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segunda-feira, 23 de março de 2009

Witricity

Cabos, fios, tomadas... Armadilhas emaranhadas.

Um verdadeiro carma associado à tecnologia. Inevitável cordão umbilical para muitos equipamentos contemporâneos. Amarras para a mobilidade

Em certos casos, estamos conseguindo eliminá-los com relativo sucesso. Em grande parte apoiadas no conhecimento sobre o rádio, o mundo wireless só faz crescer.

Telefones são dos beneficiados mais óbvios. Associá-los a um rádio comunicador foi questão de tempo. Pode ser que um dia a telefonia celular provavelmente venha a extinguir a fixa.

Com o Bluetooth conseguimos melhorar as condições das mesas de computadores. Pelo menos a situação atrás delas... Através desta tecnologia podemos conectar dispositivos dos mais variados sem a necessidade de ligação física.

As redes wifi libertaram os computadores das redes locais. Em versões de longo alcance, como o WiMax, os horizontes são ampliados em alguns quilômetros. O crescente provimento de sinais em nossos ambientes permitirá esquecermos que um dia o RJ45 foi necessário.

Quando achamos que atingimos o limite, a genialidade nos surpreende e apresenta mais alternativas. Alguém poderia imaginar ser possível dispensar cabos para transmitir energia elétrica? Justo ela, intrinsecamente associada aos elétrons presentes nos fios.

O cabo é seu ambiente, seu ecossistema. Aprendi isso nos remotos tempos do curso de técnico em Eletrônica. Imaginar elétrons circulando, de uma fonte geradora até um aparelho consumidor, sem o meio físico, beira a imaginação da ficção científica.

Marin Soljačić discordou dessa ideia. Ele e seu time de pesquisadores desenvolveram a Witricity. Isso mesmo, eles deram um jeito para transmitir energia elétrica sem a presença de fios. No fundo, no fundo, resgataram a antiga indução eletromagnética em nova aplicação.

Com tantas ondas circulando por aí, fico só imaginando como estarão nossas células neste mar de emissões. O jeito é confiar nos testes de segurança... De resto, fica a admiração da capacidade inventiva humana, a transformar desejos em realidade, transformando a própria natureza.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Futebolless

Futebol é uma caixinha de surpresas.

Célebre frase, conhecida de qualquer brasileiro, pelo visto é conceito em todo o universo futebolístico, por todo o planeta. Apesar de nosso ciúme pelo esporte, como propriedade e posse, mesmo sem termos o inventado, a lógica do esporte é global.

A evolução tecnológica aportou nos campos. Já não é novidade a comunicação entre os árbitros da partida, ou a sinalização eletrônica do bandeirinha.

Revolucionária mesmo seria a bola com chip, possibilitando o rastreamento de sua posição e eliminando qualquer dúvida com relação ao seu posicionamento em campo, eliminando toda a falha relativa à saída da bola, ou entrada desta no gol.

Porém, divergiriam muitas das opiniões sobre o assunto. O tema se arrastou por algum tempo. A solução foi testada em algumas partidas, paralelamente, sem valor de decisão. No começo deste mês se chegou a uma definição: a bola com chip não será utilizada.

Existem problemas técnicos de precisão. Quem duvida serem passíveis de solução, após algum tempo e investimento? O critério de peso mesmo parece ser a alegação de esta tecnologia "retirar a emoção do futebol"!

É o reconhecimento do valor da confusão no futebol. Qual a graça de uma partida sem discussão? Como podem viver os boleiros sem a dúvida se foi gol, ou não? Quantas oportunidades desperdiçaríamos sem o milímetro a mais na linha de fundo, impossível de observação por qualquer ser humano?

Corroboram a necessidade humana pela discussão e conseqüente paixão pelo esporte. Bonito, não? E quem decidiu foi o International Board, órgão mundial de regulamentação da modalidade esportiva, e não um fatídico comentarista esportivo de hora do almoço ou finais de domingo.

Aliás, deviam estes agradecer muito... Seus empregos estarão garantidos, como fomentadores da discussão. Muitos botecos e padarias também. São os provedores físicos e alimentícios das mesas de debates acaloradas, em troca de remuneração, é claro.

Assim continua a rolar o universo da bola. Estão salvos também os gols de mão, faltas dissimuladas, ou simuladas, os juízes míopes e tantas outras figuras folclóricas de nosso esporte nacional. Nossa paternidade esportiva se revela na herança do indispensável jeitinho, sem o qual a contenda boleira perderia a graça.