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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Escrita

Como ficará a escrita nas futuras gerações?

Das maiores invenções humanas, o registro de ideias e histórias garantiu recursos infindáveis para nossa evolução. Seguimos da tradição oral à fidelidade dos traços em algum local.

Desde a escrita cuneiforme, até as mal traçadas letras deste post, viemos grafando sons em algum tipo de meio, mídia. Concretizamos o etéreo fluir do ar!

Nós, os nascidos ainda no final milênio passado, fomos alfabetizados e treinados a escrever, com letra de mão ou de forma. Essa era a discussão principal, qual das duas preferir?

Questão de coordenação motora e expressão, era tarefa das mais desafiantes. Todos queriam ter uma boa letra. Época dos cadernos de caligrafia e os infinitos preenchimentos de linhas com letras, sílabas ou números.

A máquina de escrever existia, mas convenhamos não era dos meios mais práticos e acessíveis. Eu desfrutei do privilégio de trabalhar em uma empresa de computadores, na adolescência, e redigir meu trabalho de conclusão do segundo grau em um programa editor de textos. Muito mais interessante.

Hoje escrevo a mão muito pouco. Praticamente nada. Apenas um preenchimento de formulário aqui, um pequeno bilhete ali, uma notação de reunião acolá (digitalizada em seguida)... Duros momentos, quando em algum curso, se faz necessário notas de aula! A destreinada mão chega a doer.

Integrantes da geração N, as crianças deste milênio, terão grande chance de prescindir dessa prerrogativa. Provavelmente ainda serão treinadas a escrever, mas para utilizar muito menos, certamente. Na tenra infância já são usuários de computadores, reduzindo ainda mais seu contato com caneta e papel.

Cartas já estão quase no limbo. No meu caso, ainda insisto em mandar cartões de Natal, no final do ano, por pura barato de cultivar a "tradição"! O registro de reuniões ou aulas dispõe dos mais diversos meios eletrônicos, sempre mais acessíveis.

Veremos a extinção da escrita manual um dia? Para que utilizar uma tecnologia tão "antiga", frente a tantos outros modos disponíveis? Como convencer as fresquíssimas gerações que é necessário fazê-lo?

Penso até se a utilização das mãos em uma interface, como o teclado, sobreviverá ao tempo. O importante é o registro da informação, podendo esta ser transmitida oralmente, por exemplo. Vai saber as novas interfaces que surgirão no futuro, com computadores mais potentes...

Quando o homo sapiens ficou ereto, se permitiu utilizar as mãos para outras tarefas. Desenvolveu ferramentas, tecnologias e evoluiu. Agora, se livrarmos as mãos do fardo de nos comunicarmos, quais outras habilidades poderemos ganhar?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

CCE

Velhos preconceitos, inesperadas surpresas.

No final do ano passado, depois do Natal, minha mãe decidiu comprar um computador, de uma vez por todas. Ela tinha o seu, meio antiguinho, mas mesmo para seu uso esporádico era lento demais.

Pesquisei um pouco as opções do mercado, considerando poder aquisitivo e desempenho computacional, para chegar a um preço em torno de R$ 1.000,00.

Preço definido, tivemos a ideia de procurar em um hipermercado próximo de casa. Facilidade e economia com transporte, além de poder presenciar a escolha, ao vivo e antecipadamente.

Chegando lá, os preços se mostravam desanimadores. Configurações mais simples por preço ligeiramente maiores. Parecia que daquela vez ainda não seria possível o tão esperado upgrade.

Coisas do destino, um prestativo vendedor nos interpelou. Ao questionar sobre nossas necessidades e desejos (além da disposição econômica), foi rapidamente pesquisar em seu sistema e nos trouxe uma proposta.

Por R$ 100,00 a mais, conseguiríamos um equipamento Core2Duo, com HD de 250 Gb e memória de 2Gb, mais Linux instalado. Soava uma boa proposta e animado perguntei a marca do equipamento proposto. Súbito espanto: CCE!

Mal lembrava que eles faziam computadores. Só havia na memória as antigas piadas em torno de sua linha de eletroeletrônicos, aliada aos trocadilhos com seu nome. Único jeito de decidir: ligar e tentar avaliar desempenho e características.

Ainda prestativo, o vendedor desmontou sua exposição para ligar a máquina em questão. Linux, sem acesso a Internet, restou-me carregar o Gimp para fazer uma ligeira avaliação. Execução surpreendente, em carga e manipulação de imagens.

