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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Efetivamente

Vícios de linguagem vêm desapercebidamente.

Usamos algumas expressões, nem sempre incorretas, mas insistentemente presentes. Sua persistência no discurso acaba incomodando ao ouvido.

Dia destes, sem mais nem menos, um amigo me chamou a atenção para o fato de eu usar constantemente o advérbio "efetivamente".

Até aquele momento eu pouco percebia o fato, mas bastou a menção para, cada vez que eu proferia a palavra, parecer estar gritando a bendita dentro da minha cabeça!

Comecei a prestar atenção e me espantei quantas vezes eu estava na eminência de usá-la. Passei a policiar meus instintos e tentar evitar seu uso. Ainda não consegui avaliar se estou conseguindo ser efetivo no policiamento.

Fiquei mais encasquetado ainda com a motivação desta quase muleta. Por que minha instantânea e sempre presente inserção do conjuntinho de letras. Senti como uma necessidade em reafirmar, dar validade, as idéias expressas, ao conjunto exposto.

Passei a notar a presença da simpática palavra no discurso de muitas pessoas. Aliás, no evento da semana passada, mencionado em post recente, foi campeã de audiência. Depois de que prestei atenção em mim, o uso por outras pessoas também está realçado.

De repente, é culpa do autor do Efetividade.net? Propagando tantas idéias boa para otimizar as mais diversas áreas do cotidiano, se há culpa, certamente passa longe de sua autoria. No máximo, está apenas relacionado ao clima de nosso tempo e o tema de seus textos.

Será talvez conseqüência de épocas em busca por maior eficiência? Ou da busca proposição de mais verdades, em momentos desnorteados da vida comum? Quem sabe apenas um floreio inadequado, daqueles grudentos que pegam e nem ajax consegue arrancar.

Tantos outros vícios podem existir e nem percebemos. Apesar de prestar atenção, ainda me pergunto se não acabamos apenas usando sinônimos para substituí-los. Com efeito, de fato e na realidade, efetivamente fica a dúvida... :)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Leet

(4|\| j00Z U|\|D3r$74|\|D /\/\3?

Difícil entender a frase acima? Linguagem alienígena? Forma de comunicação de alguma civilização extraterrestre?

Longe disso... Aliás, bem mais perto. Esqueçamos inglês, espanhol ou chinês. Se a Internet continuar a crescer, indefinidamente, a língua mais provável a se tornar candidata será a Leet.

Tamanha conhecida como Leetspeak, adotada por usuários desde os anos 80, como forma de elitizar algumas comunidades (origem inclusive do nome), é uma transcrição de letras do alfabeto latino por caracteres da tabela ASCII.

As transcrições podem ser diversas. Há algumas formas simples, como da ilustração deste post. A frase "Are you leet" se transformou em "R U 1337". Se observarmos com cuidado, quase é possível ler diretamente, com a consonância da transcrição.

Fica mais fácil a tradução com o auxílio de uma ferramenta. O site brenz.net disponibiliza um tradutor Leet/Inglês. Para experimentar, procure traduzir a frase inicial deste texto. Com textos mais extensos, surgem curiosos mosaicos de caracteres, praticamente indecifráveis. Haja prática para lê-los diretamente!

O maior ícone da webcultura também tem seu representante, afinal a página de busca do Google está traduzida em boa parte das línguas existentes no mundo. Transcrita no endereço www.60073.com, todos os links internos são apresentados no modo leet.

Idiomas são frutos da cultura humana. Sua criação, como no caso do esperanto ou o toki pona, desvelam a nossa diversão em nos comunicar e formar laços. Apesar de artificiais, descendem das raízes expressivas das sociedades.

Capacidade de expressão sempre foi diferencial homo sapiens. Elo para nossa integração, garantiu a evolução e adaptação da espécie. Em novos tempos, novos elos são aprendidos. Ganhar novas habilidades reforçam nossa pluralidade e capacidade de ampliação dos horizontes do pensamento.