Mostrando postagens com marcador Idéias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Idéias. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Generalização

"Toda generalização é perniciosa... Inclusive essa."

Talvez a segunda frase fosse dispensável, mas a idéia expressa por Mark Twain não. Generalizações são simplificações rasas em sua grande maioria.

Algo como se recusar a enxergar a diversidade, a infinita multiplicidade presente na existência. Talvez represente a grande maioria, mas devemos ser conscientes de sua abrangência.

Sempre sou avesso às regras gerais. É uma mania incessante de quererem generalizar tudo e todos. Mania até com ares científicos, cheia de fatos e conclusões.

Simplesmente se afirma que se algo é assim, então... A velha história de que todo político é corrupto ou toda loira é burra. Frases, preconceitos a pairar em diversas conversas.

Generalizar, abstrair uma idéia, situação ou fundamento, tem sua utilidade nas ciências. Da observação dos distintos eventos, ou exemplares, se chega a um conceito geral, mais amplo, mas por isso mesmo um tanto quanto distante da realidade.

Quando precisamos aplicar estas idéias a problemas reais, o novo problema a surgir é ajustar aos detalhes existentes em cada conjunto de condições ambientais. Basta isso para aprendermos a reconhecer a inexistência de linearidade na natureza.

Há uma piada antiga no meio acadêmico. Dizem que a formulação de um problema em física sempre tem um enunciado do tipo: "tomemos uma vaca de formato esférico...". Oras, sabemos que vaca alguma é esférica, mas para aplicar fenômenos físicos a aproximamos de uma esfera, para ficar mais simples a abordagem da questão.

O problema não está em abstrair parte da realidade, mas em encarar esta visão do fato como verdade única e indissolúvel. Aplicar a idéia generalizada a toda e qualquer situação, sem distinção alguma, sem senso algum.

Por exemplo, no caso de pessoas, assumir a veracidade de comportamentos tão padronizados é remover toda a complexidade do espírito humano. É preparar uma salada com todos os elementos, sem considerar, no mínimo, a possibilidade do livre arbítrio. Deixamos assim de apreciar a beleza de nuances dos quadros pintados pela natureza.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Googleversário

Tá com uma boa idéia? Manda pro Google!

O gigante da Internet completa 10 anos e quem ganha um belo prêmio é você. Isso mesmo, ele também envelhece... Em matéria de tecnologia, já é uma idadezinha avançada.

Festejos acontecerão aos montes. Há, por exemplo, uma página comemorativa com o retrospecto dos fatos neste último período de sua história. Uma linha do tempo bem interessante e recheada.

Mas, falemos de prêmio... Batizado de Project 10100 , a iniciativa pretende eleger 5 grandes idéias, colhidas pelo planeta, através da rede, que mudem o mundo ajudando um número máximo de pessoas, tanto quanto possível.

As inscrições devem ser feitas até 20 de outubro. Eles publicaram 100 idéias selecionadas, para que nós escolhamos 20 semifinalistas. Então, um comitê da empresa elegerá as 5 melhores idéias. Valor do prêmio: US$ 10 milhões para dividir entre os premiados.

É certo que uma bilionária corporação, com caixa acima de US$ 50 bilhões disponíveis, poderia oferecer algo mais generoso. Afinal, são 10 anos de vida! De qualquer forma, se sobrar só um milhãozinho já é um bom começo para dar vida à idéia.

Propõem definir o menor número de regras possível. Os candidatos devem se enquadrar dentro de determinadas categorias, que irão nortear as avaliações. São elas: comunidade, oportunidade, energia, ambiente, saúde, educação, moradia ou outros (para o caso de não se encaixar nas anteriores).

Independentemente da categoria, pelo menos 5 critérios de avaliação estarão em jogo: alcance, profundidade, viabilidade, eficiência e longevidade. Disfarce de brincadeira, mas assunto de seriedade extrema. Ares de empreendimento bem gerido e com padrões de excelência.

Basta por as mãos à obra! E a cabeça também... Pensar em algo inovador, em tempos de tanto desgaste da inovação, é realmente desgastante. Qual idéia merece tamanha distinção? O que distinguirá, em um espectro tão abrangente, os grandes vencedores? Uma parceria desta monta pelo menos é um bom motivo para o esforço... O mundo agradecerá.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Idear

Idéias não são, ocorrem.

Existência como unidade, como entidade, compartimentada no espaço e no tempo, nem resvala nas exigências e naturezas da formulação de pensamentos e sua utilização.

Vai saber de onde surgiu a história da geração espontânea... De repente, como conseqüência do destino, uma grande idéia deixa o seu mundo e pousa na cabeça de alguém.

Pior, alguns culparão o coitado do Arquimedes. A folclórica passagem a ele atribuída, com sua exclamação "Eureka", contribui com a visão um tanto mágica do processo de "idear".

Há também a história do Newton com a maçã. Queremos creditar ao acaso o derramar de gotas de genialidade na cachola de alguns poucos. É muito desprezo pelo esforço deles.

Resultado de considerável esforço, é mais coerente enxergarmos como final de um processo. Tudo começa com a alguma inquietação, uma motivação espúria. Geradora da ânsia por solução, ou da curiosidade por entender.

Despende dedicação e um bocado de trabalho para mastigar os vestígios e rastros de sua perseguição. Coletados pelo caminho, nem sempre de maneira controlada e consciente, se acumulam em algum lugar da alma, se encaixando sorrateiramente.

