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sábado, 25 de abril de 2009

Meteorologia

Faça chuva ou faça sol, sempre há uma opinião.

Tentar desvendar o clima é um desafio antigo, para proteção, para estudo econômico, por diversão ou superstição. Somos tão sujeitos ao ambiente que não podemos deixar de fazê-lo.

Meteorologia já virou um assunto quase mitológico. Ao ouvir os relatos sobre os prognósticos para os próximos dias, sempre há um ar de advinhação, por mais científico que seja.

Histórias passadas deixaram estes estigmas. Quem nunca confiou e levou uma invertida? Saiu desprotegido e acabou acuado, em algum canto, esperando o temporal passar.

Porém devemos reconhecer, nos últimos tempos as previsões têm se tornado constantemente mais acertadas. E com acurácia por alguns bons dias.

Em tempos de "Mac imersão", tempo consultado diversas vezes a previsão do tempo, no Dashboard do computador. Invariavelmente os resultados têm sido bem acertados. Há muito mais do que sorte envolvido nesse sucesso.

Primeiro há uma compreensão muito melhor dos mecanismos do clima. Correntes marítimas, sistemas atmosféricos, influências da presença humana no ambiente, uma vasta gama de fenômenos que compõem o caldo dos humores do planeta.

De nada adiantaria essa compreensão se estivéssemos alheios as mudanças destas variáveis. Temos que medi-las constantemente, o mais precisamente possível. A vasta de rede de satélites espalhada no espaço contribui com medições constantes e precisas, de uma inimaginável imensidão de dados.

Ainda assim, pouco estaria resolvido se fosse impossível analisar tamanha montanha de dados. Além disso, é necessário produzir simulações da evolução de tais condições. Tarefa para considerável poder de processamento.

Felizmente poder de processamento também já deixou de ser problema em tempos atuais. Mesmo que uma máquina estivesse aquém das necessidades, grids delas certamente obterão o poder muitas vezes maior para encarar a tarefa.

Pois é, a moça do tempo pode dispensar qualquer tipo de habilidade sobrenatural. Tecnologia e ciência são suficientes para dar conta do recado. De qualquer jeito, é bom sempre lembrar que os imprevistos estão por aí. Um guarda-chuva de reserva no escritório nunca será demais.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Correria

Tempo, escasso tempo...

Quantas e quantas pessoas reclamam à nossa volta sobre a falta de tempo. Mal começamos o ano e já se passaram quase três meses!

Engraçado hábito de arredondar os tempos para mais. Aumentar o desperdício, intensificando a impressão de maior quantidade desapercebida.

Um caro professor costumava fazer joça com a situação. Quanto encontrava alguém, perguntava "Tudo bem?". Ao receber a costumeira resposta "Tudo. Na correria.", imediatamente tascava "É? Pra onde?".

Pois é, andam na correria, mas sem saber para onde. A reação mais comum é congelar diante da indagação. Falta de rumo revelada drasticamente.

Observo que boa parte de nossa falta de tempo está associada às rotinas da vida contemporânea. Na sua maioria, estas devoradoras de tempo vêm agregadas a itens tecnológicos.

Justamente a boa e velha tecnologia criada para nos ajudar a viver melhor., mais fácil Triste afastamento do real... Adquirimos tamanho grau de complexidade que a própria manutenção de nosso sistema se faz onerosa, voraz consumidora de preciosos minutos.

Há quem se perca mais no gerenciamento dos tais gadgtes, do aprendizado da utilização dos recursos, do que no usufruir de seus benefícios. Dilema velho na construção de uma simples apresentação corporativa. Utilizar ferramentas de software, como o PowerPoint, ou as "antigas" folhas de acetato e suas canetas mágicas?

Se contarmos então com outras consequências, a despesa tende ao prejuízo. O uso do e-mail, por si só, já nos custa aprendizado e esforço de gerenciamento. As pragas do spam, vírus e outros malfeitores, só pioram o panorama. Comunicação que é bom, muito pouca.

Lógica meia distorcida pode surgir... Se esses monstrinhos, construídos para facilitar, dissolvem nossos dias em ações periféricas, só há uma conclusão. Se quiséssemos ter mais tempo, aproveitar melhor a vida, deveríamos vivê-la da maneira mais difícil.

domingo, 5 de outubro de 2008

Domingo

Abençoado Domingo!

