terça-feira, 31 de março de 2009

Mutante

Manipular é palavra-chave nas ações humanas.

Moldamos a natureza para melhor se adaptar às nossas necessidades. Desenvolvemos um sentimento de realizar, de modelar o mundo.

Realização plena acontece com a construção de programas. Em um mundo virtual, interno ao computador, as ideias mais impensáveis tomam vida.

Enorme abstração da realidade! Por não serem físicos, os programas assumem essa cara mutante. Coringas das mais diversas tarefas, assumem os papéis demandados pelo nosso cotidiano.

Como desejaríamos poder transformar da mesma maneira objetos materiais, num passe de mágica, transmutando água em vinho. Gostinho de poder divino...

Se depender da Intel, poderemos passar da etapa do gostaríamos! Baseada em nanotecnologia, ela propõe uma solução para criação de objetos 3D, como as "impressoras" de ferramental para a indústria, que de um desenho constroem um peça tridimensional.

Batizada de matéria mutante ou matéria programável, a concepção da gigante dos chips vai em mais além. Permitiria a elaboração de qualquer modelo físico, partindo do arranjo de moléculas. Verdadeira gestação de coisas a partir do pó!

Ideia apresentada através de um vídeo, disponível no Youtube, dá pra ficar pasmo com as imagens. Mesmo sendo apenas uma ilustração das possibilidades, mexe com algum sentimento nosso de realização, de tendência ao gosto pelos superpoderes, dignos de alguma divindade.

A geração do objeto acontece em frente dos seus olhos. Vemos as estruturas surgirem e se comporem. Além da criação, podemos alterar seu formato ou cor com as mãos. Experiência tátil e intuitiva para modelagem de praticamente qualquer item imaginado.

Uma senhora interface, bem melhor do que abstrair linhas e traços em um CAD, sem falar na praticidade e adequação às habilidades humanas. Seguimos assim, em busca de propiciar ferramentas para mudarmos o mundo. Esse mundo em mutação intensificada pela ação do homem.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Água

Água, fonte da vida.

Pelo andar da carruagem, em breve, poderá ser fonte de muitas outras coisas. Escassa e maltratada, o insumo básico da vida tem se valorizado consideravelmente.

Tanto valor associado que existem fundos de água (water funds) pelo mundo! São fundos de investimento que esperam obter vantagens na preservação de fontes de água saudáveis.

Um artigo da The Natural Conservancy, trata sobre fundos criados na América do Sul, região de abundante natureza preservada. Compara a água ao petróleo (ouro negro) e o açúcar (ouro branco). Será ela o novo ouro?

Na Suíça, o banco Pictet oferece os "Water Funds". Gerenciam um montante de 1.6 bilhão de euros! Apresentam como vantagem a alta liquidez do mercado, alto grau de atividade, baixa volatilidade, dentre outras.

Áreas relacionadas à água, nas mais diversos frontes (e fontes), serão beneficiadas. O dinheiro é destinado a investimento em projetos de manutenção de fontes e mananciais, preservação ambiental, tecnologia e produção de recursos hídricos.

Fico um pouco em dúvida de quais os retornos esperados... Haverá algum controle deste bem comum por poucas pessoas? Estamos vendo o agravamento da falta de acesso a comida e água, já existente em nosso planeta? Mais uma vez o poder econômico mostra sua cara...

Vivemos uma situação com lógicas um tanto distorcidas... Como exemplo, os investimentos de crédito de carbono. Se sou incapaz de deixar de poluir, posso comprar "créditos" de quem o faz para "neutralizar" minhas emissões. Agora invisto em água saudável, para garantir o fornecimento futuro desta, pagando por ela indiretamente...

Seguindo esse rumo, dentro de alguns anos veremos o surgimento da OPEA (Organização dos Países Exportadores de Água), similar a OPEP. Bastará um embargo para deflagrarmos a crise da água, como a crise do petróleo por volta dos anos 70.

Rico em recursos hídricos, o Brasil provavelmente seria um dos principais líderes da nova organização. Menos mal, afinal temos um comportamento bem mais equilibrado no jogo mundial, o que afastaria a possibilidade de tal crise.

Seja como for, onde há dinheiro, há fogo. A discussão deve ser feita e a atenção prestada. Antes de disputar os espólios da batalha, deveríamos nos ater em cuidar deste imenso tesouro. De mais a mais, a água ainda é a única fonte da vida, insubstituível.

domingo, 29 de março de 2009

Hidrogênio

"O verdadeiro é simples" (Goethe).

Quem diria, uma das apostas nas visões do futuro é a utilização de células de hidrogênio como combustível. Justamente o mais simples dos elementos, primeirão da fila na tabela periódica.

Lembro das decorebas das aulas de química. "Hoje Li Na Cama Robson Crusoé" em Francês era o acróstico para memorizarmos os elementos alcalinos. Tanta memória desperdiçada...

