De certo apenas o nascer e o morrer. No mais, devemos nos empenhar para cumprir as palavras do poeta e fazer com que seja eterno enquanto dure.

domingo, 12 de outubro de 2008

Crianças

Feliz Dia das Crianças!

Sejam da idade que forem... Todas as crianças sintam-se abraçadas! Que estejam repletas do amor e da proteção merecidas.

Celebrar as crianças em um dia do ano é celebrar novamente a vida. Vida tão relegada em tempos agitados, turbulentos, globalizados e um tanto quanto loucos.

Há ícone mais perfeito da energia vital presente no universo do que as crianças? Como gostam nossos amigos lusitanos, os "miúdos" são a expressão máxima do carpe diem.

Sem preocupação com o amanhã, seu desafio cotidiano é desbravar o mundo. Bem pequenos, através de suas mãozinhas e bocas, olhares atentos a tudo em seu redor. Aqui em casa brincamos que nossa pequenina está fazendo "download" da vida com suas janelinhas da alma.

Já um pouco maiores, enfrentam a vida com a experimentação, com a ousadia, de quem procura descobrir os meandros da existência através da tentativa e erro. Testam todos os limites, até o limite do enfrentamento paterno, lá pela adolescência.

De qualquer forma, é inegável que enfeitam e alegram o jardim de nosso cotidiano. Exalam o perfume da alegria, da jovialidade, do espírito supremo do universo, mesmo nos momentos mais "ranhetas".

Perco-me até no chavão, mas ninguém deveria esquecer seu espírito infantil. Toda essa profusão de ímpeto pelo ser. Defendo a ferro e fogo essa idéia... Meu afilhado, hoje com quase 14 anos, ainda ganhou presente neste dia.

Pode ser um pacote de guloseimas, mesmo porque seria o "maior mico" o padrinho aparecer com um brinquedinho, mas a intenção é lembrar. Celebrar o ser criança e não sentir vergonha. Crescer sem colocar a alegria e o amor de lado.

Em tempos de pânico econômico mundial, vemos as apostas feitas pelo mundo. Fiaram seu futuro apenas na ganância e no acúmulo. Talvez devamos lembrar, com o exemplo dos homenageados de hoje, melhores valores para confiarmos em nosso futuro, como a amizade e a fraternidade.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Versos

E continuou a escavação, com poesia a aflorar...

O poeta, plural e atemporal, descortina a vida magistralmente, em frente a nossos olhos, com leveza e simplicidade peculiar.

Grandeza guarda de sobra, mas singelamente nomeia palavras douradas como "Textos mínimos". Se vão três décadas, mas sua sagacidade revela a efemeridade de nossas tendências.

Textos mínimos
8.IX.1973

De repente fica na moda
não estar na moda.
Torna-se impossível
estar, estando.


Iluminado pela ciência disponível a poucos, percebe as incongruências de nosso modo de vida. Brinca com nossos valores e desvaloriza, ou melhor, revaloriza as escalas existentes. Altera a visão, busco novo ângulo.

Solto na jaula
o tigre observa
o Jardim Zoológico
do mundo.

Afiado em sua posição e fiado por sua importância, clama pela solução de problema antigo. Antigo e presente até hoje, apesar do tempo e da voz ecoada no passado. Sua rima esquecida, por desgosto ou interesse, ainda ecoa em tantos ouvidos.

Quando acabarem de consertar
este atrapalhado Rio de Janeiro
haverá morador
para o prazer de morar nele?
E haverá morada
para o morador?

Reformas antigas e necessárias, sabia ele descrevê-las com maestria. Bom humor e sinceridade à parte, via o erro chegar com tristeza, mesmo para um reino de alegria imensa. Alegrias a menos e tempo a mais, o problema persisti, sem ninguém revidar.

