quarta-feira, 14 de maio de 2008

Dons

Recebemos dons permanentemente, todos os dias!

Nem sempre as pessoas os reconhecem, pois consideram apenas os grandes destaques. Os dons da vida estão presentes em pequenos detalhes cotidianos.

O Dalai Lama, em seu livro "A Arte da Felicidade", expressa os extremos da gratidão quando nos conta agradecer mesmo se for assaltado. O criminoso lhe possibilitou exercitar o seu perdão.

É conhecida a tendência humana de frisar o negativo. Mil grandes realizações sempre serão ofuscadas por um único acontecimento medíocre. Pressão constante por ignorar o conjunto...

Espanta mais quando as pessoas se referem negativamente às crianças. Em tempos pré-natais, é curioso o número de pessoas insistentes em tentar nos assustar com as futuras agruras na criação de filhos.

Piadinhas, num tom de "rito de passagem", surgem de todos os lados, em diversos círculos de convívio. De colegas de trabalho e amigos, soa um tanto como molecagem adolescente. De familiares mais velhos, parece desafio ou cobrança. "Você verá como é bom uma noite em claro...". "É tão gostoso aquele choro fininho...".

Quem desconhece o fato do peso da responsabilidade pela criação da amada prole? Só os mais inocentes ignoram os percalços do cuidado com os pequenos, indefesos e incapazes nas mais básicas rotinas diárias.

Higiene, alimentação, saúde nos competem, pais adultos. Sua única forma de expressão, nos momentos ruins, é o choro, a delicada lágrima clamando por atenção. Alguém será capaz de lhe negar o devido socorro?

Esquecem-se tais pessoas dos inúmeros dias de sorrisos, expressos em seu singelo balbucio, do amor incondicional a nós dispensado? Os olhos das lágrimas, agora olhos de luz, irradiam a energia vital, alimento da alma, reconhecimento de nosso amor.

Sentirão saudades dos pequenos bracinhos, a buscar um abraço, terno e caloroso. Gratuito. Gratuidade dada como dom. O dom da vida! O pequeno dom, crescente, envolvente, transformador da existência de qualquer pai e mãe.

Reconhecer os pequenos e verdadeiros dons é pedra fundamental no caminho da felicidade! Agradeço, diariamente, esses e outros tantos pequenos dons confiados a mim. Procurarei sempre fazer jus a eles.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Jerry

Guinadas inesperadas na vida nos ajudam a melhorar.

"Jerry Maguire" é um filme basicão de Hollywood. Poderia ter ficado só nisso, mas consegue surpreender e nos trazer algo mais.

Admito ser suspeito para opinar, afinal já o assisti algumas vezes. Tantas que havia esquecido quanto tempo ele já tem (12 anos!). Em 1996, o mundo era tão diferente, são tantas os detalhes daquela época na história, mas isso é outro detalhe...

Ícone de um comportamento capitalista, a personagem principal se incomoda com seu papel no mundo, com sua abordagem na condução da vida de seus agenciados.

Tocado profundamente por alguns pequenos detalhes de seu cotidiano, ele subitamente se deixa levar pela angústia plantada e escreve um documento, quase uma declaração de libertação de seus vínculos viciosos profissionais.

Declaração feita, equilíbrio alterado. Apesar da acolhida de seus pares, a estrutura o rejeita, como representante do contrário de suas expectativas. Sem o emprego de sempre, sem seus estrelares clientes, a hora é de recomeçar.

Assim começa a saga da conquista de uma nova vida, de novos valores, de melhores rumos. Caminho incerto, trilhas desconhecidas, as esquinas são dobradas um após a outra. Uma transformação, a metamorfose da lagarta em borboleta.

Metamorfoses são complexas, difíceis. Deixar anos de comportamento por algo completamente novo exige energia e determinação. Firmeza em novos princípios ou entrega total às vozes do coração. Recompensa maior, o prazer de seguir melhor rumo é inigualável.