Voltando a nosso amigo Hidrogênio, ninguém poderia ser mais singelo. Apenas uma letra para representar, apenas um elétron para disponibilizar, tanta contribuição na composição da existência.

Pensou em hidrocarbonetos, palavra muito em voga, lá está ele. Precisou de água, elemento essencial à vida, sua presença é mais do que conhecida. A estimativa é que represente 75% da massa elementar do Universo.

Potencial extremo de energia em tão pequeno pedaço de matéria, a Bomba H, baseada no elemento, tem o poder 750 maior que qualquer bomba nuclear. Ainda bem que nunca ninguém arriscou usá-la para seu fim, apenas em testes. Pois é, infelizmente alguém a construiu...

Porém, para fins mais construtivos, o potencial deste elemento foi aproveitado para prover energia. Stan Ovshinsky persegue há anos a construção de células de energia baseadas em hidrogênio. Através de diversas empresas que criou, pesquisou e desenvolveu tecnologia nas mais diversas áreas de energia.

Cinco décadas atrás, ele e sua esposa, propuseram uma ideia radical do ciclo do Hidrogênio. A criação da economia do hidrogênio que aproveita este bem natural com fonte última de energia, para todos os fins. A disponibilização plena desta fonte renovável e limpa está próxima de ocorrer.

Sabedoria de dois grandes senhores, o simples pode se tornar a verdadeira resposta para muitos dos nossos problemas da sociedade contemporânea, principalmente energéticos. Espero que a convicção na solução impulsionará o desenvolvimento de técnicas e dispositivos economicamente viáveis, num futuro que possamos presenciar.

sábado, 28 de março de 2009

Light

Até onde irá a onda da abertura?

A crise econômica pode trazer protecionismo, intrigas de mercado, mas várias frentes continuam seguindo o caminho da colaboração e transparência.

Software, principal exemplar, nem se precisa mencionar. Projetos e mais projetos abertos estão disponíveis a quem quiser participar ou simplesmente utilizar.

Em outras áreas, como robótica e cervejaria, também observamos a influência do conceito. Há pouco menos de um mês, tive notícia de uma iniciativa no setor automobilístico!

Antigo, competitivo e polêmico, em novos tempos ambientais e mercantis, a empresa de engenharia EDAG apresentou o protótipo do Light Car - Open Source, no salão de Genebra.

Discutir soluções para o carro do futuro era seu principal objetivo, mas bem pode iniciar um trabalho comum e colaborativo para desenvolvimento de novos veículos automotores. Compartilhar experiências e ideias em favor da evolução comum.

Na proposta, o veículo contará com leve chassi de alumínio (reciclável?) e sistema de propulsão totalmente elétrico, além de toda iluminação baseada em OLED, inclusive para a área externa e sinalização. Sintonia com tendências modernas e ambientais.

Com ares de firula, a traseira do carro se assemelha a um painel da Enterprise (na Nova Geração). Futurista e otimizado, condiz com os restos dos sistemas do carro que buscam a eficiência no consumo e utilização.

Parte dos detalhes do carro podem ser vistos em vídeo disponível no YouTube. Mensagens com o a palavra "Charge", na lateral, indicam a situação de carga do carrinho. Ligaremos o carro na tomada como a um celular, transformando-o em um portentoso "gadget", nem um pouco portável.

Indústria focada em gerar desejo de consumo, montadoras pelo mundo têm retorno considerável em investir numa iniciativa de tal porte. De repente, num futuro não muito distante, todos poderemos trafegar com um bólido fruto do esforço de todos, em benefício de muitos. E dá-lhe colaboração!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Bolhas

Caímos facilmente em armadilhas da atenção.

Quem nunca se pegou hipnotizado a estourar as bolhas de um pedaço de plástico-bolha? Pléc, pléc, pléc! Chega a dar briga a disputa pelo retalho.

É contagiante. Basta ver alguém fazê-lo que ficamos com a cara de pidão, querendo participar. Felizmente as pessoas são solidárias e oferecem, guardam, um pouquinho das bolhas para o próximo.

Quando mudei de apartamento, durante a reforma e pintura do novo local, forrei o chão com plástico-bolha e papelão, para proteger o piso revestido de tacos.

Depois de forrado, mesmo antes da pintura começar, foi divertido andar sobre a nova forração. Estourar bolhas aos montes apenas com o caminhar!

Dava para improvisar uma aula de dança. Sapateado, coco, xote, xaxado, baião, tudo para curtir a farra do barulho das pequenas explosões. Extravasar um pouco da loucura contida em cada um de nós.

Certamente o som das bolinhas deve ativar algum mecanismo primal, bem no âmago da estrutura cerebral humana. Algo relacionado a ritmo, sons da natureza, sei lá... Uma coisa meio rítmica, meio macaco.

