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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Porta

E atrás da próxima porta temos...

Momento total de curiosidade, expectativa em descobrir os mistérios guardados após aquela barreira. Não, não estou falando de nenhum programa de auditório.

A questão aqui é o fascínio exercido por estes elementos tão cotidianos em determinada etapa da vida dos bebês. Descobrem para que servem maçanetas e começa o desafio.

Elas estão por todo lugar. Nos armários, como guardiãs de objetos pessoais. Em carros, como protetores da integridade do motorista. Na frente das casas, dedicada zeladora da intimidade do morador.

Fato é que observo o quanto a minha pequena insisti em querer abrí-las, mesmo onde não lhe é permitido. Se conseguisse conquistar tal abertura, certamente seria mais um pouco da doce baguncinha cotidiana a aflorar.

Quando conquistou força e destreza para abrir as portas da estante da sala, tive imediatamente que tomar um providência. Alguns calços de papel deram conta de travá-las e impossibilitar a fácil abertura, exigindo mais músculos para a tarefa.

Ninguém pense que desistiu por isso. De vez em quando, está passando por lá, ou se apoiando para ensaiar uns passinhos, e tenta mais algumas vezes puxar a bendita. Uma hora conseguirá, afinal basta só um pouco mais de braço.

Nas poucas vezes que precisamos abrir e ela está por perto, é inevitável o esticar de olhos, ou a correria para chegar e dar uma espiadela. O que será que eles escondem lá que fazem tanta questão de me omitir? Por que sempre cortam meu barato quando já estou quase chegando?

Explorar também se expandiu para outros cômodos da casa. Armarinho do banheiro, cômoda do quarto, estantes do escritório. Se as portas não se abrem, recebem uns tapões com a mãozinha, para fazer barulho ou descarregar a frustração.

Curiosidade infinita de mente voraz por descobertas. Vez ou outra tem o prazer dos louros da conquista, comemorado com um sorrisinho estampado no rosto. Que seja um bom treino, pois haverá muitas portas para abrir na vida.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Dicas

Esqueça definitivamente, não há fórmula mágica.

Bem que gostaríamos de sua existência. Nos períodos pós-natais, ajudaria bastante alguma regra geral para lidar com o desenrolar natural das infantilidades.

Conselho dos mais velhos, grande valia. A experiência de quem já viveu e pode se angustiar, na preocupação do melhor fazer, merece atenção. Nem sempre são isentas de alguma tendenciosidade. Ah, avós...

Dicas do pediatra também colaboram bastante, com um certo caráter científico. Como se o desenvolvimento infantil pudesse ser regrado, medido, dimensionado...

O vamos-ver chega na hora do choro, ou do dormir. Sinais quase indecifráveis, traduzidos somente depois de muita observação, cotidiano, carinho e ternura.

Ótima pedida vem com a troca de experiências, entre pais de mesma época, mesma etapa. Saber que o seu padece dos mesmos momentos de mau-humor e indisposição dos de outros, traz o alívio de que não está tudo errado. Podemos estar até no reino do bem comum.

Esses dias, sem grandes pretensões, comprei dois livros sobre os cuidados com os pequenos. Verdadeiras pechinchas (por menos de R$ 5,00), mas que se revelaram grandes achados. "Na hora de dormir" e "Na hora do choro", são dois títulos de uma coleção de quatro, que reúne dicas de pais de bebês.

A autora Michelle Kennedy frisa bem ausência de solução geral. Com ainda o "Na hora de comer" e o "Na hora de chilique", ela apresenta experiências suas e de muitos conhecidos, mostrando a infinidade de possibilidades para as mais diversas situações no contexto.

Cada volume contém 99 dicas, num tom muito bem-humorado, sobre como agir nos momentos mais intrincados. Envolvidos na situação, nem sempre percebemos a simplicidade do universo pueril. Removido o véu, nos espantamos com nossa falta de percepção.

Verdade seja dita, muito mais falta de experiência e uma boa dose de insegurança. Consequências da enorme responsabilidade de cuidar de uma vida, frágil e indefesa, com apenas um porto-seguro no mundo: você e sua(eu) companheira(o).

Mesmo sem um algoritmo universal, quem sabe poderíamos dizer genericamente que o principal é calma e confiança. Calma para compreender as singelas necessidades daquela pessoinha, com tão pouco a pedir. Confiança para ter certeza que seu amor é a melhor resposta do mundo!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Papinha

Dá um trabalho, mas é bom demais!

Falando em aprendizado, de períodos bem pós-natais, uma hora chegam as papinhas. Pois é, não conseguimos viver eternamente de leite.