Carnaval Chegando
9.II.1974


Qualquer dia
decide o fisco:
Passistas
bateristas
destaques
mestres-salas
porta-estandartes
trabalhadores autônomos
da folia
devem pagar imposto de alegria

Ao fim, como análise certeira, contrapõe o cotidiano, preocupação rotineira. Jogo com palavras o balanço da vida. Destaca tão firme a justa medida.

Esparsos de 1976
Repetição

Aumenta o salário mínimo?
O custo de vida, máximo,
torna o mínimo mais mínimo
criando o mínimo máximo.

Ah, poeta! Quem dera eu poder transcrever, assim com quem nada querer, anseios, angústias de um bem viver. Licença prefiro pedir para, de minhas, suas palavras eleger.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Acaso

Reféns do acaso, nem imaginamos quanto lhe devemos.

Anteontem reassisti "Match Point", de Woody Allen. Oportunidade excelente para relembrar, retornar a consciência, como gostam os americanos, "realize", a influência da sorte em nossos rumos.

Sorte sinônimo de destino. Comumente as pessoas associam sorte com boa sorte. Ledo engano, pois há tanto boa como má. Depende da perspectiva dada ao nosso destino.

Pensando bem, dentre 300 milhões de semelhantes, por acaso chegamos ao óvulo, mesmo acreditando ser por nossas excelentes qualidades genéticas.

Reunidas as boas condições, o acaso ainda determinará se nos fixaremos na parede do útero materno, ou não. Ato mais improvável do que pode sonhar nossa vã filosofia. E tudo isso no ínfimo tempo de início da vida...

Sonho dos profetas apocalípticos, um grande corpo celeste pode colidir com o planeta e causar grandes estragos? Gostaríamos que não, mas pra felicidade deles o acaso pode providenciar.

Na verdade, já providenciou, em 1908. Naquele ano, um grande objeto caiu na Sibéria, destruindo 2.000 km2 de floresta. O acaso ao menos providenciou uma área desabitada para o evento, mas seus efeitos foram sentidos em regiões muito distantes.

Como mencionado no próprio filme, um grande segredo na vida e estar ciente do poder do acaso. Controlamos ligeiramente os rumos, com pequenos toques para corrigir algumas trajetórias, mas o grande motor jamais será domado.

Conscientes de nossa mísera situação, seguimos. Que mais nos resta? A maravilha ocorre com a apreciação dos presentes enviados pelo acaso. Qualquer outra ocorrência é conseqüência... Controlar o tempo, a natureza, manipular a vida habita somente na casa dos deuses. Mas aí é outro caso...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Filósofo

A filosofia vai onde o povo está!

De todos os lugares, quer melhor lugar do que um cemitério? Confrontar o destino final de todos, de vez em quando, supre nossos estímulos à reflexão.

Imaginem o confronto diário, então... É o caso do coveiro Osmayr, no Cemitério do Araçá. Adivinhem qual sua formação... Bacharel em Filosofia, pela Universidade Mackenzie.

Entre as minhas atualizações de leitura, do acúmulo pelo período de férias e pós-natal, encontrei a matéria sobre o inusitado personagem na revista Época São Paulo, do mês de julho.

Escolha acadêmica oportuna. Louvável seu esforço em procurar formação. Feliz a escolha, mesmo sem abandonar a profissão anterior. Aliás, abandoná-la para que? Provocaria a perda irreparável de material de estudo.

Cotidianamente ele é compelido a observar a natureza humana em seus momentos mais difíceis. Quem sabe por isso possa se tornar mais insensível. Talvez isso o transformou num cético, feito o alemão Kant, como ele mesmo afirma.

Ciente de sua condição, aprimorada por seus exercícios, revela notável profissionalismo em sua atuação. Em suas próprias palavras, "não pode estar tão presente de modo que a atenção se volte para ele. Também não posso se mostrar tão ausente de modo que não se perceba o que está fazendo. Pois o ato de sepultar, no Ocidente, é um ato importante, é um ato de misericórdia. Como diz a Bíblia, é necessário devolver o corpo ao Senhor".

