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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Embate

Sempre desejamos ver o Brasil no rol dos principais países do mundo, mas provavelmente procurávamos o bônus, sem nunca pensar no ônus. E que ônus...

Desde do começo do século XXI as guerras religiosas vêm imperando, periodicamente eclodindo, pequenos eventos de grandes proporções. Nunca mais vimos uma guerra mundial, deflagrada em todos os cantos, mas em todos os cantos o conflito ideológico é constante.

Ao Brasil coube contribuir com a manutenção da paz mundial, seja lá o que isso significasse aos poderosos do mundo. Passamos a intervir e participar ativamente nestes conflitos, aliados que somos do grande conselho humano.

Da minha parte eu vivia sossegado, já me considerava longe da idade de convocação. Quase cinco décadas deste século, eu já com a minha quarta década completada, estava muito distante do perfil de um cadete. Ledo engano...

A evolução tecnológica transformou nossos combates e, sendo assim, minha senioridade em engenharia de software era de grande valia. Pior para mim, já que a melhor alternativa é levar a campo os cientistas computacionais para manter ativa a gigantesca máquina tecnológica de batalha.

Tudo é software e rede, executado por máquinas combatentes, com mais ou menos inteligência, a subjugar exércitos de carne e osso, sem os recursos necessários para fazer frente ao dinheiro das Nações Unidas, a não ser por sua coragem e desprendimento ou, na opinião de alguns, loucura mítica.

Meu consolo é estar voltando, após longos quatro anos no front. Normalmente somos levados por não mais que dois anos, mas sabemos como são persistentes esses ideólogos terroristas. Entre uma dificuldade e outra, entre um novo desafio a solucionar e outro, minha dispensa foi sendo adiada. Agora definitivamente acabou, ao menos para mim.



É estranho chegar em casa depois de tanto tempo. Sem contato com minha família, por questões de segurança. Tanta tecnologia maravilhosa e a única garantia de segurança total é a ausência dessa mesma maravilha.

Vivi nos últimos anos um mundo com acesso aos mais recentes recursos computacionais existentes, mas não podia sequer envia um e-mail à minha mãe. Mesmo a minha volta é desconhecida por ela, afinal nada é comunicado ao mundo civil.

Não reconheço o porteiro do prédio, deve ter sido trocado neste tempo... Por sorte algumas coisas nunca mudam, caminho como íntimo do local, avanço para o portão e ele se abre. A velha maneira de distinguir os moradores dos estranhos através do comportamento.

Chegando à porta a expectativa é grande, mal consigo acertar a chave. Para piorar, ela não vira, parece ter tido o segredo trocado. Toco a campanhia. Que remédio, não? Antes não tivesse tocado, ou nem tivesse chegado até aqui. Quem abre é uma pessoa totalmente estranha, assim como eu também o sou para ela.

Confiro o andar, a porta, penso até na cidade, o país, mas tudo confere. É daqueles momentos que nos fazem questionar a própria sanidade... Conferências feitas, tudo confirmado, resta-nos apenas o questionamento.



- Desculpe-me, mas não mora aqui a Sra. Maria Moreira?

- Caro rapaz, sou a moradora e não conheço essa senhora.

- Há quanto tempo a senhora reside neste apartamento?

- Já vivo aqui há dois anos, desde que meu marido faleceu.

- A senhora comprou ou alugou de quem?

- Comprei-o do governo, meu filho, num programa de moradia para a terceira idade. Por sinal, quando cheguei havia uma misteriosa correspondência na portaria, endereçada a Eduardo Moreira. Seria você?



Desci à portaria, depois de me despedir e desculpar a tal senhora. Sentia-me como um personagem de tragédia grega, com os deuses a brincar com essa pequenina formiguinha. Quem sabe o desconhecido porteiro conhecia algo para me alentar...

Identidades apresentadas, ele me entregou a tal carta, por sinal com marcas do tempo que já se passara. Quem diria, num mundo de mensagens digitais, instantâneas ou não, totalmente conectado, eu ainda recebo mensagens em papel e envelope.

O fatídico objeto tinha logo do governo e era endereçado a mim. Se foram eles mesmos que me mandaram para outro canto do mundo, por que não me localizaram lá? Falta de controle, organização ou excesso de segurança?

A carta dizia que minha mãe sofrera distúrbios mentais, não tinha mais condições de ficar sozinha. O serviço social tomou conta dela, liquidou seus bens e a instalou em uma clínica para tratamento de idosos senis. Endereço informado, imediatamente me dirigi para lá.



Ficava a tal clínica em São Paulo mesmo, na região de Higienópolis. Espero que o governo tenha gerido muito bem os recursos da minha mãe, afinal os custos de um internação para aqueles lados devem ser bem altos.

Cheguei ao local angustiado, ansioso por saber o que exatamente se passava. Não bastasse o peso dos acontecimentos da guerra, eu começava a perceber que suas consequências não ficariam apenas por aquelas terras distantes.

Encontrei o local, reluzente, um prédio suntuoso, destes das propagandas para aposentados endinheirados. Caminhei até a recepção e fui direcionado à seção de visitas de familiares.

Aguardei alguns minutos, sentidos como a eternidade, até ser chamado por uma simpática atendente. Fui informado que eu havia sido considerado morto em guerra e minha mãe acolhida ali sob os cuidados do governo.

Se fui considerado morto, por que diabos havia sido deixada uma correspondência endereçada a mim? Ás vezes são tantas as trapalhadas governamentais que me questiono como conseguimos chegar ao estado atual.

Felizmente meu chip de identificação e a rápida assinatura genética não deixaram dúvidas sobre minha identidade. Só lhes restavam permitir que eu encontrasse minha progenitora. Assim foi feito. Fui levado para as áreas internas da instituição.



Era um jardim como dos filmes, muito bonito e aconchegante, um tanto bucólico, mas um com uma paz incontestável. Senhores e senhoras aqui e ali, em conversas calmas e felizes, um verdadeiro éden da idade avançada.

Em meio a tantas cabecinhas brancas, pude reconhecer seus traços envelhecidos. O olhar um tanto aéreo, mas o mesmo sorriso inesquecivelmente gentil. Ao seu lado, alguém mais jovem com quem conversava. Certamente não era um paciente, mas uma visita também.

Ao me aproximar mais, notei certa familiaridade com os traços daquele acompanhante. Essas coisas de traços da família, desenho da cabeça, contornos dos cabelos. Era comum, ao encontrarmos alguém assim, dizermos: deve ser um Moreira. Seria algum primo?

