quarta-feira, 7 de maio de 2008

SaaS

O rei está morto!

Entronizado por décadas, como senhor absoluto das soluções computacionais, o PC está com os dias contados como principal player, ao menos para alguns analistas.


Globalização, colaboração e Internet são algumas das motivações da revolução francesa da tecnologia da informação. Se fosse o atual responsável, Jean-Nicholas Pache teria criado o conceito de SaaS (Software as a Service), ícone dos novos tempos visionários.

Com ele, a existência de programas apenas em uma máquina é passado. As aplicações em rede podem ser acessadas de qualquer local, pelos mais diversos dispositivos. Handhelds, thin clients, celulares e outros gadgets, se tornam alternativas para acesso a informação.

Procurar vender software como serviço é uma tentativa a completar já quase uma década. Entre dificuldades tecnológicas, organizacionais e comportamentais, motivos diversos existem para a demora na adoção de tais soluções.

Softwares são tratados como mercadoria desde o princípio. Conflituoso é aceitar o imaterial concretamente negociado. No princípio, com a tecnologia existente, se tornou mais fácil represar os caminhos possíveis dos programas. A limitação de sua cópia era mais simples. Novas tecnologias, novas formas de troca e o controle se perdeu.

Nunca o controle fez muito sentido. Como dimensionar o valor do etéreo? Programas de computador possuem mais "peso" por sua potencialidade, do que pela sua quantidade de bits e elétrons. Caso especial de avaliação do custo-benefício.

Dessa forma, uma grande idéia é encarar a questão como venda de serviço. Um aluguel de recurso, com todos os custos envolvidos consolidados. Um único preço por um pacote de soluções. Encargos e preocupações diversas são dispensados.

Faltava apenas a tecnologia para ter acesso a tais recursos. Links velozes, armazenamento abundante, plataformas distribuídas compõem o status quo atual. Resta aos fornecedores o posicionamento para participar do mercado, oferecendo soluções.

Gigantes da computação correm para tanto. Até programas de escritório já são comuns: GoogleDocs, Zoho, Thinkfree, dentre outros. Qual será o interesse da Microsoft no Yahoo? A estrela de Redmond procura incessantemente alternativa ao modelo de plataforma que a consagrou.

Como toda nova onda, muitos fumaça é gerada. O spray das águas torna o horizonte nebuloso. Boas referências e muita pesquisa são essenciais. Outras tantas ondas podem surgir. Melhor conhecer a geografia da praia, para não acabar arrastado a areia pelo vagalhão sucessivo da maré.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Planilhas

"...numa planilha de Excel monta-se o que se quer.".

Colocada a questão política de lado, as palavras da ministra Dilma Roussef, em abril deste ano, ilustram muito bem o perigoso potencial das planilhas eletrônicas.

Expedições arqueológicas (:)) afirmam ter encontrado instrumentos compostos de celulose e grafite, popularmente conhecidos como "lápis", utilizados por povos antigos para registrar e apoiar cálculos extensos.

Eles eram comumente utilizados para registrar, em folhas de papel, números e mais números. Após seu processamento por contadores, outros resultados obtidos eram registrados da mesma forma, em linhas totalizadoras. À disposição de seus usuários uma ferramenta de auxílio era a borracha, para eventuais correções, não automáticas.

Brincadeiras à parte, as planilhas de cálculo eletrônicas fazem parte do mundo computacional há tanto tempo que muitos nem lembram suas origens. Parte das pessoas as conhece pelo seu exemplar de maior sucesso: o Excel. O aplicativo da Microsoft ganhou ares de Gillete...

Inicialmente preocupadas em tabular dados e executar cálculos básicos entre suas células, estes aplicativos ganharam inúmeras funções adicionais, expandindo suas potencialidades para bem além de soluções aritméticas tabulares.

Como boa parte dos programas para escritório, certamente são subutilizados pela maioria, remetendo a suas origens. Em meio ao mar de macros e múltiplas funções, formatações pirotécnicas e produção de gráficos diversos, invariavelmente vemos passar por nós drivers arquivos com pouco mais do que aritmética.