Humano, não deixa de citar Machado de Assis para confirmar a opinião popular: "basta morrer para ficar bonzinho". Mais humano ainda, confessa a emoção do dia em que uma criança lhe pediu de volta o pai a ser sepultado. As lágrimas da pequena molharam as costas de sua camisa e encharcaram de comiseração sua alma. Chorou alto naquele dia.

Caldo da cultura de uma metrópole, o coveiro filósofo expressa e convive com as angústias mundanas. Conduz corpos ao sepulcro e almas ao reino do pensamento. Manipula o concreto e o imaterial no mesmo instante. Produz o movimento no manto do fluxo etéreo da existência. Ah, dona filosofia...

sábado, 26 de julho de 2008

Dimensão

Surpreendidos pela vida, nos emocionamos.

Razões construídas, racionalidades pensadas, nada controla a emoção de amar. Em pequenos, singelos e tocantes momentos, um sorrisinho, duas mãozinhas juntinhas, um suspiro de sono e afloram os sentimentos mais profundos de bem querer.

Uma música, uma cerimônia de casamento, algum lampejo a nos tirar da sisudez do dia e nos deixar sem palavras para expressar a dimensão do amor por uma vida responsabilidade sua.

Repentinamente, os acordes da canção brega... e a rendição pela inevitabilidade da sincera representação de nossos sentimentos. Tolos somos em renegar os feitos de sinceros criadores. Rendendo-me, reproduzo suas palavras para, ao menos em parte, declarar um pouco do que sinto.

"Eu tenho tanto
Prá lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você...

E não há nada
Prá comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito...

Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor
Por você..."
[1]

domingo, 25 de maio de 2008

Lírios

"E por que vos inquietais com as vestes?
Considerai como crescem os lírios do campo;
não trabalham nem fiam.
Entretanto, eu vos digo que
o próprio Salomão no auge de sua glória
não se vestiu como um deles."[1]

Mateus enxergou na simples beleza de um lírio a gratuidade do dom da vida. Supremo e sublime, desconhece limites ou indivíduos, flui por toda a existência.

Em "Olhai os Lírios do Campo", Érico Veríssimo, inspirado e inspirando, nos apresenta sua versão do decorrer da vida, com suas benesses e agruras, cotidiana e particular para cada pessoa.

A agitada vida contemporânea insiste em nos lançar ao futuro. Gerar as angústias com o futuro, com previdências para ele, financeiras ou de carreira. O que é esse futuro? Onde e quando ele existe?

Preocupados com essa possível posterioridade, esquecemos do presente, da única vivência concreta e conhecida. Passado, presente de ontem. Futuro, apenas o presente de amanhã. Sina de uma espécie ciente de seu destino...

Em nosso cotidiano e rotineiro papel de oráculos, teimamos em tentar controlar o incontrolável. Talvez possamos contornar, tentar direcionar, mas dificilmente teremos a certeza de seus rumos e chegadas.

Ninguém seria imprudente em se abandonar a própria sorte. Chegamos aqui teimando insistentemente neste controle existencial. Precisamos é da confiança na providência, nos destinos do universo.

Confiar nos permite ter a paz de espírito para seguir. Quanto maior a entrega, quanto mais confiamos no poder maior do seio da vida, mais nos tornamos felizes e vemos a concretização de muitos sonhos. Sonhos inspirados por desejo e trabalho árduos.

Sabedoria essencial no cuidado com uma nova vida. Na insegurança da inexperiência, o apoio nas certezas deste grande mistério lava nossa alma. Despertamos para a realidade mais singela e bela, a manifestação clara e evidente do milagre do existir!

Dispor-se aos poucos, entregar-se muito, doar-se são um aprendizado cotidiano, intensificado em novas condições, novas prioridades. Incansável ensinamento do maior de todos os professores: o amor humano.