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domingo, 6 de julho de 2008

Integridade

Caminhos escolhidos pelo coração subvertem a ordem vigente.

Memoráveis pessoas na história cristã levaram uma vida, que aos olhos de muitos, foi fadada ao fracasso, ou a motivações sem valor. Sendo assim, estas têm dificuldade de entendê-los...

Pedro Claver dedicou a vida a acolher escravos que chegavam no porto de Cartagena. Estava preocupada com aqueles tratados como mercadorias. Morreu doente devido ao contato com aquelas pessoas.

Madre Teresa de Calcutá escolheu socorrer as pessoas mais pobres de seu país, mesmo ferindo os preceitos sociais de sua comunidade. Fundou sua ordem e até sua morte esteve aos cuidados dos mais esquecidos.

Maximiliano Kolbe e Edith Stein seguiram sua missão durante a Segunda Guerra, sob o regime nazista. Morreram em campos de concentração, dando sua vida no lugar de outros que conseguiram salvar.

Perseguido por insistente difamação, Bartolomeu Gusmão jamais negou sua simpatia pelo cristãos-novos. Acusado pela Inquisição foi obrigado a fugir de Portugal para a Espanha. Após sua morte, seu local de sepultamento nunca foi revelado.



Apesar de uma vida repleta de experiências místicas, Rosa de Lima sofreu incompreensão e perseguição, em conseqüência de sua devoção e fé. O final de sua curta vida, com 31 anos, foi marcada por grande sofrimento físico, devido à prolongada doença, mas sempre preservou seu agradecimento a vida.

Participantes anteriormente do status quo, Thomas More e Paulo de Tarso, foram condenados à morte e executados, por seguirem firmes em sua conduta, um perseverante, o outro convertido. Independentemente das opções oferecidas, não recusaram seus destinos.

Trazido a condição humana, Jesus de Nazaré terminou submetido a todas as humilhações possíveis, culminando com sua crucificação, por defender a dignidade humana incondicionalmente.

Nenhum deles acumulou riquezas ou dominou vastas regiões. Defenderam quem ninguém ousava sequer reconhecer como pessoa. Nunca defenderam indivíduos célebres ou socialmente bem posicionados.

Então, quais foram os valores defendidos? Vindos das mais diferentes culturas e regiões, sem distinção de gênero ou idade, estas pessoas demonstram o elemento mais importante em nossa história: integridade! Integridade moral para conduzir sua ética até o fim, até as últimas conseqüências.

domingo, 22 de junho de 2008

Utopia

Fantasia, ilusão ou quimera, nossas utopias exigem fidelidade.

São Thomas More, lembrado no dia de hoje, conhece muito bem estas exigências. Em parte por sua autoria de "Utopia", livro inaugural do conceito, por outro lado pela sua história de martírio.

Em seu livro, ele criou uma ilha imaginária, onde seus habitantes conheciam a forma ideal de uma sociedade. Livro fácil de encontrar para download, nos provoca a reflexão sobre o modo de vida contemporâneo. Alguns críticos o consideram uma sátira a sociedade do século XVI.

Na Europa pré-anglicana, Sir Thomas foi crítico em sua terra natal até mesmo ao rei. Quando Henrique VIII decidiu mudar a igreja conforme seus desejos, poucos ousaram ser contra, como foi nosso ilustre pensador.

Convocado a fazer juramento a nova ordem, se recusou e, por isso, foi encarcerado na Torre de Londres. Após julgamento, e sem ceder em seus princípios, condenado, acabou decapitado.

Firme em sua fé, recebeu a traição de pessoas próximas, contrapontos a qualquer visão utópica possível. Ainda assim, mesmo preso, continuou inspirado e escreveu o "Diálogo do Conforto nas Tribulações". A energia de sua integridade o mantinha certamente vivo.

Por que temos tanta dificuldade em conquistar utopias, apesar da evidente atração que elas nos causam? Acaso teremos problemas com a definição de valores? Parece que consideramos o custo para obtenção de nossos sonhos muito maior do que seu retorno.

O exemplo de More, como Sócrates em sua morte, denota a necessidade de firmeza de princípios, fé nos mesmos e coragem de assumi-los. Nobres qualidades, dignas de santos ou grandes filósofos. Mas nem só de grandes ícones...

No cotidiano, precisamos de inspiradores como estes, para tentarmos ao menos obter uma fração de seu ímpeto. A transformação de nosso meio se dará por grandes exemplos, e pela pequena contribuição de cada indivíduo, de acordo com suas capacidades e disponibilidade. E isso não é nem uma grande utopia.