segunda-feira, 31 de março de 2008

Biodinâmica

Alimentos orgânicos são uma tendência mundial.

Restritos anteriormente a pequenos nichos, ganham nos últimos tempos mercados mais abrangentes e exigentes. Sua produção começa a ganhar escala e facilita o acesso a tais tipos de produtos.

É engraçado batizá-los de "orgânicos". Queremos com esse rótulo classificar os outros de artificiais? Sabemos não se tratar disso, mas apenas da isenção de pesticidas, adubos químicos e manipulação forçada.

Há duas semanas, soube pelo programa Globo Rural da existência da Agricultura Biodinâmica. Na matéria em questão, foi apresentada uma fazenda de orgânicos, caso de sucesso e adepta da tal modalidade de agricultura.

Interessante notar que há tratamento ético em todo o ambiente envolvido na produção. Uma ênfase tão importante quanto ao cuidado com a plantação é o dispensado aos empregados do empreendimento. Registro em carteira, condições adequadas de trabalho são os itens mais básicos nesses cuidados.

A população local levou certo tempo a aceitar os métodos ambientalmente adequados implantados nas terras. Sua cultura do uso de produtos químicos, queimadas e desconhecimento do ciclo natural eram mais fortes do que as promessas do método.

Também me surpreendeu descobrir que este tipo de agricultura é fundamentado na Antroposofia e na pedagogia Waldorf. Já havia tido contado com suas idéias, mas tinha uma impressão de algo pouco prático. Mais uma das grandes teorias holísticas existentes.

Pude constatar o meu engano e perceber como é possível transformar boas idéias em soluções práticas e produtivas. Inesperadamente uma série de conteúdos distintos toma corpo em um conjunto de propostas interessante de conhecer.

Independentemente da doutrina filosófica, o planeta agradece.

domingo, 30 de março de 2008

Diácono

Vocações religiosas se revelam de diversas formas.

Uma forma para os leigos católicos é o diaconato. Com preparação específica, as pessoas casadas que se sintam vocacionados ao serviço da Igreja podem ser diáconos.

Ontem fui a catedral da Sé, aqui em São Paulo, participar da celebração de uma ordenação diaconal. Assim como na ordenação de presbíteros, conhecidos popularmente como padres, o momento é de festa especial.

Acompanhava minha mãe, convidada por um primo, um dos ordenandos daquela tarde. Coincidentemente, meu avô foi diácono também.

Guardo as lembranças das tantas vezes que o presenciei em seu exercício diário da função. Seja nas orações cotidianas obrigatórias ou no atendimento a população da comunidade de sua pequena cidade interiorana. É gratificante rever aqueles valores ainda existentes e revividos.

Com a presença do Cardeal Dom Odilo, presidente da cerimônia, uma dezena de bispos e uma grande quantidade de padres e diáconos, a missa reuniu uma enormidade de pessoas, convidados dos ordenandos e outras pessoas, participantes habituais da comunidade da Sé.

Afora toda pompa e circunstância, também estavam lá um considerável número de pessoas comuns ao centro da cidade, os moradores de rua, se é que a rua pode ser considerada moradia. Foram lá participar, como em todos os outros dias, buscar a integração ainda que apenas espiritual.

A catedral, com sua arquitetura que nos encaminha aos céus, e toda a reunião de pessoas das mais diversas formavam uma legítima fotografia da comunhão possível numa grande cidade. O transpirar de fé no ambiente nos comoveu e transformou.

Unicamente podemos concordar que presenciamos a reunião de pessoas comuns, interessadas em servir ao bem comum. Qualquer outra opinião ou divergência é impraticável. A fé os inspira e reúne, com uma verdade capaz apenas ao profundo sentimento do coração.

Envolvidos em toda essa aura de encontra e confraternização, compreendemos um pouco o refrão cantado por esses homens de doação: "E pelo mundo vou, cantando o teu amor, Pois disponível estou para servir-te, Senhor".

sábado, 29 de março de 2008

Navio

Problemas filosóficos nos dizem muito.

Algo a atormentar pensadores através de nossa história é a questão da identidade. Junto a ela, como possível chave para pesquisa, a consciência.

Desejamos sempre identificar os elementos circundantes, dar-lhes personalidade, única, distinta. Rotulamos tudo e todos, tornando-os únicos em sua existência.

Mas o que somos nós? O que nos dá identidade? Qual característica nos torna perenes? A resposta está em nossa alma? Ou na manifestação física de nossa consciência?

De nosso nascimento a nosso fim, estamos em constante transformação física e psicológica. Crescemos, mudamos, amadurecemos, cicatrizamos: nunca somos a mesma matéria ou psicologia de ontem, ou de alguns segundos atrás.

