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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Nuvens

Nuvens atrapalham nossa visão do horizonte. Sempre?

Nos últimos anos, está em voga na área de sistemas computacionais o conceito de Cloud Computing (algo como "Computação em Nuvem").

Tal conceito se refere à computação baseada na Internet. Soluções de software oferecidas em rede, envolvendo idéias como hosting, SAAS e derivados. É uma alternativa de terceirização de TI ao extremo, incluindo a informação.

expressei alguns pontos favoráveis ao software como serviço, assim como as respectivas considerações a suas limitações e riscos. Em princípio, de maneira geral, parece ser uma boa alternativa. Nem todo mundo acha...

John C. Dvorak, na edição deste mês da revista INFO, expressa opinião interessante a respeito. Ele encara a solução como roupa velha, com preço novo (e bem alto). A repaginação só serviria a indústria de software, que cria mecanismos para continuar faturando se aprimorar as soluções.

Ao trazer para seus centros de processamento, para sua estrutura, as soluções do usuário, a indústria estaria criando demanda eterna, com o "aluguel" dos sistemas. Estariam assim apenas com a preocupação de seu faturamento. O articulista avalia que as empresas pouco se preocupam com seus usuários.

Usuários domésticos poderiam encarar desta forma, sem dúvida. É perfeitamente possível alguém ainda utilizar algo como, por exemplo, o Office 97, com excelente retorno. Em verdade, a grande maioria das pessoas certamente subutiliza os recursos das últimas versões do produto.

Por outro lado, os custos envolvidos na administração de recursos de TI, em uma empresa, não se resumem a custos de licenças. O gerenciamento de estruturas, manutenção de segurança e preservação de dados apresentam custos similares e relevantes. Entregar todo esse conjunto a alguém com experiência e estrutura apta é seguro e considerável.

Mal comparando, é algo como o dilema entre possuir casa própria ou viver em aluguel. Particularmente, vejo a segurança oferecida pela propriedade uma máscara aos custos envolvidos com sua manutenção, elementos mais evidentes no mecanismo do aluguel. Muitos americanos também vêem assim, com a exceção de nosso amigo colunista.

Em discussões nebulosas não convém fazer mais fumaça. Em todos os casos, sempre há diversas perspectivas e pontos a considerar. Em alguns céus, atrás das densas nuvens, talvez estará um imenso e belo céu azul.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Artificial

Inteligência pode ser artificial?

Desde a comparação feita entre cérebros e computadores, vislumbramos a possibilidade de criar inteligência artificial. O interesse em sua criação busca a compreensão de nossa consciência, de nossa própria existência.

A complicação começa pela própria definição de inteligência. O que é? O que não é? O quanto está misturada a consciência? Quanto se difere desta? Só nós possuímos? É definível?

Alan Turing, matemático britânico e grande nome da computação, influenciou enormemente esta história. Dentre muitas contribuições, ele foi responsável pela proposição do Teste de Turing.

Seu teste pretende comprovar a capacidade de um computador ser confundido com um ser humano, uma vez que atinja capacidade intelectual similar. Sua formulação propõe a exposição de avaliadores a duas entidades ocultas, em salas distintas, acessíveis por meio remoto. Baseados em entrevistas, tais pessoas deverão ser capazes de distinguir qual entidade é uma pessoa e qual é um programa de computador.

O próprio formulador do teste apostou que este estaria vencido até o ano 2000. Ledo engano. Mesmo com o prêmio de 100 mil dólares, ninguém ainda conseguiu atingir o objetivo. Para muitos estamos bem longe ainda.

Nosso cérebro possui 100 bilhões de neurônios. Conectados através de sinapses, possuímos um rede com cerca de 100 trilhões de conexões. Essa rede tem poder computacional equivalente a 100 milhões de Mips.

Os primeiros computadores mal chegavam a alguns Mips. Graças à Lei de Moore, atualmente, nossos mais poderosos computadores conseguem 10 milhões de Mips de poder computacional. Ainda falta um grande esforço. A projeção é igualarmos o poder cerebral lá pelo ano de 2019, se as condições de evolução se mantiverem.

Naquela época, estaremos então em condição estrutural de tentar reproduzir nossos padrões biológicos, se conhecermos bem a estrutura de nossa formação. Talvez, copiando estas estruturas, surja inteligência...

Ainda que tenhamos sucesso, fica um pergunta intrigante, a atormentar filósofos por toda a história: "Será nosso cérebro suficientemente complexo para compreender sua própria complexidade?". Alguém arrisca um palpite?