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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Espelhos

Filhos, filhos, espelhos de nossa existência...

Por mais óbvia e manjada que tal frase possa parecer, é muito duro quando somos confrontados a ela em nosso cotidiano paterno.

Frequentemente, vinculamos essa ideia aos possíveis defeitos que tenhamos e certamente desejamos suprimi-los, além de jamais transmiti-los.

Porém, mesmo em nossas qualidades, podemos ser surpreendidos por nossos pequeninos e reveladores rebentos, com seus reflexos diários.

Todo pai anseia proteger, prover, encaminhar. De repente, determinados e independentes que somos, vemos nossas crias determinadas em sua independência a dispensar nossa ajuda.

Escolhemos nossos rumos com segurança, apoiados no amor familiar. Subitamente o nosso amor familiar e segurança propiciam escolhas a eles, forças para a tomada de decisão, só que as fazem, apenas e tão somente, diferentes das nossas.

Até aí, problema algum, pois são acertadas, adequadas, inofensivas às vezes, mas ainda assim insistentemente diferentes das nossas preferidas. É o sempre bom desafio para mostrar o quanto aprenderam, quão capazes são, a tentativa de nos tornar orgulhos de seus feitos.

Criar terminar por ser um exercício diário de acompanhamento, sem domínio, cuidado sem indevida influência, observação do desaflorar de outra versão do nosso eu. Nova versão pueril, cheia de personalidade, de ânsias próprias, desejosa de ser ela, nosso fruto.

Aprendemos, com a vida, que nada controlamos, simplesmente colaboramos e o melhor que podemos doar é doar o melhor de nós. Ao cabo de tão árduo e gratificante processo, torcemos para descobrir que tal reflexo é um nosso reflexo aprimorado, feliz e pleno sendo si.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Dons

Recebemos dons permanentemente, todos os dias!

Nem sempre as pessoas os reconhecem, pois consideram apenas os grandes destaques. Os dons da vida estão presentes em pequenos detalhes cotidianos.

O Dalai Lama, em seu livro "A Arte da Felicidade", expressa os extremos da gratidão quando nos conta agradecer mesmo se for assaltado. O criminoso lhe possibilitou exercitar o seu perdão.

É conhecida a tendência humana de frisar o negativo. Mil grandes realizações sempre serão ofuscadas por um único acontecimento medíocre. Pressão constante por ignorar o conjunto...

Espanta mais quando as pessoas se referem negativamente às crianças. Em tempos pré-natais, é curioso o número de pessoas insistentes em tentar nos assustar com as futuras agruras na criação de filhos.

Piadinhas, num tom de "rito de passagem", surgem de todos os lados, em diversos círculos de convívio. De colegas de trabalho e amigos, soa um tanto como molecagem adolescente. De familiares mais velhos, parece desafio ou cobrança. "Você verá como é bom uma noite em claro...". "É tão gostoso aquele choro fininho...".

Quem desconhece o fato do peso da responsabilidade pela criação da amada prole? Só os mais inocentes ignoram os percalços do cuidado com os pequenos, indefesos e incapazes nas mais básicas rotinas diárias.

Higiene, alimentação, saúde nos competem, pais adultos. Sua única forma de expressão, nos momentos ruins, é o choro, a delicada lágrima clamando por atenção. Alguém será capaz de lhe negar o devido socorro?

Esquecem-se tais pessoas dos inúmeros dias de sorrisos, expressos em seu singelo balbucio, do amor incondicional a nós dispensado? Os olhos das lágrimas, agora olhos de luz, irradiam a energia vital, alimento da alma, reconhecimento de nosso amor.

Sentirão saudades dos pequenos bracinhos, a buscar um abraço, terno e caloroso. Gratuito. Gratuidade dada como dom. O dom da vida! O pequeno dom, crescente, envolvente, transformador da existência de qualquer pai e mãe.

Reconhecer os pequenos e verdadeiros dons é pedra fundamental no caminho da felicidade! Agradeço, diariamente, esses e outros tantos pequenos dons confiados a mim. Procurarei sempre fazer jus a eles.