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sábado, 8 de novembro de 2008

Carsharing

Se não pode vencê-los, junte-se a eles!

Mais do que um aluguel tradicional de veículos, muito menos do que a propriedade de um carro, o carsharing surge como uma solução para o transporte nas grandes cidades.

Seguro, manutenção, impostos, estacionamento. Os custos adicionais de um veículo fazem muita diferença, principalmente em metrópoles.

A utilização é esporádica, muitas vezes apenas para o deslocamento de casa ao trabalho. Quem usa o transporte público, às vezes precisa para um passei no fim de semana.

O sistema de carsharing prevê a associação de pessoas para que possam utilizar veículos de uma frota, sem necessidade de reserva, em diversos pontos de uma cidade. Descomplicado e acessível, é parecido com o sistema de aluguel de bicicletas, implantado em alguns lugares do mundo.

Na Suíça, um dos lugares onde o sistema existe, desde 1987, mais de 400 cidades já possuem locais de retirada. As assinaturas são quadrimestrais, anuais ou a pessoa pode se tornar uma cooperada. O pagamento é feito por hora, por trecho percorrido ou quilômetro rodado, com combustível incluso.

Bacana que os pontos de retirada e entrega ficam próximos a estações de metrô e ônibus, para facilitar o acesso ao serviço público de transporte. Podemos retirar um carro para ir até o local mais próximo de transporte, de lá até outro canto da cidade, e então retirar um carro no destino para ir até o local de trabalho.

Ainda assim, enfrentar os congestionamentos de São Paulo não é para qualquer um. Trafegar a 20 Km/h em média exige paciência e perseverança. É fácil perceber que a grande maioria está longe de possuí-las. Preferem uma sinfonia de buzinas e xingamentos.

Com a restrição da circulação de veículos, como o rodízio por placa, exclusão do tráfego de caminhões ou, quem sabe, pedágio em regiões centrais, novas alternativas serão inventadas. Difícil será quebrar o paradigma do automóvel para o brasileiro, afinal infelizmente são todos apaixonados por carro.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Metrópole

Triste constatação, a metrópole embrutece as pessoas.

Utilizar cotidianamente o Metrô nos expõe e nos permite, penosamente, constatar terrível sina. Momentos e minutos impossíveis de negar à reflexão.

O empurrar sem cerimônia, sem a mínima preocupação, com violência, demonstra a dimensão que o comportamento toma. Embrutecidas e insensíveis, elas não vêem o outro.

Hoje, na estação Sé, presenciei uma moça ser derrubada, na descida da pessoas na plataforma. Sem dó, nem piedade, sem ao menos a atenção ou a desculpa.

Impressiona também a quantidade de pessoas falando sozinhas. Muitas vezes, mais do que falando, discutindo, reclamando. Nem há nem condição de supor um amigo imaginário.

Vociferam ao vento, impotentes frente à massa. Quem sabe protestam a Deus, procuram sua "re-humanização", parecem gritar por sua reintegração, física e espiritual.

Rostos vazios, caminhando a esmo. Perfazem o mesmo caminho todos os dias, mas não têm destino. Zumbis mecanizados de uma estrutura gigantesca, massificadora, impassível e cruel. Exercita seu poder para subjugá-las continuamente.

No caos da turbulência urbana, as pessoas esquecem a identidade das outras. Enxergam apenas personagens de um grande teatro fictício. Certa vez, em pleno viaduto Santa Ifigênia, uma pessoa se jogou a poucos metros de onde eu passava.

Uma multidão instantânea se formou e correu, não para socorrê-la ou salvá-la, ato claramente inútil frente à inevitabilidade das conseqüências, mas para assistir e saber mais detalhes da tragédia. Circo de horror em pleno local público.

Responsável pelo serviço e manutenção da ordem, o Metrô pouco colabora com os novos motes de campanha. O usuário esgotado se vê refém incapaz de reação. Tantos sinais em alguns poucos pontos da grande cidade. O que pensar de seu todo...

Pensamento maior, mais importante, é a lembrança de que a pólis, muito além de cimento e areia, é construída de pessoas!