Ainda assim, não são raros os casos dos aventureiros, a implementar controles dos mais diversos, sobre os processos e ativos da empresa. Geram "pseudo-sistemas" computacionais para gerir seu negócio. E não faltam produtores de planilhas que incentivam a prática.

De quando em quando, as ferramentas de planilha são utilizadas para "extrair" dados dos sistemas corporativos. Com a desculpa de produzir resultados, em formatos não disponíveis, acabam por produzir "outros resultados", muitas vezes não confiáveis.

Leite derramado, esforço dobrado. Amarrados a uma dependência desses seres paralelos, muitas organizações se vêem reféns dos planilhadores, mestres nos meandros das intrincadas fórmulas desenvolvidas em suas estruturas.

Seu sucesso possivelmente é devido à compatibilidade com a flexibilidade e desorganização da alma humana. Devemos nos ater ao esforço em manter o rumo, em direção a produção de informações úteis para o bom gerenciamento de um empreendimento.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Craigslist

Já ouviu falar do Craigslist?

Pois é, muita gente não ouviu e talvez nunca ouça. Enorme sucesso pelo mundo na Internet, supera hoje em acessos até a Amazon, mas é pouco divulgado.

Eu mesmo conhecia sua versão americana, existente desde 1995, mas fiquei sabendo nesta semana de sua localização para São Paulo. No fundo, a notícia da revista Época anuncia sua "inauguração" em 8 novas cidades brasileiras.

O site é o maior portal de classificados gratuitos da Internet. Negócio de inusitado sucesso, em março de 2008 foram 40 milhões de usuários, 10 bilhões de páginas visualizadas e 30 milhões anúncios colocados. Ufa! Volume para muito poucos...

Sabe quanto é o custo para publicar anúncios em suas páginas? Zero! Eis a inusitada situação. Depois de anos de trabalho em grandes corporações capitalistas (IBM, Bank of America...), Craig Newmark decidiu criar uma lista de classificados grátis, para os amigos, por pura diversão.

Praticamente uma utopia hippie, seu criador não aceita conversa com investidores, vive modestamente e dispensa pretensões de mega crescimento. Apenas no ano 2000 começou a cobrar por anúncios de empregos, em 10 cidades americanas e de imóveis na cidade de Nova York. O restante continua gratuito.

Promovido no boca a boca, de e-mail em e-mail, numa das primeiras manifestações do marketing viral. Com toda essa singeleza, a empresa faturou US$ 55 milhões em 2007, com previsão de US$ 81 milhões de faturamento para 2008!

Desafio para o entendimento das mentes capitalistas. É possível a boa intenção bastar para o sucesso? Desejar o suficiente é uma boa alternativa, em contrapartida ao desejo de sempre mais? Revolução bem feita é assim!

Seu logotipo é indubitavelmente adequado. O "Símbolo Paz e Amor", utilizado como ícone do empreendimento, é quase um desafio, uma cutucada no establishment. Com seu jeitão anos 70 de ser, eles tomaram boa parte da receita de classificados dos jornais impressos. Incômoda pedra no sapato de quem já vem perdendo mais fatias para outras iniciativas.

A Internet novamente é palco e promotora de mudanças. Viabilizadora de novos meios, subverte as estruturas ao dispor condições de reinvenção. Grandes idéias, ideais flower power finalmente se concretizam, em tempos futuros.

Sonho humano e semente incutida em cada alma, a ação em grupo sempre se demonstra valiosa alternativa. União de esforços pelo bem comum! Que muitas outras "listas" sejam possíveis sempre.

domingo, 4 de maio de 2008

Chá

Chá de bebê é um grande e antiga tradição.

Esqueçamos qualquer interesse comercial, atualmente explorado por lojas de produtos relacionados. É muito mais importante a confraternização e o encontro.

Com diversas denominações, chá de cegonha, chá de berço ou chá de bebê, o assunto tem até site exclusivo. Neste domingo foi nossa vez de receber o evento.

