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terça-feira, 25 de novembro de 2008

MP11

Quanta diferença por alguns numerozinhos...

As pessoas adoram versões. No fundo, adoram possuir a última versão. Mal consumista, não importa nem a utilidade, desde que tenhamos o último lançamento.

O fenômeno já é tratado, e aproveitado, há muito tempo. O jurássico Dbase 2 nunca teve uma versão 1. Pura jogada, para fomentar a curiosidade e o anseio de não estar para trás.

No meio editorial tecnológico, a sacada também foi utilizada no livro de Esther Dyson, chamado "Release 2.0". A origem do título decorre da existência de sua coluna "Release 1.0", mas como obra impressa funciona bem o estímulo da novidade...

Vejamos só o caso da família do patriarca MP3. Dos primeiros tipos de padrão de compressão de áudio, se tornou sucesso pelo tamanho dos arquivos e sua qualidade aceitável. Não demorou para surgirem os MP3 players, logo apelido apenas como MP3. Padrão e gadget se confundiram com a mesma nomenclatura.

Aí alguém teve a feliz idéia de batizar o padrão de compressão de áudio e vídeo como MP4. Infeliz escolha para rapidamente ser associada com alguma "evolução"! Não demorou para os players portáteis de áudio e vídeo (MP4 players) serem nomeados apenas como MP4...

No final de ano passado, um colega do trabalho estava procurando MP5s para comprar para os filhos. Opa! MP5? Teriam criado algum outro padrão de compressão? Quem sabe, mesmo o baixo clero, está envolvido com o governo federal, negociando MPs! Felizmente está bem longe de ser isso.

Colocaram mais algumas funções nos players portáteis de mídia e aumentaram sua versão: MP5. É o mesmo que o MP4, mais uma câmera fotográfica e filmadora digital. Triste ilusão achar que tudo acabou no número 5...

Este mês, um outro colega foi procurar um celular para comprar. Estava difícil encontrar, apesar de ver aparelhos nas vitrines. Ao perguntar ao vendedor, recebeu o esclarecimento: "Esse não é um celular, é um MP9"! MP9??????

Pois é, caros leitores, as últimas notícias dão conta de que já chegamos ao MP11. A curiosidade pelas denominações valeu uma pesquisa da genealogia dos MPs. Cada nova função, uma nova versão, mesmo que os produtores orientais chamem todos apenas de portable media player.

Até o MP5 está desvendado. O MP6 é o MP5 com funções de celular. MP7 seu antecessor com receptor de TV. MP8 é seu irmão mais velho com tela sensível ao toque. Ao MP9 foi adicionado a capacidade de receber dois chips SIM, para utilizar telefonia GSM com duas linhas telefônicas simultâneas.

Último lançamento, o MP10 tem sensor de posicionamento e shakecontrol. Já o MP11, prometido e ainda pouco visto, virá com Wi-Fi. Chegamos ao verdadeiro iPhone "Xing-Ling"! Sem esquecer que com um preço muito mais acessível e com receptor de TV. Só é difícil garantir que não vai fritar o cérebro de alguém...

sábado, 4 de outubro de 2008

Geotagging

Privacidade, sei... Sorrateiramente se esvai!

Alie telefonia celular abrangente, tecnologia GPS acessível, Internet em qualquer canto e teremos uma mistura potente para brincar com localização em tempo real.

Geotagging é uma dessas manias do momento. Etiquetar tudo com sua posição geográfica. Brincar de Deus, com jeitão humano, meio criança, de colocar plaquinhas pelo planeta.

Etiquetar coisas, fotos, lugares se tornou insuficiente. Saciar a ânsia do carimbador maluco só mesmo etiquetando pessoas ou a si mesmo!

Diversos serviços Web 2.0 provêem os mecanismos. À distância de um clique e um pouco de vontade. Vai saber se por necessidade de exposição, popularidade em alta ou necessidade profissional extrema.

No Plazes, você pode compartilhar sua localização atual. Integrado com vários outros serviços como Facebook, Blogger e Wordpress, contatos de sua confiança pode saber onde você está.

Um dos principais exemplos da nova tendência, o site tem apoio da Nokia (continuamente conectando pessoas!) e já foi notícia no New York Times. Com ele sabemos que está por perto e quais eventos ocorrem próximos a nós.