Saudei-os ao longe e, no momento que aquele homem se virou, fiquei atônito! Era eu! Alguns poucos anos mais jovem, eu podia reconhecer, mas era como vivenciar a fábula de Scrooge, ou algo parecido. Ele me parecia um tanto surpreso também e minha falta de ação fez com que ele se dirigisse até mim.



- Quem, quem é você? - primeiro ato meu, como se eu tivesse algum controle.

- Unidade de cuidados e acompanhamento EM01, senhor.

- O que você é ou faz aqui?

- Fui encarregado pelo governo para tomar conta de sua mãe. Posso reconhecê-lo, afinal sua pessoa foi a matriz para minha geração.

- Como assim?

- Quando a demência atingiu sua mãe, ela apenas parecia se referir a você. Perceberam que você seria a única pessoa capaz de conduzi-la e cuidá-la. A opção mais humana era mantê-la em contato com seu filho.

- Mas você não sou eu, não é o filho dela. É um autômato feito minha imagem e semelhança para enganá-la.

- Senhor, desculpe, mas no estado mental dela eu sou tudo que precisou nestes últimos anos. Posso garantir que vive feliz e atendida, como qualquer pessoa poderia desejar.

- Você não entendeu. Eu não quero minha mãe pajeada por um monte de porcas e parafusos, sem ofensas. Minha ausência foi certamente um grande prejuízo para ela, mas tenho condições e quero recuperar tudo que puder.

- O senhor não me ofende, mas posso garantir que fui programado e poderei garantir toda a atenção necessária até seus últimos dias.

- Isso é um absurdo!

- Meu filho, quem é esse rapaz com você? - era ela inquieta por nos ver em acalorada conversa.

Sai, deixando-a com ele, mas seria por pouco tempo. A administração daria conta de resolver essa questão absurda. No caminho pelo jardim, tive a estranha sensação que ele me seguia com o olhar.



- Gostaria de falar com o médico responsável.

- Pois não, senhor, chamarei o Dr. Cardoso agora mesmo.

Não tinha dúvidas de que eu tinha meus direitos e eles eram irrevogáveis. Seja lá qual for a confusão, com essa história de morte minha, ou qualquer outra que possa surgir. É muita desinformação numa sociedade há tantas décadas dita “da informação”.

- Pois não, o senhor é Eduardo Moreira, certo?

- Sim, gostaria de resolver um problema, uma verdadeira confusão, que considero inadmissível.

- Claro, entendo perfeitamente e já tenho o assunto adiantado. Fui informado da sua chegada e pretendia minimizar o transtorno, mas o senhor foi rapidamente levado ao encontro de sua mãe.

- Esqueça os rodeios. Quero levar minha mãe para casa e quero ela distante daquela aberração.

- Ah! A unidade de cuidados. Mas o senhor deveria ficar com ela. Essas unidades, tecnologia recentemente desenvolvida, são criadas para nunca mais serem dissociadas de seus humanos.

- Não me interessa quando foram desenvolvidas, nem suas diretrizes, simplesmente não quero aquele fantasma a nossa volta.

- Infelizmente a única solução é desativá-la totalmente.

- Então o faça!

- O senhor é quem manda, apenas será um desperdício de dinheiro e tempo. Muito do senhor foi colocado naquela unidade, de características físicas a memórias. Um desperdício...



Fomos em um grupo: o diretor-médico, um enfermeiro e eu. Na verdade, o enfermeiro era mais um técnico de hardware do que um profissional da saúde. Ele controlava os códigos de manutenção daqueles robôs.

Ao nos aproximarmos dos dois, subitamente minha versão robótica se levantou de maneira tempestuosa. Olhou-nos espantado, correu em disparada pelo jardim e, num salto mais que olímpico, sobrepujou o muro da instituição.

Corri em direção a minha mãe, para acudi-la, enquanto ouvia o diretor demandar uma série de ordens e alertas. Parecia que eles também foram surpreendidos por aquela reação, tanto quanto eu.

O ocorrido sugeria que ele havia pressentido nosso intuito. Eu não imaginava que estes cuidados básicos, de controles e reação destas máquinas, não haviam sido tomados por seus criadores. Imagina se nossas máquinas guerreiras pudessem também se descontrolar assim. Isso estava me cheirando a mais descuidos do nosso governo...



- Mãe?

- Meu filho? Que estranho, parece que você foi numa direção e voltou noutra.

- Está tudo bem, não sai daqui.

- Curioso, há algo diferente em você.

- Impressão sua, deve ser a luz de hoje.

- Com certeza. Já não tenho mais a mesma cabeça de antes. Se não fosse você comigo...

- Em breve, vou levá-la para casa, para cuidar melhor da senhora.

- Casa? Outra? Você sempre me cuidou tão bem aqui. Se não fosse você...

- Iremos para um lugar melhor ainda, então.

- Ah, meu filho, só você mesmo para estar sempre ao meu lado, cuidando de mim durante todos esses meus anos de invalidez. É por isso que te amo.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Autoria

Direito autoral, cisma antiga e delicada.
Ninguém negará o direito ao autor sobre sua obra intelectual. É inalienável! A produção de uma pessoa deve ser respeitada e protegida, garantindo reconhecimento e retorno.

Até em mensagens postadas no Twitter chegou a preocupação em respeitar a origem das ideias. Com a expressão "RT" (ou seja, retwiit) fazemos menção ao produtor original da frase.

Agora, convenhamos, equívocos sempre há por aí... Quando começam com essa história de registrar nomes, para em seguida exigir direitos, é uma grande distorção do conceito!

E isso é apenas o começo, o mais gritante. Surgem daí disputas internacionais infrutíferas, de um mercantilismo mesquinho de ideias nem um pouco inovadoras ou criativas, questionáveis de sua proteção. Por exemplo, será mesmo que alguém teve a coragem de registrar a palavra "cupuaçu"?

Precisamos ter o pé no chão para definir do que se trata a tal obra, o que realmente podemos considerar produto da elaboração intelectual humana. Discussão inglória mais necessária, a fim de coibir estupidezas e desmandos, com tons de jogadas espertas.

Outro problema é o reaproveitamento integral ou parcial de alguma obra, como nos remixes musicais, para criação de um novo ente artístico. Um artista que despende esforço em reorganizar tons e acordes, distorcer melodias, numa nova e inédita bem arranjada composição, está criando.

É só olhar o caso Kutiman, um DJ israelense. Ele recolheu vídeos de execuções musicais no Youtube e editou numa sinfonia coordenada, formando uma única obra, coesa e interessante. Os resultados podem ser encontrados no site do Thru-you, nome de batismo de seu projeto.

