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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mascote

Entusiasmo demais atrapalha.

Apóio a cultura popular e sua divulgação. Faço questão de pontuar o assunto e defender os ícones de nosso folclore, assunto de alguns posts por aqui.. A beleza de nossos mitos e lendas é indiscutível.

Daí a querer transformar o Saci no mascote da Copa do Mundo de 2014 já é exagero! Nada contra o moleque travesso, mas uma de suas principais características é ter uma perna só.

Como é que o saci vai conseguir jogar bola? Sem falar que é uma personagem fumante...

A idéia é da Sociedades dos Observadores de Saci, entidade que zela pela preservação da identidade cultural através da propagação do conteúdo do imaginário genuinamente brasileiro.

Bem legal o trabalho da entidade, mas nesse caso específico erraram um pouco na mão. Fizeram uma página no site para a campanha e sugerem que façamos um lobby para sugerir à CBF a escolha do menino de gorro vermelho.

Poderíamos apoiar o Curupira, outro carinha mítico do nosso povo. Seus pés tortos poderiam até remeter ao craque Garrincha, conhecido por suas pernas tortas. Sem vícios e tão esperto quanto seu companheiro de folclore, ainda tem cabelos de fogo, ótimos para subir na área adversária e cabecear!

E por falar em lembrar craques, de repente até o Pelezinho seria uma boa escolha. Apesar do lugar comum, o rei Pelé (seu inspirador) foi escolhido atleta do século, entre todas as modalidades. Somemos ao fato de ser obra de um desenhista extremamente brasileiro, Maurício de Sousa.

De mascotes equivocados já nos bastou o tal solzinho chamado Cauê. Nome com significado de saudação... Além do mais não somos descendentes dos Incas, estes sim povos adorados do deus Sol. Só que a votação foi popular e a maioria venceu.

Provavelmente, com a mascote da copa não será diferente... Se acontecer de realmente pleitearem o saci, e ele entrar na disputa, pode muito bem acabar como vencedor. Se bem que, vá lá, pode até representar adequadamente o futebol perneta que nossa seleção vem apresentando.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Saci

Quem precisa de Halloween?

Caldeirão de inúmeras culturas, nosso folclore é rico em personagens e histórias, suficientes para preencher dias e noites a fio de "causos" e contos.

Saudoso Sítio do Picapau Amarelo, exemplar da obra de Monteiro Lobato, retratado até na televisão brasileira. Inúmeros ícones a formar o imaginário infantil de muitas gerações...

Quantas crianças ainda sabem, nos dias de hoje, quem (ou o quê) é a Cuca? Como será interpretado até mesmo o nome Curupira? O conjunto de lendas, com tantas influências indígenas, remete a uma raiz legítima de brasilidade.

Representante máximo de nosso panteão, eleito por diversos movimentos de valorização da cultura tupiniquim, o Saci-Pererê, apenas Saci para os íntimos, reúne um dos mais completos conjuntos de influências. Talvez por isso conquiste tanto nossa simpatia e apreço.

Surgido entres nossos índios, ganhou forma e ferramentas de contribuições da tradição africana e européia. Resultou no produto do sincretismo mais primitivo. E vamos pelo interior afora (se é que isso é possível :)), com nossas peneiras, caçando seus redemoinhos.

A força de sua presença motivou a criação de diversas organizações dedicadas a seu estudo. Uma delas, a Sociedade dos Observadores de Saci - SOSACI, reúne histórias e testemunhos dos contatos com a sapeca entidade brasileira.

Para marcar a importância deste representante, foi instituído pelo poder público, em diversas instâncias, o Dia do Saci. Também mencionado por alguns como "Dia do Saci e seus amigos", é comemorado no dia 31 de outubro, confrontando com o "Dia das Bruxas", influente marca cultural americana.

Mais do que amedrontar, Iara, Boitatá, Mapinguari, além dos já citados Saci, Curupira e Cuca, permanecerão em nosso inconsciente, a proteger as raízes de uma cultura diversa e prolífera. Garanto ser mais divertido caçar a Mula-sem-cabeça, em noites de luar, do que sair pedindo doces e balas, fantasiados como algum ícone alienígena qualquer.