Em verdade, foi a vez da futura mamãe... Fizemos questão de seguir a etiqueta do clube da Luluzinha: só entraram as meninas.

Do meu recolhimento residencial só recebia as notícias dos acontecimentos no salão de festas. Acabei também recebendo o clube do Bolinha. Maridos, filhos e irmãos, em função de chofer e guarda-costas do dia.

Iniciativa de um grupo de amigas, podemos encarar sua reunião com um grande momento Mazel Tov! O período pré-natalino se revela continuamente cheio de bons augúrios.

Acolhimento da nova chegada, a reunião remete a antigos ritos tribais. Exatamente como aqueles vistos em documentários... Cerimônia de passagem e iniciação, a comunidade unida celebra o momento e apóia seus membros nos mais diversos momentos de sua vida.

Transborda no ambiente uma aura de fraternidade. A amizade, a união ali demonstrada enternece e comove. Momento de verdadeira catarse, a expectativa pela chegada do bebê é expressa no sem-número de abraços, desejos e choros.

Mais bacana ainda, à luz da ciência moderna, saber que a pequena vida eminente também está participando, vivenciando tantas emoções e se descobrindo querida. Memórias desse tipo forjaram estruturas eternas em seu ser, compostas do aço sólido da ternura humana.

Qualquer agradecimento verbal, por tamanho presente, está muito aquém da dimensão de nosso sentimento. De todos os presentes, a energia do calor humano, da presneça de amigos, é o mais precioso dom recebido.

A todas as amigas, e seus respectivos componentes das "equipes de apoio", o mais sincero obrigado. Nós e nossa pequena vindoura somos eternamente gratos.

sábado, 3 de maio de 2008

365

365 dias, paulatinamente vividos, nos surpreendem ao formarem 1 ano!

Em verdade, eu deveria contabilizar 366 dias, pois este ano é bissexto e contamos com o dia 29 de fevereiro. Seja como for, este blog comemora 1 ano de vida, na data de hoje! Sendo assim, é dia para um "auto-post".

Um começo sem grandes pretensões, evoluiu para uma convivência diária, na escolha de temas, na redação de textos, no retorno e colaboração de muitos amigos.

Contínua descoberta e registro das mais diversas idéias, a escrita diária nos conduz a explorar diversos recantos de nossa cabeça. A visita nos concede a sensação de crescimento constante do auto-conhecimento.

Além de auto-conhecimento, a corrente de palavras e frases promove o "extra-conhecimento". Inicialmente causa a sensação de desnudamento... Letras postas, verdades expostas. A graça consiste neste desafio: se apresentar. Medo, se houver, só de si mesmo.

Foram 366 posts, rigorasamente diários. De quando em quando, sem acesso ou tempo para postagem, recorri até ao bom e velho papel. Manutenção do registro diário e acessível. Posteriormente tudo se torna digital, puramente publicação daquela concepção.

Olhar o conjunto é algo relativístico. Distorção da dimensão do tempo. É como olhar tal dimensão com um contínuo, talvez seja uma pequena mostra do continuum espaço-tempo. No post anterior me referia às representações da teoria einsteiniana. Agora estou aqui experimentando um pouquinho, ou distorcendo mais um bocado... :)

Quem sabe, um dia, apresento este conteúdo anual para uma analista. Não uma de sistemas, mais uma dos sistemas de nossa psicologia. De repente pode ser uma maneira condensada e nova de análise. Terei facilitado o trabalho, com a transcrição dos discursos de várias sessões.

O futuro, como sempre, inexiste. Quando existir será passado. Desconheço quais os rumos as vidas seguirão. Pouco controlamos sobre elas. Neste momento, só posso definir meu desejo: continuar. Continuarei essa jornada, aos confins do meu universo interior, indo onde nunca jamais estive.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Relatividade

Centenária, bela e incompreendida!

Publicada em 1905, agregadora de inúmeras idéias flutuantes à época, a Teoria da Relatividade revolucionou a visão do universo conhecido.

Visão é uma expressão possivelmente inadequada. Como apresentado na edição especial da revista Scientific American Brasil, sobre o assunto, nem Einstein acertou algumas suposições de como seria nossa percepção em eventos relativísticos.