Negócio fechado! Burocracia cumprida, porta-malas carregado, fomos para casa instalar a novidade. Manteríamos do jeito pré-configurado, com Linux e tudo, procurando preservar licenças e performance.

O sistema operacional azeitado, customizado até o último detalhe, facilitou o uso para todos os recursos. Gerenciamento de fotos, exibição de DVDs, edição de textos, navegação na Internet. E olha que foi temporariamente uma quase instinta conexão discada! Excelente e acessível escolha!

Certamente minha mãe fará excelente uso e poderá aproveitar muito a nova aquisição. Até as novidades de um desconhecido sistema são estímulo e interesse. Se desprezássemos prontamente, apenas pelo preconceito com a marca, perderíamos ótima oportunidade. Quem sabe a surpresa começa a transformação do acrônimo CCE para "Comprou, Conquistou, Encantou".

sábado, 27 de dezembro de 2008

Smash

Nativos digitais e suas novidades...

Assim chamados aqueles nascidos num mundo de celulares, Internet, MP3 e computadores, parecem carregar no DNA os manuais para interagir com os gadgets cotidianos.

Fiquei espantado quando minha filha, com apenas 5 meses, deliberadamente pegou o controle remoto da TV e simulou trocar os canais. Sem produzir efeito, afinal ela não apertava exatamente botões, chacoalhou-o para ver se funcionava!

No fundo fiquei foi preocupado e meio horrorizado... Que efeito hipnótico há naquele aparelho, mesmo com toda a precaução em não mantê-lo ligado, para não criar um costume à pequena?

Para meu sossego, ou não, em uma festa de aniversário, doutra pequena amiguinha dela (veja se pode...), pode trocar informações com diversos pais, na mesma fase embrionária da paternidade. Todos realizaram a mesma constatação...

Pelo jeito, não tem jeito. Eles nos vêem ao celular, tirando fotos digitais, usando o computador. Que mais poderiam querer fazer, senão nos imitar? Só que fica impossível querer usar nossas máquinas com eles no colo. A primeira coisa a fazer e esticarem as mãozinhas e tentar colaborar.

Uma amiga médica, mamãe recente, já experimentou as agruras da ajuda da pequena. Em alguns pequenos toques, sua bebê acidentalmente conseguiu mudar a orientação de sua área de trabalho, coisa que ela nem imaginava como. Precisou de ajuda técnica.

Comigo não é muito diferente... Tentar escrever um único post é inútil. O ímpeto em digitar algumas linhas, faz da minha pequena uma destruidora de textos, ou e-mails. Acaba sendo inspiração para mais alguns pensamentos e reflexões.

Para pais que desejam dar vazão à iniciativa pueril há uma solução. Scott Hanselman, funcionário da Microsoft, craque nas áreas de user experience e Web, criou o programa Baby Smash. Com ele, as pancadas dos pequenos dedinhos ganham movimento e representação animada.

Gratuito, o programa pode ser baixado e facilmente instalado. Permite configurar o número, tipo e tamanho das imagens produzidas. Além disso, produz sons para acompanhar a farra. Como proteção, bloqueia os recursos de maior risco do sistema operacional, impedindo que se apaguem arquivos, mensagens ou se acione algum programa indesejado.

Pura diversão, até eles cansarem. Com tantos estímulos, quais serão os horizontes desta novíssima geração? O que será produzido por mentes tão incentivadas e cheias de recursos? Ainda bem que não mudam os sorrisinhos e gargalhadas, tão facilmente obtidos com palhaçadas e bobeiras, a enternecer e apertar nossos corações num infinito amor.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Praga

Esqueçam as reclamações, o estrago está feito!

De brincadeira, com ares de desafio computacional, a mecanismo de disseminação de programas mal-intencionados, os vírus vieram para ficar e dificilmente irão embora mais cedo.

Cerca de dois meses atrás, eu expressava a preocupação reinante em tentar encontrar soluções para a batalha contra as pragas virtuais. Muitas promessas, poucos resultados efetivos.

Há pouco menos de um mês, um notícia joga nova luz sobre o problema. E inquieta bem mais... Ocorreu um dos primeiros casos noticiados de vírus de fábrica.