"Dies Domenica", Dia do Senhor, fácil compreender sua essencialidade, sua necessidade. Dia do descanso. Dia de deixar a rotina pra lá, recarregar as baterias, vivenciar.

Preguiça esquecida. Mas como? Alguém havia falado em descansar?!... Repouso da rotina, da atribulação. Tempo a dispor para a família, para o encontro.

Dispor com disposição. Celebrado! Dedicação ao cerne da união humana, escola primal de nossa natureza. Lustrar os vínculos para os fortalecer.

Lembro ternamente das manhãs de domingo. Acordar cedinho, meu pai já desperto, lendo jornal. Momento contemplativo, sem pressa... Até as notícias pareciam calmas.

Ao nos ver, eu e meus irmãos, largava tais afazeres menores para nos atender, nos acompanhar. Idas a padaria, com algum papo. Observação da rua, no portão da casa de minha avó.

Dia único e de todos. Visitas a parentes, passeios no parque, piqueniques também. As horas cheiravam a domingo. Às vezes um bate-bola, daqueles que pai faz de conta jogar e filho se esforça e esmera em brilhar!

Almoço de reunião. Poucos ou muitos, muito bate-papo e descontração. Macarrão essencial, ou para os que preferem "massa"! Molho de mãe, ou de vó, inigualável. Esqueça de comparar, cada qual faz o melhor, o preferido de sua prole. Insubstituível!

Sobremesas de montão, de todo canto veio uma. Café para os mais velhos e a criançada muita diversão. De preferência com o cachorro, no quintal. Bicicleta e um pouco de pipa, ou então apenas um sentar ao sol, por nada.

E o dia vai passando, sem muita vontade de passar. Saboreamos cada minuto, em mais um jeito de amar. De cada um sentimos saudades. Em todos enchemos a alma de cintilante harmonia. E, ao seu final, começo ou término de uma semana, agradecemos a vida a caminhar.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Mês

Tempo, oh tempo! Indomável e inconstante...

Um mês já passou e nem tive tempo de escrever na data comemorativa. Foi um mês de nova vida e um mês de férias. Quando percebi, um turbilhão de coisas haviam ocorrido.

Breve hiato de existência, do ponto de vista do Universo. Com a suposta existência de bilhões de anos, se compararmos a nossa vida, trinta dias não seriam suficientes nem para um suspiro.

Para as pequenas drosófilas, vulgas moscas-das-frutas, período assim seria uma eternidade. Quem tem a expectativa de viver apenas 12 dias, sonharia no máximo com o dobro, não é?

Contínua sucessão de 30 dias, curiosamente no começo é difícil vislumbrar o final. Lá pelo final, nem sempre é fácil lembrar do início. E ainda podemos achar pouco... Ficamos com a difusa percepção do espaço-tempo. O que realmente percebemos?

É interessante descobrir que quanto mais usamos o tempo, mais parecemos conseguir obtê-lo, apesar de sentirmos sua falta. Paulatinamente nos damos conta da inesgotável fonte, desde que saibamos aproveitá-lo, preenchê-lo organizadamente.

Bem precioso, distribuído igualitariamente, sem distinção econômica, social, política ou religiosa! Felizmente não sabemos de quanto dispomos. Bem, nem para todos... Muitas pessoas se inquietam, se angustiam, justamente por não sabê-lo. Esquecem de vivê-lo, ao invés de desfrutá-lo.

Teimamos em construir mecanismos para controlá-lo. De pulso, de parede, atômicos e digitais, não percebemos que os relógios acabam por servir apenas para nos controlar! Ao tempo só resta fluir, dos extensos passados ao extensos futuros, com infinitesimais presentes de conexão.

Quando começa sua contagem? E seu término? Talvez tais fases estejam ligadas ao nascimento e a morte. Mas de quem? Buscamos a eternidade... Quatro semanas e pouco dão muito que pensar. No mínimo, melhor nossa compreensão da célebre frase do poetinha: "mas que seja infinito enquanto dure".