Seu feito foi buscar arduamente músicos, dos mais diversos estilos e qualidades, que não se conheciam, e remixar seus trabalhos em uma sinfonia sensacional. Deu voz a desconhecidos, harmonizou o desconcertado, inovou e criou!

Só que agora tem gente querendo processá-lo, por usar os vídeos sem autorização. Depois do sucesso, diga-se de passagem... Reflitamos um pouco. Vídeos na Web pressupõem disposição à exposição. As pessoas na maioria nem são profissionais. Qual o pecado do artista?

Ele concede os créditos aos colaboradores. Declara abertamente estar desinteressado de remuneração financeira pelo trabalho. Está apenas querendo gerar diversão e compartilhá-la. E bota diversão na história! Os estilos são surpreendentes e vibrantes.

De mais a mais, o conhecimento humano não deixar de ser uma sucessão de reinterpretações de teorias, ideias, teses. Uma construção perpassando a história, recebendo a contribuição de pessoas, de diversas fontes, formando o maravilhoso arcabouço do saber contemporâneo.

Assim ponderou maravilhosamente Sir Isaac Newton quando disse: "Se fui capaz de ver mais longe, foi apenas porque eu estava apoiado sobre ombro de gigantes". Ouça as músicas de Kitman e entenda que se pode compor tão bem, foi apenas por que estava sobre o ombro de milhares.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Morse

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Dias atrás, eu escrevia sobre o crescente hábito do instantâneo entre nós. Nesta segunda-feira é comemorado o aniversário de nascimento de Samuel Morse, mais um dos responsáveis por essa noção.

Suas criações, o código Morse e o telégrafo, encurtaram distâncias, reduziram o tempo e permitiram a comunicação mais instantânea e direta do que antes imaginado.

Intrigante conjunto de traços e pontos, o alfabeto minimalista otimizou o uso das linhas de transmissão e permitiu o contato rápido entre lugares muito distantes.

Fruto do interesse científico do seu criador, ao participar de uma conversa sobre eletroímã, envolveu longa dedicação até a obtenção de um código funcional.

Linguagem multimídia, afinal pode ser transmitida em diversos meios: pulsos elétricos por cabo, ondas mecânicas, sinais visuais ou ondas eletromagnéticas, se mostra prática e útil nas mais diversas situações.

Apesar de ter passado por inúmeras formulações, utilizada em guerras ou aplicações comerciais, sobrevive há mais de 100 anos. Radioamadores e escoteiros ainda aprendem e fazem uso, mantendo viva esse alfabeto pictórico, meio hieróglifo.

Nem é preciso uma pedra da roseta para conseguir traduzir mensagens codificadas. Muito menos a dedicação em aprender e exercitar a tabela. Há diversas versões de site para tradução, onde basta digitar o texto, em um código ou outro, e receber na outra codificação.

Bom lembrar, é claro, que pouco adiantará se você estiver em algum lugar distante de um computador. Perdido em alguma ilha deserta, seu iPhone ou iPod Touch será de pouca valia, afinal qualquer antena estará longe demais para um contato... Convém aprender pelo menos o código para S.O.S..

quarta-feira, 8 de abril de 2009

LED

Como mudam as coisas...

No meu tempo de curso técnico, LED era apenas um componente comunzinho, coadjuvante da maioria dos projetos criados pelo estudante. Era apenas a "interface visual" dos circuitos.

Estudantes mais ousados o utilizavam com componente ativo, com função mais determinante, aproveitando suas características e curvas de função. Melhor proveito para pequenino tão capaz...

Ainda que imaginasse, ou visse, utilidade mais complexa, mal poderia imaginar o futuro que o aguardava. Em tempos de otimização de consumo de energia, esse espartano emissor de luz ganha destaque.

Thomas Edison
gastou muita energia, principalmente intelectual, para produzir a revolucionária lâmpada incandescente. Passamos a controlar a luz! E ele, além de fornecer sua fonte luminosa, forneceu a fonte para a fonte, a rede de distribuição elétrica. Afinal como faríamos para utilizar genial invenção?

Talvez venha daí o grande problema do invento. Criado por alguém interessado em vender energia, sem dúvida a última de suas preocupações seria ser econômico. Desperdiça boa parte da energia consumida produzindo somente calor, energia térmica.

Na época do apagão, o santo graal do consumo de energia foram as lâmpadas fluorescentes, assim chamadas econômicas. Avalanches de de tubos deste exemplar invadiram as lojas. Pouco tempo depois já tinham assumido a forma de suas gastonas concorrentes, se adequando melhor aos bocais e lustres pelo país.

Unidos em matrizes de luzinhas, os LEDs são a nova tentativa em produzir uma fonte de luz moderna e adequada às nossas condições ambientais do momento e futuras. Já podemos vê-los em semáforos e faróis de automóveis. Ainda possuem a vantagem adicional de não falharem todos de uma vez.

Configuração mais moderna, compatível com as lâmpadas existentes no mercado, eles prometem substituir cotidianos bulbos. Com menor consumo, potência adequada e custo acessível, conseguiram prevalecer num futuro próximo. Quem diria que os pequeninos componentes poderiam ressurgir em formato tão variado e promissor. Nunca devemos desprezar os pequeninos.

terça-feira, 31 de março de 2009

Mutante

Manipular é palavra-chave nas ações humanas.

Moldamos a natureza para melhor se adaptar às nossas necessidades. Desenvolvemos um sentimento de realizar, de modelar o mundo.

Realização plena acontece com a construção de programas. Em um mundo virtual, interno ao computador, as ideias mais impensáveis tomam vida.

Enorme abstração da realidade! Por não serem físicos, os programas assumem essa cara mutante. Coringas das mais diversas tarefas, assumem os papéis demandados pelo nosso cotidiano.

Como desejaríamos poder transformar da mesma maneira objetos materiais, num passe de mágica, transmutando água em vinho. Gostinho de poder divino...

Se depender da Intel, poderemos passar da etapa do gostaríamos! Baseada em nanotecnologia, ela propõe uma solução para criação de objetos 3D, como as "impressoras" de ferramental para a indústria, que de um desenho constroem um peça tridimensional.

Batizada de matéria mutante ou matéria programável, a concepção da gigante dos chips vai em mais além. Permitiria a elaboração de qualquer modelo físico, partindo do arranjo de moléculas. Verdadeira gestação de coisas a partir do pó!

Ideia apresentada através de um vídeo, disponível no Youtube, dá pra ficar pasmo com as imagens. Mesmo sendo apenas uma ilustração das possibilidades, mexe com algum sentimento nosso de realização, de tendência ao gosto pelos superpoderes, dignos de alguma divindade.

