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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Negócio

Qual o verdadeiro "negócio da China"?

A expressão carregada de malandragem, traz parte da má impressão causada por anos de reclusão da sociedade chinesa.

Misteriosas terras distantes, devemos também ser misteriosos para eles. Houve tempo em que se falou de boicotar produtos produzidos por lá, ato decorrente da suspeita das péssimas condições de trabalho.

Em seu regime fechado, como serão os direitos trabalhistas, com oferta tão farta de mão-de-obra? Ocorre o mesmo questionamento, atualmente, com o trabalho em nossas lavouras de cana-de-açúcar, com o pujante crescimento da importância do etanol.

Pelas informações publicadas na revista Época, em matéria de capa desta semana, o tal negócio da China é mesmo fabricar. Observemos alguns dados do que é produzido por lá, com relação à produção global:

- 75% dos brinquedos
- 75% dos relógios
- 55% dos calçados
- 50% das câmeras digitais
- 50% dos contêineres
- 42% dos monitores
- 35% dos celulares
- 33% dos ônibus

Tudo bem que os caras têm quase 1/3 da população mundial, mas precisava quer fazer tudo por lá? É bem verdade que, com essa população, qualquer número em torno de 33% seria apenas para consumo interno. Isso se a riqueza no mundo fosse proporcional...

Aliás, permitir a riqueza parece ter sido um dos estopins de seu crescimento, com a liberação da propriedade individual, algumas décadas atrás. Além disso, aliar investimentos em educação, infra-estrutura e saúde, apoiaram e apóiam a evolução de sua economia.

Porém, apesar de alguma liberação, é difícil esquecer a falta de liberdade individual existente. Dicotômica essa realidade, assim como o misto existente entre comunismo e capitalismo em seu regime. Mesmo com o mundo se afeiçoando a eles, certamente nem tudo são flores do lado de lá...

Ao se confirmarem certas projeções, quais os efeitos de tal sociedade se tornar a principal economia mundial? As conseqüências do domínio americano já conhecemos. Podemos extrapolar algo baseados no passado? Boicotar é impraticável. Melhor nos prepararmos para a China e seus negócios.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cobaia

Pobres heróis humanos, salvadores da humanidade, as cobaias merecem discussão de sua situação.

Que direitos temos sobre a vida de outros seres vivos? Há critérios de valores para definir quais fins justificam seu sacrifício? Quais são os pesos na decisão de qual vida vale mais?

Em alguma época, a humanidade percebeu que os diferentes gêneros sexuais, guardadas suas idiossincrasias, pertenciam ao mesmo grupo. Homem e mulher ganharam igualdades, mesmo que ainda faltem muitas.

Muitos momentos depois, em nossa história, chegamos à percepção da igualdade entre grupos. Povos estrangeiros deixaram de ser tão estranhos. A humanidade recebeu um escopo imenso. Alguns povos ainda não compreenderam plenamente, mas participamos de mesma extensa aldeia global.

Já há bom tempo, estendemos nossa noção de direitos a todo tipo de vida. Plantas e animais reconhecidos em nossa semelhança de seres vivos pertencentes à mesma natureza. A vida igualmente distribuída entre todos participantes da grande criação natural.

Devemos uma parcela enorme do desenvolvimento de tecnologias médicas e remédios às pequenas e grandes cobaias utilizadas em experimentos. Seu sacrifício poupou o sacrifício de milhares de vidas humanas, no embate contra (ou com) as regras da natureza.

Causa nobre na teia da vida. Cadeia alimentar dificilmente é discutida. Parte de nós até discute, mas em intensidade bem menor. Ampliamos a visão de poder sobre outras vidas para sua utilização como peões na frente de combate. Reis também fazem isso entre nós...

A indústria de cosméticos não se fez de rogada. Também incluiu em seus procedimentos a exposição de cobaias. Comércio da beleza, intensamente perpetuada em tempos atuais, pratica experimentação em animais para manter a segurança de nossas efemeridades.

Várias alternativas têm sido desenvolvidas. Até cobaias de PVC! São soluções inteligentes, apesar de limitadas. Precisamos continuar em busca do equilíbrio e sensatez. Buscar desenvolver consciência ética para lidar com a vida em todas as suas manifestações.