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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Alimentação

Alimentação saudável e crianças nem sempre combinam.

Ceder às tentações do fast-food, ou qualquer outro subproduto de carboidratos e muito açúcar, sempre fica mais fácil. Legumes, verduras e outros componentes de uma dieta variada soam um tanto sem graça.

Raras as crianças sem muitos "não quero", para as tais insossas participantes das refeições. Seja pela textura, ou pela cor, ou pelo sabor, há normalmente uma carinha feia decorrente.

Sábios pais, zelosos pelo bom desenvolvimento de sua prole, procuram incessantemente alternativas para o convencimento. Imposição só criará traumas e revolta. Alguns de nós aprenderam mesmo assim...

Lembro de criança, às vésperas da Páscoa, a chegada na casa da minha avó. Portuguesa com certeza, ela já dispunha diversos baldes com o bacalhau a dessalgar. Eu não podia nem com o cheiro!

Eram dias de batata, arroz e azeite, porque o resto eu não comia: bolinho de bacalhau, salada de bacalhau, bacalhau cozido. Um festival lusitano de iguarias oriundas dos mares gelados do norte planetário. Devo confessar que nunca tinha experimentando até aquele momento, nem lembro o por quê daquela implicância.

Já adulto, em um belo dia de trabalho, depois de algumas horas exaustivas, morrendo de fome, acabei em um almoço em que o único prato era... bacalhau! Sem outra solução, mesmo a contragosto, comi a lauta refeição. Para minha surpresa, eu me refestelei!

Foi na marra e hoje adoro. Coitada da minha avó. Não lhe dei o prazer de experimentar sua doce especialidade preparada com carinho. Hoje só posso ficar no remorso, com ela espiando do céu. Se soubessem teria mudado de paladar antes.

Certos artifícios podem colaborar na apresentação de alimentos aos pequenos. Um blog com boas dicas é o "Comer é um barato", linkado logo aí do lado. Outro lugar muito legal é um blog que conheci hoje, de uma japonesa sediada nos Estados Unidos.

Ela produz Bentôs (uma espécie de marmita nipônica) artísticos, com imagens de animes famosos, como o Picachu ilustrando este post. Verdadeira artista, seu trabalho é impressionante, pelo cuidado e detalhismo. Há até uma galeria no Flickr com vários deles.

Impossível deixar de admirar. Colorido e saboroso conquista certamente olhares e paladares. Problema mesmo é que, do jeito que são as crianças, periga com tanto realismo se recusarem a comer seus personagens favoritos. Ah, crianças...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Vacina

Só uma picadinha não dói.

Isso quando não é conosco! Em tempos pós-natais, uma rotina marcante é o acompanhamento da vacinação da criança.

De suma importância, é inevitável o cumprimento do calendário. Um imenso rol de nomes e seqüências! Coleção de carimbos, numa sopa de letrinhas.

Quando eu era pequeno havia a Tríplice. Depois virou a Tetra. Minha filha recebeu a Penta. Eles devem acompanhar os títulos da Seleção Brasileira... :)

Apesar das mazelas de nosso país, se há um serviço, além dos Correios, que funciona muito bem é a vacinação em postos públicos.

Responsáveis pela erradicação de diversas doenças e pela eficiente proteção da população contra tantas outras, são um bem merecedor de zelo e utilização. Se não fossem eles, e suas gotinhas, ainda conviveríamos com a poliomielite e a coqueluche.

Infelizmente, há algumas vacinas não disponíveis. Nestes casos, só mesmo pagando em clínicas particulares de vacinação, se a pessoa tiver condições. Então vem a dúvida de sua necessidade, das tais extras. Mas qual pai, por qualquer dúvida que seja, se tiver condições financeiras, irá negligenciar um cuidado a mais?

De um jeito ou de outro, público ou particular, o choro é certeza. E vai piorando, pois vão aprendendo a rotina, o significado do lugar e o papel da responsável pela aplicação. Nem a gotinha se salva!

Também não é para menos. Descobri surpreso que as injeções atualmente são aplicadas na coxa, bem em cima da perninha e não mais no bumbum. A informação é que o acompanhamento estatístico mostrou ser uma via de administração mais eficiente. Vai saber...

A persistência em cumprir a tabela é apoiada na confiança da necessidade. É para o seu bem! Até agora tive a sorte de minha filha não apresentar nenhum sintoma adverso. De mais a mais, no futuro, como quase todos nós, ela nem vai lembrar como foi.

domingo, 12 de outubro de 2008

Crianças

Feliz Dia das Crianças!

Sejam da idade que forem... Todas as crianças sintam-se abraçadas! Que estejam repletas do amor e da proteção merecidas.

Celebrar as crianças em um dia do ano é celebrar novamente a vida. Vida tão relegada em tempos agitados, turbulentos, globalizados e um tanto quanto loucos.

Há ícone mais perfeito da energia vital presente no universo do que as crianças? Como gostam nossos amigos lusitanos, os "miúdos" são a expressão máxima do carpe diem.

Sem preocupação com o amanhã, seu desafio cotidiano é desbravar o mundo. Bem pequenos, através de suas mãozinhas e bocas, olhares atentos a tudo em seu redor. Aqui em casa brincamos que nossa pequenina está fazendo "download" da vida com suas janelinhas da alma.

Já um pouco maiores, enfrentam a vida com a experimentação, com a ousadia, de quem procura descobrir os meandros da existência através da tentativa e erro. Testam todos os limites, até o limite do enfrentamento paterno, lá pela adolescência.