O apoio dos próximos a Jerry (Tom Cruise) foi importante. Sua companheira de trabalho Dorothy (Renée Zellweger), com seu utópico idealismo, e seu agenciado Rod (Cuba Gooding Jr.), com sua pura sinceridade, o acolheram e guiaram em seus passos no novo caminho.

Morrer em vida nos faz renascer. Renascemos para novas esperanças, para melhores expectativas. Desconstruímos nosso ser para, em bases mais sólidas, reconstruir nossas mais elevadas qualidades.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Impasse

Impasses são comuns na falta de fundamentação.

A questão ambiental ainda carece de clareza com relação a suas causas. O aquecimento é fruto da ação humana ou ciclo natural do planeta?

Discutir o assunto pode ter motivações políticas, com as conseqüentes influências, ou razões de sobrevivência, com as devidas preocupações.

Fatores da ação humana já são bastante divulgados. Os preocupados atentam para os cuidados e mudanças de atitude. Uma série de outras proposições são mais desconhecidas e colocam nossas reações em um impasse...

Em entrevista à revista Época, desta semana, Brian Fagan afirma estarmos passando por mais um ciclo do planeta. Há 12 séculos também sofremos com o aquecimento. O cenário àquela época mudou, civilizações se beneficiaram e outras foram prejudicadas. Incas, mongóis, europeus antigos e outros povos tiveram seus destinos alterados pelo evento climático.

Como estamos nos preparando para o advento de fenômeno desta magnitude? Podemos aprender algo com o passado? Quais condições ainda são presentes e influenciarão economia e política?

Certos estudos mostram que a influência do vapor d'água na atmosfera é mais importante do que o gás carbônico, para o efeito estufa. Uma vistosa contribuição de 98% do total da influência. Estaríamos nos concentrando em um dos agentes menos relevantes (CO2), enquanto um mais comum e importante continua agindo, sem nossa intervenção ou controle.

A confirmar essa lógica, outras pesquisas apontam uma influência pequena do fator humano na distribuição de gases da atmosfera, algo como 0,3% do total. O restante é relativo ao vapor d'água (novamente), atividade biológica dos oceanos, vulcões, atividade animal, etc.

Mesmo com relação às emissões de CO2, segundo alguns trabalhos, fontes naturais são responsáveis pela emissão de 150 bilhões de toneladas por ano. A contribuição humana é de apenas 7 bilhões de toneladas por ano. Óbvia desproporção, tal dado por mudar radicalmente a interpretação dos acontecimentos.

Contrapor novas informações, opostas ao consolidado combate a (assim considerada) nociva ação humana, nos coloca outro grande número de questões. Estamos longe de nos envolver em pesquisa, e termos condições de confirmar algo. Dependemos dos especialistas para tanto, mas o assunto toma contornos filosóficos, metodológicos e epistemológicos, longe de nosso alcance cotidiano.

Quais devem ser nossas futuras ações? Qual nosso papel? Temos condições de atuar de alguma maneira? Como será o futuro? Retomada de antigas questões, em novas condições modernas, como passivos espectadores do espetáculo global.

domingo, 11 de maio de 2008

Escultora

Escultoras de almas, a responsabilidade das mães é imensa!

Certo dia, o pequeno Carl Sagan chegou da escola e contou a sua mãe: "Sabia que se cruzarmos o oceano, do outro lado chegaremos à África?". Em resposta, sua mãe lhe questionou por que ele acreditava ser essa a verdade.

Nascia certamente, naquele momento, o espírito questionador do cientista. Espírito que o acompanhou por toda vida e o fez reconhecido como grande divulgador do pensamento científico e dos segredos do universo.

Quem assistiu ao filme "Ray", com a biografia de Ray Charles, pode ver como mesmo a dureza materna é transformadora. Sua mãe, desde os primeiros problemas do filho, educou para não aceitar tratamento diferenciado por sua deficiência.

