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domingo, 11 de janeiro de 2009

Arcanjo

O mundo digital atinge as mais diferentes esferas.

Estreou há pouco tempo o site da comunidade participante da paróquia São Miguel Arcanjo, "O Arcanjo no ar". Os anjos ganharam seu espaço virtual.

Bacana da Internet é dar voz a todas as pessoas, indistintamente, sem importar tamanho ou influência. Pequenas comunidades podem conquistar um espaço de congregação e divulgação.

É verdade que se faz necessário acesso a rede, mas podemos considerar isso uma questão resolvida, ao menos na cidade de São Paulo.

O novo portal contempla as principais características do melhor presente na Web. Notícias, blog, artigos, fotos, newsletter: informações à vontade sobre as atividades da comunidade.

No blog, capitaneado pelo pároco, Monsenhor Júlio Lancellotti, palavras diárias da expressão do sentimentos e acontecimentos da caminhada de seu povo. Celebrações, penares, acontecimentos e reflexões, o dia-a-dia de um empenhado e atarefado sacerdote.

Ganham rosto todas as pessoas que participam. Na seção "O Rosto da Comunidade" há um índice para fotos dos principais eventos e encontros. Um quê de rede de relacionamentos, para verem os conhecidos e se fazer ver.

Até voz o Arcanjo tem! Uma área dedicada a publicação de áudio e vídeo, "Voz do Arcanjo". Sermões de dias especiais, contos e histórias narrados pelo pároco. Em época de Natal, a novena foi divulgada para ser ouvida e acompanhada. Releitura moderna de uma antiga tradição católica.

Orações e reflexões não poderiam faltar, para por em pauta ideias e pensamentos, contemporâneos ou tradicionais. Reforço no conhecimento da doutrina e insumo para compreensão da própria fé.

Destaques, eventos e notícias fazem a veia jornalística, das questões sociais, comunitárias ou mundiais. Opinião e reportagem do cotidiano, sempre referente a visão compromissada com os preceitos de sua filosofia. Tudo sempre acompanhado de muitas fotos e fontes de informação.

Web é isso aí! Informação, colaboração (comentários e contribuições são muito bem-vindas) e acessibilidade. A pequena paróquia se faz ouvir pelo mundo. Que o Arcanjo esteja no ar, pela rede mundial ou presente em nossas vidas. Inspiração diária conduzida plenamente pelo amor.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Associação

Ah, como adoramos nos associar!

Nicholas Carr, em seu último livro - "A Grande Mudança", relata sua preocupação em como a tecnologia na Internet promove o atendimento contínuo de nossos gostos pessoais.

Estaríamos assim, com a personalização on-line, nos fechando em nossas preferências, em nossos gostos por livros, músicas, assuntos. Acabaríamos fechados em pequenas comunidades com interesses comuns e bem particulares.

Mas não é disso que são feitas as redes sociais? E não digo apenas na grande rede, mas na vida concreta de carne e osso. Tanto lá, como cá, não será a imposição de comportamento que mudará essa tendência humana de associação.

Comumente, algumas pessoas até exageram no afã pelo agregar. Uma pessoa próxima, certa vez foi convidada a participar de um grupo de estudos do Budismo. Após algumas visitas e outros persistentes "re-convites descompromissados", sentiu que conhecera a Igreja Universal do Reino de Buda.

Um amigo do trabalho recentemente procurou uma instituição para prática de yôga. Gostou bastante da recepção e acolhida, mas chegou a comentar certo entusiasmo destoante. Chegou a incomodar o ímpeto até doutrinário presente no ar.

Acaba sendo engraçado... Coincidentemente, hoje, eu lia um livro sobre o Swásthya Yôga, no Metrô. Pratiquei um pouquinho há algum tempo e ainda tenho a curiosidade sobre o assunto. O livro da Universidade do Yôga, "Tudo o que Você Nunca quis Saber...", é material farto e bem direcionado.

Perto da minha estação de descida, uma moça me perguntou se eu desceria na próxima, o que ainda não era o caso. Ao me virar, ela me disse poder aguardar a parada do trem, para então eu dar passagem. Voltei a minha posição e continuei lendo...

De repente, ouvi uma exclamação, meio interrogação, atrás de mim: "Swásthya!?". Quase respondi: "Saúde!". Considerei ter relação com a minha leitura, mas não me manifestei, pois eu não havia sido inquirido, nem física, nem verbalmente.

Quando chegamos à estação da moça, e eu dei passagem, ela me perguntou, com um sorriso, de passagem: "Você pratica Swásthya?". Com minha rápida negativa, mas com a afirmação de simpatia, ela agradeceu a passagem e se despediu com outro sorriso.

Praticante de passagem? Simpatizante permanente? Desconheço qual a relação dela com o assunto, mas sua simpatia me lembrou a mencionada acolhida, a agregação. De certa forma, fico feliz em ser alvo de tal manifestação. Em um meio embrutecido, como no transporte público em final de dia, nossa mania de agregação nos torna mais humanos, sensibilizados pelas outras pessoas.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Dentista

Dentistas causam medo em muitas pessoas.

