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terça-feira, 7 de abril de 2009

Repositório

Brasileiros, somos mesmo livres.

Acaso será nosso jeitinho brasileiro, nossa liberdade em sermos espontâneos, sei lá... Apenas reconheço que em matéria de colaboração somos campeões. De braços abertos para contribuir.

Nem me refiro ao ímpeto de ajudar vítimas de desastres naturais, nem de união em causas populares. Basta olharmos o mundo do software e veremos inúmeros casos de sucesso e inovação.

Claro que essa característica vem para o bem ou para o mal. Figuramos nos primeiros lugares de países com hackers e riscos de segurança digital. Afinal, gostemos ou não, falamos de pessoas...

Por outro lado, também temos líderes no desenvolvimento de soluções de software, tanto em segurança como em outras áreas. Por um bom tempo, o guardião do desenvolvimento do kernel do Linux foi um brasileiro, de apenas 19 anos, Marcelo Tosatti.

Um bom exemplo, público inclusive, é o Repositório Digital da Embrapa. O portal contempla as mais diversas soluções desenvolvidas pelo órgão, técnico-científicas, em áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Vasto material intelectual legitimamente brasileiro.

Baseado em software livre, também torna livre boa parte de produção científica relativa à agroindústria, agropecuária, agricultura e afins. O acesso está aberto a quem desejar pesquisar e aproveitar. Para quem atua na economia da natureza deve ser diversão por um bom tempo.

Alguém deve estar se perguntando, ou se preocupando, com toda o diferencial estratégico detido por nosso país em negócios correlato. Questão de atenção nacional, afinal somos líderes em diversas frentes do agronegócio! Legítimos celeiros do planeta, enviando alimentos para seus quatro cantos.

Só que isso em nada afeta nossa segurança. Apenas deixa mais claro o quanto a informação livre e compartilhada pode render frutos e ampliar horizontes. Continuamos na dianteira e demonstramos potencial difícil de igualar. Provavelmente, poupança de destaque para nosso futuro.

Provamos que o investimento em ensino e pesquisa provê resultados. E que resultados! Nosso conhecimento está aí, crescente e disponível, apto a receber contribuições e florescer sempre mais. A liberdade é insumo para campos continuamente verdejantes.

sábado, 28 de março de 2009

Light

Até onde irá a onda da abertura?

A crise econômica pode trazer protecionismo, intrigas de mercado, mas várias frentes continuam seguindo o caminho da colaboração e transparência.

Software, principal exemplar, nem se precisa mencionar. Projetos e mais projetos abertos estão disponíveis a quem quiser participar ou simplesmente utilizar.

Em outras áreas, como robótica e cervejaria, também observamos a influência do conceito. Há pouco menos de um mês, tive notícia de uma iniciativa no setor automobilístico!

Antigo, competitivo e polêmico, em novos tempos ambientais e mercantis, a empresa de engenharia EDAG apresentou o protótipo do Light Car - Open Source, no salão de Genebra.

Discutir soluções para o carro do futuro era seu principal objetivo, mas bem pode iniciar um trabalho comum e colaborativo para desenvolvimento de novos veículos automotores. Compartilhar experiências e ideias em favor da evolução comum.

Na proposta, o veículo contará com leve chassi de alumínio (reciclável?) e sistema de propulsão totalmente elétrico, além de toda iluminação baseada em OLED, inclusive para a área externa e sinalização. Sintonia com tendências modernas e ambientais.

Com ares de firula, a traseira do carro se assemelha a um painel da Enterprise (na Nova Geração). Futurista e otimizado, condiz com os restos dos sistemas do carro que buscam a eficiência no consumo e utilização.

Parte dos detalhes do carro podem ser vistos em vídeo disponível no YouTube. Mensagens com o a palavra "Charge", na lateral, indicam a situação de carga do carrinho. Ligaremos o carro na tomada como a um celular, transformando-o em um portentoso "gadget", nem um pouco portável.

Indústria focada em gerar desejo de consumo, montadoras pelo mundo têm retorno considerável em investir numa iniciativa de tal porte. De repente, num futuro não muito distante, todos poderemos trafegar com um bólido fruto do esforço de todos, em benefício de muitos. E dá-lhe colaboração!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

TORP

Periodicamente abandonamos o estigma tupiniquim.