A geração do objeto acontece em frente dos seus olhos. Vemos as estruturas surgirem e se comporem. Além da criação, podemos alterar seu formato ou cor com as mãos. Experiência tátil e intuitiva para modelagem de praticamente qualquer item imaginado.

Uma senhora interface, bem melhor do que abstrair linhas e traços em um CAD, sem falar na praticidade e adequação às habilidades humanas. Seguimos assim, em busca de propiciar ferramentas para mudarmos o mundo. Esse mundo em mutação intensificada pela ação do homem.

domingo, 29 de março de 2009

Hidrogênio

"O verdadeiro é simples" (Goethe).

Quem diria, uma das apostas nas visões do futuro é a utilização de células de hidrogênio como combustível. Justamente o mais simples dos elementos, primeirão da fila na tabela periódica.

Lembro das decorebas das aulas de química. "Hoje Li Na Cama Robson Crusoé" em Francês era o acróstico para memorizarmos os elementos alcalinos. Tanta memória desperdiçada...

Voltando a nosso amigo Hidrogênio, ninguém poderia ser mais singelo. Apenas uma letra para representar, apenas um elétron para disponibilizar, tanta contribuição na composição da existência.

Pensou em hidrocarbonetos, palavra muito em voga, lá está ele. Precisou de água, elemento essencial à vida, sua presença é mais do que conhecida. A estimativa é que represente 75% da massa elementar do Universo.

Potencial extremo de energia em tão pequeno pedaço de matéria, a Bomba H, baseada no elemento, tem o poder 750 maior que qualquer bomba nuclear. Ainda bem que nunca ninguém arriscou usá-la para seu fim, apenas em testes. Pois é, infelizmente alguém a construiu...

Porém, para fins mais construtivos, o potencial deste elemento foi aproveitado para prover energia. Stan Ovshinsky persegue há anos a construção de células de energia baseadas em hidrogênio. Através de diversas empresas que criou, pesquisou e desenvolveu tecnologia nas mais diversas áreas de energia.

Cinco décadas atrás, ele e sua esposa, propuseram uma ideia radical do ciclo do Hidrogênio. A criação da economia do hidrogênio que aproveita este bem natural com fonte última de energia, para todos os fins. A disponibilização plena desta fonte renovável e limpa está próxima de ocorrer.

Sabedoria de dois grandes senhores, o simples pode se tornar a verdadeira resposta para muitos dos nossos problemas da sociedade contemporânea, principalmente energéticos. Espero que a convicção na solução impulsionará o desenvolvimento de técnicas e dispositivos economicamente viáveis, num futuro que possamos presenciar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Witricity

Cabos, fios, tomadas... Armadilhas emaranhadas.

Um verdadeiro carma associado à tecnologia. Inevitável cordão umbilical para muitos equipamentos contemporâneos. Amarras para a mobilidade

Em certos casos, estamos conseguindo eliminá-los com relativo sucesso. Em grande parte apoiadas no conhecimento sobre o rádio, o mundo wireless só faz crescer.

Telefones são dos beneficiados mais óbvios. Associá-los a um rádio comunicador foi questão de tempo. Pode ser que um dia a telefonia celular provavelmente venha a extinguir a fixa.

Com o Bluetooth conseguimos melhorar as condições das mesas de computadores. Pelo menos a situação atrás delas... Através desta tecnologia podemos conectar dispositivos dos mais variados sem a necessidade de ligação física.

As redes wifi libertaram os computadores das redes locais. Em versões de longo alcance, como o WiMax, os horizontes são ampliados em alguns quilômetros. O crescente provimento de sinais em nossos ambientes permitirá esquecermos que um dia o RJ45 foi necessário.

Quando achamos que atingimos o limite, a genialidade nos surpreende e apresenta mais alternativas. Alguém poderia imaginar ser possível dispensar cabos para transmitir energia elétrica? Justo ela, intrinsecamente associada aos elétrons presentes nos fios.

O cabo é seu ambiente, seu ecossistema. Aprendi isso nos remotos tempos do curso de técnico em Eletrônica. Imaginar elétrons circulando, de uma fonte geradora até um aparelho consumidor, sem o meio físico, beira a imaginação da ficção científica.

Marin Soljačić discordou dessa ideia. Ele e seu time de pesquisadores desenvolveram a Witricity. Isso mesmo, eles deram um jeito para transmitir energia elétrica sem a presença de fios. No fundo, no fundo, resgataram a antiga indução eletromagnética em nova aplicação.

Com tantas ondas circulando por aí, fico só imaginando como estarão nossas células neste mar de emissões. O jeito é confiar nos testes de segurança... De resto, fica a admiração da capacidade inventiva humana, a transformar desejos em realidade, transformando a própria natureza.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Correria

Tempo, escasso tempo...

Quantas e quantas pessoas reclamam à nossa volta sobre a falta de tempo. Mal começamos o ano e já se passaram quase três meses!

Engraçado hábito de arredondar os tempos para mais. Aumentar o desperdício, intensificando a impressão de maior quantidade desapercebida.

Um caro professor costumava fazer joça com a situação. Quanto encontrava alguém, perguntava "Tudo bem?". Ao receber a costumeira resposta "Tudo. Na correria.", imediatamente tascava "É? Pra onde?".

Pois é, andam na correria, mas sem saber para onde. A reação mais comum é congelar diante da indagação. Falta de rumo revelada drasticamente.

Observo que boa parte de nossa falta de tempo está associada às rotinas da vida contemporânea. Na sua maioria, estas devoradoras de tempo vêm agregadas a itens tecnológicos.

Justamente a boa e velha tecnologia criada para nos ajudar a viver melhor., mais fácil Triste afastamento do real... Adquirimos tamanho grau de complexidade que a própria manutenção de nosso sistema se faz onerosa, voraz consumidora de preciosos minutos.

Há quem se perca mais no gerenciamento dos tais gadgtes, do aprendizado da utilização dos recursos, do que no usufruir de seus benefícios. Dilema velho na construção de uma simples apresentação corporativa. Utilizar ferramentas de software, como o PowerPoint, ou as "antigas" folhas de acetato e suas canetas mágicas?

Se contarmos então com outras consequências, a despesa tende ao prejuízo. O uso do e-mail, por si só, já nos custa aprendizado e esforço de gerenciamento. As pragas do spam, vírus e outros malfeitores, só pioram o panorama. Comunicação que é bom, muito pouca.

Lógica meia distorcida pode surgir... Se esses monstrinhos, construídos para facilitar, dissolvem nossos dias em ações periféricas, só há uma conclusão. Se quiséssemos ter mais tempo, aproveitar melhor a vida, deveríamos vivê-la da maneira mais difícil.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Gigapan

Ganhamos continuamente acesso a novas tecnologias.

