sábado, 28 de fevereiro de 2009

TORP

Periodicamente abandonamos o estigma tupiniquim.

Há cerca de um mês, um amigo me enviou o link para um projeto brasileiro, de código aberto, o TORP. Nada mais ousado do que o desenvolvimento de um robô em código aberto!

Nosso país é competente em diversas áreas de tecnologia, apesar de o status quo constantemente pregar o contrário. Sem falsas utopias, basta procurar e assistiremos diversos exemplos de sucesso.

Eu já havia visto software, hardware e até cerveja desenvolvida assim, livre e colaborativamente., mas nunca pensei ser possível com um robô. Conhecimento compartilhado e aglutinado, formação de uma poderosa força de evolução.

Pautado pela GPL, o projeto capitaneado por um grupo de brasileiros pretende obter tecnologia para a construção de um androide, com habilidades avançadas para uma máquina deste tipo.

Progresso bem adiantado, o nascimento do primeiro exemplar ocorreu há pouco mais de um mês, durante a Campus Party. De acordo com o previsto, ele foi apresentado em parte de sua glória, reconhecendo faces dos visitantes e lendo frases apresentadas a ele.

Colaboraram as mais diversas áreas para o surgimento do CP01, de designers a especialistas em inteligência artificial. Esforço acalentado por diversos anos, fruto do melhor conhecimento científico nacional. Há muito por fazer! O apoio continua necessário, da divulgação ao desenvolvimento de peças e partes.

E pensar que os pedaços deste novo ser podem vir de qualquer parte do mundo... A iniciativa é aberta, sem restrições de fronteira. Também seguirá seu rumo, pelo planeta, a divulgar a robótica e seus possíveis benefícios. Indiretamente estará propagando as benesses da colaboração.

Pois é... Sabemos produzir muito mais do que soja, cana-de-açúcar e minério de ferro. Infelizmente, em sua grande maioria, as iniciativas dependem do exclusivo empenho de indivíduos. Resta saber a quem interessa manter o estigma de inferioridade tupiniquim...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Surreal

Nossos olhos nos enganam tantas vezes...

Sorte dos ilusionistas, mestres em desvendar o olhar e enganá-lo. Aproveitam do funcionamento de nossa atenção para nos ludibriar. Quando menos esperamos, ou imaginamos, somos surpreendidos.

Grandes mágicos se apresentam como grandes ilusionistas. Destemidos em seus truques, pouco importa a quantidade ou proximidade da plateia, pagante ou não.

Artistas também curtem provocar a ilusão. Fuga da realidade para o olhar, permitem nova visão, outra interpretação daquilo que conhecemos como verdade.

Surrealistas são um dos melhores exemplos. Criação de uma existência supra-real pelas tintas, ou por quais meios a expressão permitir.

Salvador Dalí, grande ícone do movimento, senão o maior, soube bem nos apresentar esta nova verdade. Suas interpretações do tempo e do espaço revelam a dimensão particular da experiência de cada pessoa.

Mais contemporâneo e moderno, o chinês Li Wei representa a ilusão através da fotografia e a edição digital. Com montagens inusitadas e surpreendentes, nos mostra diferente representação do mundo, com bom humor e tecnologia.

Lembrei até de fotos antigas, que fazíamos segurando o sol ou a lua. Sabe como? Posicionávamo-nos entre a câmera e o horizonte, de forma que com braços estendidos e adequadamente enquadrados, parecíamos envolver o astro presente no céu, mas bem mais perto, entre as mãos.

Já o chinês vai do ar à Terra, de prédios à montanhas, sozinho ou em grupo. Um portfólio imenso de uma carreira com já quase dez anos. Nem sei como cheguei à suas imagens... Sei apenas que foi mais uma casualidade da grande rede, unindo o mundo e os desconhecidos.

Se não fosse nossa percepção, que suspeita daquilo comum ao senso cotidiano, acharíamos verdadeiras as imagens produzidas. Mais uma prova de quanto devemos confiar em nosso instinto e em nossas impressões de algo está estranho, apesar das ilusões.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Tinta

Impressoras e tinta, um dilema infindável.

Abastecer as consumidoras de papel, com seus cartuchos de tinta, é muito mais dispendioso do que adquiri-las. Convenhamos, sem tinta não são muito úteis...

O custo dos cartuchos é tão alto que normalmente supera o valor da primeira aquisição. Traduzindo em miúdos, às vezes sai mais em conta comprar tudo de novo.

No final das contas, a impressora será mais nova e terá melhores recursos. Chegamos a era do descartável! Visão tão contrária aos tempos de preservação ambiental.

Se pensarmos no mercado alternativo de cartuchos, o caminho parece tão ruim quanto. Quem sabe informar a origem e qualidade da tinta? Conheço pelo menos duas pessoas que acabaram tendo de jogar tudo fora, cartuchos e impressoras. Resumo da ópera: mais alguns reais pelo ralo.

