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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Filantropia

Filantropia ganhará novos contornos, em breve.

Bill Gates, após sua aposentadoria no mundo do software, se dedicará a ela. Comandará a fundação, batizada com o "despretensioso" nome Fundação Bill and Melissa Gates.

Nascida em berço de ouro, com parte da fortuna do legendário comandante da Microsoft, ainda recebeu a bilionária contribuição de Warren Buffet: US$ 30 bilhões!

Interessante notar que uma instituição filantrópica, assim como uma empresa de software, tem como objetivo a construção de programas. Os dela, sociais, os da empresa, de software...

A julgar pela trajetória de Bill no mundo dos negócios, é possível vermos a repetição de fórmulas de sucesso utilizadas no mundo das empresas digitais. Como empresário ele alçou seus programas ao topo da cadeia alimentar daquela indústria.

Sendo assim, a fundação pouco criará de inovação. Adotará programas já existentes, com potencial, mas sem muitos recursos para desenvolvimento. Providenciará uma remodelagem e relançará com pompa e circunstância.

Instituições candidatas a participar de seus programas deverão se comprometer com contratos de exclusividade. Apesar de toda a discussão ética gerada, o procedimento garantirá a presença da fundação na maioria das áreas de atuação.

Às vezes (ou para ser mais sincero, constantemente) os programas apresentarão erros que o impedirão de prosseguir naquele momento. Os usuários podem começar tudo de novo ou aguardar uma nova versão, com a correção necessária para seu bom funcionamento.

Em pouco tempo, mais de 95% dos programas sociais serão fornecidos pela fundação Gates. Mesmo outras importantes representantes da área ficarão com representatividade tão reduzida que acabarão com sua continuidade ameaçada.

É claro que tudo isso é apenas uma hipótese. A beleza do ser humano está em conseguir continuamente se aprimorar e superar. Que todos estes pequenos detalhes e maus hábitos adquiridos sejam esquecidos. Desejo realmente que a fortuna empregada possa concretamente modificar a vida de muitas pessoas necessitadas!

P.S.: Bill, desculpe, não resisti fazer essa brincadeira. Sinceramente, boa sorte!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Gates

Atravessamos portões para território desconhecido.

Muito mais do que logotipos, certas pessoas "iconizam" seus negócios. Acabam indissociáveis de seu desenvolvimento, de sua história e, às vezes, de seu futuro.

Silvio Santos é a imagem de suas empresas. Comandante Rolim, enquanto vivo, era a face humana da TAM. Antonio Ermírio é praticamente sinônimo de Votorantim.

Conseqüência de suas competências empresariais ou de sua personalidade marcante? Difícil diagnosticar. De qualquer forma, em muitos casos, sua aura sobrevive até mesmo depois do fim de sua atividade.

Até os anos 90, Peter Norton conduziu sua empresa e produziu célebres programas conhecidos até hoje, como o Norton Antivírus e o Norton Utilities. Mesmo depois de vendê-la para a Symantec, por muito tempo seu rosto estampou os produtos, que continuavam levando seu nome como sufixo.

Depois de uma década, algumas pessoas ainda acreditavam que ele trabalhava lá, enquanto já exercia sua filantropia há muito tempo. Com a venda da empresa, e apenas 40 anos de idade, resolveu que não iria trabalhar mais por dinheiro. Teria o suficiente para sobreviver para o resto da vida e ajudar muitas pessoas.

Com uma fortuna imensamente maior, e sem vender nada, Bill Gates deixou a semana passada, definitivamente, seu trabalho na Microsoft. Fundou-a e transformou na potência mundialmente conhecida, certamente com grande participação de sua genialidade nos negócios, por mais que seja questionada sua trajetória.

Acostumamos, por 30 anos (uma verdadeira eternidade em tempos atuais), a aguardar os movimentos deste empresário para definir os rumos da indústria de software e, conseqüentemente, da computação. Como se comportará o mercado, sem a influência deste ícone, agora também apenas filantropo?

A transição já vinha sendo traçada, mas o momento definitivo é este. Sua ausência só é concreta agora. Fãs ficaram órfãos! Detratores não poderão mais destilar pequenos, ou grandes, venenos... Ou fuçar então as falhas de produtos, com um sabor de "a culpa é dele".

Mudança significativa em tão bem estabelecidos postos de combate. Talvez haja retorno... Afinal, até Steve Jobs, outro iconográfico gênio computacional, uma vez expulso de sua associada empresa, retornou um dia para suprir a carência de alguém para seu lugar. Para conhecer o futuro, só atravessando os portões...