Se assim ocorre, como podemos ter certeza, após longo tempo de afastamento, que um velho amigo é a pessoa encontrada? Como saber ao certo se eu sou eu mesmo? Caso haja dificuldade em ilustrar a idéia, podemos recorrer a uma antiga formulação.

Ulisses, o herói grego epopéico, singrou os mares com seus companheiros Argonautas. Para suas viagens utiliza um navio, que certamente precisou de manutenção durante sua existência. As tábuas, pregos e amarras trocados foram dispensados em algum lugar.

Suponhamos que completamente todas as peças do navio fossem substituídas. Ao final ainda teríamos o mesmo navio? Ninguém que o conhecesse duvidaria disso... E se alguém recolhesse todas as peças dispensadas, em seguida remontando o navio com elas? Teria essa pessoa o navio do herói? Qual dos dois seria o verdadeiro? Os dois?

Percebemos a relação de identidade com a história do elemento. Ela inexistiria se não tivesse navegado. Sua imagem está muito além da coleção de átomos de qualquer material do qual fosse feito.

Tal qual o barco, precisamos navegar. Caso contrário, seremos uma insignificante amontoado de tábuas, esquecido em algum cais.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Tártaro

Idéias são elementos fascinantemente encadeantes.

No almoço de hoje, ao escolher o molho para meu sanduíche, perguntei ao garçom: "O que vai no molho tártaro?". Qual não foi minha surpresa com a resposta: "Vai molho tártaro".

Entre atônito e confuso, agradeci a excelente explicação e pedi o lanche mesmo assim. Minha colega, que fazia parte do grupo a almoçar, precisou de um controle sobre-humano para não cair na gargalhada ali mesmo.

Mais tarde, a dúvida me assolava. O que poderia haver no tal molho? Já o havia degustado, mas a fome e a estupefação impediram a apreciação adequada dos sabores. Uma pesquisa básica resolveu o meu problema, me apresentando o molho com ovos, azeite, mostarda e condimentos. Quanto mistério, não?

O tal molho me lembrou outra coisa. Afinal, quem são estes tais tártaros? Viajei até a Tartária, n região central da Ásia, para descobrir estarem extintos. Provavelmente seus descendentes rondam hoje algumas regiões do mundo, como Rússia, Japão e Sibéria. Será que eles comiam muito do homônimo molho?

Mas surgiu nova questão repentinamente. Por que o inferno grego era batizado de Tártaro? Vieram tais pessoas das profundezas? O molho é tão ruim que só podia ser feito lá? Ou os batismos mais recentes são por sua característica infernal?

Num arroubo de mais um idéia inquietante, não pude deixar de pensar: Por que a sedimentação dentária tem esse mesmo nome? Acaso é um castigo dos enviados para o reino de Hades? Ou castigo é o aparelho de ultra-som, utilizado pelos dentistas, no combate do mal bucal?

Brainstorming é isso aí. Idéias para cá. Encadeamentos para lá. Algumas anotações e vamos desenhando o pensando, descobrindo essa nossa ferramenta misteriosa. Lembrei até de Mind Mapping, um método até antigo para ajudar na formação da cadeia de nossos pensamentos e possibilitar estudá-los. Vale a pena conhecer também.

Tão pouco tempo e tantos devaneios. É por essas, e outras, que fica possível entender o lema de Glauber Rocha, para o cinema novo: "Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão!". Para brincar é só começar. Quanto mais exercitar, melhor fica!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Artificial

Inteligência pode ser artificial?

Desde a comparação feita entre cérebros e computadores, vislumbramos a possibilidade de criar inteligência artificial. O interesse em sua criação busca a compreensão de nossa consciência, de nossa própria existência.

A complicação começa pela própria definição de inteligência. O que é? O que não é? O quanto está misturada a consciência? Quanto se difere desta? Só nós possuímos? É definível?

Alan Turing, matemático britânico e grande nome da computação, influenciou enormemente esta história. Dentre muitas contribuições, ele foi responsável pela proposição do Teste de Turing.

Seu teste pretende comprovar a capacidade de um computador ser confundido com um ser humano, uma vez que atinja capacidade intelectual similar. Sua formulação propõe a exposição de avaliadores a duas entidades ocultas, em salas distintas, acessíveis por meio remoto. Baseados em entrevistas, tais pessoas deverão ser capazes de distinguir qual entidade é uma pessoa e qual é um programa de computador.

O próprio formulador do teste apostou que este estaria vencido até o ano 2000. Ledo engano. Mesmo com o prêmio de 100 mil dólares, ninguém ainda conseguiu atingir o objetivo. Para muitos estamos bem longe ainda.

Nosso cérebro possui 100 bilhões de neurônios. Conectados através de sinapses, possuímos um rede com cerca de 100 trilhões de conexões. Essa rede tem poder computacional equivalente a 100 milhões de Mips.