Conheço pessoas que correm facilmente de uma consulta. Basta uma pequena desculpa... Trauma de infância? Reação ao insistente barulho do motorzinho? Alergia ao aroma característico?

Triste constatar que muitos brasileiros deixam de ir ao profissional da boca por falta de recursos financeiros. Há poucos anos, li alguns dados que apontavam a inacessibilidade ao tratamento privado para mais de 95% da população!

E pensar que temos centenas de milhares de dentistas formados. Houve muita melhora nas condições nos últimos anos, mas cerca de 7 anos atrás, 40% dos brasileiros, com até 6 salários mínimos mensais, chegavam aos 60 anos desdentados.

É uma questão estética e de saúde. A estética, liga a imagem, remete também a saúde social. Sabemos da influência de nossa apresentação em nossos vínculos sociais. Possuir acesso a tratamento dentário é garantir acesso à saúde.

Movido pelo altruísmo, e certo senso de retribuição, o odontologista de estrelas, Fábio Bibancos, criou o movimento Turma do Bem. Com a missão de mudar a percepção da sociedade na questão da saúde bucal e da classe odontológica com relação ao impacto socioambiental na sua atividade, convoca profissionais de todo país a serem voluntários.

Os dentistas voluntários inscritos adotam jovens de 11 a 18 anos e se comprometem com o tratamento dentário do apadrinhado por todo este período de idade. É apenas uma das facetas de atuação da organização.

Testemunhamos uma versão brasileira do Trem do Sorriso, entidade internacional que percorre países, em um trem, provendo tratamento facial para pessoas carentes. Tal movimento vai além da preocupação com os dentes, mas procura a solução do mesmo problema: garantir condições sociais igualitárias às crianças pobres do mundo.

Sociedade movimentada, resultados apresentados. Em tempos de poderes públicos morosos, outro poder, também público e legítimo, se compromete com o desenvolvimento do bem comum. A perpetuação de qualquer dos poderes instituídos depende diretamente da capacidade de sorrir das pessoas.

terça-feira, 10 de junho de 2008

citIX

"Posso contar a história de Olinda, moço?".

Qualquer pessoa que já visitou Olinda, em Pernambuco, certamente ouviu este chamado de um guia mirim, comum nas ruas da cidade.

Guias em viagens turísticas sempre são uma boa pedida, mesmo com qualidade questionável. Sempre é uma visão de alguém do local. Basta estarmos cientes desta situação.

Conhecer a história, as dicas de lugares, onde devemos e podemos ir, é tarefa árdua para uma única viagem de turismo. Algumas pessoas defendem que em um passeio conseguimos apenas visitar, não conhecer a localidade.

Muitos habitantes de São Paulo, se não a maioria, conhecem apenas uma pequena parte de sua enorme cidade. Que tal se cada habitante contribuísse com seu conhecimento sobre sua metrópole, disponibilizando para quem desejasse visitá-la, ou mesmo para conterrâneos desconhecedores de outros recantos de sua terra?

No site citIX (de City Information Exchange) isso já é realidade. Lá você pode localizar, marcar e compartilhar informações sobre eventos, lugares, instituições, segurança e serviços públicos. Toda contribuição, como se espera, é bem-vinda. Aquilo que se conhece no cotidiano, mais próximo de nossa rotina é o insumo para o trabalho.

Quem desejar, pode depois pesquisar livremente. Vai para alguma cidade desconhecida? Veja se há dicas de bons programas. Será que em seu bairro existe algo que você não conheça? Verifique e se surpreenda. Quem sabe?

É uma iniciativa integradora, comunitária e aproveitando o melhor da tecnologia. Verdadeiro espírito da Web 2.0! Considero-a muito melhor do que seu primo, o site Wikicrimes. Ele serve para pontuar e relatar eventos de violência pelas cidades. Triste conseqüência do desequilíbrio metropolitano moderno.

Nem tudo são flores! É nossa responsabilidade cultivá-las e lhes dar mais atenção. Mais interessante do que mapear e evitar a violência é promover a colaboração das pessoas. A humanização de nossos habitats ó caminho insubstituível para a transformação do espaço público.

domingo, 18 de maio de 2008

Trindade

Como nos tornamos comunitários?

Pesquisadores da psicologia infantil assumem que somente aos 3 anos de idade estamos em condição de compreender e viver um grupo.

Até essa idade, a criança é egocêntrica, está adquirindo a linguagem social, para aprender a colaborar e compartilhar, bens e vivências, momentos e idéias.

Orientar o caminho infantil é função dos mais velhos. Sem intervenção, possibilitar que as soluções desenvolvidas pelas próprias crianças caminhem para o desatar da busca única pelo "eu", ou "meu".

Viver um experiência transcendental, uma fé primando pelo grupo, é reforço cotidiano deste aprendizado, levado por toda a vida.

O pactuar com as idéias comunitárias tem seu início no próprio conceito central de Trindade. O ícone máximo de uma corrente de idéias está fundamentado na composição de três pessoas, três identidades, integrados em um único e supremo Ser. Revelação máxima da nossa missão!

