domingo, 7 de outubro de 2007

Carinho

Nós, brasileiros, somos tidos como mais sociáveis do que europeus ou americanos. Nem sempre essa afirmação é sinal de elogio.

Em grande parte, essa opinião tem uma carga pejorativa, do ponto de vista deles. Porém, agora chegou a sua vez de experimentar a sensibilidade humana...

Depois de tanto de tempo de frivolidade e formalismo, eles sentiram falta de um calor humano como o nosso, do abraço e um aperto de mão sincero.

Inventaram um nova moda, a cuddle party. São festas, workshops como eles preferem, para as pessoas exercitarem sociabilização e trocarem carinhos.

Os grupos são formados com pessoas totalmente desconhecidas. Elas se inscrevem e comparecem para participar de um evento de troca de carinhos e contato humano, sem nenhuma conotação sexual.

Como em um workshop mais tradicional, há uma sessão inicial de 'quebra-de-gelo', para uma apresentação inicial, esclarecimento de regras e exercícios de desinibição. Um dos pontos principais é aprender a dizer não, para ser sincero e expressar seus consentimentos ou não.

A parte final é o ponto alto, quando todos as pessoas se misturam e trocam afagos e cafunés! Pois é, eis uma forma forçada de se obter o natural e instintivo, com pessoas conhecidas.

É um indício da carência promovida pelo mundo atual, até mesmo naqueles com a aparência mais impávida possível...

sábado, 6 de outubro de 2007

Monogamia

A espécie humana não se cansa de dar mostras do desafio constante que impõe a natureza, transformando-a e evoluindo.

Em excelente reportagem da revista Galileu, edição de outubro de 2007, a matéria de capa de Fernanda Colavitti trata da monogamia, ou de seu possível fim.

Uma das partes mais interessantes apresenta as evidências, de algumas pesquisas, sobre a definição poligâmica dos seres humanos.

Em três aspectos, independentes de influências sociais, pois ocorrem nas mais diversas culturas, surgem em nós indícios de comportamentos adotados por espécies poligâmicas. São eles:

- dimorfismo: diferença físicas entre os dois sexos
- bimaturismo: a diferença de tempo de maturação sexual entre o homem e a mulher
- violência masculina

Mesmo com aspectos reveladores de nosso passado poligâmico, em algum momento, a cerca de 5 mil anos atrás, nós decidimos mudar nosso comportamento e nos tornarmos monogâmicos. Mudamos e nos mantemos, em grande maioria, assim por todo esse tempo.

Atualmente, ocorre um movimento de pessoas defensoras do amor sem limites e com compromisso: o poliamor. De certa forma, estão expressando seus sentimentos em tempos de maior liberdade de expressão.

Estes fatos explicam muitos dos conflitos pelos quais muitas pessoas passam. Vale a pena ler mais sobre o assunto e conhecer um pouco mais de nossa natureza controversa.

Apesar dos pesares, ainda acredito na preservação do relacionamento a dois, com o cultivo diário de bens preciosos: o amor e a cumplicidade de quem escolhemos para todo sempre. É um dos nossos modos mais humanos de ser!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Vocabulário

Conquistar um bom vocabulário representa muito mais do que se tornar um dicionário.

As palavras representam nossas idéias, nossas concepções a respeito de tudo. O seu conhecimento e de seu significado ampliam nossa compreensão e, principalmente, nossa capacidade de expressão.

Conhecer diversas formas de expressar o mesmo, ou antepô-lo, nos permite 'ver' por ângulos variados.

Poder representar de diversas formas nossos pensamentos nos possibilita alcançar diversos públicos, com as mais distintas características.

No final de semana, em um programa do canal Futura, Ruth Rocha pontuou perfeitamente a questão da lida com a linguagem quando afirmou não ser possível gostar daquilo que não se entende.

Em grande parte, o brasileiro não gosta de ler porque não entende o que lê. São inúmeras os estudos realizados sobre o analfabetismo funcional, perpetuado por nosso sistema de ensino descompromissado com o gosto pelo saber.

Somente a leitura pode ampliar o vocabulário, e somente ele trará o fator necessário para apreciá-la. Um ciclo fechado e recursivo que só pode ser iniciado da maneira mais simples e difícil: começando a ler!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Desafio

Em tempos de comemoração dos 50 anos de lançamento do Sputnik, o mundo empresarial nos dá mais mostras de seu poderio, através de seu maior ícone moderno, a Google.

