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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Numerati

Cuidado! Os numerati podem estar te vigiando...

Lembram até a história dos iluminati, presentes em nossa história, sejam fictícios ou não. Algo como os personagens do "O Nome da Rosa", com seu controle da informação e influência no mundo.

No passado, o acesso ao conhecimento escrito era uma das chaves para a condução da humanidade. Natural a expectativa e o medo em torno daqueles com tal controle.

Ao interferir na transmissão desse conhecimento, podiam interferir nos rumos da história. Poder de evolução, revolução ou retrocesso nas mãos de tão poucos.

Num mundo tecnológico, tal qual nossa atual realidade, a matemática ganhou importância significativa. Entender a linguagem por trás dos novos meios permite a tradução de seus mecanismos e seus controles.

Mencionados no livro de Stephen L. Baker, "The Numerati", seriam pessoas aptas a esmiuçar estatisticamente nossos dados e desvendar, até influenciar, os rumos da sociedade da informação. Tradutores de pessoas em números, levados em massa aos caminhos dos desejos de qualquer poderoso.

A estatística tem desses perigos. Será possível traduzir fielmente o comportamento humano? Em períodos eleitorais ouvimos muito sobre o assunto. Porém, neste momento específico, fica uma questão pendente do tipo "o ovo e a galinha"...

Por outro lado, os mecanismos existentes no Google, ou em lojas virtuais como a Amazon, parecem reconhecer bem nossos hábitos e desejos. Quem nunca se surpreendeu ao receber a informação ou promoção de vendas exatamente com as condições de seu desejo?

Só que a inteligência artificial não prescinde do ser humano. Apesar de se desenvolver autonomamente, sua estrutura, condições iniciais, seleção de parâmetros e apresentação de bases históricas são atribuições de uma pessoa.

Entram aí os novos iluminados, compreendedores dos meandros de tais tecnologias. Profissionais com a percepção de reconhecer os itens importantes em uma abordagem do gênero. Com a inevitável ubiqüidade da grande rede é melhor conhecê-los bem. Quem sabe até ser seu amigo...

terça-feira, 22 de julho de 2008

BrasilBev

"A solução pro nosso povo eu vou dar
Negócio bom assim ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui é só vir pegar
A solução é alugar o Brasil". [1]

Raul Seixas
não viveu para conhecer uma solução alternativa a sua proposta em "Aluga-se". Em tempos de negócios bilionários, talvez uma boa solução seja vender parte do capital acionário para a AmBev (ou InBev, como preferir).

Notícia
da semana em toda a mídia internacional, a compra da Anheuser-Busch por um grupo empresarial brasileiro dá algumas pistas de como atingir a excelência administrativa.

Ao arrematar uma empresa-símbolo americana, eles construíram uma corporação que passa controlar 25% do mercado de cerveja mundial! A multinacional resultante, de controle brasileiro, será a quarta companhia de consumo no mundo, ficando atrás apenas de Procter&Gamble, Nestlé e Coca-Cola.

Como apresentado em matéria da revista Época, em sua última edição, o primeiro item na cultura responsável pelo fenômeno é a meritocracia. Numa estrutura que valoriza o mérito, as pessoas se preocupam em alcançar seu melhor desempenho, para merecerem sua contrapartida.

Associe-se então a obsessão por custos. Apesar de óbvio, vemos muitas pessoas, principalmente quando tratamos do bem público, despreocupados quanto aos recursos necessários para idéias mirabolantes. Sem contar com os casos de má fé. Neles os custos são muito interessantes, principalmente se forem elevados.

Por fim, cabe a discrição a todos os dirigentes. Ostentação é mal vista. O estilo low profile está muito mais difundido. Nem aparecer muito é costume. Padrão é se vestir informalmente, dispensando até a gravata no trabalho. Simplicidade de atuação. Importante é trabalhar!

Com idéias elementares e muito trabalho, esse grupo de brasileiros começou, há menos de 3 décadas, um negócio de US$ 60 milhões e o transformou em um império de US$ 81,7 bilhões. Só a última operação representa um negócio de US$ 52 bilhões. Significativo, não?

Sendo assim, com tamanho capital intelectual nacional, talvez seja possível arrumar o Brasil. A fórmula parece simples e aplicável ao cotidiano de qualquer pessoa. Quem sabe, no mínimo, o bem sucedido episódio sirva de inspiração para algum bom político mandatário. Continuamos esperançosos...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Produto

Batize um produto, sele sua sina.