Deseja ilustrar suas andanças com fotos e vídeos, acompanhados de seu posicionamento? O GyPSii oferece uma solução. Acessível por celular, propõe o registro de sua vida através de seu pequeno avatar tecnológico. Um registro incessante e autobiográfico. :)

A solução brazuca vem com motes de Twitter. Batizado de "Onde Estou", promete os mesmos recursos de registro e rastreamento. Cadastro simplificado, integração com o Orkut, componentes bem a gosto dos fregueses tupiniquins.

Aplicações variadas podem ser imaginadas para tais tipos de informação. Que tal dicas de alguém que já conhece um lugar? Será bom para trabalhar? Um encontro ocasional facilitado com um amigo? E propaganda direcionada geograficamente?

Passear pelos sites semeia idéias mil. Há vários que merecem menção: Pelago, BrightKite, Whereyougonnabe, Wayn, TripAdvisor. Difícil é conseguir tempo para se cadastrar em todos, experimentar e escolher! Ou usar todos?

Ares de Grande Irmão voluntário! Quem diria, por qual motivo seja, iríamos nos dispor a tanta exposição, a tanto controle, de certa forma. E existem tantas organizações no mundo preocupadas com a privacidade... Revoluções culturais e comportamentais. Quais os limites entre o público e o privado?

sábado, 5 de julho de 2008

Android

Atenção! O Android está chegando!

Fiquemos despreocupados com qualquer exterminador. Já estamos em 2008, ou seja, a época para seu advento extrapolou em praticamente uma década.

Após muito boato, a estratégia da Google, para o mundo da mobilidade está mais definida. Através de um SDK, aberto, simples, abrangente, de rápido e fácil desenvolvimento, passam a fazer parte do jogo.

Devermos aguardar ainda mais um pouco, pois a previsão é para o final de 2008. A expectativa envolve usuários e operadoras pelo mundo inteiro.

Qual o interesse da gigante da Internet no mercado de dispositivos móveis? Buscaria apenas a expansão de seus limites, uma vez que em seus mercados de atuação é, em grande parte, dominante?

Parecia ser o iPhone a grande vedete do cenário móvel da atualidade... É até o momento, mas está muito ligado a questão de hardware.

Baseada no Linux, a plataforma do Google é equiparada a um sistema operacional, com toda a sua flexibilidade. Vemos uma história similar ao casamento DOS e IBM PC.

O encontro desta dupla permitiu a ascensão da Microsoft e todas as soluções associadas a ela. Graças a sua acessibilidade e universalidade, conquistaram mais de 90% dos usuários pelo mundo, garantindo a imensa evolução da microinformática que conhecemos.

Parte do seu sucesso é devido a estratégias mercadológicas. A nova história é fundamentada na abrangência e diversidade possibilitadas. Uma plataforma única, para todos os dispositivos, na área mais promissora da atualidade.

Preocupa um pouco mais esse domínio que os tentáculos do Google vai abraçando. Por variados motivos, vislumbramos a consolidação de um único fornecedor de serviços, em quase todas as vertentes tecnológicas. Entre o exterminador do cinema e o exterminador de concorrentes do mundo da tecnologia, difícil saber qual o menos perigoso.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Idéias

"Um idéia na cabeça e um blog na Internet!"

Em breve, muitos adotarão este mote para a revolução promovida pela grande rede e seus diários virtuais. Qual não seria a impressão de Glauber Rocha, ao ver o movimento da Internet Nova?

Blogs são excelentes meios para expor e trocar idéias. Servem aos mais diferentes gostos. Do adolescente, pronto a compartilhar parte de sua vida, ao presidente de empresa, representando a face de sua corporação.

Que tal utilizar um para realizar um brainstorming e prospectar idéias para o mundo dos dispositivos móveis? Rachel Hinman o fez. Colaboradora da Adaptive Path, ela criou o blog "90 Mobiles in 90 Days".

Começou a postar no dia 20 de junho. São rascunhos, propostas, ou apenas idéias, do que poderia ser usado em nossos pequenos companheiros digitais. Nada mais adequado em tempos de tanta mobilidade, em que celulares há muito tempo fazem muito mais do que telefonar.

A discussão vai longe. De interface a recursos, todas as faces deste mundo tecnológico serão revistas. Talvez muitas idéias sejam apenas... idéias. Nada como um pouco de sonho, de fantasia, para fazer nossos objetivos irem mais longe. Às vezes alcançamos o inimaginável.

De todas as idéias, muito me agrada a exposta no dia 25 de junho. Ela propõe que os dispositivos tenham formato de varinha mágica, como as usadas nas histórias do Harry Potter. Adequado, não? Com as mil e uma utilidades deles, não deixam de ter uma carinha meio mágica. Tenho uma amiga, fã do bruxinho, que iria adorar ter um...