Em algum momento, temos que provar outros alimentos. Novos sabores, novas texturas, uma viagem rumo ao desconhecido. Imagino como seria no passado remoto...

Começa com as papinhas mais simples, com poucos elementos, para identificar se algum deles pode gerar um piriri. É melhor não arriscar.

Continua com elementos cozidos, beeeemmmm cozidos, para passar pela peneira e não restar nada sólido. Alguém imaginaria que fosse possível passar um pedaço de carne pelos furinhos da peneira? Haja cozimento...

Pouco tempo depois, as papinhas passam a ser apenas amassadas. Às vezes até ganham alguns fiapos, como de carne de frango ou verduras, ou umas pelotinhas maiores de batata ou cará.

Seja como for, em qualquer das fases, tudo tem de sempre ser fresquinho, feito no dia, senão na hora antecedente ao evento. Legumes e verduras frescas também. Sal quase nada e um pouquinho de azeite para incrementar. Descascar, cozer, amassar, descascar, cozer, amassar...

Aliás, põe evento nisso... Senta no cadeirão, ou em cima da mesa. Põe babador. Conquista a atenção. Vigia as mãozinhas. E vai, pacientemente, colherzinha por colherzinha, esperando a boquinha se abrir e degustar a bela refeição.

Esqueça de ter pressa. Ponha de lado nossa relação com nossa alimentação diária, ou com a tal história dos fast-foods. É um legítimo exemplar da onda slow food. Apreciar cada micro engolida, cada suspirar e cada tomada de fôlego, por menor que seja a quantidade.

Isso se ficarmos apenas no "céu de brigadeiro". De vez em quando, uma tossidinha, ou uma vontade de brincar, e lá vem uma chuva de gotículas alimentares. Babador nessa hora pouco adianta. Difícil conter sorrisos, ainda que necessário.

Pode demorar uma hora inteira, mesmo que seja apenas uma tacinha dessas de sobremesa. Tudo é aprendizado. Para um, a nova experiência de fonte de vida. Para outro, a contemplação da simplicidade e fragilidade da nova existência, carente de dedicação e atenção total.

Só aí percebemos como andamos distorcendo a noção de tempo. Nesta hora da papinha (hora mesmo) vivemos a eternidade. A troca de olhares e colheradas. Sorrisos, gracinhas e muita conversa. Pode dar o maior trabalho, do preparo à refeição, mas é inesgotável troca de carinho e amor filial.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cisco

Visão, serva incondicional da atenção!

Quem nunca se arriscou a proferir o lugar-comum do tipo "vi mas não enxerguei" ou "olhei mas não vi"? Reflexos das condições do enxergar. Aceitação da fraqueza do olhar.

Brincamos com essa característica do sentido, com os livros de imagens 3D. Ficar segundos, minutos ou horas (depende da habilidade) para visualizar uma imagem em meio a muito estímulo visual.

Com habilidade de mudar o foco do olhar nos capacitamos a encontrar as imagens escondidas em intrincados arranjos gráficos. Verdadeiro exercício para o músculo dos olhos.

Certas vezes somos motivados por nossas intenções ou pretensões. Mateus, o evangelista, utiliza a figura do olhar para destacá-las: "Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?" [1]. Quantas não são nossas traves...

Agora, nada melhor para o olhar do que o desconhecido, a novidade. Certa vez, li que ao apresentarem o cinema, pela primeira vez, a uma tribo africana, eles não conseguiam identificar as imagens projetadas. Uma questão da posição no espaço onde punham sua atenção.

Cotidianamente tenho meu exemplo para observação. Coisas da recente paternidade ou da tenra idade do rebento... Há sempre uma surpresa, alguns a se repetir por um bom tempo, a nos mostrar o complexo e maravilhoso desenvolvimento humano.

Minha pequena agora treina a precisão em segurar objetos com a ponta dos dedinhos, o indicador e polegar. Célebre movimento de pinça, graças ao polegar opositor. Dom concedido a nós e alguns outros primatas pela mãe evolução. Habilidade a nos distinguir na natureza.

Em alguns momentos, sentados à mesa, com ela no colo, seu bracinho parece se encaminhar em direção do nada. Em meio a tantas coisas dispostas, pratos, copos, brinquedos, ela pinça um pouco do nada! Vira o "algo" em sua direção e observa-o.

Ela pega pequenos ciscos ou grãozinhos, praticamente invisíveis aos olhos adultos à sua volta. Fica a apreciá-los curiosamente, esfrega as pequenas falanges para sentir sua textura. Descoberta do mundo nos pequenos e infinitos detalhes. Quanto para aprender!

