segunda-feira, 7 de julho de 2008

Mês

Tempo, oh tempo! Indomável e inconstante...

Um mês já passou e nem tive tempo de escrever na data comemorativa. Foi um mês de nova vida e um mês de férias. Quando percebi, um turbilhão de coisas haviam ocorrido.

Breve hiato de existência, do ponto de vista do Universo. Com a suposta existência de bilhões de anos, se compararmos a nossa vida, trinta dias não seriam suficientes nem para um suspiro.

Para as pequenas drosófilas, vulgas moscas-das-frutas, período assim seria uma eternidade. Quem tem a expectativa de viver apenas 12 dias, sonharia no máximo com o dobro, não é?

Contínua sucessão de 30 dias, curiosamente no começo é difícil vislumbrar o final. Lá pelo final, nem sempre é fácil lembrar do início. E ainda podemos achar pouco... Ficamos com a difusa percepção do espaço-tempo. O que realmente percebemos?

É interessante descobrir que quanto mais usamos o tempo, mais parecemos conseguir obtê-lo, apesar de sentirmos sua falta. Paulatinamente nos damos conta da inesgotável fonte, desde que saibamos aproveitá-lo, preenchê-lo organizadamente.

Bem precioso, distribuído igualitariamente, sem distinção econômica, social, política ou religiosa! Felizmente não sabemos de quanto dispomos. Bem, nem para todos... Muitas pessoas se inquietam, se angustiam, justamente por não sabê-lo. Esquecem de vivê-lo, ao invés de desfrutá-lo.

Teimamos em construir mecanismos para controlá-lo. De pulso, de parede, atômicos e digitais, não percebemos que os relógios acabam por servir apenas para nos controlar! Ao tempo só resta fluir, dos extensos passados ao extensos futuros, com infinitesimais presentes de conexão.

Quando começa sua contagem? E seu término? Talvez tais fases estejam ligadas ao nascimento e a morte. Mas de quem? Buscamos a eternidade... Quatro semanas e pouco dão muito que pensar. No mínimo, melhor nossa compreensão da célebre frase do poetinha: "mas que seja infinito enquanto dure".

domingo, 6 de julho de 2008

Integridade

Caminhos escolhidos pelo coração subvertem a ordem vigente.

Memoráveis pessoas na história cristã levaram uma vida, que aos olhos de muitos, foi fadada ao fracasso, ou a motivações sem valor. Sendo assim, estas têm dificuldade de entendê-los...

Pedro Claver dedicou a vida a acolher escravos que chegavam no porto de Cartagena. Estava preocupada com aqueles tratados como mercadorias. Morreu doente devido ao contato com aquelas pessoas.

Madre Teresa de Calcutá escolheu socorrer as pessoas mais pobres de seu país, mesmo ferindo os preceitos sociais de sua comunidade. Fundou sua ordem e até sua morte esteve aos cuidados dos mais esquecidos.

Maximiliano Kolbe e Edith Stein seguiram sua missão durante a Segunda Guerra, sob o regime nazista. Morreram em campos de concentração, dando sua vida no lugar de outros que conseguiram salvar.

Perseguido por insistente difamação, Bartolomeu Gusmão jamais negou sua simpatia pelo cristãos-novos. Acusado pela Inquisição foi obrigado a fugir de Portugal para a Espanha. Após sua morte, seu local de sepultamento nunca foi revelado.



Apesar de uma vida repleta de experiências místicas, Rosa de Lima sofreu incompreensão e perseguição, em conseqüência de sua devoção e fé. O final de sua curta vida, com 31 anos, foi marcada por grande sofrimento físico, devido à prolongada doença, mas sempre preservou seu agradecimento a vida.

Participantes anteriormente do status quo, Thomas More e Paulo de Tarso, foram condenados à morte e executados, por seguirem firmes em sua conduta, um perseverante, o outro convertido. Independentemente das opções oferecidas, não recusaram seus destinos.

Trazido a condição humana, Jesus de Nazaré terminou submetido a todas as humilhações possíveis, culminando com sua crucificação, por defender a dignidade humana incondicionalmente.

Nenhum deles acumulou riquezas ou dominou vastas regiões. Defenderam quem ninguém ousava sequer reconhecer como pessoa. Nunca defenderam indivíduos célebres ou socialmente bem posicionados.

Então, quais foram os valores defendidos? Vindos das mais diferentes culturas e regiões, sem distinção de gênero ou idade, estas pessoas demonstram o elemento mais importante em nossa história: integridade! Integridade moral para conduzir sua ética até o fim, até as últimas conseqüências.

sábado, 5 de julho de 2008

Android

Atenção! O Android está chegando!

Fiquemos despreocupados com qualquer exterminador. Já estamos em 2008, ou seja, a época para seu advento extrapolou em praticamente uma década.

Após muito boato, a estratégia da Google, para o mundo da mobilidade está mais definida. Através de um SDK, aberto, simples, abrangente, de rápido e fácil desenvolvimento, passam a fazer parte do jogo.

Devermos aguardar ainda mais um pouco, pois a previsão é para o final de 2008. A expectativa envolve usuários e operadoras pelo mundo inteiro.

