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quinta-feira, 19 de março de 2009

Capa

Fascinante mecanismo do processamento visual....

Temos habilidades impressionantes, concedidas pela natureza através da história. Esforçamo-nos consideravelmente para tentar ensiná-las aos computadores.

Nossa visão é uma delas. Por exemplo, há alguns anos, eu estava em um shopping a olhar dentro de uma loja de presentes, sem intenção definida.

Muitas pessoas passavam por ali e, bem à minha frente, estavam algumas em meio às compras. Instantânea surpresa descobrir que no meu campo visual estavam meus tios!

Somente quando vieram em minha direção, acenando, pude reconhecê-los. Eu os via, mas não os enxergava. Sem a sua iniciativa de chamar minha atenção fatalmente eu passaria por um sem-educação.

Hoje, na volta do trabalho, ao sair da estação do Metrô, reparei em alguém vindo na direção contrária, a ponto de cruzar o meu caminho. Demorei alguns segundos para reparar que se tratava da minha mãe! Pô... Mãe é inconfundível! Sempre tive a impressão de poder identificá-la em qualquer hora ou lugar, seja qual fosse a situação, instantaneamente.

Comprovei que é um pouco mais complicado este tipo de processamento. Nossa visão, nosso enxergar, é muito mais do que sensibilizar a retina com emissões luminosas num conjunto conhecido. Tem relação com o contexto. Sem ele a imagem dificilmente se monta...

Há poucos dias escrevi sobre o site TinEye. Identificando imagens similares ou com origem comum, ele demonstra uma capacidade apurada, muito além da nossa, ao menos em velocidade. Divertido experimentar e imagina alguma aplicação.

O pessoal do site se encarregou de arranjar um bom exemplo. Eles disponibilizaram um novo serviço para localização de álbuns musicais através da imagem da capa. Basta um iPhone, o registro de uma foto e a mágica é iniciada. Simples, prático e fácil.

Como em todas os serviços oferecidos pelo site, impressiona a rapidez da realização da tarefa. Periga nem com um conjunto de capas à nossa frente sermos tão rápidos. De qualquer forma, precisamos levar em conta as nuances a envolver nosso trabalho. Nós normalmente enxergamos muito além da capa, coisa que nossos amigos digitais ainda não aprenderam.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Verdades

Verdade seja dita, há muitas verdades pelo mundo.

De acordo com nosso meio, nossas experiências, nossa situação econômico-financeira, ou qualquer outra condição existencial, teremos uma visão, um ângulo de observação da realidade.

Encantados pelos padrões, fadados a procurá-los sem cessar, insistimos em encontrar aquela verdade, a absoluta, capaz de ser útil e servir a qualquer ser humano, indistintamente.

Já faz tempo, alguns milhares de anos, que começamos com essa história. Os tais universais, perseguidos pelos gregos, talvez fossem a chave para tal compreensão. Se existissem...

Até por isso é inútil e inocente o fundamentalismo. Tentar interpretar, compreender, ao pé-da-letra, os princípios que nos movem ou regem, como queiramos.

Em épocas de final de ano, é comum na imprensa listas dos "dez mais do ano", ou "a lista dos eventos mais marcantes". Puro resquício da tentativa de universalizar alguma coisa. Terminamos sempre contextualizados, inseridos na opinião de poucos editores ou compiladores.

Devo admitir, mesmo meu blog é um pequeno extrato da verdade. A minha verdade. Um paulistano, mediano, adulto, com seus gostos e desejos. Um olhar... Por mais adjetivos que escolhamos, ainda assim, sempre será particular, apesar das consonâncias existentes por aí.

Gostaríamos de poder encontrar a tal verdade embalada para presente. Sendo impossível, pelo menos ficamos antenados, atentos e conscientes das limitações de algo do gênero. Aprendemos a compreender e nos sensibilizar com o outro, dentre de seu contexto, de seu ecossistema.

Pensando assim, talvez não fosse tão descabida a pergunta de Pantaleão, personagem de Chico Anysio, a sua esposa: "É mentira, Terta?". Ao que ela prontamente respondia, sempre da mesma maneira: "Veeeerrrrrddddaaaaaaaaaaaaade"!

domingo, 7 de dezembro de 2008

Profeta

Profetas sempre foram homens de visão.