Nosso mundo contemporâneo parece movido a disponibilizar novas traquitanas tecnológicas. Quase cotidianamente temos mais recursos por menor preço.

Ciclo extenuante. Dá o que pensar qual será o fôlego desta força motriz... Sejam novas versões ou novas ideias, elas pululam quase diariamente em notícias e sites.

Lembro que, há quase 15 anos, quando fui comprar um novo computador, paguei US$ 50 por Mb de memória! Os 16 Mb daquele momento, só de RAM, custaram singelos US$ 800.

Trocando em miúdos, com o preço de um computador atual, sem as correções monetárias necessárias, dava para comprar apenas a vaga lembrança do remoto Pentium daquela época!

Computador é fichinha perto da revolução na área de telefonia celular. Os verdadeiros computadores de mão, presentes no mercado de hoje, guardam pouco herança genética com os antigos tijolões, mais parecidos com rádios de guerra. Sem mencionar a questão da comparação de preço...

Em outras áreas nem imaginamos como é acessível certa tecnologia. Recentemente, circulava a notícia sobre a foto de 1.474 Megapixel produzida na cerimônia de posse do presidente Obama. Novidade espetacular, remetendo a filmes de espionagem.

Se uma foto com tal definição está ao alcance de um documentário, amplamente divulgado, quais não seriam as possibilidades para alguém do serviço secreto americano? Passamos a pensar nos satélites espiões, armas teleguiadas, grampos pela Internet.

Lembrei até de Blade Runner... Durante a investigação de Deckard, personagem de Harisson Ford, ele usa uma foto do local do crime, para procurar pistas do autor. Numa navegação cheia de zoom e melhora de definição, ele encontra vestígio do suspeito. Com uma foto na tal definição hiperlativa seria moleza.

Dias depois da notícia, num passeio a esmo, encontrei o tal equipamento para realizar a dita foto. Para meu espanto, ele é extremamente acessível! Por cerca de US$ 400 podemos ter um Gigapan System, para realizar o controle da panorâmica.

O truque é usar este equipamento que movimenta uma câmera digital convencional para registrar as diversas partes da imensa imagem. No caso da foto em questão, bastou um Canon G10, equipamento de preço nem tão astronômico.

Solução simples e bem bolada. Pobres mortais podem sonhar em possuir algo assim, mesmo que para registrar uma paisagem qualquer, sem muita relevância. A ficção vai ter que se esforçar para bolar gadgets futuristas e bem mais interessantes.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ilusão

"There's no spoon".

Tememos demais nossas próprias criações. Imaginamos mirabolantes teorias conspiratórias, à nossa captura. Não há o que temer, são medos infundados. Ou há?

Na ficção científica, já não é de hoje, contamos histórias de como pode ser perigoso brincar com a tecnologia ou a ciência. Mecanismos artificiais desenvolvidos, em algum momento, acabam por se virar contra nós.

Foi assim desde o monstro de Frankestein, ou outros ancestrais, até a sofisticada engenharia presente em Matrix. Perdemos o controle e terminamos reféns.

Porém, como sempre, é apenas ficção... Basta pensar no mundo virtual vivenciado por Neo e companhia. Demorará muito até conseguirmos conexões neurais e simulações como as apresentadas por lá.

Falta muito à medicina e à neurociência para possibilitar tamanha intervenção em nossos neurônios. Que dizer, então, sobre o poder de processamento necessário para um controle daquele porte.

Tudo isso porque sonhamos com algo chamado inteligência artificial. Confusão constante, pois comumente relacionamos com a ideia de consciência, que são assuntos bem distintos. Poderíamos pensar em máquinas com inteligência, mas não necessariamente com consciência. Principalmente, com vontades...

Lembra um pouco até teorias como a evolução memética. Mudança de foco sobre a história da existência no universo conhecido. No fundo, quem estaria evoluindo e existindo de fato seriam os memes, utilizando nossa existência para se perpetuar.

Vendo desta forma, intriga nossa postura com relação à utilização da tecnologia contemporânea. Somos tão dependentes dela que praticamente somos capazes de afirmar que a tornamos imprescindível. E continuamos a atualizá-la, versões e mais versões!

Escravos da evolução de gadgets, dominados pela eletrônica presente em nossas vidas. Temos a ilusão de que nós os criamos, mas quem pode assegurar que não somos apenas o meio para seu desenvolvimento? Plataforma celular construída para sua viabilização.

De alguma forma, existiria tal inteligência propulsora dessa evolução, nos usando para acontecer. Sem condição de voltar atrás, fomos condenados a mantê-la, promovê-la e perpetuá-la. Revelado esse novo viés da verdade, nos espantaremos quando alguém nos disser: "Benvindo ao deserto do real"!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Teleporte

"Diário de bordo. Data estelar 41200.2..."

As visões da Star Trek têm nos perseguido, ou nós perseguido suas visões. Depois de alguma semelhança com o Holodeck, recentemente li uma notícia mais reveladora ainda.

Sonho de consumo de muitos paulistanos, cansados do caótico trânsito da cidade, cientistas conseguiram desenvolver o embrião de mais uma tecnologia trekker: o teleporte!

Tudo bem que está longe de ser o espetáculo do equipamento da USS Enterprise, mas nunca é demais sonhar... Os cientistas conseguiram teleportar um átomo à distância de um metro.

Brincadeira relacionada à história da onda-partícula. Para os menos avisados, ou não iniciados na ciência, vale a pena comunicar que o mundo é pouco diferente do que vemos.

Partículas subatômicas se comportam ora como partícula, ora como onda. Significa dizer que há certa indecisão da matéria. Sem falar em singularidades, como no caso onde é possível a mesma partícula passar por dois buracos ao mesmo tempo, no mesmo instante.

Nasceu daí algumas ideias a fundamentar a experiência. Enquanto tudo estava no reino da teoria, ficava um pode ser... Só que a alma inquieta humana vai atrás da imaginação. Acaba por realizar o impensado. Desafia a natureza e consegue confrontá-la, descobrindo um pouco mais sua estrutura.

Certamente há um longo caminho a trilhar. Uma coisa é transportar uma partícula, o que já levou considerável custo de energia e dinheiro. Outra bem diferente é levar um complexo conjunto estruturado delas, de maneira prática e economicamente viável.

Somente o tempo dirá... Levará anos, décadas, séculos ou milênios? Prefiro não arriscar. Vai saber se alguma luz surgirá inusitadamente, revelando uma peça chave do quebra-cabeça. De repente alguma visão não convencional muda os ângulos e transforma o problema em algo simples.