Qual o interesse da gigante da Internet no mercado de dispositivos móveis? Buscaria apenas a expansão de seus limites, uma vez que em seus mercados de atuação é, em grande parte, dominante?

Parecia ser o iPhone a grande vedete do cenário móvel da atualidade... É até o momento, mas está muito ligado a questão de hardware.

Baseada no Linux, a plataforma do Google é equiparada a um sistema operacional, com toda a sua flexibilidade. Vemos uma história similar ao casamento DOS e IBM PC.

O encontro desta dupla permitiu a ascensão da Microsoft e todas as soluções associadas a ela. Graças a sua acessibilidade e universalidade, conquistaram mais de 90% dos usuários pelo mundo, garantindo a imensa evolução da microinformática que conhecemos.

Parte do seu sucesso é devido a estratégias mercadológicas. A nova história é fundamentada na abrangência e diversidade possibilitadas. Uma plataforma única, para todos os dispositivos, na área mais promissora da atualidade.

Preocupa um pouco mais esse domínio que os tentáculos do Google vai abraçando. Por variados motivos, vislumbramos a consolidação de um único fornecedor de serviços, em quase todas as vertentes tecnológicas. Entre o exterminador do cinema e o exterminador de concorrentes do mundo da tecnologia, difícil saber qual o menos perigoso.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Sossego

"Sossega leão" é uma expressão que vem ganhando contornos científicos.

Responsável por sua encarnação, o Metilfenidato ganha espaço entre nossas crianças. Suas duas apresentações comerciais, a Ritalina e o Concerta, são amplamente receitados para pacientes diagnosticados com TDAH.

Muitos questionarão a visão pejorativa desta maravilha da indústria farmacêutica. As conseqüências do distúrbio podem comprometer significativamente o desenvolvimento de uma pessoa.

Se há tratamento, por que não usá-lo? Mas o que pensar de um produto com aumento de vendas em quase 1000%, ao longo de pouco tempo?

Estaremos vivendo uma epidemia de hiperatividade? Vejam que já é delicada a definição de um distúrbio deste tipo. Crianças são, por natureza, muito ativas. Ao menos é o que se espera...

Qual o limite entre a atividade normal e a hiperatividade? Estabelecer padrões comportamentais humanos está longe de ser uma ciência plenamente exata. Somos muito diferentes de máquinas, praticamente exemplares únicos a cada indivíduo.

Uma criança questionada, em reportagem da TV Bandeirantes, respondeu que o tratamento lhe permite passar a semana muito bem. Inquirido a descrever como se sente durante a suspensão do remédio, nos fins de semana, ela responde prontamente: "Agitado". Então o repórter pergunta: "O que você faz nesta situação?". E a surpreendente pergunta: "Brinco".

Se ainda considerarmos os efeitos colaterais, há muito para pesar na balança dos possíveis benefícios. Além disso, ele faz parte do grupo das anfetaminas e só faz efeito enquanto tomado. Ao cessar seu uso, qualquer ação no cérebro é encerrada. Os EUA são responsáveis por 90% de seu consumo mundial. Haverá alguma ligação com os diversos distúrbios infanto-juvenis noticiados lá?

A adoção de terapia deste tipo deve ser alvo de extensa e criteriosa avaliação. Podemos facilmente incorrer na fórmula de uma receita mágica e instantânea. Quem sabe não seria melhor alguns domadores de leão utilizarem a fórmula de carinho, atenção e amor...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Personal

Pragas modernas, os "personais" se espalham por todos os cantos.

Em época de culto às personalidades, sejam elas ídolos artísticos ou os próprios alteregos, as pessoas adoram ter um "personal" alguma coisa.

A lista sempre recebe novas definições. Um personal pode ser Trainer, Stylist, Shopper, Shopping Assistant, Chef, além de tantos outros títulos que poderão inventar. Já há até o indigesto Personal Friend!

Um tipo até é engraçado: o Personal MP3 Organizer. Esqueça qualquer aparelhinho do momento. Trata-se de uma pessoa, de carne e osso, apesar do nome.

Coisa de adolescente, é alguém encarregado de organizar sua coleção de música digital, no iPod e similares. Tem página até para dicas de como melhor sê-lo, com um nome mais pomposo de "Organizador de Mídias".

E pensar que tudo começou com o culto ao corpo... A impressão é que professores de educação física precisavam expandir seu mercado. Daí, trocaram o nome do treinador ou técnico para o tal personal trainer. Buscaram uma abordagem menos técnica, mais psicológica.

Para um esportista profissional, o papel de uma pessoa para orientação e preparação competitiva faz todo sentido. Aos amadores, muitos de final de semana ou quando a consciência "lipídica" literalmente pesa, é um dinheiro jogado fora, muito bem pago. Os tais personais acabam muito mais "Personal Weight Loader"ou "Personal Seat Cleaner"... :)

As academias possuem equipes de professores, para orientar as pessoas que a freqüentam. Deveria ser suficiente para quem precisa manter um atividade física regular e saudável. Parece não ser suficiente apenas para a auto-estima e o ego de muitos...