Como varinha, seria bem mais portátil do que hoje. Obedeceria a comandos de voz, com formulações mágicas. Como a própria autora descreve, a varinha interage com o ambiente, com o mundo a nossa volta. Um simples balançar e ficaremos maravilhados com os surpreendentes fenômenos que ocorrerão!

Quantos assuntos não podem ser desenvolvidos assim, colaborativamente? Tamanha simplicidade, com a tecnologia unindo as pessoas, para o trabalho conjunto. Alguma idéia? Exponha a sua. No mínimo, acompanhemos estes 90 dias para ver no que vai dar.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Gratuito

"De graça até injeção na testa".

Se as pessoas aceitam até algo doloroso, somente por ser gratuito, imagine se o item em questão for um iPhone... Seus concorrentes terão muito para se incomodar.

Caso os rumores se confirmem, Steve Jobs está a ponto de causar esse incômodo para muita gente. Tamanha bondade em troca de parte do faturamento das operadoras.

A recente redução de preços já complicou a situação. Mesmo com valores mais altos, e bloqueio de operadores, facilmente transposto, ele é sucesso no mercado brasileiro, antes até de seu lançamento oficial.

Pelo mundo, inúmeras unidades vendidas, num sucesso estrondoso, jamais visto. Até o Blackberry, imbatível para o uso de e-mail, tem cedido as pressões do forte concorrente. A potencialização de funções, do produto da Apple, desequilibra qualquer disputa.

Chegando a custo zero, qual motivo teríamos para adquirir qualquer outro modelo, de qualquer outro fabricante? Na hipótese de outros fornecedores adotarem a mesma estratégia, ainda assim qual seria a nossa escolha?

Os artistas da computação contemporânea não atuavam originalmente na área de telefonia celular. Seu êxito é devido a toda sua inovação e inventividade, com a ajuda de seu porte e suporte financeiro, conquistados em outras paragens. Como ficam as questões éticas e leais?

Companhias de telefonia celular só se sujeitarão a tal situação pela força de venda do aparelho. Ganham todos em princípio: a Apple com a participação, a operadora com o aumento do número de usuários e o consumidor com um primor tecnológico de graça.

Tanta gratuidade concede novos significados para "massificação". Ao invés de transformar os consumidores em uma grande massa, são as grandes massas que estão alterando a relação entre os fornecedores.

terça-feira, 18 de março de 2008

Jeitinho

Demoraremos muito a eliminar o famoso 'jeitinho brasileiro'.

Defenda veementemente o contrário, confie na mudança e se frustre na próxima curva. O negócio é endêmico e epidêmico. Como gostam muitos, é cultural.

Melhor seria dizer que é moral. É a fragilidade de nossa moral que compactua com a fila desobedecida, elemento dispensável em outras situações, o desrespeito ao atendimento preferencial, a fila dupla nas portas das escolas e outros tantos exemplos.

Somos tão malucos que até verbete na Wikipedia o assunto ganhou. Parecemos ter orgulho desta condição... Para disfarçar, damos ares de estudo acadêmico ao assunto.

O assunto do desbloqueio do iPhone é um prato cheio. O mundo inteiro faz, mas para nós é a coisa mais normal do mundo. Divergências à parte, afinal podemos discutir as políticas de comercialização da Apple, entre nós não adianta nenhum tipo de ameaça da empresa: bloqueio na atualização ou perda de garantia. "Quero o meu, seja como for! "

As operadoras ainda discutem os acordos para trazê-lo legalmente, mas o aparelho já é o maior responsável pelo acesso à web móvel no país. Quase metade deste tipo de acesso foi realizado por alguém utilizando um exemplar.

Foram mais de 100.000 acessos no mês passado! Isso significa a entrada de milhares de aparelhos, das formas mais escusas o possível. Na mala, numa encomenda postal dissimulada, num carregamento qualquer, desembaraçado de alguma forma, o tal comportamento estimula uma infinidade de irregularidades.

E não faltam promoções em programas de rádios oferecendo um aparelho em algum concurso...

Somos a terra da cara-de-pau institucionalizada! E depois reclamamos de tudo: em quem votamos, do imposto recolhido, do vizinho folgado, do companheiro de transporte público a nos desrespeitar.

Falta-nos discernimento e reflexão. Buscamos soluções fáceis e paliativas. Dificilmente percebemos a necessidade de uma grande mudança comportamental. O duro é que uma mudança deste tipo é demorada...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Morph

Sonhar torna quase tudo possível.

