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terça-feira, 3 de março de 2009

Graus

Vai dar branco?

Nem imaginamos o quanto pequenas ações podem colaborar imensamente para o meio ambiente. Deixamos de fazer boa parte por acreditar que não terão efeito significativo.

Fim de semana, intervalo comercial e sou surpreendido por um anúncio no mínimo intrigante. Depois de algum texto alusivo à tinta branca, vejo o promotor de tal vinheta: One Degree Less.

Segundo resultados de trabalho de pesquisadores do Lawrence Berkeley National Laboratory, a simples pintura dos telhados de edifícios com a cor branca pode melhorar muito o clima nas grandes cidades.

Focado no estudo das ilhas de calor, regiões espaço-temporais urbanas com temperaturas elevadas, foi possível observar a participação dos telhados nas variações térmicas.

Os topos dos edifícios representam cerca de 25% da geografia urbana, segundo o estudo. A incidência e a absorção de raios solares por estas estruturas é determinante em fatores ambientais importantes. Com temperaturas mais altas, maiores são os níveis de poluição, mais elevado o consumo com ar-condicionado e a frequência de doenças relacionados ao calor.

Com a presença da cor branca, a reflexão dos raios solares é mais eficiente. Teríamos como consequência a redução do calor, combateríamos o excesso de emissão de CO2 e retardaríamos o aquecimento global! Simples, não?

Encontraram uma forma de compensar os efeitos danosos da destruição da camada de ozônio. Para quem ainda não sabe, esta é a tal camada que protege nosso planeta do bombardeio da radiação eletromagnética do Sol. Um guarda-chuva natural sendo aos poucos desmanchado.

Desafiados a colaborar, com a disponibilidade de doar tinta e mão-de-obra para o próprio telhado, quem sabe conseguiremos reduzir em 1 grau a temperatura de nossa região. O projeto tem o apoio de grandes empresas brasileiras, além do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Parece uma pequena contribuição para um grande resultado. Mobilizemos empresas, escolas, condomínios, no melhor estilo "faça a sua parte". Oportunidade acessível, plausível e realizável. Não podemos deixar passar em branco.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Verde

Esverdearam o mundo da TI.

Nem torcedor fanático palmeirense, nem o Menino do Dedo Verde, a cruzada ficou a cargo da maioria dos ditadores de tendência do mundo da tecnologia.

Tema em alta, adotar algum tipo de política "verde", preocupada com a questão ambiental, virou anseio de qualquer CIO desejoso de se manter up to date.

Muitos mais do que se preocupar com desperdício de papel, as idéias brotam em todas as áreas da estrutura da informação. Mesmo porque, apesar dos esforços das corporações, a questão da impressão parece sempre dar em água.

As empresas instalam sistemas de gerenciamento de impressão cheios de recursos, disponibilizam ferramentas para operação de documentos digitais, mas as pessoas parecem adorar a pilha de papéis na mesa.

Aliás, a proximidade a uma impressora ou copiadora parece irresistível. Talvez seja a sensação de controle, possivelmente a única no dia-a-dia de muitos. Ou o calorzinho emanado, para quebrar um pouco o gelo do ar condicionado. Quem sabe aquele cheiro de toner é viciante.

Fato é que os grandes fornecedores de tecnologia, como IBM e Oracle, têm anunciado estratégias e produtos para viabilizar a economia de recursos naturais. Redução do consumo de energia de equipamentos e componentes, com as mesmas características de desempenho. Virtualização de servidores para melhor aproveitamento de seu potencial e diminuição do número de máquinas. O leque de opções dá assunto para um post exclusivo...

Revistas especializadas, blogs de tecnologia, páginas ambientalistas, apontam para a nova vertente. Assunto um tanto nebuloso no passado, o desequílibrio ambiental já pode ser tido como certo, mesmo sem conhecermos suas extensão total, após os diversos estudos publicados pelo IPCC.

Completamente justificável, a iniciativa ocorre muito mais do que pela simples feeling sobre o consumo dos sistemas ativos. Em 2007, Kevin Kelly, editor da revista Wired, estimou em 863 bilhões de quilowatts-hora a energia anual consumida pela TI mundial!

Para efeito de comparação, estamos falando de duas vezes o consumo do Brasil, ou 5% do consumo mundial! Se levarmos em conta a quantidade de recursos ociosos, mas ativos, já vemos o quanto há para ser feito. Quantas páginas, blogs, e-mails e outros tantos itens da nova economia digital não estão num limbo, perdidos ao acaso, mas consumindo recursos?

