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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Limpidez

"O homem que insiste em enxergar com perfeita clareza antes de decidir, jamais decide."

Final de ano, a virada de mais um período se aproxima, tempo de resolução e novos alinhamentos, novas decisões de caminho e rumo.

Henri-Fréderic Amiel nos presenteou com a primeira frase presente neste post, para nos iluminar nos contornos da caminhada, em nossas avaliações pessoais.

Temerosos e cuidadosos, queremos sempre uma certeza dos riscos e benefícios das escolhas realizadas, antecipadamente, é claro.

Para alegria de todos, a vida é muito incerta, o destino dificilmente é previsível, portanto é loucura desejar ter total limpidez em análises de cenários futuros.

Devíamos aprender um pouco mais com a física, mais precisamente com Heisenberg e seu princípio da incerteza, instituído no mundo das partículas subatômicas.

Tal princípio postula que se conhecemos muito bem a velocidade de uma partícula, desconhecemos com exatidão sua posição e vice-versa. Jamais conseguimos controlar precisamente duas variáveis interligadas de um sistema.

Extrapolando para nosso dia-a-dia, em um ambiente repleto de condições (variáveis), intrínseca e indelevelmente conectadas, é impossível obtermos o panorama completo para apreciação. Algumas partes da escolha serão pura inspiração.

Sem melhor alternativa, devemos aprender a viver com o possível. Entender e aceitar a natureza da existência e de suas escolhas. Afinal, quem negaria o fato de quão divertido é contar com algum risco?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Idear

Idéias não são, ocorrem.

Existência como unidade, como entidade, compartimentada no espaço e no tempo, nem resvala nas exigências e naturezas da formulação de pensamentos e sua utilização.

Vai saber de onde surgiu a história da geração espontânea... De repente, como conseqüência do destino, uma grande idéia deixa o seu mundo e pousa na cabeça de alguém.

Pior, alguns culparão o coitado do Arquimedes. A folclórica passagem a ele atribuída, com sua exclamação "Eureka", contribui com a visão um tanto mágica do processo de "idear".

Há também a história do Newton com a maçã. Queremos creditar ao acaso o derramar de gotas de genialidade na cachola de alguns poucos. É muito desprezo pelo esforço deles.

Resultado de considerável esforço, é mais coerente enxergarmos como final de um processo. Tudo começa com a alguma inquietação, uma motivação espúria. Geradora da ânsia por solução, ou da curiosidade por entender.

Despende dedicação e um bocado de trabalho para mastigar os vestígios e rastros de sua perseguição. Coletados pelo caminho, nem sempre de maneira controlada e consciente, se acumulam em algum lugar da alma, se encaixando sorrateiramente.

Não há descanso. Nos casos das muito boas idéias, lembranças e lampejos acometem o criador incessantemente. Difícil decisão tentar afastá-las da frente, colocá-las de lado para realizar algum outro tipo de intento. O cotidiano pede muito de nosso tempo para supostas manutenções obrigatórias.

Alguns anos podem se passar. Ou em poucos minutos, relativisticamente, percorrer toda a via crucis do processo criativo. O ápice da concepção traz a alegria de receber um filho, mesmo que ideário, motivo de júbilo e satisfação. Se percebermos que o alarme foi falso, nos resta apenas continuar e não desistir!