De qualquer forma, seria ótimo decidir ir para casa, depois de um longo dia de trabalho e apenas programar o transporte. Em questão de segundos estaríamos na sala de casa! Chega de aperto no Metrô, buzinada na Radial, catraca emperrada na lotação.

Sobra uma pergunta no ar... Se todos os meus átomos forem transferidos e, hipoteticamente, seja possível rematerializá-los em outro lugar, organizados exatamente como sou, ainda assim serei eu? Terei as mesmas lembranças e consciência? Hein?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Escrita

Como ficará a escrita nas futuras gerações?

Das maiores invenções humanas, o registro de ideias e histórias garantiu recursos infindáveis para nossa evolução. Seguimos da tradição oral à fidelidade dos traços em algum local.

Desde a escrita cuneiforme, até as mal traçadas letras deste post, viemos grafando sons em algum tipo de meio, mídia. Concretizamos o etéreo fluir do ar!

Nós, os nascidos ainda no final milênio passado, fomos alfabetizados e treinados a escrever, com letra de mão ou de forma. Essa era a discussão principal, qual das duas preferir?

Questão de coordenação motora e expressão, era tarefa das mais desafiantes. Todos queriam ter uma boa letra. Época dos cadernos de caligrafia e os infinitos preenchimentos de linhas com letras, sílabas ou números.

A máquina de escrever existia, mas convenhamos não era dos meios mais práticos e acessíveis. Eu desfrutei do privilégio de trabalhar em uma empresa de computadores, na adolescência, e redigir meu trabalho de conclusão do segundo grau em um programa editor de textos. Muito mais interessante.

Hoje escrevo a mão muito pouco. Praticamente nada. Apenas um preenchimento de formulário aqui, um pequeno bilhete ali, uma notação de reunião acolá (digitalizada em seguida)... Duros momentos, quando em algum curso, se faz necessário notas de aula! A destreinada mão chega a doer.

Integrantes da geração N, as crianças deste milênio, terão grande chance de prescindir dessa prerrogativa. Provavelmente ainda serão treinadas a escrever, mas para utilizar muito menos, certamente. Na tenra infância já são usuários de computadores, reduzindo ainda mais seu contato com caneta e papel.

Cartas já estão quase no limbo. No meu caso, ainda insisto em mandar cartões de Natal, no final do ano, por pura barato de cultivar a "tradição"! O registro de reuniões ou aulas dispõe dos mais diversos meios eletrônicos, sempre mais acessíveis.

Veremos a extinção da escrita manual um dia? Para que utilizar uma tecnologia tão "antiga", frente a tantos outros modos disponíveis? Como convencer as fresquíssimas gerações que é necessário fazê-lo?

Penso até se a utilização das mãos em uma interface, como o teclado, sobreviverá ao tempo. O importante é o registro da informação, podendo esta ser transmitida oralmente, por exemplo. Vai saber as novas interfaces que surgirão no futuro, com computadores mais potentes...

Quando o homo sapiens ficou ereto, se permitiu utilizar as mãos para outras tarefas. Desenvolveu ferramentas, tecnologias e evoluiu. Agora, se livrarmos as mãos do fardo de nos comunicarmos, quais outras habilidades poderemos ganhar?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

BarackBerry

A mudança chegou!

Tecnologicamente, ao menos, parece que sim. Sem querer falar mais um pouco do novo presidente americano, mas já falando... Inevitável, principalmente quando o assunto é tecnologia.

Após oito anos de certa "idade das trevas", certo obscurantismo tecnológico, surgem luzes de novidades no governo americano.

Durante o governo Clinton assistimos o advento da Internet comercial. No último período, pouco mudou, fora quando algumas iniciativas ainda não foram podadas, das pesquisas com DNA ao ensino científico.

Uma vez eleito Barack Obama, um dos primeiros temas na mídia era seu uso intensivo de BlackBerrys. Só que presidentes naquele país eram totalmente desconectados, em todos os aspectos e meios.

Protegidos por um cerco de segurança e preocupação, toda e qualquer comunicação presidencial passa pelo crivo de equipes preparadíssimas.

Como solucionar o conflito? Seu staff foi acionado e conseguiram uma solução personalizada, para uma lista restritíssima de contatos. Um BlackBerry presidencial, simpaticamente batizado em alguns meios de BarackBerry.

Difícil distinguir se o apelido do gadget é bem-humorado ou preconceituoso... Basta ver a parte substituída no nome. O fato é imutável. Algo inédito foi concedido àquele presidente. E de abertura em abertura, as promessas de ventos inovadores ressoam pelos quatro cantos.

Aguardemos para ver o resultado. Na questão do "simples" BlackBerry, o desafio e gigantesco. Sabemos do inferno que é nos manter imunes a ataques. Dá para imaginar o trabalho do serviço secreto americano. Pelo menos será uma plataforma para desenvolvimento de muitas alternativas, com certeza secretíssimas.

Outras inovações também impressionam. É só dar uma visitadinha ao site do governo americano. Visual moderno e clean. A legítima Casa Branca virtual! Para completar encontramos o quê? Um blog! Tudo bem que não é diretamente o presidente, mas estão lá suas pretensões ou sua representação.

Ainda vale lembrar os vídeos e fotos da posse, enviados por participantes da cerimônia, registrados até mesmo por uma das "primeiras filhas". Promessas de investimento e pesquisa em energias renováveis, engajamento ambiental e outras promessas modernas. As mudanças parecem começar...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Estio

Novamente às voltas com a ficção científica...

Por diversos posts reflito sobre a questão. Basta procurar por ficção, Asimov ou outro termo associado, neste blog. Natural para quem se diz aficionado?

Preocupações com o sonho humano, com sua habilidade em sonhar... Seria apenas a aspereza da contemporaneidade a nos exaurir e incapacitar, embrutecer?

Dia desses, li algumas opiniões a discutir os motivos do nosso atual estio científico ficcional. Giram em torno da tecnologia moderna, como eu já venho aventando.

Avançamos tão rápido tecnologicamente que nem temos tempo de vislumbrar o futuro? A velocidade nos dá poucas condições de entender plenamente o momento, poder conhecê-lo, para conseguir então projetar quais seriam os possíveis desenvolvimentos, ou quais desejaríamos.

Quem sabe, por outro lado, temos condições muito melhores de antecipar as inovações e os rumos a seguir, ao ponto de ficar sem graça "brincar" de adivinhar. Perdemos o lúdico em decorrência da sisuda certeza do advir.