Escolher um nome para qualquer coisa é sempre um processo delicado, cheio de dúvidas. No caso de produtos, sejam eles bens ou serviços, a escolha é determinante de seu destino.

Meses de discussão nas áreas comercias e de marketing, para chegar a uma disputada decisão. Decisão que o acompanhará por toda sua existência.

Se acaso fosse renomeado um dia, já seria outro produto. Algo como ocorreu com a extinta Fanta Limão. Todo mundo lembra da Fanta Laranja ou Fanta Uva, mas poucos da sua irmã menos privilegiada, que ressuscitou com o americanizado nome de Sprite.

Preferência nacional, os carros sempre são batizados com nomes únicos e eternos. Quais serão as idéias por trás de nomes como Gol, Celta, Fox, Fiesta, dentre outros? Quantas mensagens não estarão escondidas?

Agora, alguns sem muita experiência, exageram... Ontem, ao sair da estação do Metrô Carrão, li um nome inusitado em uma barraquinha de salgados da região: Micro Pastelão. Confuso a alcunha deste petisco, não?

Será que um Micro Pastelão é igual a um pastel comum? Talvez a idéia seja supervalorizar suas qualidades de pastel, com o sufixo "ão", mas acalmar o consumidor, informando ser ele acessível, pois é micro, não tão "ão" assim... :)

Já faz algum tempo, um antigo Drive-In do bairro resolveu mudar de nome. Certamente combalido com novos tempos, nos quais eles já não fazem tanto sucessos, deve ter tentado se repaginar. Escolheu como novo nome Drive-Thru! Qual teria sido a genial associação? Será que agora vendem comida por lá? Haverá alguma relação com o ramo de fast-food?

Uma coisa é certa, com nomes tão surpreendentes ao menos serão dificilmente esquecidos. Está certo que não é da forma ideal... Ideal mesmo é o bom e velho pastel de feira, de carne, queijo, pizza ou especial. Inesquecível por aquilo que todo produto deve fornecer para ser lembrado: qualidade e satisfação.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Negócio

Qual o verdadeiro "negócio da China"?

A expressão carregada de malandragem, traz parte da má impressão causada por anos de reclusão da sociedade chinesa.

Misteriosas terras distantes, devemos também ser misteriosos para eles. Houve tempo em que se falou de boicotar produtos produzidos por lá, ato decorrente da suspeita das péssimas condições de trabalho.

Em seu regime fechado, como serão os direitos trabalhistas, com oferta tão farta de mão-de-obra? Ocorre o mesmo questionamento, atualmente, com o trabalho em nossas lavouras de cana-de-açúcar, com o pujante crescimento da importância do etanol.

Pelas informações publicadas na revista Época, em matéria de capa desta semana, o tal negócio da China é mesmo fabricar. Observemos alguns dados do que é produzido por lá, com relação à produção global:

- 75% dos brinquedos
- 75% dos relógios
- 55% dos calçados
- 50% das câmeras digitais
- 50% dos contêineres
- 42% dos monitores
- 35% dos celulares
- 33% dos ônibus

Tudo bem que os caras têm quase 1/3 da população mundial, mas precisava quer fazer tudo por lá? É bem verdade que, com essa população, qualquer número em torno de 33% seria apenas para consumo interno. Isso se a riqueza no mundo fosse proporcional...

Aliás, permitir a riqueza parece ter sido um dos estopins de seu crescimento, com a liberação da propriedade individual, algumas décadas atrás. Além disso, aliar investimentos em educação, infra-estrutura e saúde, apoiaram e apóiam a evolução de sua economia.

Porém, apesar de alguma liberação, é difícil esquecer a falta de liberdade individual existente. Dicotômica essa realidade, assim como o misto existente entre comunismo e capitalismo em seu regime. Mesmo com o mundo se afeiçoando a eles, certamente nem tudo são flores do lado de lá...

Ao se confirmarem certas projeções, quais os efeitos de tal sociedade se tornar a principal economia mundial? As conseqüências do domínio americano já conhecemos. Podemos extrapolar algo baseados no passado? Boicotar é impraticável. Melhor nos prepararmos para a China e seus negócios.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

EeePC

E haja portabilidade!