Do meu ponto de vista, nem deveríamos usar o famigerado papel. Ele poderia ser reservado para fins mais nobres, como a impressão de livros. No mundo do digital, não há o que não possa ser registrado e transmitido sem o auxílio da celulose. E o digital está em todo lugar...

Assumindo que as pessoas continuarão imprimindo, tem gente pensando em soluções um pouco mais verdes. Apresentada num site de designers, o Core 77, já se pensou em utilizar borra de café como tinta para impressora.

A impressora RITI usaria aquilo que sobra de nossos cafezinhos, através de um receptáculo específico e poduziria as impressões sem dever nada às tintas atuais. Pequeno detalhe é que a tração do carrinho de tinta e do papel é manual!

Tanta inventividade e um exagero de economia desses, sem melhor solução, apenas para não usar eletricidade alguma. Restam ainda as dúvidas de como seriam os aromas impregnados no papel. Sem falar na durabilidade dos registros realizados ou sua resistência a umidade.

Parece um pouco o recompostor do DeLorean no filme "De Volta para o Futuro", criado pelo Dr. Brown, que aproveita todo lixo como combustível. Nem pensaram em criar uma alternativa para o papel, no desenvolvimento da impressora. Melhor mesmo pensar num jeito de deixar o meio celulótico de lado duma vez...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Medicina

Nada como a boa e velha medicina trekker...

Sonho de qualquer paciente, as soluções apresentadas no seriado Star Trek, sempre foram as menos intrusivas, ao menos do ponto de vista físico.

Deitados em visionárias máquinas, tais quais as futuras ressonâncias magnéticas, tudo podia ser monitorado e controlado, até de seres com metabolismo pouco conhecido.

Em alguns episódios, o Dr. McCoy se aventurou em tratar de Vulcanos, por exemplo. Tudo bem que os companheiros de orelhas pontudas guardavam algum parentesco genético com a espécie humana, mas a tecnologia da Enterprise ajudava bastante.

Os recursos portáteis eram mais interessantes ainda. Com tamanho bem reduzido, e apenas alguma proximidade do paciente, era possível realizar o diagnóstico rápida e precisamente. Para certos procedimentos, a cura também partia dali mesmo.

Era uma ousada visão da medicina. Mesmo atualmente, se pensarmos bem, não estamos muito longe da Idade Média. Temos muito mais assepsia, drogas inovadoras, procedimentos diagnósticos avançados, mas o principal elemento nas curas ainda é o próprio corpo.

Aliás, em muitos casos, o próprio corpo muitas vezes é o problema, seja pelo mau funcionamento ou pelo simples processo natural do envelhecimento. Lutamos conosco mesmos em boa parte das patologias. Quanta rebeldia...

De qualquer forma, nossa medicina avança bastante e inúmeras soluções são surpreendentes! Há pouco tempo, tive notícia de uma vinda de Israel. Eles sabem fazer bem mais do que guerra por lá... Parece que o deserto instiga a inventividade.

O professor Abraham Kazir, da Universidade de Tel Aviv, apresentou uma forma de sutura com laser, ou algum feixe ótico conhecido, que parece saído das histórias dos caubóis do espaço. A impressão é de que nossa carne acaba fundida no processo, como se nunca tivesse sido cortada.

Podemos assistir a demonstração em vídeo disponível no Youtube. De cair o queixo! Ainda por cima, para completar o quadro, o próprio professor cita a referência ao universo trekker. Inspiração ou coincidência? Difícil precisar, mas dá pra curtir a ideia.

Tomara tenhamos um dia várias soluções com esse jeitão. Muito menos sofrimento, muito mais humanização. Se a dor é inevitável, em algum determinado momento, por que não minimizá-la? Só acho que será difícil alguém encontrar solução para a morte. Essa jamais nos deixará.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carpir

"Carpe Diem!"

Quando tomei contato com a expressão pela primeira vez, esta me chamou muita a atenção. Percebia certa dualidade de sentidos, entre apreciar os momentos da vida ou usufruir o presente um tanto quanto inconsequentemente.

Lembro de tê-la ouvida no filme "Sociedade dos Poetas Mortos", mesmo sem me recordar do contexto. Nos arroubos da ânsia juvenil, o lema evocava muitos sentimentos, mesmo sem conhecer a origem.

Foi como um acordar para a sutileza da vida, sua finitude e a importância de saber valorizá-la. Encontrar os bons sabores que podemos obter no cotidiano.

Recentemente, ao ler um livro, conheci uma outra tradução para a expressão. Oriunda do filme, pelo menos eu acho, ouvia a frase como "curta o dia".

Pois bem, no tal texto, encontrei como "colha o dia". Pode parecer besteira, mas um sentido mais forte se fez presente. A colheita remete à reflexão maior, ao senso de maior consciência no ato, com o objetivo de receber os frutos da vida.

Colher requer preparo e disponibilidade. Conhecimento da técnica e do tempo corretos. Experiência para olhar o campo e decidir que aquele é o momento ideal, sem deixar passar o tempo e perder a boa oportunidade.