De qualquer forma, é inegável que enfeitam e alegram o jardim de nosso cotidiano. Exalam o perfume da alegria, da jovialidade, do espírito supremo do universo, mesmo nos momentos mais "ranhetas".

Perco-me até no chavão, mas ninguém deveria esquecer seu espírito infantil. Toda essa profusão de ímpeto pelo ser. Defendo a ferro e fogo essa idéia... Meu afilhado, hoje com quase 14 anos, ainda ganhou presente neste dia.

Pode ser um pacote de guloseimas, mesmo porque seria o "maior mico" o padrinho aparecer com um brinquedinho, mas a intenção é lembrar. Celebrar o ser criança e não sentir vergonha. Crescer sem colocar a alegria e o amor de lado.

Em tempos de pânico econômico mundial, vemos as apostas feitas pelo mundo. Fiaram seu futuro apenas na ganância e no acúmulo. Talvez devamos lembrar, com o exemplo dos homenageados de hoje, melhores valores para confiarmos em nosso futuro, como a amizade e a fraternidade.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Filosofar

Filosofar é coisa de criança!

Desconheço alguém mais amante da sabedoria do que elas. Se há pessoa, ou idade, mais apegada aos "por ques" ou "comos" da vida, essa pessoa tem poucos anos de história.

Seu olhar isento e bruto dispensa influências. A palavra "vergonha" parece ausente nos momentos de apontar, observar, perguntar e procurar entender.

Paula Toller escreveu a música "8 anos", inspirada na experiência com seu filho Gabriel. Ouvi-a pela primeira vez pela Adriana Calcanhoto, no seu trabalho "Partimpim". Ela captura bem a essência dessa filosofia pueril, com versos como:

"Por que o fogo queima?
Por que a lua é branca?
Por que a Terra roda?
Por que deitar agora?
Por que as cobras matam?
Por que o vidro embaça?
Por que você se pinta?
Por que o tempo passa?
"

Uma rápida conversa com um pequenino também deixará evidente que, para eles, "porque sim" não é resposta, como bem frisava um quadro no programa "Castelo Rá-Tim-Bum". O simpático protesto infantil, poderosa contestação, também mereceu homenagem musical.

Interminável encadear de interrogações, o entrelaçar de questionamentos é delicioso labirinto para se perder. Se perder e tentar encontrar mais respostas, respostas que às vezes esquecemos até de sua existência.

Envolvidos pelo senso comum, perdemos o discernimento das verdades adquiridas. Só mesmo o olhar límpido dos brotinhos de gente para nos jogar muita água fria, nos trazer à tona, nos despertar. Despertar nos espanta.

Eis o sentido de manter viva a criança presente em nós. Cultivar seu espírito inquieto e contestador... Alimentar a chama imberbe da humanidade. Enxergar a vida e a natureza com muito amor e sabedoria. Coisa de criança!

sábado, 1 de março de 2008

Manuais

Manuais são itens essenciais em tempos modernos.


Qualquer proprietário de uma TV, sistema de áudio, MP3 player, ou outra traquitana eletrônica imaginável, sabe o bem, apesar de nem sempre admitir.

Eles estão lá, mesmo não lidos, desprezados pela maioria. Na 'hora H', ao surgir um problema misterioso, um recurso quase subliminar, o primeiro item lembrado é o manual. Nem que seja pelo serviço de assistência...

Em tempos de paternidade, pré-natal diga-se de passagem, fui presenteado com um manual bem mais específico: Bebê - O Manual do proprietário.

Numa primeira olhadela, bate certo preconceito. Parece uma daquelas típicas piadinhas, de situação, plásticas o suficiente para vender muitos exemplares, nada mais. É sempre um problema avaliar o livro pela capa, já diziam nossas avós!

Para minha sorte, tenho uma compulsão por não deixar nada não lido, principalmente presentes recebidos. Na ordem elegida das leituras, pela cronologia dos presentes, chegou finalmente a vez de destrinchar essa obra particular e misteriosa.

Logo de início, a desconfiança parece se confirmar. As primeiras linhas não negam o tom engraçadinho, unicamente. Um pouco de paciência, e outra certa compulsão de não deixar pela metade, pode conceder a surpresa interessante.

Escrito a duas mãos, por um pai e seu filho, as informações apresentadas se revelam muito úteis. De maneira organizada, com uma apresentação suficiente, mas eficiente o necessário, são percorridos os mais diversos tópicos referentes à puericultura.

Lembra do livro tradicionalíssimo "A vida do bebê"? Pois o manual é uma versão reduzida e prática do consagrado título. Não que um livro tenha sido baseado noutro, mas o tom é o mesmo, mais moderno: prover de informações os progenitores de primeira viagem.

Engenheiros, cientistas da computação, técnicos em geral, devem se afeiçoar mais a obra, pois parece muito com os textos da área. Adeptos da tecnologia também, com toda rapidez e direção da Internet, o texto tem os ares dos novos tempos.

A coisificação do assunto é superficial. Na sua essência há a preocupação com o 'por vir', com todo o cuidado e carinho necessário para receber a nova vida. Algumas informações nos fazem preocupar mais ainda com a imensa lista de necessidades.

Estudarei mais o assunto, rapidamente, pois a vida não espera. Logo, logo, terei de por em prática. Independentemente desse estudo, confio em todo meu instinto e amor, somado ao exemplo de meus pais, para encarar a empreitada.

Um ótimo manual e uma experiência futura incrível. Ao responsável pelo presente, aos meus pais, a minha nova família, a vida, um enorme obrigado!