Por familiaridade deixamos passar tantas coisas desapercebidas... Crescemos e perdemos a atenção. Desatentos terminamos um pouco cegos às "cotidianidades". Inúmeros tesouros esquecidos, recuperáveis apenas pelo olhar atento.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Etiqueta

Bebês sentem irresistível atração por etiqueta.

Ponhamos de lado a referente a códigos de conduta e comportamento. Sabemos do costume dos pequeninos de babar ou cuspir comida. Inconveniências naturais do aprendizado.

Aliás, nos últimos tempos, quando pela manhã vou buscar minha pequena princesa no berço, ela me recebe com sonoros punzinhos, sem nenhuma cerimônia e cheia de sorrisos.

Invariavelmente inodoros, felizmente. Com uma carinha sapeca, parece saber estar quebrando normas da boa educação. Daqui a algum tempo terei que arranjar um jeito de lhe explicar como se comportar... :)

Apartes à parte, eu falava das etiquetas costuradas em brinquedos, roupas, livrinhos. Aquelas de tecido, com a composição do produto e instruções de conservação e limpeza.

É incrível. Basta entregar em suas mãos algum item, novo ou conhecido, para depois de algum tempo de observação meticulosa, encontrar a flamulante etiqueta no objeto. Aí pode esquecer todo o resto, serão incontáveis instantes de contemplação do pequeno apêndice.

Outro dia foi com um livrinho infantil. Todo colorido, mastigável (não digerível, diga-se de passagem), repleto de botões para as figuras emitirem sons. Invenção para bebês, misto de distração visual, auditiva e "degustativa". Após algumas folheadas, o inevitável encontro se deu.

Graciosas cutucadas com o pequeno dedo, olhar absorto na idas e vindas do paninho e o destino final, a boca. Que gosto será que tem? Divertido deve ser, pois fatalmente acabam todas babadas. Em alguns casos, com uso mais intenso, chegam a desfiar.

Pobres produtores de artigos infantis... Além de se preocupar com a segurança do brinquedo, têm que se inquietar com os adendos. Sem contar quantas horas foram perdidas para desenvolver o produto, pensando em sua utilidade e na atração da atenção e acabar protelado por um pedaço de pano.

Vale a pena um estudo das motivações. Movimento, forma, cor, sabor ou inadequação a estética do conjunto? Certeza constatada pela observação dos fatos: é sucesso absoluto. Talvez revelem apenas a simplicidade do olhar infantil e nos façam lembrar de que nossos prazeres e felicidade podem ser obtidos com bem pouco.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Smash

Nativos digitais e suas novidades...

Assim chamados aqueles nascidos num mundo de celulares, Internet, MP3 e computadores, parecem carregar no DNA os manuais para interagir com os gadgets cotidianos.

Fiquei espantado quando minha filha, com apenas 5 meses, deliberadamente pegou o controle remoto da TV e simulou trocar os canais. Sem produzir efeito, afinal ela não apertava exatamente botões, chacoalhou-o para ver se funcionava!

No fundo fiquei foi preocupado e meio horrorizado... Que efeito hipnótico há naquele aparelho, mesmo com toda a precaução em não mantê-lo ligado, para não criar um costume à pequena?

Para meu sossego, ou não, em uma festa de aniversário, doutra pequena amiguinha dela (veja se pode...), pode trocar informações com diversos pais, na mesma fase embrionária da paternidade. Todos realizaram a mesma constatação...

Pelo jeito, não tem jeito. Eles nos vêem ao celular, tirando fotos digitais, usando o computador. Que mais poderiam querer fazer, senão nos imitar? Só que fica impossível querer usar nossas máquinas com eles no colo. A primeira coisa a fazer e esticarem as mãozinhas e tentar colaborar.

Uma amiga médica, mamãe recente, já experimentou as agruras da ajuda da pequena. Em alguns pequenos toques, sua bebê acidentalmente conseguiu mudar a orientação de sua área de trabalho, coisa que ela nem imaginava como. Precisou de ajuda técnica.

Comigo não é muito diferente... Tentar escrever um único post é inútil. O ímpeto em digitar algumas linhas, faz da minha pequena uma destruidora de textos, ou e-mails. Acaba sendo inspiração para mais alguns pensamentos e reflexões.

Para pais que desejam dar vazão à iniciativa pueril há uma solução. Scott Hanselman, funcionário da Microsoft, craque nas áreas de user experience e Web, criou o programa Baby Smash. Com ele, as pancadas dos pequenos dedinhos ganham movimento e representação animada.

