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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Idade

Idade, incansável colecionar de anos...

A atenção às passagens da vida marca a todos nós. Observamos o rio da existência correr, contabilizamos os segundos de nossa existência e criamos expectativas.

Antes dos 18 anos, o ritmo parece lento, demora a chegar, principalmente depois que passamos da adolescência. Queremos crescer, desafiar, independer.

Aos 20 e poucos nem percebemos, queremos mais é viver. Pouco importa quantos são, como são, mas quanto mais, melhor. Sorvemos cada gota de experiência a nosso alcance.

Mais à frente começamos a refletir, a planejar. Como será dali em diante? De que forma poderei conduzir? Poderei? Curioso... Pouca diferença faz sermos conscientes ou não, reflexivos ou não. A vida passa do mesmo jeito, mas a experiência adquirida nos altera, nos transforma, nos provoca.

Para alguns é uma época de fuga. Fogem dos anos adquiridos, como se fosse possível. Tentam até frear o ritmo, mas ele é implacável, igual para qualquer pessoa. A diferença fica por conta de saber aproveitar, não adiar, só que a fuga atrapalha a visão, esfumaça os horizontes.

Ainda não conheço as idades mais avançadas. Aliás, conheço apenas pelo convívio com os entes queridos mais velhos. De grisalhos a cabelos completamente brancos, contatamos as mais diferentes realidades.

Realizações infindáveis, vidas multiplicadas, alicerces da história humana. Cada indivíduo marca com suas marcas os acontecimentos. Marcas de histórias, paixões, felicidades, desafios, tristezas. Todos os ingredientes e riscos inegáveis da aventura de existir.

Gosto daqueles olhares que quase dizem: vim, vi e vivi, aliás, continuo vivendo! De alguém que aprendeu o segredo, que no desvelar de anos reconheceu a magia de ser. Um ar quase maroto nos olhos, um sorriso de canto de lábios, a dizer a importância e a alegria de estar pleno.

Pleno da alegria, de comprovar como é bom, de inspirar os posteriores, os seguidores, os mais jovens. Sinais do quanto vale a pena, do quanto é bom. Repletos da certeza de que a melhor maneira de aprender a viver é vivendo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cavaleiro

Devo admitir, acho que estou ficando velho...

Ontem fui assistir ao já não tão lançamento "Batman - Cavaleiro das Trevas". Atraso justificado pelas novas responsabilidades da pós-natalidade. A vida muda.

Se posso eleger um herói preferido, seu nome é Batman. Talvez pela sua incidente humanidade. Sem grandes poderes, depende de sua sagacidade e preparo.

Vive a crise da dicotomia interna, a linha tênue entre o certo e o errado. Vingança ou justiça? Dilemas filosóficos comuns a qualquer pobre mortal, com um mínimo de lucidez.

A graphic novel "Cavaleiro das Trevas", lida há já um bom tempo, trazia o personagem em crises bem sombrias, mas pertinentes aos nossos problemas mundanos, extrapolados em paisagens futuras.

Comentar, ou criticar, um filme é tarefa inglória. Questão de gosto ou opinião, habita o mesmo mundo da religião, política e futebol. Difícil discutir.

Apesar dos pesares, me sinto compelido a fazê-lo. Gostei do filme, mas só. Fui com uma alta expectativa, mas acabei por ver mais do mesmo. É daquele tipo que vou ver e volto sem grandes mudanças, ou coisas a contar, ou vontades de rever.

Seu enredo é a mera reprodução do que está escrito. Aliás, adaptação. Peca na pirotecnia dos efeitos especiais. Abandona a sagacidade e leva a discussão dos conflitos interno a obviedades vistas em qualquer folhetim.

Inegáveis as boas atuações de Heath Ledger e Gary Oldman. O primeiro selando postumamente sua carreira com uma encarnação característica do vilão. O outro, mais uma vez camaleônico, absorto em sua incorporação completa da personagem. Mestre em sua arte.

A insanidade do Coringa resvala em algo do que seria feito nosso subconsciente. Resvala pela superficialidade. Instiga meio para dizer que sabe, aquilo que todos nós nos recusamos em reconhecer. Pretensamente tenta chocar. Banaliza.

Fim das contas: uma colorida e intrincada briga de dois malucos fantasiados. De bom mesmo, aí sim para instigar, uma reflexão do transformado em vilão, Duas Caras: "A única moralidade num mundo cruel é o acaso".

De qualquer jeito, ninguém sairá despirocando, no dia seguinte, pelo menos a imensa maioria. Cientes de nossos mais profundos monstrinhos, ou dos mais inquietantes anseios, levantaremos e iremos trabalhar, como todos os dias, sem nenhum "coringa" na manga.

Definitivamente, estou envelhecendo...