Tornado músico de renome mundial, percebemos a força incutida em sua infância por quem foi dura por amor. Outra atitude o teria lançado na escuridão da autocomiseração. Sua mãe lhe trouxe à luz uma segunda vez, foi "raio" divino definitivo.

Tom Jobim, como descrito em sua biografia, de autoria de sua irmã, foi agraciado com mãe provedora, de cultura e comportamento. Em um episódio emblemático, ela estava com os dois filhos pequenos em um bonde, quando a pequena, balançando os pezinhos, lançou o sapatinho na rua.

Ao perceber o ocorrido, a mãe rapidamente pegou o outro sapatinho, tirou-o e jogou-o na rua. Questionada pelo feito, ela respondeu: "assim pelo menos quem encontrar, encontrará o par para poder usá-lo.".

Por toda a infância, Padre Júlio Lancellotti viu sua mãe trabalhar por crianças e pessoas desfavorecidas. Provavelmente a acompanhou em muitas jornadas. Formado pedagogo e sacerdote, que outros caminhos ele escolheria no seu trilhar da vida?

Imensa responsabilidade a materna! Missão divina e sublime na construção da sociedade. Tamanha inspiração só podia ser comemorada mesmo no dia de Pentecostes. Amor de mãe sem dúvida é dom do Espírito Santo.

sábado, 10 de maio de 2008

Colaboração

Colaboração implica em voluntariado?

Opinião formada até então, após o início da leitura de "Wikinomics: Como a colaboração em massa...", algumas novas questões podem modificar minha visão.

Título embalado no sucesso de "Freakonomics: O lado oculto...", o primeiro contato remeteu ao conceito das ferramentas wiki, ícones do sucesso da colaboração na Internet.

Inocência em demasia ou ledo engano, o primeiro exemplo apresentado no livro contradiz qualquer iniciativa voluntária, feita com gratuidade.

É apresentado o caso de uma empresa de exploração de minérios, que lançou um desafio para solução de questão de prospecção, com um prêmio em dinheiro a quem o resolvesse.

Solução conseguida, propositor premiado, os autores elogiam o poder da colaboração na Internet. Constatação imediata: a grande rede foi apenas difusora de uma oferta de dinheiro. O importante foi seu alcance. A promoção de colaboração inexistiu.

Os autores fundamentam sua tese defendendo que qualquer atividade possui algum interesse, alguma compensação. Difícil discordar, mas a motivação exposta é sempre relacionada ao benefício próprio do agente.

Onde se encaixará o altruísmo em nossa história? Teremos criado um intrincado conceito, um mecanismo mental infundado, para justificar nossas ações sempre interesseiras? Para que? Em toda e qualquer atitude há o auto-interesse?

Arriscaria redefinir a "colaboração", mencionada no livro, por "ação em grupo massivo". Mais comprido, porém mais adequado. O tempo propiciaria substantivo mais conciso, mas a distinção deve ser frisada imediatamente.

Até a metade do livro nada demove a afirmação realizada. Continuo a leitura, procuro uma mudança de rumo, uma adequação maior ao espírito colaborativo altruísta que insisto em existir em grandes iniciativas, como o Linux, a Wikipedia ou a Craigslist.

Empresa se envolveram (e envolverão) com tais iniciativas, conseqüência inevitável de sua atual influência na tecnologia e nas melhores soluções disponíveis. O germe do movimento deve ser valorizado. Algumas ações, sem razões tão premeditadas, sempre existirão, como parte de nossa natureza, como a persistência em conhecer um livro até o fim, mesmo discordando logo de cara.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Pavão

Pavões são orgulhosos de suas portentosas caudas.

Inflam-nas com graça e majestade para impressionar as fêmeas. Preciso confirmar se isso é verdade ou mito. Parece coerente com outros exemplos da natureza...