Há cerca de um mês, um amigo me enviou o link para um projeto brasileiro, de código aberto, o TORP. Nada mais ousado do que o desenvolvimento de um robô em código aberto!

Nosso país é competente em diversas áreas de tecnologia, apesar de o status quo constantemente pregar o contrário. Sem falsas utopias, basta procurar e assistiremos diversos exemplos de sucesso.

Eu já havia visto software, hardware e até cerveja desenvolvida assim, livre e colaborativamente., mas nunca pensei ser possível com um robô. Conhecimento compartilhado e aglutinado, formação de uma poderosa força de evolução.

Pautado pela GPL, o projeto capitaneado por um grupo de brasileiros pretende obter tecnologia para a construção de um androide, com habilidades avançadas para uma máquina deste tipo.

Progresso bem adiantado, o nascimento do primeiro exemplar ocorreu há pouco mais de um mês, durante a Campus Party. De acordo com o previsto, ele foi apresentado em parte de sua glória, reconhecendo faces dos visitantes e lendo frases apresentadas a ele.

Colaboraram as mais diversas áreas para o surgimento do CP01, de designers a especialistas em inteligência artificial. Esforço acalentado por diversos anos, fruto do melhor conhecimento científico nacional. Há muito por fazer! O apoio continua necessário, da divulgação ao desenvolvimento de peças e partes.

E pensar que os pedaços deste novo ser podem vir de qualquer parte do mundo... A iniciativa é aberta, sem restrições de fronteira. Também seguirá seu rumo, pelo planeta, a divulgar a robótica e seus possíveis benefícios. Indiretamente estará propagando as benesses da colaboração.

Pois é... Sabemos produzir muito mais do que soja, cana-de-açúcar e minério de ferro. Infelizmente, em sua grande maioria, as iniciativas dependem do exclusivo empenho de indivíduos. Resta saber a quem interessa manter o estigma de inferioridade tupiniquim...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Clipe

Sem poder vencê-los, empregaram-os!

Câmeras fotográficas ou gravadores sempre foram proibidos em espetáculos. Temor de pirataria, de violação de direitos autorais, com consequente perda de faturamento.

Nem me refiro aos meios digitais contemporâneos. Problema antigo, às vezes o destino das cópias eram fitas-cassete, distribuídas por ambulantes underground.

Em tempos virtuais, YouTube, Torrents e outras tantos cumprem a função de distribuição. Celulares poderosos ou câmeras minúsculas são as poderosas armas na guerra da mídia.

Os ventos da colaboração sopraram novas ideias nas cabeças do pessoal da música. Já é possível portar seus equipamentos em shows sem ser incomodado. Aliás, ser até convidado a usá-los!

Na última turnê do Capital Inicial esse era o convite feito a todos. Quem capturasse imagens do show poderia enviar para o site da banda e contribuir na montagem de um clipe. Depois de muita compilação e edição, um clipe colaborativo foi ao ar no YouTube.

Isso foi em novembro do ano passado. No começo deste ano, um outro clipe já estreou no site do Capital. A banda vem lançando mão de outros tantos recursos da Web, como o Flickr ou MySpace. Conteúdo para fã nenhum botar defeito.

Por sinal, os fãs devem adorar, pois podem participar da criação com os ídolos. Queiram ou não, ao capturarem as imagens e vídeos, estão dando sua visão da arte produzida pelo pessoal de Brasília. O caldo desta mistura é uma nova manifestação artística.

Exemplo a ser seguido por outros integrantes do mercado musical. Ao invés de ficar brigando, inutilmente diga-se de passagem, com seus ávidos ouvintes, os grupos têm poder de arregimentar massas, em torno de suas letras, melodias e ideias.

Construção de um mundo novo, novas relações, novas perspectivas. Poder distribuído e compartilhado, norteado pela influência de milhares de ouvidos. Solução muito mais inteligente do que os antigos jabás de rádio.

sábado, 10 de maio de 2008

Colaboração

Colaboração implica em voluntariado?

Opinião formada até então, após o início da leitura de "Wikinomics: Como a colaboração em massa...", algumas novas questões podem modificar minha visão.

Título embalado no sucesso de "Freakonomics: O lado oculto...", o primeiro contato remeteu ao conceito das ferramentas wiki, ícones do sucesso da colaboração na Internet.