Urge corrermos para controlar o dispêndio inútil de tanta energia. O planeta agradece e o bolso também. Melhor aproveitar a boa vontade do momento e esverdear, antes dos líderes tecnológicos amarelarem e a coisa ficar bem mais preta!

sábado, 21 de junho de 2008

Carvão

Diriam os churrasqueiros, abençoado seja o carvão!

Há controvérsias! Evidentemente, elas não estão presentes no mundo das carnes assadas em churrasqueiras. Aliás, ele até é uma espécie de avô do diamante, sendo o pai o grafite. :)

Dilemas existem em outra área, menos evidentes. A metalurgia, em especial a siderurgia, são técnicas há muito conhecidas do homem. Essenciais em nosso tempo!

Ferro e aço estão presentes onde quer que olhemos. De nossas habitações a nossos veículos, somos uma civilização da informação, mas não nos iludamos, temos muito metal em nossas veias.

Ocorre que o processamento destes metais exige um consumo imenso de carvão. Exigência antiga, milenar e nunca substituída. Toneladas e toneladas de um material, de origem mineral ou vegetal.

No Brasil, com toda a sua grande produção, a ponto de sofrer barreiras alfandegárias para entrada nos Estados Unidos, utiliza muito o vegetal. E de onde ele vem? De nossas florestas! Poderiam ser de áreas de replantio, como faz a indústria de celulose, mas a grande maioria vem de matas nativas!

Em tempos de aquecimento global, contribuímos com dois importantes fatores para o fenômeno: derrubada de árvores e queima de combustíveis. Tudo em uma única batelada, para produção de um item essencial na indústria mundial. E corremos ainda o risco de um apagão florestal.

Ficamos novamente a cata de culpados. Coitado do gusa... E pensar que um processo tão antigo, apesar de aprimorado ao longo de sua história, não possui alternativa viável sua execução. Condenação irrecusável, pelo menos a primeira vista.

Ao colecionar fatos sobre nossa influência no planeta, vemos um cruel enlace de causas e efeitos. Mesmo quando extinguimos qualquer má fé, há uma equação de complexo equilíbrio. Até quando continuaremos "queimando" nossas opções? Ou nosso futuro?

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Impasse

Impasses são comuns na falta de fundamentação.

A questão ambiental ainda carece de clareza com relação a suas causas. O aquecimento é fruto da ação humana ou ciclo natural do planeta?

Discutir o assunto pode ter motivações políticas, com as conseqüentes influências, ou razões de sobrevivência, com as devidas preocupações.

Fatores da ação humana já são bastante divulgados. Os preocupados atentam para os cuidados e mudanças de atitude. Uma série de outras proposições são mais desconhecidas e colocam nossas reações em um impasse...

Em entrevista à revista Época, desta semana, Brian Fagan afirma estarmos passando por mais um ciclo do planeta. Há 12 séculos também sofremos com o aquecimento. O cenário àquela época mudou, civilizações se beneficiaram e outras foram prejudicadas. Incas, mongóis, europeus antigos e outros povos tiveram seus destinos alterados pelo evento climático.

Como estamos nos preparando para o advento de fenômeno desta magnitude? Podemos aprender algo com o passado? Quais condições ainda são presentes e influenciarão economia e política?

Certos estudos mostram que a influência do vapor d'água na atmosfera é mais importante do que o gás carbônico, para o efeito estufa. Uma vistosa contribuição de 98% do total da influência. Estaríamos nos concentrando em um dos agentes menos relevantes (CO2), enquanto um mais comum e importante continua agindo, sem nossa intervenção ou controle.

A confirmar essa lógica, outras pesquisas apontam uma influência pequena do fator humano na distribuição de gases da atmosfera, algo como 0,3% do total. O restante é relativo ao vapor d'água (novamente), atividade biológica dos oceanos, vulcões, atividade animal, etc.

Mesmo com relação às emissões de CO2, segundo alguns trabalhos, fontes naturais são responsáveis pela emissão de 150 bilhões de toneladas por ano. A contribuição humana é de apenas 7 bilhões de toneladas por ano. Óbvia desproporção, tal dado por mudar radicalmente a interpretação dos acontecimentos.