Há quem culpe o ritmo da vida. Passamos tão rapidamente nossos dias que, quando nos damos conta, já é amanhã. Falsa sensação de viver continuamente o futuro! Para que então sonhar com ele, se está sempre tão "presente"? É questão de pouco tempo...

Também se postula a falta de conhecimento. Isaac Asimov, Carl Sagan, Júlio Verne eram, antes de mais nada, conhecedores da ciência e seus meandros. Acadêmicos profissionalizados têm hoje pouco interesse me especular sobre o mundo que deveria diverti-los?

Sem ciência ficcional ou mitologia popular sinto a humanidade um pouco menos humana. Prefiro uma outra versão, mesmo que assombrada por demônios. Mais graça e mais cor pontuavam os mistérios da vida, impulsionavam desejos de descoberta e sobrevivência.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ecopedal

Atenção! Os videogames ajudam a indústria.

Depois da geração Coca-cola, talvez as gerações seguintes sofreram a influência dos jogos eletrônicos. Talvez não, certamente. Geração Nintendo?

Geração influenciada, novas tendências lançadas a todos os cantos. O aprendizado na infância carregamos para a vida adulta, principalmente quando adquirido de forma lúdica.

Os controles com tecnologia force feedback já não são novidade. Presenteiam os jogadores com alguns sentidos a mais, além da visão e audição.

Nosso computador central agradece quando temos alguma resposta adicional para conduzir nossas ações e condicionamentos. É muito mais legal perceber a resistência do ar, ou de uma frenagem, em um ambiente virtual.

Sem perceber, em nosso mundo real, bem concreto mesmo, às vezes somos privados de utilizar algum dos nossos sentidos, ou eles são mascarados. Dentro de um veículo em movimento, normalmente perdemos a noção das condições externas, principalmente em automóveis com tecnologia e potência.

A Nissan produziu uma novidade, prevista para estrear em 2009, que mudará bastante a sensação ao volante: o Ecopedal. Similar aos controles com force feedback, este pedal de freio reage de acordo com as condições do movimento do veículo.

Algumas vantagens proporcionadas pelo novo sistema são muito bem-vindas. Em determinadas condições, se o sistema notar acerta anormalidade na condução, poderá emitir vibrações para despertar o motorista desavisado ou distraído.

Em questão de segurança, com a determinação de distâncias seguras, de acordo com a velocidade, ele pode oferecer resistência para impedir o aumento da aceleração. Informação plausível em sensores visuais ou sonoros, mas que parece bastante adequada ao sentido do tato.

Além disso, em tempos de preocupação ambiental e crise econômica global, é possível sua utilização para evitar o desperdício de combustível. Apenas se as variáveis forem favoráveis, mais pressão será aceita para aumentar a velocidade.

Quantas outras utilidades não podem ser encontradas? De que outras formas os controles podem evoluir? Prestemos atenção ao mundo da diversão eletrônica. Mais do que diversão, os frutos dessa geração têm potencial para revolucionar muito mais do que equipamentos...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Esfera

Se ainda fosse no país do futebol...

Semana passada, em outra divulgação de projetos de sua iniciativa Surface, a Microsoft apresentou um computador com interface esférica! Mas por que redonda?

O vídeo de sua apresentação está disponível na rede, mas as justificativas de seu uso giram em torno de apresentações de mapas geográficos, explicações sobre o planeta ou demonstração de fenômenos naturais.

Interfaces planas, em formato de mesa, parecem mais adequadas. Imaginar o ambiente de trabalho virtual, disponível ao toque, concretiza sonhos dos trabalhadores digitais. Maneira mais natural de lidar com nossos instrumentos feitos de bits.

Esferas remetem a outras idéias... Prato cheio para quem gosta de previsões da área de TI, em momentos de pane. Finalmente poderemos dizer que nossa bola de cristal está sem pilhas! Ou talvez sem energia, mas a tal bola estará lá. Renasceremos como ciganas digitais.

Na célebre versão cinematográfica de "O Mágico de Oz" havia algo de profético. Dorothy a bruxa através de um globo. Algo como acessar o Google Maps, com alguma solução de localização de pessoas, através da novidade da Microsoft.

Refilmaremos o clássico "O Grande Ditador", de Charles Chaplin. O balé do conquistador, brincando com o globo do mundo será trocado por um encadeado bailar com um computador esférico, mais adequado ao mundo da informação. Dominar o mundo através da computação!

Hércules renovado posará também com um deles, para esculpirmos sua nova estátua, ícone de sua força. Carregar o peso da informação mundial... Décimo terceiro trabalho, possível apenas para um deus olímpico.

Amplamente difundido talvez o formato não seja. Principalmente em tempos nos quais a indústria de tecnologia se concentra nas quatro telas de interface: TV, computador, celular e PDAs. Distantes estão as imagens de geladeiras e armários com monitores integrados...

De qualquer forma, explorar novas idéias sempre é necessário. Do exercício das conexões neurais surge a mudança e a inovação. Para os detratores da gigante do software, ainda assim acharão que o império do mal lançou sua nova "esfera da morte".

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Bits

"Todos os livros do mundo não contém mais informação do que a transmissão de vídeo, em uma pequena cidade americana, em apenas um ano. Nem todos os bits tem o mesmo valor."

Em uma sábia observação, dentre tantas outras, Carl Sagan aponta uma das idiossincrasias dos bits. Seria essa assimetria culpa deles ou nossa?

O bit (binary digit), menor representação de informação digital, é responsável por uma das maiores abstrações humanas existentes: a tecnologia da informação.

Em essência, se olharmos os eventos ocorridos dentro de um computador, tudo é apenas um sem número de oscilações elétricas, entre dois níveis distintos e discretos, a representar cada um dos dois bits possíveis. Para quem joga, acessa a Internet, ou trabalha em sua estação, a sensação é de um mundo concreto, muito mais para o real do que o virtual.

É como quando aprendemos a dirigir. Depois de esquecermos as regras e os controles, vamos no automático. Somos capazes de manobras e malabarismos, com implicação de raciocínios extra, uma grande composição de pequenos movimentos e impulsos. Resultados complexos costumam até nos maravilhar.

Fizemos o mesmo com a informação. A bem da verdade, fizemos com o próprio mundo. Decodificamos tudo que passou a nossa frente em pedacinhos cada vez menores, representativamente, paulatinamente, até chegarmos ao mundo indivisível do 0 e 1.

Ocorre que a codificação de texto em informação digital exige menos esforço. O alfabeto já é, em si, uma codificação de informação. Parte do trabalho está feita. Por outro lado, não temos um alfabeto visual, apenas cores e formas. Tais elementos combinados criam uma infinidade de padrões e conseqüente aumento da complexidade.