Não há descanso. Nos casos das muito boas idéias, lembranças e lampejos acometem o criador incessantemente. Difícil decisão tentar afastá-las da frente, colocá-las de lado para realizar algum outro tipo de intento. O cotidiano pede muito de nosso tempo para supostas manutenções obrigatórias.

Alguns anos podem se passar. Ou em poucos minutos, relativisticamente, percorrer toda a via crucis do processo criativo. O ápice da concepção traz a alegria de receber um filho, mesmo que ideário, motivo de júbilo e satisfação. Se percebermos que o alarme foi falso, nos resta apenas continuar e não desistir!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Innocentive

Mercadores de idéias, regozijai-vos!

Bem do futuro, quase presente, o conhecimento ganha espaços para sua negociação. Websites diversos provêem mecanismos para o funcionamento do novo mercado.

No endereço do Innocentive, tudo começou com a proposição de problemas para solução por quem ousasse enfrentá-los. Empresas com tentativas internas esgotadas decidiram lançar o desafio ao mundo.

Pesquisadores dos mais distantes recantos do planeta, na ativa ou aposentados, profissionais ou amadores, tem a chance de colocar suas idéias à venda e angariar um bom retorno financeiro.

Os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento das grandes empresas continuam a existir, mas ganharam novas extensões, praticamente globais, ao possibilitar que qualquer pessoa apta a contribuir possa fazer parte do processo de elaboração das soluções para seus produtos.

Pouco demorou para pessoas, abundantes em criatividade e idéias, começarem a anunciar seu "estoque" de criações na grande feira de conexões neurais. A iniciativa ganhou assim a outra mão, fazendo o caminho inverso do criador ou utilizador de conhecimento.

Comunidade acadêmica e o mundo empresarial possuem um canal único para troca de conteúdo e potencial. Sinal dos novos tempos, vemos a sublimação da capacidade humana em se reunir e produzir sua realidade, mesmo que em troca de alguns bons bocados de recursos financeiros.

Outros espaços de classificados de idéias existem, como o Yet2. Sua abordagem mais tecnológica remove a aura acadêmica e favorece as soluções mais acabadas, específicas. Idéias antes protegidas e escondidas, grandes segredos, são expostas para poderem se realizar. Antes, muitas poderiam acabar no limbo dos iluminados, mas jamais conhecidos...

Empresas com imenso capital intelectual, muitas vezes desaproveitado, como IBM, HP, dentre outras, aproveitam para anunciar parte de seus projetos não utilizados. Mesmo pequenas empresas, detentoras de algum esquecido conhecimento, o fazem. Aquilo que não me serviu pode ser útil a outra. E gerar renda!

Novo mundo, novos rumos. Há pouco tempo guardados como segredo de estado, conhecimento desenvolvido internamente está sendo exposto, para ser livre e produzir resultados. Em épocas de eBay intelectual, talvez seja o momento de conhecer os desafios propostos e se engajar nesta nova onda. Desafio lançado, quantos bons resultados surgirão, não é?

sexta-feira, 28 de março de 2008

Tártaro

Idéias são elementos fascinantemente encadeantes.

No almoço de hoje, ao escolher o molho para meu sanduíche, perguntei ao garçom: "O que vai no molho tártaro?". Qual não foi minha surpresa com a resposta: "Vai molho tártaro".

Entre atônito e confuso, agradeci a excelente explicação e pedi o lanche mesmo assim. Minha colega, que fazia parte do grupo a almoçar, precisou de um controle sobre-humano para não cair na gargalhada ali mesmo.

Mais tarde, a dúvida me assolava. O que poderia haver no tal molho? Já o havia degustado, mas a fome e a estupefação impediram a apreciação adequada dos sabores. Uma pesquisa básica resolveu o meu problema, me apresentando o molho com ovos, azeite, mostarda e condimentos. Quanto mistério, não?

O tal molho me lembrou outra coisa. Afinal, quem são estes tais tártaros? Viajei até a Tartária, n região central da Ásia, para descobrir estarem extintos. Provavelmente seus descendentes rondam hoje algumas regiões do mundo, como Rússia, Japão e Sibéria. Será que eles comiam muito do homônimo molho?

Mas surgiu nova questão repentinamente. Por que o inferno grego era batizado de Tártaro? Vieram tais pessoas das profundezas? O molho é tão ruim que só podia ser feito lá? Ou os batismos mais recentes são por sua característica infernal?

Num arroubo de mais um idéia inquietante, não pude deixar de pensar: Por que a sedimentação dentária tem esse mesmo nome? Acaso é um castigo dos enviados para o reino de Hades? Ou castigo é o aparelho de ultra-som, utilizado pelos dentistas, no combate do mal bucal?

Brainstorming é isso aí. Idéias para cá. Encadeamentos para lá. Algumas anotações e vamos desenhando o pensando, descobrindo essa nossa ferramenta misteriosa. Lembrei até de Mind Mapping, um método até antigo para ajudar na formação da cadeia de nossos pensamentos e possibilitar estudá-los. Vale a pena conhecer também.

Tão pouco tempo e tantos devaneios. É por essas, e outras, que fica possível entender o lema de Glauber Rocha, para o cinema novo: "Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão!". Para brincar é só começar. Quanto mais exercitar, melhor fica!