Depois de lançar o Google Sky, e outro filho do projeto o Google Moon, a empresa lança uma nova empreitada, um desafio chamado Google Lunar X Prize.

Também chamado de Moon 2.0, o desafio provoca empresas dispostas a entrar na corrida espacial, premiando quem conseguir chegar primeiro a superfície da Lua e postar imagens diretas de lá para o Youtube.

É muita convergência tecnológica!

O prêmio é extremamente atraente: US$20 milhões. Além de toda a propaganda com o pioneirismo e exposição na Internet, mais a parceria com um o maior pioneiro em diversas áreas da atualidade.

Como retrospectiva, temos quase quarenta anos sem pisar no solo lunar, isso se alguém algum dia realmente estivemos lá, como defendem alguns teóricos de conspiração. No mínimo esses anos são evidências das dificuldades técnicas e econômicas para a realização do projeto.

De qualquer forma, mais uma vez a iniciativa privada toma nas mãos o motor da história, para levar o ser humano onde ele jamais esteve!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Advogado

Admiro o poder da oratória de grandes advogados.

A atuação na lida com as leis depende de clareza, objetividade e domínio dos códigos. É uma grande mistura de linguagem com entendimento da estrutura legislativa.

No momento de chamar alguém em auxílio (in auxilium vocatus) certamente pensaremos em contratar o melhor.

Em um mundo com quadro econômico-social-político extremamente complexo, conseqüentemente as regras também o serão. Assim se faz indispensável o auxílio dos profissionais do direito.

Apesar dos estereótipos, e até algumas piadinhas, há grandes chances de precisarmos de um deles, em algum momento da vida. Todo mundo procura ter um amigo médico, um contador, um analista de sistemas e um advogado!

No ambiente empresarial, diante de um cenário de regras tão intrincadas, é crescente a participação de consultores jurídicos, empregados ou terceiros. Em muitos casos, sua atuação está nos mais altos cargos gerenciais.

Aliando comunicação e conciliação, os advogados fazem uso de duas das mais humanas habilidades.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Boato

O melhor boato é aquele com nenhuma informação confirmada e referente a alguém de destaque. Ninguém melhor do que a Google para ser alvo de mais um...

Correm rumores de bastidores sobre um novo lançamento da empresa: o Gphone. A idéia é um telefone gratuito, móvel, com cobertura nacional (nos Estados Unidos), bancado pela venda de propaganda.

Como todo bom burburinho, já foi dito de tudo sobre o novo equipamento: é um tipo de BlackBerry, não é hardware, é software, seria baseado em Linux e até já estaria sendo produzido.

Bastaria caçarmos e acharíamos outras tantas notícias a respeito. Independentemente de todas elas, as empresas de telefonia devem estar preocupadas.

Com tantas suposições a respeito, de tantas fontes distintas, algum fundo de verdade deve existir. Pelo menos é o que um boato tão difundido procurar proporcionar: desconfiança!

Ninguém duvida que se for intenção da Google, ninguém os segurará e eles têm condição financeira, tecnológica e comercial de fazê-lo.

Onde essa 'brincadeira' irá parar?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Biblioteca

O romano Cícero já dizia há muitos séculos atrás: "Se tiveres uma biblioteca como jardim, tens tudo."

Em uma época de escassos livros, ele reconhecia a importância destes na difusão do conhecimento, no registro corpóreo da espécie humana.

Mesmo em nosso tempo, onde livros nem são tão escassos, o problema é a acessibilidade deles.

Notei nos últimos meses um maior número de pessoas lendo durante a minha viagem diária no Metrô. Quem já tentou sabe como exige concentração tal leitura, nem sempre sendo o local ideal, mas é uma ótima forma de conseguir aproveitar esses minutos diários.

Os brasileiros comumente têm certa aversão à leitura, então a que atribuir a manifestação no transporte público?

Esse final de semana conheci o Instituto Brasil Leitor. Ele desenvolveu o projeto Embarque na Leitura, na cidade de São Paulo. A iniciativa privada patrocina os livros, o instituto monta e mantém a estrutura e o Metrô cede o espaço para bibliotecas. A população ganha acesso gratuito e de qualidade a livros atraentes.

Já são três estações com bibliotecas, 12.000 usuários e cerca de 78.000 empréstimos realizados. Para se inscrever basta documento de identidade. A facilidade de associação não implica em desrespeito, o serviço apresenta um dos menores índices de extravio.

Onde foi dada oportunidade, as pessoas se nutriram do jardim de papel. É a transformação do mundo pela leitura!