Os primeiros computadores mal chegavam a alguns Mips. Graças à Lei de Moore, atualmente, nossos mais poderosos computadores conseguem 10 milhões de Mips de poder computacional. Ainda falta um grande esforço. A projeção é igualarmos o poder cerebral lá pelo ano de 2019, se as condições de evolução se mantiverem.

Naquela época, estaremos então em condição estrutural de tentar reproduzir nossos padrões biológicos, se conhecermos bem a estrutura de nossa formação. Talvez, copiando estas estruturas, surja inteligência...

Ainda que tenhamos sucesso, fica um pergunta intrigante, a atormentar filósofos por toda a história: "Será nosso cérebro suficientemente complexo para compreender sua própria complexidade?". Alguém arrisca um palpite?

quarta-feira, 26 de março de 2008

MSF

Onde estão as fronteiras de nossa solidariedade?

É bem comum ouvirmos alguém dizer que faz tudo pela sua família, ou por seus amigos. Ajudar o conhecido, o mais próximo, é o fardo mais leve a carregar.

Difícil e louvável é socorrer os totalmente esquecidos, completamente desconhecidos, nos recantos mais pobres e distantes do mundo.

Os Médicos Sem Fronteiras, organização não governamental ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, em 1999, é dedicada ao atendimento médico e social de populações em região de conflito e pobreza. Com mais de 30 anos, 22 mil profissionais, atuantes em 70 países, já construiu um legado respeitável, mas apenas começou.

A mazela de nosso mundo é muito grande. Profissionais dedicados como estes médicos e jornalistas são pessoas com o verdadeiro espírito da doação. Preocupação concreta com a vida, muitas vezes negligenciando a própria, pondo-a em risco para auxiliar o outro.

Desprendimento é certamente essencial. Solidariedade e fraternidade sentimentos incutidos profundamente em suas almas. São pessoas legitimamente vocacionadas e imbuídas de um ideal humanitário sem igual.

O poder governamental está imóvel em muitos lugares do mundo. Outra vez a sociedade humana se movimenta para acudir suas necessidades mais básicas, independentemente de iniciativas oficiais. Longe de serem assistencialistas, eles procuram garantir condições mínimas de dignidade de vida, enquanto soluções mais estruturais não chegam.

Justificativas mil podemos encontrar para não estarmos alistados nos fronts do grupo. Trabalhamos muito, mal damos conta de nossas vidas, temos família para cuidar e todos outros motivos muito justos. Podemos, no mínimo, estender nossas fronteiras com apoio financeiro. Que tal a idéia?

terça-feira, 25 de março de 2008

Tubos

Boas idéias ganham filhotes aos tubos.

Isso parece mais concreto no caso do Youtube. O motivo de seu sucesso pode ser discutido por várias vertentes. Da exposição narcisista ao ímpeto documentarista humano, o site é sucesso incontestável.

Na esteira de seu sucesso, novos sites surgem, normalmente mais especializados e com porte bem menor.

Observo neste incipiente movimento uma semente do processo de expansão, mencionado a cerca de um mês neste mesmo blog. O mundo on-line cresce continuamente e as pequenas cidades caminham para futuras megalópoles.

Para os loucos por calçados, daqueles com tendências a Imelda Marcos, há um site só com vídeos sobre sapatos: o shoetube.tv. Um rol completo sobre o assunto ao apresentar tendências, lojas, coleções, opiniões. Um verdadeiro exagero para quem apenas vê no sapato um utilitário.

Mais acadêmico e extremamente útil, o TeacherTube pretende promover o intercâmbio de informações entre professores. Aquela aula perfeita, uma inovadora forma de exposição de certo conteúdo ou simplesmente a divulgação de um novo assunto, tudo posto em vídeo para fortalecer o encontro de ensinadores pelo mundo.

Aos apreciadores da boa mesa ou para os chefs de plantão, profissionais ou amadores, há o Wine and Food Tube. Diversas áreas da gastronomia e enologia, espalhadas pelo mundo e nas mais diversas culturas, estão presentes no site, para apreciarmos em pequenos vídeos. Só não dá pra provar os sabores pela Internet...

Mesmo sem a palavra 'Tube' envolvida, as terras brazucas possuem suas iniciativas. O Videolog é um deles, genérico como a principal referência, traz ares tupiniquins para o compartilhamento de vídeos.

Esses são alguns poucos exemplos. Uma rápida pesquisa apresenta uma grande quantidade a conhecer. Se for o caso, também são fartos os tutoriais e matérias sobre construção do seu próprio Tube. Com tantas opções, em áreas e regiões, todo cuidado é pouco para não acabar entubado.