Na maioria das aves, as plumagens mais exuberantes são privilégio dos machos. Não seria diferente com os "caudosos emplumados", pertencentes à família dos faisões.

Outras espécies talvez utilizem estratégias similares...

Garotões recém-licenciados adoram se exibir em carros possantes. Habilidade em condução e coragem de imprimir velocidade são supervalorizadas. Sucesso mundial, o tuning de veículos é conseqüência deste comportamento.

Adeptos do fitness, freqüentadores de academias, adoram expor seus músculos arduamente cultivados. Falta apenas lustrarem braços e pernas para intensificar seu brilho e destaque.

Intelectuais variados disputam o número de livros lidos, ou artigos escritos. Alguns discutem a quantidade, outros a qualidade, de seus conteúdos e produções. Há sempre algo a mais que sabe, ouviu ou escreveu.

Gamers disputam freneticamente os topos dos rankings. Em seu caso a competição é maior, pois o fenômeno é mundial, compartilhando informações na mesma escala. Discorrem uma coleção de fases conquistadas, itens coletados e inimigos mortos. Guerreiros ou esportistas virtuais em constante competição.

Programadores também têm suas manifestações. No vasto mundo das linguagens, conhecê-las em grande número é obrigatório, mesmo que isso não seja muito funcional. Um algoritmo bem escrito, um objeto magnificamente estruturado ou patterns utilizados com competência são motivos de orgulho e exposição.

Médicos comparam horas de plantão, façanhas em diagnósticos ou número de pacientes. Instituições de especialização, locais de residência ou passagem por centros de referência fazem uma grande diferença. Alguns gostariam de ser Hipócrates.

Geeks não sobreviveriam sem ter o último gadget lançado. Macbook Air, iPhone, iPod, 3G e outro tanto de traquitanas tecnológicas estão à disposição. Conhecê-los é insuficiente. Necessário é tê-los, utilizá-los e desfilá-los.

Pois é... Pobres pavões, escravos de seus impulsos instintivos, tentando cumprir seu destino natural na perpetuação da espécie.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Fibonacci

Infindáveis são os mistérios da natureza.

Perseguido há séculos, o segredo e o sentido da proporção áurea desafia nossa inventividade. Estudado tenazmente, desvendado parcamente.

Enigmática presença na natureza, tal proporção é reconhecida em diversos padrões de crescimento: das folhas das plantas, de nosso corpo, populações, etc.

Artistas por toda história se apoiarão na reprodução do mágico número: 1,618 (arredondado, é claro). O "Homem Vitruviano", clássico de Leonardo da Vinci, é explícito em sua utilização.

Fibonacci, matemático italiano do século XII, conseguiu produzir uma seqüência matemática que produz essa proporção.

Na seqüência de Fibonacci, a razão entre dois números consecutivos equivale à proporção áurea. Quanto mais longe se avança na lista de números, mais preciso é a proporção do número áureo.

Misto de inspiração e revelação, como alguém consegue chegar a um resultado assim? Representar um efeito onipresente em nosso mundo em uma pequena expressão matemática. Alguns poucos símbolos para descrever tantos elementos do universo.

Mesmo um dos elementos mais caóticos conhecido, o mercado financeiro, possui modelo matemático, baseado na seqüência, capaz de descrevê-lo. Modelo amplamente difundido na área, é capaz de fundamentar coerentemente análises específicas da evolução dos negócios.

Coincidência cabalística ou obra intencional? O intrigante é justamente a exatidão dessa presença perene, constante e inequívoca. Acabamos por dar uma razão a quase toda manifestação caótica observável.

Obra da capacidade humana de identificação de padrões? Mais um fruto de nossas sintéticas sinapses? Talvez só Fibonacci pudesse nos dizer. Enquanto penso no assunto, vou tirar as medidas da minha mão, para conferir se a razão áurea também está presente aqui... Espero que sim. Se não, serei de outro universo?