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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Bate-estacas

Bate-estacas pode salvar vidas!

Apesar de toda sua importância na construção civil, não me refiro ao equipamento. Por sinal, é curioso como mesmo com todo desenvolvimento tecnológico, ainda precisamos de um martelo gigante, para enterrar enormes vigas metálicas.

Responsáveis pela nobre missão são os caras da música eletrônica, conhecida por muitos como bate-estaca. A diversidade de estilos do mundo das baladas nem justifica mais um único nome, mas ainda é forte a denominação.

Conscientizar jovens pelo mundo, financiados com recursos captados em festas com DJs, é a proposta do projeto Dance4Life. Através da linguagem conhecida pela moçada, se espera atingi-los mais facilmente.

DJ Tiësto é o embaixador internacional do projeto. Iniciada em 2003, a empreitada já arrecadou através de seus eventos algo em torno de 3 milhões de euros. Os recursos arrecadados, na agitação das baladas, podem render excelentes frutos.

School4Life é um de seus programas, a receber parte do dinheiro captado. Ele procura mostrar a alunos de escolas como se proteger da AIDS. Faz isso através de workshops sobre prevenção da doença, educação sexual, dependência física de remédios e direitos do portador do vírus HIV.

Para marcar, há uma música / dança tema de campanha, com versos que pretendem fixar as idéias transmitidas. Seu nome é "The Drill". Dizem que qualquer um pode aprender. Querendo tentar, basta assistir o vídeo disponível no site.

Projetos e ações parceiras são inúmeros. Com a lista publicada, vemos o quanto a influência do movimento se espalha. Apóia a balada do bem até a conhecida fabricante de preservativos, Durex (se bem que, em seu caso, o interesse econômico pode acabar em conflito com a causa).

A turma das estacas vai assim fincando sólidas bases para conscientização da juventude. É um bom exemplo de que para fazer o bem, não importa a idade, tipo de música ou lugar do mundo. Basta ter boa vontade e boas idéias, continuamente marteladas.

sábado, 10 de maio de 2008

Colaboração

Colaboração implica em voluntariado?

Opinião formada até então, após o início da leitura de "Wikinomics: Como a colaboração em massa...", algumas novas questões podem modificar minha visão.

Título embalado no sucesso de "Freakonomics: O lado oculto...", o primeiro contato remeteu ao conceito das ferramentas wiki, ícones do sucesso da colaboração na Internet.

Inocência em demasia ou ledo engano, o primeiro exemplo apresentado no livro contradiz qualquer iniciativa voluntária, feita com gratuidade.

É apresentado o caso de uma empresa de exploração de minérios, que lançou um desafio para solução de questão de prospecção, com um prêmio em dinheiro a quem o resolvesse.

Solução conseguida, propositor premiado, os autores elogiam o poder da colaboração na Internet. Constatação imediata: a grande rede foi apenas difusora de uma oferta de dinheiro. O importante foi seu alcance. A promoção de colaboração inexistiu.

Os autores fundamentam sua tese defendendo que qualquer atividade possui algum interesse, alguma compensação. Difícil discordar, mas a motivação exposta é sempre relacionada ao benefício próprio do agente.

Onde se encaixará o altruísmo em nossa história? Teremos criado um intrincado conceito, um mecanismo mental infundado, para justificar nossas ações sempre interesseiras? Para que? Em toda e qualquer atitude há o auto-interesse?

Arriscaria redefinir a "colaboração", mencionada no livro, por "ação em grupo massivo". Mais comprido, porém mais adequado. O tempo propiciaria substantivo mais conciso, mas a distinção deve ser frisada imediatamente.

Até a metade do livro nada demove a afirmação realizada. Continuo a leitura, procuro uma mudança de rumo, uma adequação maior ao espírito colaborativo altruísta que insisto em existir em grandes iniciativas, como o Linux, a Wikipedia ou a Craigslist.

Empresa se envolveram (e envolverão) com tais iniciativas, conseqüência inevitável de sua atual influência na tecnologia e nas melhores soluções disponíveis. O germe do movimento deve ser valorizado. Algumas ações, sem razões tão premeditadas, sempre existirão, como parte de nossa natureza, como a persistência em conhecer um livro até o fim, mesmo discordando logo de cara.