Desvendamos parte dessa vida pela catequese. Na juventude, apresentados a grande proposta divina, nos conscientizamos de nosso papel e resolvemos por assumi-lo. Compromisso quase pueril, é início do caminho pela caridade.

Exige a dedicação e empenho de todos. Pais e mães, crianças e catequistas, em esforço semanal, comumente matutino, unidos na grande descoberta e discussão dos meandros da cultura da fé germinal, brotando em pequenos corações dispostos e abertos.

Celebrar a primeira comunhão no dia da festa da Santíssima Trindade é mais do que coincidência. É prenúncio da misteriosa presença a acompanhar nossos passos. Poder participar desta celebração comunitária é receber a graça de vivenciar verdadeira comunhão, compreender um pouco mais o significado de doar o próprio sangue e carne.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Salvem

Salvem o XP!

Gritam em uníssono milhares de usuários do Windows XP, descontentes com a possibilidade de descontinuação futura do sistema operacional por ele amados.

Instabilidades são normais em novas aplicações, ainda mais em sistemas operacionais. O Windows XP inaugurou a era dos códigos com dezenas de milhões de linhas de código (os componentes de um programa de computador), dificultando ainda mais a tarefa de sanar, ou prevenir, problemas.

Assim como ocorreu com XP, o Windows Vista passa por esse momento inicial. Muitas incompatibilidades, diversos problemas de instabilidade, mas tudo deverá passar. Porém os seis anos de história precedente do XP marcam as pessoas, após algumas experiências mal-sucedidas na área.

Apoiados pela publicação InfoWorld, o movimento ganhou volume. Há em seu site uma petição para ser assinada tentando convencer a Microsoft de prolongar a existência da amada versão do Windows.

O movimento se difundiu em blogs, podcasts, criação de vídeos. Um verdadeiro movimento popular em busca de uma causa. Pena as causas atuais serem tão pequenas. Não devemos esquecer o fato de organização alvo ser uma empresa, pautada por interesses econômicos, como não poderia deixar de ser.

Provavelmente pouco mudará. A lógica de lançamento de novas versões é o principal motor de muitas indústrias da atualidade. Alguns sucessos antigos são prolongados por mais tempo, mas inevitavelmente serão descontinuados posteriormente.

Faz-se necessário exercitar o desapego. O mundo tecnológico, que não deixa de ser nossa realidade cotidiana, é de constante mudança. Precisamos exercitar a adaptação. Aprender a aprender novas formas, novas idéias. A novidade tem um custo, mesmo que ele vem em certa dor de cabeça inicial.

Se temos dificuldade de desapego e aprendizagem em itens tão corriqueiros, como não será para assuntos mais complexos e humanos? Há um longo caminho para um novo mundo...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

São Martinho

São Martinho de Lima, religioso dominicano, foi filho ilegítimo de um nobre espanhol, mas mesmo reconhecido pelo pai, sofreu preconceito na ordem onde decidiu seguir sua vocação.

O principal ‘problema’ de Martinho era ser pobre e mestiço. Essa sua condição lhe permitia apenas servir como doado, algo quase como um escravo e não como frade, lugar mais baixo na hierarquia da Ordem Dominicana.

Aceitou com simplicidade a posição lhe imposta, e além de cuidar de suas obrigações diárias, inerentes a sua posição na ordem, ainda saía às ruas a esmolar, a fim de ajudar os mais necessitados.

Em São Paulo, temos um São Martinho também: a comunidade São Martinho de Lima. Organização filha da cidade, reconhecida por ela, pois é conveniada com a administração pública municipal, socorre seus filhos mais pobres, mas é discriminada pelas instituições oficiais.

Há dois meses fiz menção a tal situação, de certa perseguição. As coisas não melhoraram e parecem até piorar. Na semana passada o tema foi segurança alimentar das refeições no local.

Fiscais vistosos da vigilância sanitária foram averiguar as condições existentes na comunidade. A instituição existe há 18 anos, tem o convênio com a prefeitura há muito tempo. São servidas mais de 650 refeições (mesmo com o convênio municipal apenas para 150) para a população de rua, diariamente, sem nenhuma ocorrência de problemas, além de fornecer orientação e acompanhamento para documentos, trabalho, etc.

O que pode motivar uma investida desta qualidade?

Detalhes ocasionais foram encontrados, comuns a qualquer estabelecimento a lidar com alimentos. Nada grave. As recomendações serão seguidas e os detalhes ajustados. Fora isso, a avaliação foi satisfatória. Qual será o próximo evento nessa ofensiva?

As alvas fiscais recearam um contato mais próximo com as pessoas atendidas no local. Sua ilibada limpeza contrasta com a situação do povo de rua. De qualquer forma, será preferível se alimentar de restos encontrados no lixo da rua, ou da comida preparada com carinho e dedicação das senhoras do bairro?

Ausente o poder público se mostra impossibilitado de atender a todos. Quando a população busca uma iniciativa adequada e satisfatória, o mesmo poder surge para se manifestar contrariamente, com todas as possibilidades. Começamos a ficar sem possibilidades, a não ser confiar na providência divina.

São Martinho, rogai por nós!