Inocência em demasia ou ledo engano, o primeiro exemplo apresentado no livro contradiz qualquer iniciativa voluntária, feita com gratuidade.

É apresentado o caso de uma empresa de exploração de minérios, que lançou um desafio para solução de questão de prospecção, com um prêmio em dinheiro a quem o resolvesse.

Solução conseguida, propositor premiado, os autores elogiam o poder da colaboração na Internet. Constatação imediata: a grande rede foi apenas difusora de uma oferta de dinheiro. O importante foi seu alcance. A promoção de colaboração inexistiu.

Os autores fundamentam sua tese defendendo que qualquer atividade possui algum interesse, alguma compensação. Difícil discordar, mas a motivação exposta é sempre relacionada ao benefício próprio do agente.

Onde se encaixará o altruísmo em nossa história? Teremos criado um intrincado conceito, um mecanismo mental infundado, para justificar nossas ações sempre interesseiras? Para que? Em toda e qualquer atitude há o auto-interesse?

Arriscaria redefinir a "colaboração", mencionada no livro, por "ação em grupo massivo". Mais comprido, porém mais adequado. O tempo propiciaria substantivo mais conciso, mas a distinção deve ser frisada imediatamente.

Até a metade do livro nada demove a afirmação realizada. Continuo a leitura, procuro uma mudança de rumo, uma adequação maior ao espírito colaborativo altruísta que insisto em existir em grandes iniciativas, como o Linux, a Wikipedia ou a Craigslist.

Empresa se envolveram (e envolverão) com tais iniciativas, conseqüência inevitável de sua atual influência na tecnologia e nas melhores soluções disponíveis. O germe do movimento deve ser valorizado. Algumas ações, sem razões tão premeditadas, sempre existirão, como parte de nossa natureza, como a persistência em conhecer um livro até o fim, mesmo discordando logo de cara.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Bookcrossing

Livros agitam mentes e povos.

Guardiães das idéias humanas, perpetuam há imemoráveis tempos o conhecimento expresso em suas linhas. Inventar o registro escrito foi grande salto para humanidade.

O fervor de seu conteúdo move mundos. Provoca as pessoas e as fazem ter mais idéias. Há mais de 6 meses postei um texto sobre a troca de livros, ocorrendo em alguns lugares do Brasil.

Descobri nesta semana que o movimento é mundial: o Bookcrossing. Em seu site, podemos nos cadastrar para participar e conhecer as idéias desse grupo.

Baseado em 3 "erres" (Read, Register e Release, na língua original), o movimento vêm já há alguns anos promovendo o intercâmbio de livros e opiniões sobre eles, sempre com o espírito altruísta de compartilhar os prazeres da leitura indistintamente.

Uma vez registrados no site, podemos indicar o local onde a obra será deixada, para facilitar o acesso de quem busca ler seu texto. Em muitos casos, o interesse pode surgir após o contato com a opinião emitida pelo leitor.

Contanto com mais de 670.000 inscritos, em 130 países, é universo riquíssimo para explorarmos dicas e resenhas sobre os mais diversos títulos publicados. Depois de apreciá-lo, a única coisa a fazer é libertá-lo, como gosta de anunciar o site.

Reside neste ato o conceito mais belo da iniciativa. Fazer com que o livro seja lido. Um livro só é livro se for lido. Quanto mais isso ocorre, mais livro ele se tornará. Livros aprisionados em estantes, acumulando poeira, são tristes condenados a um destino fatídico de inatividade.

É muito bacana também a idéia de podermos acompanhar o trajeto do exemplar. Que caminhos pode tomar algo libertado por nós? Qual o alcance da viagem de carona de nossos amigos celulósicos?

No Brasil, a iniciativa carece de maior entendimento. Segundo reportagem da revista Época, desta semana, apenas cerca de 20% dos livros dispostos continuam em circulação depois de recolhidos. Excesso de zelo com livros? Falta de intimidade com a leitura? Vício "cultural" tupiniquim?

Em qualquer das alternativas, o importante é confiar que a iniciativa triunfará. Além de acesso aos seus conteúdos, ela permite acesso ao conteúdo de idéias colaborativas, dignas do encontro do comunitarismo humano.