Acadêmicos pelo mundo também nem sempre consegue atingir a compreensão plena de seus conceitos, mesmo os utilizando em sua atividade diária.

Afora sua complexidade, sofremos com nosso arraigar ao cotidiano, a experiência vivenciada no dia-a-dia. Apesar de toda criatividade humana, abstrair o universo conhecido é uma mudança neural intrínseca e brutal. Tarefa para poucos...

Pela aura despertada em torno de suas revoluções, e a forçosa imagem de pop star recebida por seu criador, a teoria recebeu muita atenção de grande parte da população. O senso comum sobre seus efeitos acabou enormemente distorcido, margeando mais ficção científica do que nova compreensão da realidade.

Culpa em parte pelo ensino recebido, ou acessível. Contatamos na escola a física dos séculos XVII a XIX, inaugurados com a física clássica, por ícones da estirpe de Isaac Netwon a Rutheford. Grandes nomes com idéias posteriormente mostradas particulares, para contextos específicos, através da enunciação da relatividade e outras teorias, como a mecânica quântica.

Incômodo maior é gerado por termos desestruturado dois eternos pilares de nossa percepção: o espaço e o tempo. Em uma nova formulação, o constante passa a assumir novos comportamentos, em grande parte de difícil observação em uma vida cotidiana. Um pouco de reflexão e perguntas mais basais são concebidas: O que mesmo é o espaço? E o tempo? Sobre o quê me norteio?

Inquietantes produções de mentes brilhantes, as concepções da física contemporânea são capazes de nos subtrair o sossego. Delicioso desassossego da observação da beleza do universo!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Bookcrossing

Livros agitam mentes e povos.

Guardiães das idéias humanas, perpetuam há imemoráveis tempos o conhecimento expresso em suas linhas. Inventar o registro escrito foi grande salto para humanidade.

O fervor de seu conteúdo move mundos. Provoca as pessoas e as fazem ter mais idéias. Há mais de 6 meses postei um texto sobre a troca de livros, ocorrendo em alguns lugares do Brasil.

Descobri nesta semana que o movimento é mundial: o Bookcrossing. Em seu site, podemos nos cadastrar para participar e conhecer as idéias desse grupo.

Baseado em 3 "erres" (Read, Register e Release, na língua original), o movimento vêm já há alguns anos promovendo o intercâmbio de livros e opiniões sobre eles, sempre com o espírito altruísta de compartilhar os prazeres da leitura indistintamente.

Uma vez registrados no site, podemos indicar o local onde a obra será deixada, para facilitar o acesso de quem busca ler seu texto. Em muitos casos, o interesse pode surgir após o contato com a opinião emitida pelo leitor.

Contanto com mais de 670.000 inscritos, em 130 países, é universo riquíssimo para explorarmos dicas e resenhas sobre os mais diversos títulos publicados. Depois de apreciá-lo, a única coisa a fazer é libertá-lo, como gosta de anunciar o site.

Reside neste ato o conceito mais belo da iniciativa. Fazer com que o livro seja lido. Um livro só é livro se for lido. Quanto mais isso ocorre, mais livro ele se tornará. Livros aprisionados em estantes, acumulando poeira, são tristes condenados a um destino fatídico de inatividade.

É muito bacana também a idéia de podermos acompanhar o trajeto do exemplar. Que caminhos pode tomar algo libertado por nós? Qual o alcance da viagem de carona de nossos amigos celulósicos?

No Brasil, a iniciativa carece de maior entendimento. Segundo reportagem da revista Época, desta semana, apenas cerca de 20% dos livros dispostos continuam em circulação depois de recolhidos. Excesso de zelo com livros? Falta de intimidade com a leitura? Vício "cultural" tupiniquim?

Em qualquer das alternativas, o importante é confiar que a iniciativa triunfará. Além de acesso aos seus conteúdos, ela permite acesso ao conteúdo de idéias colaborativas, dignas do encontro do comunitarismo humano.