Gratuito, o programa pode ser baixado e facilmente instalado. Permite configurar o número, tipo e tamanho das imagens produzidas. Além disso, produz sons para acompanhar a farra. Como proteção, bloqueia os recursos de maior risco do sistema operacional, impedindo que se apaguem arquivos, mensagens ou se acione algum programa indesejado.

Pura diversão, até eles cansarem. Com tantos estímulos, quais serão os horizontes desta novíssima geração? O que será produzido por mentes tão incentivadas e cheias de recursos? Ainda bem que não mudam os sorrisinhos e gargalhadas, tão facilmente obtidos com palhaçadas e bobeiras, a enternecer e apertar nossos corações num infinito amor.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Pediatra

Graças a Deus pediatras foram inventados!

Como faríamos para começar o entendimento destas pequenas vidinhas? Os instintos paternais e maternais básicos ajudam, mas podem não ser suficientes, em casos específicos.

A sabedoria dos mais velhos também é de suma importância, mas a medicina evoluiu mais rapidamente. Muitas certezas do passado se tornaram conhecidos mitos, quando não, equívocos.

Está longe de ser uma questão de cientificismo, mas devemos respeitar os muitos anos de preparação do profissional de medicina infantil, além da grande experiência adquirida.

Admito que jamais poderia ser médico. Pensar em ser responsável pela vida de tantas pessoas é um fardo considerável. Claro que para eles é uma dádiva, uma incumbência assumida com prazer e esmero.

A primeira coisa a nos mostrar é que o bebê não quebra. Quem pode observar um pediatra examinando o recém-nascido jamais terá essa dúvida. Cuidado é essencial, delicadeza também, mas é possível desempenhar sua manipulação sem grandes sustos.

Orientações sobre aleitamento e ciclos iniciais de vida da pequena criança são esclarecedoras. São informações que nos dão parâmetro, critérios para observação de sua evolução. Se, na primeira consulta, ele notar algum probleminha, mesmo que pequeno, algumas outras visitas, mais freqüentes, podem ser necessárias.

Mesmo recebendo o manual de instruções, é como querer utilizar conhecimento de um curso, apenas lendo o guia de referência rápida. Ainda bem a assistência técnica está logo ali do lado, para algumas revisões periódicas. :)

Ao fim da primeira etapa, ou da primeira verificação, as consultas são mensais. Ficamos ao nosso cargo. Com os choros vamos nos acostumando, afinal sabemos que está tudo bem. Carinho, atenção e muito amor são o suficiente para tudo continuar bem.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Férias

Nada com um bom mês de férias!

Assim espero... Faz tanto tempo tirei a última, coisa de uns 20 anos atrás. Fique bem claro, estou me referindo a férias CLT, com todos os direitos e sossegos, para não pensar em mais nada e descansar...

Férias já tem na sua origem essa aura sagrada. Em sua etimologia tem motivação religiosa. Por que não preservá-la, não é?

Um período sabático é essencial para recolocar as coisas no lugar, ou em outros melhores. É momento de parar e reavaliar, deixar assentar o último período passado. Por isso deve ser periódica, com intervalos não tão longos como o meu último, senão o volume fica muito grande para reorganização. Muita coisa para só um mês.

Tudo bem que estas minhas não serão dedicadas a viagens, cursos ou expedições computacionais. A ordem é um só neste período: puericultura. Será um delicioso mês de aprendizado e curtição, sem contar a babação.

Essa história de cuidado com bebês poderia até ser rebatizada, por exemplo, de "biocultura". Cultivamos vidas quando cuidamos dos pequeninos. Depois de plantá-la é hora de se preocupar em mantê-la. E bem mantida!

Outra boa alternativa é chamá-la de "animacultura". Desde dos primeiros dias estamos cultivando uma alma. Percebemos seu temperamento, suas vontades, descobrimos uma pessoinha, com anseios e gostos, mesmo pequenina. Nossa resposta, nosso comportamento, poderão ser decisivos no seu jeito de ser.

Ter todo tempo do mundo, nesta fase inicial, é realizante. Contar com essa disponibilidade nos dá oportunidade de adaptação, de dar vazão ao imenso sentimento de dedicação. Sem falar, é claro, nas ótimas condições de descanso. E como é preciso para acompanhar seu ritmo...

Estou só no primeiro dia. As reorganizações serão constantes, mas indubitavelmente para melhor. Mês transformador, as descobertas ocorrem a cada segundo. Experiência única. Jamais será esquecida!