Lá no Japão, os clientes da ASUS, compradores do EeePC, receberam um opcional em seus computadores: um malware, identificado pela Symantec como W32/Usbalex. Isso mesmo, antes de ser ligado, pelo menos no destino final, os microorganismos de bits faziam morada nos circuitos do equipamento.

A fabricante garante ser um problema localizado, em uma região geográfica (aquele país) e em determinada linha de produto. Será mesmo? Quem garante? Serão as mesmas pessoas que garantiram a isenção no nascimento? Quais outros fabricantes poderão estar sujeitos a problemas similares?

Frente à ineficiência das propostas atuais e a velocidade do avanço das doenças virtuais, uma nova abordagem deverá surgir. Ou então sucumbiremos! Imaginem o caos se um epidemia tomasse conta de todo e qualquer equipamento pelo planeta... O mundo certamente pararia.

Continuamente mais parecidos com os vírus de verdade (como se eles não o fossem), em poderio e comportamento, precisaremos fazer nossas máquinas ganhar características de nossos organismos.

Nossos corpos não são ambientes estéreis. Convivemos com uma enormidade de microorganismos, em perfeita (ou nem sempre) harmonia. Apesar de estarem presentes, não nos afetam. Ganhamos imunidade através de nosso sistema imunológico.

Acabou a ilusão de acreditar que é possível extinguir os vírus de nossos computadores. Precisamos dar-lhes sistemas imunológicos, para que mesmo com a presença dos bichinhos virtuais estes sejam afetados minimamente.

Os programas de vacina serão mais do que simples monitores, a tentar capturar algum indivíduo invasor. Serão amostras amenizadas daqueles códigos, capazes de sensibilizar uma inteligência artificial que criará mecanismos de proteção, tal qual nossos leucócitos, células T e outros micro defensores presenteados a nós pela natureza.

PCs ganharão carteirinha de vacina e agenda controlada de imunização. Campanhas públicas de combate a determinados agentes infecciosos serão promovidas, para tentar erradicar as doenças mais preocupantes e com estratégias plausíveis de eliminação.

Tal qual os "inocentes" programinhas, as alternativas nos levarão a caminhos desconhecidos. Quem sabe até também incontroláveis... Se a evolução se aplicar neste contexto, um dia acharemos normal um computador ter flora intestinal!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

iPodão

Receber o título de computador pessoal não é para qualquer um!

Desde a idealização de um equipamento para uso pessoal, a evolução de nossos atualmente inseparáveis acessórios vem trilhando diversos rumos.

Das várias alternativas existentes, poucos atendem as necessidades humanas de particularidade, associadas a algo pessoal. Em grande parte, eles apenas representam miniaturização e barateamento de tecnologias computacionais, mas continuam sisudos, profissionais.

Amplamente conhecidos como PCs (Personal Computer), eles foram difundidos no seu formato mais comum pela IBM. Porém, a Apple, criadora original da idéia, do primeiro computador pessoal, nos apresentou o legítimo representante do conceito: o MacBook.

Não estou me referindo aos destacados MacBook Air (o mais fino existente) e MacBook Pro (excelência em desempenho), mas ao MacBook básico. Apesar de um pouco menos potente, é repleto de tecnologia e boas soluções do fabricante.

Um colega de trabalho acabou de adquirir um exemplar. Eu já havia visto outros equipamentos da linha em lojas pela cidade, mas só neste momento me caiu a ficha da representatividade desse notebook.

Poderia dispensá-lo para o trabalho, mas seria como um reservatório de minha agenda, e-mails, documentos pessoais e ponto de acesso a Internet. Com todas as facilidades e usabilidades presentes, fiz a associação com seu irmão mais novo, o iPod, e o apelidei de iPodão!

Ele tem um disco pequeno de 80 Gb, monitor pequeno de 13", mas é o suficiente para ser confortável e rápido. O design o torna elegante, excelente para um gadget, e pequeno o bastante para ser guardado na gaveta de meias.

Estão instalados uma ampla gama de programas, capazes de atender todas as necessidades cotidianas. Um excelente sistema de pesquisa de arquivos está presente, além de uma ótima interface de acesso a biblioteca de mídias. Tudo isso suportado por um sistema operacional estável e consistente.

É um conjunto digno do nome computador pessoal, principalmente em nosso atual contexto de consumo e tecnologia! Só me resta agora aguardar ter os fundos necessários ($$$) para a aquisição e uma representação nacional da empresa, prometida para breve no Brasil.

Finalmente os computadores começam a ser pessoais.