Bolinhas deste tipo fazem tanto sucesso que uma empresa japonesa, a Bandai, criou um chaveirinho que reproduz o estourar do plástico-bolha: o Mugen Pop Pop. Simples e portátil, basta apertar os botões do gadget para ouvir o som e ter a sensação de apertar as bolinhas, por apenas US$ 8,99, na Amazon.

A empresa é reponsável por outros tipos de chaveiros de sucesso, como os com bichinhos virtuais (tamagochi) ou um para reproduzir o ato de espremer ervilhas. Porém, a versão das bolhinhas é imbatível. Seu apelido em inglês descreve bem sua característica: Infinite Pop Pop.

Diversão garantida e quase infinita (em algum momento deve quebrar?). Útil para desestressar sem precisar correr para encontrar o fatídico plástico. Além disso, é até ecológico, pois poupa a utilização do derivado de petróleo. Difícil vai ser conseguir parar de usar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Torcicolo

Um torcicolo incomoda muita gente...

Hoje fui contemplado com um, inesperado e chato. Situação detestável, ficar com o pescoço travado, movimentos curtos e limitados, sem muitas alternativas ou soluções.

Às vezes acontece quando dormimos de mau jeito, como no sofá, por exemplo. Acordamos com a musculatura toda bagunçada e, dependendo do momento do despertar, com uma tromba de sono enorme.

Tem dias que ocorre naquela bobeada num exercício. Começamos o movimento inadequadamente, ou tentamos superar os limites, e sentimos o pescoço retesar.

Duro também aqueles que são frutos de viagens em posição incômoda. Veículo lotado, malas ou objetos por todo lado e nos ajustamos numa postura desconfortável. Final do percurso e nossa estrutura não aguentou o castigo.

Surpresa quando ele vêm de uma virada repentina do olhar. Para alguns é punição, por ter dado aquela secada no alheio. Para outros é azar, por ter precisado desviar repentinamente, ou prestar atenção em algum problema eminente.

Lembro também dos torcicolos maternos e paternos. Bebê no colo, sendo acalmado, acalentado ou nanado, e mantemos a cabeça para baixo, em constante vigília e preocupação. Com a tensão do momento misturada, travamento na certa. Esse é o dos que menos importam. Tudo pela prole.

Chato é que, mesmo alongando, em qualquer caso, dificilmente ficamos cem por cento na hora. Alivia, relaxa, mas tem que esperar passar. Não tem muito remédio. Estarás limitado por algum tempo! Deve residir aí a chateação: limitação.

Consolo é saber que melhora. Uma boa noite de sono. Poupar um pouco o corpo. Cuidar um pouco mais dos movimentos. Vou ficar quietinho e aguardar. Ajeitarei cadeira ou poltrona para ficar menos sofrível. Quando melhorar, não posso esquecer de lembrar o quanto é bom estar sem ele a me travar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Airbags

"Ao menino e ao borracho põe-lhe Deus a mão por baixo".

Antigo provérbio português, dito tantas vezes por minha avó, denota o esquecimento da natureza com os idosos. Uma verdadeira injustiça!

Crianças e bêbados realmente têm aquele jeito cai não cai. Seu sinuoso caminhar parece amparado por mãos etéreas, invisíveis a nossos incrédulos olhos.

Já os frágeis idosos, aqueles sem a firmeza de antigamente, quando despencam sofre sério risco. Grande parte dos acidentes domésticos com a população idosa ocorre em casa, nas quedas.

No Japão, país com significativa população longeva, não deixou para menos e providenciou uma "mãozinha" para eles. Uma companhia japonesa criou um airbag para tais situações.

Amarrado ao corpo através de uma espécie de colete, o dispositivo entra em ação ao sinal de uma queda inesperada. Algo como a reação dos airbags automotivos no momento de colisão. O equipamento pode ser visto em ação em um vídeo disponível na Web.

Protege principalmente a região lombar e cervical da coluna do acidentado, procurando preservar costas e cabeça no acidente, locais mais atingidos nestas situações e dos mais vitais. Pequeno detalhe é que só se pode cair para trás. Para frente não há proteção.

Também conheço idosos com os quais teríamos dificuldades de convencer para o uso. É difícil assumir a fraqueza, passar a receber o tratamento de uma criança, obedecer e se submeter. Preferirão dispensar a segurança e correr o risco.

De qualquer forma, já é alguma coisa. Melhor do que nada. À primeira vista, se mostra um colete discreto. Fico apenas imaginando se deve ser difícil se desvencilhar da traquitana, depois de acionamento. Além disso, a pessoa certamente não pode ter problemas cardíacos, pois o susto é grande.

Um aproveitamento inusitado do conhecimento adquirido em função da indústria automobilística. Aliás, muito de nossa tecnologia surge desse cruzamento de áreas do conhecimento. Mostra de quanto pesquisar algo, seja em que área for, pode render frutos promissores inesperados.