"Carpe" também me lembrou o ver carpir. Uma relação mais profunda. Carpir o campo, limpar o terreno, pede cuidado. Carpir se relaciona diretamente com cuidar, tomar conta, preparar. Se desejamos boa colheita, devemos nos preocupar e pensar antecipadamente na lida com o solo.

Bons frutos não caem do céu simplesmente. Pressupõem empenho e avidez, para plantá-los e saber colhê-los. Longe do pragmatismo e da inconsequência, as palavras de Horácio são um alerta para podermos aproveitar os bons momentos da vida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Gigapan

Ganhamos continuamente acesso a novas tecnologias.

Nosso mundo contemporâneo parece movido a disponibilizar novas traquitanas tecnológicas. Quase cotidianamente temos mais recursos por menor preço.

Ciclo extenuante. Dá o que pensar qual será o fôlego desta força motriz... Sejam novas versões ou novas ideias, elas pululam quase diariamente em notícias e sites.

Lembro que, há quase 15 anos, quando fui comprar um novo computador, paguei US$ 50 por Mb de memória! Os 16 Mb daquele momento, só de RAM, custaram singelos US$ 800.

Trocando em miúdos, com o preço de um computador atual, sem as correções monetárias necessárias, dava para comprar apenas a vaga lembrança do remoto Pentium daquela época!

Computador é fichinha perto da revolução na área de telefonia celular. Os verdadeiros computadores de mão, presentes no mercado de hoje, guardam pouco herança genética com os antigos tijolões, mais parecidos com rádios de guerra. Sem mencionar a questão da comparação de preço...

Em outras áreas nem imaginamos como é acessível certa tecnologia. Recentemente, circulava a notícia sobre a foto de 1.474 Megapixel produzida na cerimônia de posse do presidente Obama. Novidade espetacular, remetendo a filmes de espionagem.

Se uma foto com tal definição está ao alcance de um documentário, amplamente divulgado, quais não seriam as possibilidades para alguém do serviço secreto americano? Passamos a pensar nos satélites espiões, armas teleguiadas, grampos pela Internet.

Lembrei até de Blade Runner... Durante a investigação de Deckard, personagem de Harisson Ford, ele usa uma foto do local do crime, para procurar pistas do autor. Numa navegação cheia de zoom e melhora de definição, ele encontra vestígio do suspeito. Com uma foto na tal definição hiperlativa seria moleza.

Dias depois da notícia, num passeio a esmo, encontrei o tal equipamento para realizar a dita foto. Para meu espanto, ele é extremamente acessível! Por cerca de US$ 400 podemos ter um Gigapan System, para realizar o controle da panorâmica.

O truque é usar este equipamento que movimenta uma câmera digital convencional para registrar as diversas partes da imensa imagem. No caso da foto em questão, bastou um Canon G10, equipamento de preço nem tão astronômico.

Solução simples e bem bolada. Pobres mortais podem sonhar em possuir algo assim, mesmo que para registrar uma paisagem qualquer, sem muita relevância. A ficção vai ter que se esforçar para bolar gadgets futuristas e bem mais interessantes.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Símbolos

Vivenciamos e perpetuamos fortes símbolos culturais.

À espera de um salvador, relembramos a figura do herói. Cheio de poderes, acima de qualquer mal, onipotente e indestrutível. Imaginamos alguém repleto de habilidades.

Desejo um tanto infantil. Carentes de proteção desejamos o conforto total e indubitável. Preferimos não arriscar e garantir o sucesso na empreitada, na confiança depositada.

Assim, sempre considerei o Super-homem um tanto quanto desinteressante. Acima das limitações humanas, apesar da kryptonita, poucas são os temores do homem de aço.

Em outros casos, aguardamos o anjo vingador, a destruir a presença de qualquer mal, fazendo o mal-feitor sentir o gosto amargo do subjugo.

Eis uma das críticas ao personagem Neo, de Matrix. Na sua jornada de descoberta e aceitação, ele combate a opressão do sistema com a força da destruição. Elimina e vinga a pobre espécie humana, vítima de sua própria arrogância.

Mudanças de atitude e postura exigem força superior. Sócrates aceitou a condenação por sicuta, mesmo injustamente, para não fazer uso dos mesmos instrumentos de seus algozes. Frente a tamanho custo, sua própria vida, não usou violência contra violência, fosse de que tipo fosse.

Apostamos repetidas vezes na via mais fácil. No líder guerreiro, forte para mover mundos e povos na batalha pela conquista de uma vida melhor. Povos pela história acreditaram, e ainda acreditam, na chegada destes guerreiros promotores da justiça pela espada.

Mais forte do que a lógica da imposição é a oriunda da proposição. Claramente é mais trabalhosa e difícil. Requer persistência e fé. Confiança nas verdades plantadas no âmago das melhores qualidades humanas. Firmeza nos princípios pertinentes ao bem-comum.

Precisamos aprender a ouvir a mensagem destes verdadeiros líderes transformadores. Sua proposta é anunciada há muito tempo. Somente quando fiarmos nossas esperanças na promoção da fraternidade e humanização poderemos vivenciar novos tempos de harmonia.