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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Drywall

Soluções engenhosas despertam, no mínimo, curiosidade.

Semanas atrás, na televisão, vi o comercial de um produto (ou sistema) chamado Drywall. Mais do que um produto, é uma solução de engenharia, substituta de algumas técnicas de alvenaria.

Consiste de um tipo de parede pré-fabricada, modular e "remendável" facilmente. Ao invés de fazermos as paredes internas da residência de cimento e tijolo, utilizamos os kits do produto.

A promessa é de facilidade para consertos, remanejamento e conservação. Se precisarmos mexer em encanamento, basta um recorte. Depois uma placa do material, alguma fixação e massa para arrematar. Simples e prático.

Tudo isso me lembrou uma história do Tio Patinhas, quando o professor Pardal procurou dar solução aos remendos asfálticos, comuns em cidades. Comgás, Sabesp, Prefeitura são peritos em esburacar ruas e deixar remendos irregulares, para a felicidade de empresas de suspensão automotiva.

Na revista em quadrinhos a solução foi miraculosa. Um capeamento a base de gelo, que não se desfazia a temperatura ambiente e permitia a visualização perfeita das estruturas subterrâneas. Para manutenção, bastava um equipamento que liquefazia uma área circular, possibilitando o reparo no local exato. Terminado o serviço, a solidificação instantânea fechava o problema perfeitamente.

Engenharia é uma ciência baseada no planejamento e execução metódica. Em princípio, se faz a idealização do lugar e forma de tudo, para não surgir depois a necessidade de "abrir" uma porta em uma parede pronta. Como se isso nunca tivesse acontecido em alguma construção...

Com a solução da propaganda essa possibilidade nem fica trabalhosa. Além da limpeza e rapidez para reparos futuros. Tudo bem que são necessários serras, pregos de fixação, materiais de reparo específico, a atrelar a solução inicial ao resto do tempo de vida das paredes.

Bom ou ruim? O ganho em praticidade pode reduzir a preocupação em planejar. Fico a imaginar a quantos remendos as tais paredes suportam... Com o passar dos anos, se transformaria num mosaico de retalhos por baixo da bonita e irretocada aparência. Falta uma solução engenhosa para nossas deficiências humanas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Espaguete

Brincamos, aprendemos e, por fim, aprimoramos.

Desde a infância aprendemos a grande fórmula. De maneira lúdica aprendemos, para nunca mais esquecer. Sem consciência do fato, nosso aprendizado se infunde intensamente.

Filhotes de leão brincam de lutar. Exercitam as artes para os futuros combates. Gatinhos brincam de caçar, mesmo que uma pequena bolinha. Estudam as estratégias essenciais a sua sobrevivência.

Nós não fazemos diferente... Freqüentemente, exercitamo-nos dessa forma, mesmo depois, durante a vida adulta. Afinal, é no mínimo divertido aprender brincando.

Ontem, Domingão, dia de macarrão, lembrei de um assunto... Um colega de trabalho, há algum tempo, me apresentou os concursos de pontes de espaguete. Vai entender as conexões que nossas redes neurais fazem...

Tais concursos, direcionados a estudantes de Engenharia Civil, propõem a construção de pontes, em escala, apenas com macarrão, no caso o espaguete (cru, é claro).

A intenção é desafiar seus conhecimentos em cálculo estrutural. Usando um material frágil, em princípio, construir uma estrutura que suporte peso considerável.

Até lembrei dos tempos de faculdade, quando o pessoal da Física bagunçava os pesos-padrão do laboratório. O objetivo era infernizar o pessoal da Engenharia, em suas aulas laboratoriais de cálculo estrutural. Intrigas juvenis que rendiam situações engraçadas...

Parênteses à parte, as tais competições demonstram habilidade e precisão impressionante. O recorde brasileiro é a sustentação de 156 Kgf. O mundial é um pouco maior, 176 Kgf. Quanta resistência para uma pequena maquete de alguns centímetros!

O processo da competição é simples. As pontes são apresentadas pelas equipes. O corpo de julgamento vai colocando pesos, até chegar aos limites suportados pela estrutura. Ganha quem agüentar o peso maior. Parece até um campeonato de supino, comum em academias, das esculturas de macarrão.

Jeito bacana de desenvolver o estudo. Desafio, competição e brincadeira, levados a sério por seus participantes. Ainda bem que não resolvem levar essas idéias para projetos maiores. Já pensou, a novíssima ponte Octávio Frias de Oliveira, aqui em São Paulo, feita de espaguete? Fugiria dela em dias de chuva de quente verão...