Buscar a possibilidade de carregar seu computador, para qualquer lugar, da maneira mais cômoda possível, vem criando opções desafiadoras às técnicas de construção de computadores.

Já foram batizados de laptops ou notebooks. Surgiram derivações, como subnotebook, ou outras linhagens como PDAs ou Pocket PCs, sempre procurando destacar alguma nova característica em sua implementação.

Seja como for, a história dos computadores portáteis sempre esteve ligada a sua facilidade de transporte. Facilidade esta que acaba sacrificando desempenho, autonomia e custo. O segredo do equilíbrio está longe de ser descoberto.

Em sua mais recente encarnação, receberam a alcunha de mininotebooks, com seu exemplar mais vistoso, o EeePC. Construído com diversas tecnologias afiadas, ele chega a certos limites das tecnologias atuais. Também acaba por chegar em limites de uso...

É inegável sua inadequação para o trabalho, por exemplo. Com seu teclado reduzido e monitor minúsculo, assemelha-se mais a um terminal de venda. Apesar disso, roda Windows XP ou Linux, como seus irmãos grandalhões.

A escolha por um destes está associada à necessidade, ou quem sabe o vício, de estar sempre conectado, lendo e-mails, mensageiros instantâneos e web. É a única justificativa para utilizá-lo, pelo mesmo custo, no lugar de alguém maior e mais potente.

Dá o que pensar... Principalmente se levarmos em conta soluções como o iPhone. Propagandeado como telefone, não deixa de ser outra encarnação computacional. Atende muito dos desejos de conectados mundo afora, se é que, em breve, não terá muitas outras funcionalidades.

Para cada problema, uma solução. Decidir por um ou outro acaba completamente no âmbito da preferência pessoal. Pessoal só não é nossa necessidade de estarmos acompanhados, permanentemente, de nossos apêndices digitais.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Inclusão

E pensar que comprar computador já foi negócio escuso... Já me explico.

Num passado não muito distante, afinal o que são 3 décadas na história do mundo, computadores eram itens apenas de grandes empresas. Bancar as condições estruturais para mantê-los exigia suporte financeiro e real necessidade.

Então, alguém teve a idéia de transformá-los em pessoais. Pessoais na questão do uso, por seu tamanho e finalidade, pois ainda continuavam restritos ao mundo corporativo.

Foram se tornando domésticos fora do país, mas aqui, devido às condições econômicas e de mercado, eram artigo de luxo. Ainda assim, para conseguir um, muitas pessoas recorriam a "alguém" para trazê-los. Um conhecido, ou conhecido do conhecido, ou um "amigo" conhecedor das rotas e meios para "importá-lo".

Nem estamos falando de supercomputadores, ao menos para os padrões atuais. O bom e velho XT era uma preciosidade, alçada a custos em torno de US$ 10.000! Singelo 1Mb de memória custava US$ 50. Jurássica essa história, não? Certamente muitos garotos acharão no mínimo loucura.

O mercado formal não se mexeu, graças ao protecionismo existente e a sustentabilidade garantida pelo mercado empresarial. Os "amigos" se mexeram, e muito! Anos depois, qualquer lojinha com pequena portinha podia oferecer equipamentos, com direito a garantia e financiamento!

Continuavam sendo franksteins, uma amontoado de partes que, quando bem equilibradas, formavam um belo exemplar de processamento. Os amigos viraram "entendidos". Um bom entendido era a solução de seus problemas. Claro que era uma solução constante e permanente... Sempre acabava necessário. De repente, só uma formatação ou uma limpeza.

Os primeiros a perceber, e aproveitar, as favoráveis condições econômicas e de mercado foram as empresas de componentes. Marcas de grife passaram a criar canais de distribuição, mesmo com os pequenos "integradores".

O dia em que a grande indústria percebeu o filão e a situação, atacou veementemente a disputa. Primeiro foram marcas menos conhecidas, criadas em solo tupiniquim. Logo as grandes grifes mundiais também aportaram e ofereceram suas soluções para a maioria dos desejos. Hoje até a sagrada Apple instituiu lojas parceiras e cria lojas próprias em terras verde amarelas.

Coitados dos "amigos", "entendidos", ou sejam quais eram suas denonimações. Seus dias jamais serão os mesmos. Melhor para a difusão da tecnologia em nosso país. Inclusão digital deve começar por acesso ao hardware...