Divinamente iluminados, ou não, anteviram os acontecimentos, perceberam sensivelmente as necessidades, anunciaram o futuro. Souberam apontar o caminho, conduzidos por seus corações.

Como seria recebido um deles atualmente? Qual a credibilidade lhe seria devida? Conseguiriam atingir as mentes e corações da população da Idade Mídia?

Se hoje alguém fizesse qualquer tipo de previsão, de anúncio aos quatro ventos, seriam provavelmente ventos digitais. Estariam disseminados em linhas de posts, ou até quem sabe algum Twitter da vida.

Suas profecias talvez estariam codificados em algum "internetês" ou, quem sabe, precisariam estar em miguxês para alcançar as novas gerações.

Os mais habilidosos saberiam utilizar de técnicas virais para disseminar rapidamente sua mensagem. Um boato, um vídeo bem sacado no Youtube e o fenômeno seria instantâneo, se bem trabalhado.

Nós, leitores e espectadores digitais, não ficaríamos para trás. No mínimo, iríamos googlar para entender um pouco mais sobre o dito. Verificar fontes, correlação de fatos, origem dos textos, toda e qualquer referência que pudesse enriquecer nosso entendimento.

Melhor ou pior? Vai saber... Poderia até acabar no ostracismo, perdido em um mundo de informações, das mais variadas origens. Como confiar? Como distinguir? Dilema moderno possível impacto em velhos modelos.

Mudou o mundo ou nada mudou? Talvez a profusão de mensagens dificultou a profecia... Possivelmente ouvidos e corações carecem de maior receptividade, sensibilização. Em tempos de advento, felizmente a boa-nova do amor é mais forte do que qualquer névoa informativa.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Searchme

Reféns da imagem, adoramos a estética.

Humanos inegavelmente se apegam a padrões visuais. A capacidade visual compõe nossos sistemas de básico de comunicação, com a interpretação de gestos e expressões.

Mestres em identificar nossas tendências neste campo, o pessoal da Apple sabe bem como aproveitá-las. Ninguém duvida de sua capacidade em nos conquistar pela beleza dos produtos.

Quantos símbolos não estão codificados em nossa genética? Chaves secretas para acessar influências inconscientes! Lembro até do papo das mensagens subliminares...

A turma de desenvolvedores da maçã vem fazendo escola. Seus conceitos e estilos se disseminam e passam a ser apresentados por outros participantes da comunidade digital.

Um exemplo é o site de buscas Searchme. Lá os resultados de pesquisas são apresentados através de miniaturas, permitindo sua escolha pela sua cara. A navegação por elas se assemelha a do iTunes, e de outros recursos do MacOSX.

E não para por aí... As buscas específicas por vídeos e imagens, disponíveis no canto superior esquerdo, retorna com velocidade e quantidade de informação impressionantes. Sem contar o conforto em sua exploração.

Experimentem também clicar e arrastar uma imagem ou página. O efeito visual é divertido e eficiente. No canto superior direito, ainda em beta, podemos construir nosso acervo pessoal de resultados. O serviço continua evoluindo e se torna cada vez mais adequado aos novos tempos tecnológicos.

Com o mesmo apelo visual, o plugin para o Firefox chamado WebMynd começa prometendo bastante. Com ele mantemos o histórico de páginas visitadas em um armazém virtual visual. Armazenados pelo período de 30 dias, podemos consultá-los por linha de tempo ou painéis de exposição de miniaturas das páginas.

Há configuração para bloquear página para exclusão do processo. Páginas seguras (HTTPS) também não são mantidas em seus registros. Todos os recursos arrastáveis e clicáveis. A atualização das miniaturas ainda apresenta problemas, mas é apenas questão de tempo para o serviço se firmar.

Caminhamos para uma interface mais amigável para seres humanos. Saudosos tempos das interfaces de linha de comando... Sucesso atrelado a belas paisagens. A antiga fórmula parece se confirmar plenamente. Vale ainda também a máxima, para certa precaução, de quem vê as caras não vê os corações.