Nos últimos dias, o centro de pesquisas da Nokia apresentou um vídeo com o conceito de um celular do futuro, completamente baseado em nanotecnologia.

A nanotecnologia se apresenta como uma das grandes promessas do futuro. Ela vem sendo desenvolvida com grande vigor, provendo soluções nas mais diversas áreas.

O vídeo, rapidamente transformado em sucesso viral, apresenta didaticamente as características passíveis de aplicação através dessa nova tecnologia.

Parte do grande trunfo vem da extrema miniaturização possível em tempos atuais. Uma estrutura do tamanho de um telefone pode conter bilhões de componentes microscópicos integrados.

Nanoestruturas são componentes extremamente versáteis. Ela permitiria tornar o aparelho flexível e dobrável. Com tais propriedades, ele poderia assumir as formas de um assistente pessoal digital, telefone celular ou relógio de pulso, além de se transformar em objetos de uso pessoal.

Estas mesmas estruturas permitiriam interface sensível ao toque, a interação mais simples possível. A superfície ainda possuiria a capacidade de mudar sua apresentação, de acordo com a funcionalidade assumida. Poderiam surgir a interface de um programa de e-mail, o teclado de um aparelho telefônico ou o simples mostrador de um relógio.

Características ecológicas também são lembradas. A tecnologia possibilitaria alimentação solar, auto-limpeza e não acúmulo de sujeira, ou seja, além de deixar de lado a utilização de fontes de energia poluentes, seria mais preservado esteticamente, sem a utilização de compostos químicos, possivelmente nocivos ao ambiente.

Por falar em aspectos plásticos, o aparelho poderia contar com características de transparência, ou translucidez, garantindo aspecto moderno, apenas com a utilização de estrutura projetado para tal efeito.

Mais futurista ainda é a possibilidade de ele ganhar funções para detecção de condições ambientais, como a presença de gases, níveis de poluição e outros fatores.

Outra idéia é uma função que poderíamos batizar de 'camaleão'. Ao apresentar um padrão visual, o aparelho pode assumir a mesma cobertura para sua superfície, fazendo-o combinável com qualquer vestimenta ou acessório do usuário. Aliada ao seu poder metamorfo, chegaríamos ao conceito de um telefone 'vestível'.

Novamente nossos amigos nórdicos mostram porque são um dos principais motores da tecnologia em telefonia celular.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Incômodo

Celulares incomodam muitas pessoas já tem algum tempo.

O exército de resistentes a sua utilização é grande, com representantes de quase todas as idades, mas tendenciosamente mais representados pelos mais 'experientes'.

Desde o advento da tecnologia, os soldados desse exército desgostam da idéia de poderem ser encontrados em qualquer lugar, a qualquer hora.

Mesmo com os recursos de reconhecimento de chamadas, alguns preferem desligá-lo, ou até mesmo não possuí-lo. Enquanto algumas pessoas possuem diversos aparelhos, para combinar com diversas ocasiões e roupas, outros fogem deles como o diabo da cruz.

Agora eles terão um novo motivo para reforçar sua fobia: videochamadas. A recente tecnologia de redes 3G, graças a suas significativas melhoras de velocidade de banda, e os celulares com câmeras de vídeo embutidas permitem a utilização de vídeo ao vivo durante ligações.

Com a difusão de uma tecnologia deste padrão, deixaremos de atender com apenas um 'alô'. Aliás, a educação já determina a necessidade de uma verificação da disponibilidade da pessoa para o atendimento. Nada mais chato do que uma pessoa ligar no celular de alguém e sair falando, sem perguntar se a outra pode atendê-la no momento.

O vídeo exigirá mais polidez ainda. Está certo que ocorre um convite para a utilização do vídeo, passível de aceitação, ou não. Porém, desconfio que com o tempo, as pessoas dificilmente recusarão um convite do tipo, para evitarem o rótulo de chatas.

Quem usa uma webcam em conversas na Internet já entende a diferença de um bate-papo cara a cara. Ficamos impossibilitados de fazer outra coisa ao mesmo tempo, de estar mais à vontade (dependendo da intimidade com o interlocutor). É como receber a visita em sua casa.

Só que a chamada de celular pode ser recebida em qualquer lugar. Você pode estar em um banheiro público, no meio do centrão da cidade, ou onde mais sua imaginação conseguir conceber. Pode ser inadequado para você ou para seu interlocutor uma visão do ambiente.

Se associarmos a questão a possibilidade de localização geográfica, outro recurso disponível atualmente, vai ficar mais difícil se esconder...