A crítica é à facilidade da informação visual. A facilidade leva a preferência para seu uso na massificação. Mundo da massificação, idade mídia! Bem sabemos que nem tudo desta era são flores... Pena é que os volumes são muito maiores.

Somos assim mesmo. Nem sempre empenhamos esforço equiparado, equivalente, de acordo com a importância de nossos objetivos. Pobres de nós no desperdício de tantos bits. A redescoberta dos bons bits otimizaria muito da nossa história. Cuidado na escolha de culpados!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

GPS

Localização geográfica nunca foi meu forte.

Pelos últimos lançamentos do mercado de traquitanas tecnológicas, talvez nunca seja. Os equipamentos portáteis de GPS vêm se tornando sistematicamente mais acessíveis.

Minhas andanças pela cidade são sempre acompanhadas pelo meu equipamento de navegação indispensável: minha esposa. Sua bússola interna é muitas vezes mais aprimorada do que a minha.

Os novos equipamentos, com valores entre R$ 650,00 e R$ 1.600,00, substituirão muitas pessoas com boas "bússolas internas". Poupará certa divergência e discussão, se esquecermos os momentos quando esses aparelhinhos perdem o sincronismo com os satélites. Ao menos podemos xingá-lo sem muita dor na consciência. :)

Com mais esse gadget, as capacidades humanas correm sério risco. Depois do acesso facilitado pelo Google, a qualquer tipo de informação, problemas de memória começam a ser comuns. Achei meio exagerada a afirmação no início, mas eu mesmo tenho percebido certos sintomas. Também para que lembrar? Basta 'googlar'!

No caso da localização, com tantas opções e coberturas de localidades abrangentes, por que decorar novos caminhos? Está tudo lá, organizado, acessível e preciso, com raras exceções e problemas. Ainda podemos escolher com qual voz gostaremos de ouvir as instruções.

Pobres do motoristas de táxi de Londres. Atualmente, para ser aprovado como tal e ganhar sua licença, é necessário conhecer as ruas da cidade de cor. Seus cérebros são motivo de estudo, devido às alterações sofridas por essa incrível condição. Em breve, poderemos perder esse tipo de material de pesquisa. Aliás, eles parecem desprezar os novos sistemas.

Incômodo maior fica para a lembrança de o sistema de satélites, responsável por fornecer o serviço de localização, é de propriedade dos americanos. Os europeus incomodados com a situação já lançaram suas alternativas. Imagina se eles iriam ficar com essa dependência facilmente.

Para termos uma bússola bastava um pedacinho de metal magnetizado... Só que elas não falam e precisam de um pouco mais de compreensão e leitura.

Num mundo de desnorteados, como diriam os franceses, debusoles (gostou da lembrança, caro professor?), a influência desse serviço pode contribuir mais um pouquinho com a falta de norte.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Súbita

Morreu de morte súbita, o HD DVD!

Galinha morta, a notícia já tem quase um mês. A efemeridade das trocas tecnológicas é tanta que quase nem percebemos e nos esquecemos de comentar.

E vamos empilhando nossos 'ultrapassados' itens recém-lançados. O ritmo das obsolescências tem se acelerado.

Num passado recente, pelo menos para os 'mais experientes', o Betamax demorou mais de uma década até ser derrotado.

A disputa entre o Blu-Ray e o HD-DVD nem deu tempo de esquentar. Estrearam nos idos de 2006 e, em menos de 2 anos, um deles já venceu a contenda. Até meus posts ficam efêmeros mais rápido, afinal nem completou 4 meses o levantar de dúvidas neste blog.

Aliás, não há mais dúvidas. Por enquanto, o Blu-Ray é o padrão. Também não há dúvidas da enorme quantidade de dinheiro jogada for pelos early adopters. O preço de um player HD-DVD nem chegou a baixar. Ficou longe de nosso parco poder aquisitivo.

Pior é a situação dos XBOXs 360. Nesse caso, a opção pela tecnologia foi dos criadores do game. Quem o comprou optou pela tecnologia de jogo, mas agora tem um player sem futuro. Qual será a opção nesse caso, oferecida pelo fabricante? Há alguma?

De qualquer forma, nosso grande amigo Sócrates (que intimidade, hein?) está mais atual do que nunca: "Só sei que nada sei". Afirmação mais acertiva seria impossível! E o horizonte tecnológico é constantemente mais nebuloso no quesito da futurologia.

O jeito é ser mais pragmático e avaliar melhor o retorno em qualquer investimento na área. Seguir tendências, se é que existem, pode acabar deixando o usuário com um modelito meio fora de moda.

domingo, 16 de março de 2008

Masdar City

Hidrocarbonetos é nossa representação moderna de uma caixa de Pandora.

Sem eles, nossa civilização não chegaria ao patamar de desenvolvimento atual. Com ela, poderemos estar próximos da extinção de nossa existência.

Dos maiores beneficiados com esta contemporânea dicotomia, o maior produtor mundial de nossos famigerados insumos combustíveis, surgiu a iniciativa de desenvolver alternativas viáveis e concretas de energia.

Os Emirados Árabes Unidos, representado por um de seus 7 países, a maior nação e capital Abu Dhabi, em 2006, lançou o projeto Masdar. Batizado de iniciativa Masdar, ele tem como fruto principal a cidade Masdar.

Projetada para comportar 50.000 habitantes e 1.500 empresas, deverá levar 10 anos para conclusão do projeto, ao custo de US$ 22 bilhões de dólares. Em 2009, já estará completa a primeira fase habitável.

Ambiciosa, a iniciativa busca soluções para as mais prementes questões humanas atuais: segurança energética, alterações climáticas e desenvolvimento humano realmente sustentável. O suporte financeiro é bancado pela abundância financeira do país sede, através de fundos de investimento, com US$ 250 milhões de dólares iniciais em parceira com o Credit Suisse.

Será uma confissão de mea culpa? O peso da responsabilidade pela situação planetária os tocou? Ou é a preocupação com a viabilidade de sua matriz econômica?

Esforço deste porte poderia ser despendido para causas mais pragmáticas, mas a escolhida é tão ou mais essencial. O próprio WWF apóia o projeto, lhe propiciando certo respaldo. Preocupa a muitos que a iniciativa não passe de mais uma luxúria dispendiosa dos endinheirados xeques.

Particularmente, observo no cerne do empreendimento a ocorrência do mesmo recorrente vício humano: intervir. Comumente supomos sermos capazes de alterar a natureza e lhe dar o rumo desejado por nossas carências.

Muitas vezes melhor seria aprendermos a nos integrar mais com nossa grande mãe.