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terça-feira, 31 de março de 2009

Mutante

Manipular é palavra-chave nas ações humanas.

Moldamos a natureza para melhor se adaptar às nossas necessidades. Desenvolvemos um sentimento de realizar, de modelar o mundo.

Realização plena acontece com a construção de programas. Em um mundo virtual, interno ao computador, as ideias mais impensáveis tomam vida.

Enorme abstração da realidade! Por não serem físicos, os programas assumem essa cara mutante. Coringas das mais diversas tarefas, assumem os papéis demandados pelo nosso cotidiano.

Como desejaríamos poder transformar da mesma maneira objetos materiais, num passe de mágica, transmutando água em vinho. Gostinho de poder divino...

Se depender da Intel, poderemos passar da etapa do gostaríamos! Baseada em nanotecnologia, ela propõe uma solução para criação de objetos 3D, como as "impressoras" de ferramental para a indústria, que de um desenho constroem um peça tridimensional.

Batizada de matéria mutante ou matéria programável, a concepção da gigante dos chips vai em mais além. Permitiria a elaboração de qualquer modelo físico, partindo do arranjo de moléculas. Verdadeira gestação de coisas a partir do pó!

Ideia apresentada através de um vídeo, disponível no Youtube, dá pra ficar pasmo com as imagens. Mesmo sendo apenas uma ilustração das possibilidades, mexe com algum sentimento nosso de realização, de tendência ao gosto pelos superpoderes, dignos de alguma divindade.

A geração do objeto acontece em frente dos seus olhos. Vemos as estruturas surgirem e se comporem. Além da criação, podemos alterar seu formato ou cor com as mãos. Experiência tátil e intuitiva para modelagem de praticamente qualquer item imaginado.

Uma senhora interface, bem melhor do que abstrair linhas e traços em um CAD, sem falar na praticidade e adequação às habilidades humanas. Seguimos assim, em busca de propiciar ferramentas para mudarmos o mundo. Esse mundo em mutação intensificada pela ação do homem.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Photosynth

Tecnologias mudam nossa forma de expressão.

Quase 200 anos atrás, as primeiras experiências fotográficas certamente não passavam de borrões monocromáticos em uma folha de papel branco.

Uma boa dose de imaginação era necessária para interpretar aquelas impressões como representações de algum objeto real.

Com o aumento do domínio da química necessária, aliado ao desenvolvimento de materiais, sua qualidade melhorou sensivelmente.

Um dia surgiu a fotografia em cores. É bem verdade que novas cores, novas necessidades. E a qualidade se perdia com o tempo... Quem nunca teve um álbum de fotos roxas (depois de algum tempo de envelhecimento, é claro)?

Os equipamentos também mudarão muito desde a simples câmara escura para sofisticadas câmeras reflex, com objetivas repletas de elementos óticos e filtros variados. Filmes com especificações diversas, para cada aplicação, de luz, tema ou ambiente.

Célebres fabricantes fizeram história e deixaram seus nomes no panteão da fotografia. Leica, Rolleiflex, Kodak, Canon e Nikon. E um dia tudo se digitalizou! Desmaterializaram a fotografia mais um pouco. Afinal, qual o elemento de trabalho do fotógrafo?

Entre puristas, saudosistas, early adopters e amadores de plantão, pouco concordância impera. Num mar de tecnologias e ferramentas disponíveis, cada qual se agarra naquelas que mais lhe satisfazem os desejos de realização de um grande trabalho.

No mundo dos softwares de manipulação de imagens, surgiu uma experiência on-line interessantíssima. Fruto da parceria entre a Microsoft e a Universidade de Washington, o Live Labs apresenta o Photosynth.

Misto de tecnologia e site para rede social, ele permite que enviemos diversas fotos do mesmo ambiente, objeto, monumento, ou qualquer outro tema desejado e possamos visualizar como um conjunto único, quase como uma viagem em 3D na imagem.

Na fase inicial, uma das restrições é que qualquer trabalho enviado é público. Há diversos exemplos para conhecer e a experiência de navegação é muito divertida. Lembra visões futuristas, como no filme Minority Report ou um tanto psicológicas, como em Amnésia.

É a Microsoft correndo atrás do prejuízo no mundo virtual. Pelo jeito, se depender deles, em breve poderemos acessar hologramas, como os enviados pela Princesa Léia e Obi-Wan, em Star Wars. Pena que neste prodigioso futuro ainda dependamos do velho Windows...