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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Verdades

Verdade seja dita, há muitas verdades pelo mundo.

De acordo com nosso meio, nossas experiências, nossa situação econômico-financeira, ou qualquer outra condição existencial, teremos uma visão, um ângulo de observação da realidade.

Encantados pelos padrões, fadados a procurá-los sem cessar, insistimos em encontrar aquela verdade, a absoluta, capaz de ser útil e servir a qualquer ser humano, indistintamente.

Já faz tempo, alguns milhares de anos, que começamos com essa história. Os tais universais, perseguidos pelos gregos, talvez fossem a chave para tal compreensão. Se existissem...

Até por isso é inútil e inocente o fundamentalismo. Tentar interpretar, compreender, ao pé-da-letra, os princípios que nos movem ou regem, como queiramos.

Em épocas de final de ano, é comum na imprensa listas dos "dez mais do ano", ou "a lista dos eventos mais marcantes". Puro resquício da tentativa de universalizar alguma coisa. Terminamos sempre contextualizados, inseridos na opinião de poucos editores ou compiladores.

Devo admitir, mesmo meu blog é um pequeno extrato da verdade. A minha verdade. Um paulistano, mediano, adulto, com seus gostos e desejos. Um olhar... Por mais adjetivos que escolhamos, ainda assim, sempre será particular, apesar das consonâncias existentes por aí.

Gostaríamos de poder encontrar a tal verdade embalada para presente. Sendo impossível, pelo menos ficamos antenados, atentos e conscientes das limitações de algo do gênero. Aprendemos a compreender e nos sensibilizar com o outro, dentre de seu contexto, de seu ecossistema.

Pensando assim, talvez não fosse tão descabida a pergunta de Pantaleão, personagem de Chico Anysio, a sua esposa: "É mentira, Terta?". Ao que ela prontamente respondia, sempre da mesma maneira: "Veeeerrrrrddddaaaaaaaaaaaaade"!

domingo, 26 de outubro de 2008

Guia

Em que verdadeiramente acreditamos?

Pergunta das mais difíceis, a definição de nossa ronda o mundo do mistério, dos nebulosos céus das mais diferentes idéias e conceitos, mar revolto de valores e preceitos.

Somos guiados pelas nossas convicções, sejam elas admitidas ou não, reveladas ou veladas, conscientes ou inerentes aos nossos atos. Sem perceber, cada passo se conduz sobre a calçada de nossa ideologia.

Mundo mutante, vida agitada, revoluções diárias e as pedras do calçamento parecem oscilar sob os efeitos das mudanças de temperatura do universo social.

Ficamos perdidos se fiamos nosso acreditar em um conjunto de regras, ou na interpretação fundamentalista delas. Deslumbrados com o embrulho, negligenciamos a apreciação de seu conteúdo.

Quem sabe a chave não está na simplicidade? Em filtrar os inúmeros objetivos e desejos, as satisfações pessoais, para encontrar resumidamente o que mais nos apraz. O que podemos considerar realmente essencial, indispensável?

Inevitável acorrer ao outro. Buscar a união entre as pessoas. A sincera preocupação com o próximo transcende a mera preocupação. Realmente se importar, ou melhor, dar devida importância às vidas presentes pela vida.

Inegáveis são as mudanças comportamentais em nossa sociedade relativas ao cuidado com o próximo, mas há muito mais a fazer. Principalmente a sincera conversão de nosso ímpeto para o auxílio. Sem dúvida, hoje "pega mal" agir de maneira politicamente incorreta, porém isso é insuficiente...

Um dia irmanados, de corações unidos, poderemos esperançar mais justiça e fraternidade. Menos desavenças, menos mesquinhez, menos sofrimento... Utopia? Contravenção à ordem natural? Pago para ver! É mais fácil do que podemos imaginar.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vinho

"In vino veritas".

Bebida ancestral, os gregos relacionaram o vinho, aos menos seus efeitos, à desinibição e revelação da verdade. Coitada da bebida.

O consumo em excesso, e o alto "grau etílico" do bebedor, sempre foram os responsáveis. Nem sempre com tanta veracidade...

Descobri os sabores de seu mundo um tanto tarde. Apesar da ascendência lusitana, foi a nova família italiana que me aproximou do suco idílico.

Ícone em tantas culturas, mereceu do povo dos grandes filósofos um deus exclusivo: Dionísio (vulgo Baco), o deus do vinho. Tudo bem que era um deus de muito mais, mas a associação ao néctar supremo da uva é inevitável...

Tintos ou brancos, espumantes ou frisantes, varietais ou seleções, de mesa ou sobremesa, sua diversidade denota a variação de usos e influências, culturas e tecnologias envolvidas em sua produção, durante a história da humanidade.

A arte de sua elaboração nos faz admirar as capacidades de um enólogo. Conseguir conciliar as variações de safra, clima, economia, dentre outros fatores, e produzir algo equilibrado, com qualidade e identidade, é tarefa para poucos.

Com tantos milênios de história, de maior ou menor popularidade e acessibilidade, vivenciamos em nosso país um movimento por sua disseminação. E assim se gerou uma leva de novos atores, os enófilos, presentes nas mais diferentes camadas sociais.

Tão presentes que às vezes se torna maçante tomar apenas uma taça. Tantas análises, tanto discurso acerca de uma garrafa, gestos e trejeitos cerimoniais, beira do exagero da moda vinífera. Acabamos negligenciando o ato mais importante: bebê-lo.

Prefiro a inspiração nos mais velhos. Almoços familiares, o prazer à mesa, a gostosa taça brindada e o calor da reunião. Melhor da melhores combinações: boa comida, boa companhia e bom vinho! Para desencanar, abrirei uma garrafa e tomarei uma taça no jantar. Só para celebrar a vida!