Acontece que depois do advento da nova denominação, muitos dos professores deixaram de ser atenciosos, como no passado. Culpa das academias, que permitem o exercício do personal inclusive no seu horário de expediente. Com preços elevados, e a ética um tanto esquecida, qual não será sua preferências?

Contrapontos a nossa condição gregária... Dicotomia eterna da alma humana: unir o público ao privado, o pessoal ao comunitário! Entre focos e escolhas, vamos observando a dificuldade em manter o equilíbrio para nossa existência no planeta. Sorte ou azar, inexiste uma Personal Earth.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Idéias

"Um idéia na cabeça e um blog na Internet!"

Em breve, muitos adotarão este mote para a revolução promovida pela grande rede e seus diários virtuais. Qual não seria a impressão de Glauber Rocha, ao ver o movimento da Internet Nova?

Blogs são excelentes meios para expor e trocar idéias. Servem aos mais diferentes gostos. Do adolescente, pronto a compartilhar parte de sua vida, ao presidente de empresa, representando a face de sua corporação.

Que tal utilizar um para realizar um brainstorming e prospectar idéias para o mundo dos dispositivos móveis? Rachel Hinman o fez. Colaboradora da Adaptive Path, ela criou o blog "90 Mobiles in 90 Days".

Começou a postar no dia 20 de junho. São rascunhos, propostas, ou apenas idéias, do que poderia ser usado em nossos pequenos companheiros digitais. Nada mais adequado em tempos de tanta mobilidade, em que celulares há muito tempo fazem muito mais do que telefonar.

A discussão vai longe. De interface a recursos, todas as faces deste mundo tecnológico serão revistas. Talvez muitas idéias sejam apenas... idéias. Nada como um pouco de sonho, de fantasia, para fazer nossos objetivos irem mais longe. Às vezes alcançamos o inimaginável.

De todas as idéias, muito me agrada a exposta no dia 25 de junho. Ela propõe que os dispositivos tenham formato de varinha mágica, como as usadas nas histórias do Harry Potter. Adequado, não? Com as mil e uma utilidades deles, não deixam de ter uma carinha meio mágica. Tenho uma amiga, fã do bruxinho, que iria adorar ter um...

Como varinha, seria bem mais portátil do que hoje. Obedeceria a comandos de voz, com formulações mágicas. Como a própria autora descreve, a varinha interage com o ambiente, com o mundo a nossa volta. Um simples balançar e ficaremos maravilhados com os surpreendentes fenômenos que ocorrerão!

Quantos assuntos não podem ser desenvolvidos assim, colaborativamente? Tamanha simplicidade, com a tecnologia unindo as pessoas, para o trabalho conjunto. Alguma idéia? Exponha a sua. No mínimo, acompanhemos estes 90 dias para ver no que vai dar.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Gates

Atravessamos portões para território desconhecido.

Muito mais do que logotipos, certas pessoas "iconizam" seus negócios. Acabam indissociáveis de seu desenvolvimento, de sua história e, às vezes, de seu futuro.

Silvio Santos é a imagem de suas empresas. Comandante Rolim, enquanto vivo, era a face humana da TAM. Antonio Ermírio é praticamente sinônimo de Votorantim.

Conseqüência de suas competências empresariais ou de sua personalidade marcante? Difícil diagnosticar. De qualquer forma, em muitos casos, sua aura sobrevive até mesmo depois do fim de sua atividade.

Até os anos 90, Peter Norton conduziu sua empresa e produziu célebres programas conhecidos até hoje, como o Norton Antivírus e o Norton Utilities. Mesmo depois de vendê-la para a Symantec, por muito tempo seu rosto estampou os produtos, que continuavam levando seu nome como sufixo.

Depois de uma década, algumas pessoas ainda acreditavam que ele trabalhava lá, enquanto já exercia sua filantropia há muito tempo. Com a venda da empresa, e apenas 40 anos de idade, resolveu que não iria trabalhar mais por dinheiro. Teria o suficiente para sobreviver para o resto da vida e ajudar muitas pessoas.

Com uma fortuna imensamente maior, e sem vender nada, Bill Gates deixou a semana passada, definitivamente, seu trabalho na Microsoft. Fundou-a e transformou na potência mundialmente conhecida, certamente com grande participação de sua genialidade nos negócios, por mais que seja questionada sua trajetória.

Acostumamos, por 30 anos (uma verdadeira eternidade em tempos atuais), a aguardar os movimentos deste empresário para definir os rumos da indústria de software e, conseqüentemente, da computação. Como se comportará o mercado, sem a influência deste ícone, agora também apenas filantropo?

A transição já vinha sendo traçada, mas o momento definitivo é este. Sua ausência só é concreta agora. Fãs ficaram órfãos! Detratores não poderão mais destilar pequenos, ou grandes, venenos... Ou fuçar então as falhas de produtos, com um sabor de "a culpa é dele".

Mudança significativa em tão bem estabelecidos postos de combate. Talvez haja retorno... Afinal, até Steve Jobs, outro iconográfico gênio computacional, uma vez expulso de sua associada empresa, retornou um dia para suprir a carência de alguém para seu lugar. Para conhecer o futuro, só atravessando os portões...