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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Futebolístico

"Futebol é uma caixinha de surpresas".

Chavão memorável, desconheço brasileiro que nunca o tenha ouvido ou proferido. Também não é para menos, afinal vivemos na terra da pelota...

Depois da espetacular experiência do Museu da Língua Portuguesa, único no gênero em âmbito mundial, seremos agraciados com outra novidade do mundo das memórias e exposições: o Museu do Futebol.

Até aí, nenhuma surpresa... A intimidade tupiniquim com a redonda é mais do que consagrada. Paixão antiga, somos herdeiros primevos do real esporte inglês e fazemos questão de reivindicar nosso reconhecimento.

Surpreende o fato de ser extremamente tecnológico, com poucos objetos, fundado em apresentação de vídeos, fotos e atrações interativas.

O espanto não é pela tecnologia, pois somos um país apto e ávido para tanto. Porém, com tanto história em campo, não devem faltar objetos ligados à memória do esporte em nossos clubes, cidades e confederações.

Sobressaltos à parte, o espaço em pleno Estádio do Pacaembu, mais precisamente sob as arquibancadas, parece fazer jus ao investimento de mais de R$ 35 milhões, com iniciativa do Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo.

Em seus 6.900 m2, 6 horas de vídeo e quase 1.500 fotos, podemos apreciar, e de certa forma vivenciar, boa parte da desenvolvimento do esporte bretão em nossa terra. Há salas para todos os fins e gostos.

Na Sala dos Rádios, narrações que eternizaram gols em nossa memória. Na da Exaltação, num grande vão livre, projeção de fotos de torcidas, com a execução de seus hinos, dos mais variados escretes. Em uma área dedicada a ciência do futebol, se observa o movimento da bola de ângulos inusitados, o funcionamento do corpo de uma atleta ou testa sua precisão em pênaltis.

Outros tantos espaços estarão disponíveis, como uma sala a homenagear 25 craques brasileiros, expondo suas imagens em tamanho real, suspensos no ar, como anjos a zelar pelo espírito esportivo. Diversão para os olhos, ouvidos e alma!

A inauguração está programada para o final do mês de outubro. Aos amigos espectadores televisivos de final de domingo, fãs das disputas no grande gramado, uma excelente alternativa. Seguramente muito melhor do que agüentar as maçantes discussões de programas de "mesa redonda".

sexta-feira, 14 de março de 2008

Futebolless

Futebol é uma caixinha de surpresas.

Célebre frase, conhecida de qualquer brasileiro, pelo visto é conceito em todo o universo futebolístico, por todo o planeta. Apesar de nosso ciúme pelo esporte, como propriedade e posse, mesmo sem termos o inventado, a lógica do esporte é global.

A evolução tecnológica aportou nos campos. Já não é novidade a comunicação entre os árbitros da partida, ou a sinalização eletrônica do bandeirinha.

Revolucionária mesmo seria a bola com chip, possibilitando o rastreamento de sua posição e eliminando qualquer dúvida com relação ao seu posicionamento em campo, eliminando toda a falha relativa à saída da bola, ou entrada desta no gol.

Porém, divergiriam muitas das opiniões sobre o assunto. O tema se arrastou por algum tempo. A solução foi testada em algumas partidas, paralelamente, sem valor de decisão. No começo deste mês se chegou a uma definição: a bola com chip não será utilizada.

Existem problemas técnicos de precisão. Quem duvida serem passíveis de solução, após algum tempo e investimento? O critério de peso mesmo parece ser a alegação de esta tecnologia "retirar a emoção do futebol"!

É o reconhecimento do valor da confusão no futebol. Qual a graça de uma partida sem discussão? Como podem viver os boleiros sem a dúvida se foi gol, ou não? Quantas oportunidades desperdiçaríamos sem o milímetro a mais na linha de fundo, impossível de observação por qualquer ser humano?

Corroboram a necessidade humana pela discussão e conseqüente paixão pelo esporte. Bonito, não? E quem decidiu foi o International Board, órgão mundial de regulamentação da modalidade esportiva, e não um fatídico comentarista esportivo de hora do almoço ou finais de domingo.

Aliás, deviam estes agradecer muito... Seus empregos estarão garantidos, como fomentadores da discussão. Muitos botecos e padarias também. São os provedores físicos e alimentícios das mesas de debates acaloradas, em troca de remuneração, é claro.

Assim continua a rolar o universo da bola. Estão salvos também os gols de mão, faltas dissimuladas, ou simuladas, os juízes míopes e tantas outras figuras folclóricas de nosso esporte nacional. Nossa paternidade esportiva se revela na herança do indispensável jeitinho, sem o qual a contenda boleira perderia a graça.