Contrapor novas informações, opostas ao consolidado combate a (assim considerada) nociva ação humana, nos coloca outro grande número de questões. Estamos longe de nos envolver em pesquisa, e termos condições de confirmar algo. Dependemos dos especialistas para tanto, mas o assunto toma contornos filosóficos, metodológicos e epistemológicos, longe de nosso alcance cotidiano.

Quais devem ser nossas futuras ações? Qual nosso papel? Temos condições de atuar de alguma maneira? Como será o futuro? Retomada de antigas questões, em novas condições modernas, como passivos espectadores do espetáculo global.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Biodinâmica

Alimentos orgânicos são uma tendência mundial.

Restritos anteriormente a pequenos nichos, ganham nos últimos tempos mercados mais abrangentes e exigentes. Sua produção começa a ganhar escala e facilita o acesso a tais tipos de produtos.

É engraçado batizá-los de "orgânicos". Queremos com esse rótulo classificar os outros de artificiais? Sabemos não se tratar disso, mas apenas da isenção de pesticidas, adubos químicos e manipulação forçada.

Há duas semanas, soube pelo programa Globo Rural da existência da Agricultura Biodinâmica. Na matéria em questão, foi apresentada uma fazenda de orgânicos, caso de sucesso e adepta da tal modalidade de agricultura.

Interessante notar que há tratamento ético em todo o ambiente envolvido na produção. Uma ênfase tão importante quanto ao cuidado com a plantação é o dispensado aos empregados do empreendimento. Registro em carteira, condições adequadas de trabalho são os itens mais básicos nesses cuidados.

A população local levou certo tempo a aceitar os métodos ambientalmente adequados implantados nas terras. Sua cultura do uso de produtos químicos, queimadas e desconhecimento do ciclo natural eram mais fortes do que as promessas do método.

Também me surpreendeu descobrir que este tipo de agricultura é fundamentado na Antroposofia e na pedagogia Waldorf. Já havia tido contado com suas idéias, mas tinha uma impressão de algo pouco prático. Mais uma das grandes teorias holísticas existentes.

Pude constatar o meu engano e perceber como é possível transformar boas idéias em soluções práticas e produtivas. Inesperadamente uma série de conteúdos distintos toma corpo em um conjunto de propostas interessante de conhecer.

Independentemente da doutrina filosófica, o planeta agradece.

domingo, 16 de março de 2008

Masdar City

Hidrocarbonetos é nossa representação moderna de uma caixa de Pandora.

Sem eles, nossa civilização não chegaria ao patamar de desenvolvimento atual. Com ela, poderemos estar próximos da extinção de nossa existência.

Dos maiores beneficiados com esta contemporânea dicotomia, o maior produtor mundial de nossos famigerados insumos combustíveis, surgiu a iniciativa de desenvolver alternativas viáveis e concretas de energia.

Os Emirados Árabes Unidos, representado por um de seus 7 países, a maior nação e capital Abu Dhabi, em 2006, lançou o projeto Masdar. Batizado de iniciativa Masdar, ele tem como fruto principal a cidade Masdar.

Projetada para comportar 50.000 habitantes e 1.500 empresas, deverá levar 10 anos para conclusão do projeto, ao custo de US$ 22 bilhões de dólares. Em 2009, já estará completa a primeira fase habitável.

Ambiciosa, a iniciativa busca soluções para as mais prementes questões humanas atuais: segurança energética, alterações climáticas e desenvolvimento humano realmente sustentável. O suporte financeiro é bancado pela abundância financeira do país sede, através de fundos de investimento, com US$ 250 milhões de dólares iniciais em parceira com o Credit Suisse.

Será uma confissão de mea culpa? O peso da responsabilidade pela situação planetária os tocou? Ou é a preocupação com a viabilidade de sua matriz econômica?

Esforço deste porte poderia ser despendido para causas mais pragmáticas, mas a escolhida é tão ou mais essencial. O próprio WWF apóia o projeto, lhe propiciando certo respaldo. Preocupa a muitos que a iniciativa não passe de mais uma luxúria dispendiosa dos endinheirados xeques.

Particularmente, observo no cerne do empreendimento a ocorrência do mesmo recorrente vício humano: intervir. Comumente supomos sermos capazes de alterar a natureza e lhe dar o rumo desejado por nossas carências.

Muitas vezes melhor seria aprendermos a nos integrar mais com nossa grande mãe.